De vez em quando, alguns leitores perguntam-me qual a minha impressão sobre célebres articulistas anti-esquerda e/ou conservadores não-evangélicos dos EUA e do Brasil, sobre o que sei e penso de seus posicionamentos, se tenho algum senão em relação a algum pensamento deles etc. Como não são poucos os que me perguntam isso, e para poupar-me de repetir muitas vezes a mesma resposta a cada um dos que me abordam, apresento aqui uma única e final exposição sobre o assunto.
Antes de tudo, é importante frisar que, como cristãos, nossa missão vai além das preocupações com as questões políticas e sociais de nosso tempo. Envolve esses assuntos, mas não apenas eles. Agora, por envolver-lhes também, a intersecção entre a nossa luta pelos valores na sociedade e a luta de outros segmentos em favor de valores que prezamos nos leva naturalmente à empatia em relação à boa parte da produção intelectual de nomes desses segmentos, independente de serem estes evangélicos ou não. Não é uma sintonia total, mas apenas em relação a certos pontos. Em alguns casos, a sintonia é maior; em outros, menor.
Exemplifico e, inspirado nas perguntas que me chegam, citarei agora alguns nomes bem conhecidos. Gosto, por exemplo, dos livros e artigos do professor, jornalista e filósofo católico conservador Olavo de Carvalho. Aliás, considero que muitos de seus textos estão entre os mais lúcidos já escritos em nossos dias sobre a atual conjuntura política, filosófica, social e econômica que vivemos no Brasil, na América Latina e no mundo. Porém, e obviamente, isso não significa dizer que me alinhe a todos os seus posicionamentos. E tais diferenças nada impedem que reconheça o brilhantismo e o acerto em suas colocações.
Da mesma forma, gosto de muitos textos do jornalista Reinaldo Azevedo, mas daí a pensar que concordo com todos os seus posicionamentos é bem diferente. Muito ao contrário. Ele é evolucionista teísta, eu sou criacionista; ele apóia a adoção de crianças por homossexuais, eu não apoio; ele é a favor dos abortos por estupro e terapêutico, e eu, não; ele é condescendente com o projeto de legalização da união civil homossexual, enquanto eu, não. Azevedo também foi inicialmente a favor da liberação das pesquisas com células-tronco embrionárias, mas, felizmente, mudou de posição depois. Poderia citar outros exemplos mais modestos de divergências, mas esses bastam. Entretanto, tais divergências (algumas profundas) não impedem que admire seus textos sobre política, imprensa, democracia, liberalismo econômico, contra a liberalização do aborto, contra a descriminalização das drogas, e a favor de campanhas pró-abstinência sexual até o casamento e pró-incentivo à fidelidade conjugal.
Gosto até de muitos textos do jornalista e escritor Diogo Mainardi, apesar de sua acidez e queda pelo liberalismo social. Mesmo admirando alguns de seus textos, fato é que ele é ateu, eu não; ele, conquanto pessoalmente contra o aborto, defende o “direito” de as mulheres decidirem abortar ou não, enquanto sou contra o aborto em todos os casos (eu era, até pouco tempo, seguindo a tradição histórica evangélica, condescendente apenas com o aborto terapêutico, mas, como já disse aqui, fui convencido, depois dos debates sobre o caso do aborto na menina de 9 anos em Recife, que uma situação em que a vida da mãe esteja em sério risco é, devido aos recentes avanços científicos, quase inexistente). Enfim, há divergências. E não são poucas. Mas, o que gosto nos textos de Mainardi são suas apurações jornalísticas e suas colocações no que diz respeito à política, à imprensa, às esquerdas e ao liberalismo econômico.
Mais um exemplo: gosto dos textos do poeta e jornalista judeu Nelson Ascher, mas daí a pensar que alinho-me com tudo o que diz é igualmente um erro. Minhas concordâncias são, sobretudo, em relação às suas colocações sobre política e esquerdismo. Além de muita coisa na área de cultura.
Gosto de textos do sociólogo e escritor Demétrio Magnoli, mas daí a concordar com tudo o que ele escreve é bem diferente. Aliás, o professor Magnoli, que escreve geralmente textos muito bons, com ricas informações e lógica apurada, já me surpreendeu algumas vezes usando argumentos pífios para defender posicionamentos dos quais discordo profundamente.
Aproveitando: Magnoli e Ascher não são de direita ou conservadores, como muitos pensam, mas, sim, o que pode ser classificado, no espectro político, de centro. Ascher é declaradamente social-democrata. Reinaldo Azevedo, por sua vez, já disse estar mais alinhado ideologicamente ao antigo PFL (hoje DEM) do que ao PSDB, apesar de ser acusado constantemente de ser “tucano”. Ele é um anti-esquerda, mas não plenamente conservador. E Mainardi é defensor do liberalismo econômico (o que é bom), embora seja adepto do liberalismo social (o que é mau). Conservador mesmo, no sentido clássico, desses mencionados, só mesmo o Olavo de Carvalho.
Enfim, ao citar em alguma postagem minha Ascher, Magnoli, Mainardi, Azevedo ou Olavo de Carvalho (ou Ali Kamel [que, como Ascher, Magnoli e Mainardi, não é um conservador, mas tem abordagens interessantes], ou ainda os conservadores Ann Coulter e Thomas Sowell, dentre outros), obviamente não estou dizendo que concordo com cada um de seus posicionamentos, mas, sim, que concordo com aqueles argumentos que menciono.
Antes de tudo, é importante frisar que, como cristãos, nossa missão vai além das preocupações com as questões políticas e sociais de nosso tempo. Envolve esses assuntos, mas não apenas eles. Agora, por envolver-lhes também, a intersecção entre a nossa luta pelos valores na sociedade e a luta de outros segmentos em favor de valores que prezamos nos leva naturalmente à empatia em relação à boa parte da produção intelectual de nomes desses segmentos, independente de serem estes evangélicos ou não. Não é uma sintonia total, mas apenas em relação a certos pontos. Em alguns casos, a sintonia é maior; em outros, menor.
Exemplifico e, inspirado nas perguntas que me chegam, citarei agora alguns nomes bem conhecidos. Gosto, por exemplo, dos livros e artigos do professor, jornalista e filósofo católico conservador Olavo de Carvalho. Aliás, considero que muitos de seus textos estão entre os mais lúcidos já escritos em nossos dias sobre a atual conjuntura política, filosófica, social e econômica que vivemos no Brasil, na América Latina e no mundo. Porém, e obviamente, isso não significa dizer que me alinhe a todos os seus posicionamentos. E tais diferenças nada impedem que reconheça o brilhantismo e o acerto em suas colocações.
Da mesma forma, gosto de muitos textos do jornalista Reinaldo Azevedo, mas daí a pensar que concordo com todos os seus posicionamentos é bem diferente. Muito ao contrário. Ele é evolucionista teísta, eu sou criacionista; ele apóia a adoção de crianças por homossexuais, eu não apoio; ele é a favor dos abortos por estupro e terapêutico, e eu, não; ele é condescendente com o projeto de legalização da união civil homossexual, enquanto eu, não. Azevedo também foi inicialmente a favor da liberação das pesquisas com células-tronco embrionárias, mas, felizmente, mudou de posição depois. Poderia citar outros exemplos mais modestos de divergências, mas esses bastam. Entretanto, tais divergências (algumas profundas) não impedem que admire seus textos sobre política, imprensa, democracia, liberalismo econômico, contra a liberalização do aborto, contra a descriminalização das drogas, e a favor de campanhas pró-abstinência sexual até o casamento e pró-incentivo à fidelidade conjugal.
Gosto até de muitos textos do jornalista e escritor Diogo Mainardi, apesar de sua acidez e queda pelo liberalismo social. Mesmo admirando alguns de seus textos, fato é que ele é ateu, eu não; ele, conquanto pessoalmente contra o aborto, defende o “direito” de as mulheres decidirem abortar ou não, enquanto sou contra o aborto em todos os casos (eu era, até pouco tempo, seguindo a tradição histórica evangélica, condescendente apenas com o aborto terapêutico, mas, como já disse aqui, fui convencido, depois dos debates sobre o caso do aborto na menina de 9 anos em Recife, que uma situação em que a vida da mãe esteja em sério risco é, devido aos recentes avanços científicos, quase inexistente). Enfim, há divergências. E não são poucas. Mas, o que gosto nos textos de Mainardi são suas apurações jornalísticas e suas colocações no que diz respeito à política, à imprensa, às esquerdas e ao liberalismo econômico.
Mais um exemplo: gosto dos textos do poeta e jornalista judeu Nelson Ascher, mas daí a pensar que alinho-me com tudo o que diz é igualmente um erro. Minhas concordâncias são, sobretudo, em relação às suas colocações sobre política e esquerdismo. Além de muita coisa na área de cultura.
Gosto de textos do sociólogo e escritor Demétrio Magnoli, mas daí a concordar com tudo o que ele escreve é bem diferente. Aliás, o professor Magnoli, que escreve geralmente textos muito bons, com ricas informações e lógica apurada, já me surpreendeu algumas vezes usando argumentos pífios para defender posicionamentos dos quais discordo profundamente.
Aproveitando: Magnoli e Ascher não são de direita ou conservadores, como muitos pensam, mas, sim, o que pode ser classificado, no espectro político, de centro. Ascher é declaradamente social-democrata. Reinaldo Azevedo, por sua vez, já disse estar mais alinhado ideologicamente ao antigo PFL (hoje DEM) do que ao PSDB, apesar de ser acusado constantemente de ser “tucano”. Ele é um anti-esquerda, mas não plenamente conservador. E Mainardi é defensor do liberalismo econômico (o que é bom), embora seja adepto do liberalismo social (o que é mau). Conservador mesmo, no sentido clássico, desses mencionados, só mesmo o Olavo de Carvalho.
Enfim, ao citar em alguma postagem minha Ascher, Magnoli, Mainardi, Azevedo ou Olavo de Carvalho (ou Ali Kamel [que, como Ascher, Magnoli e Mainardi, não é um conservador, mas tem abordagens interessantes], ou ainda os conservadores Ann Coulter e Thomas Sowell, dentre outros), obviamente não estou dizendo que concordo com cada um de seus posicionamentos, mas, sim, que concordo com aqueles argumentos que menciono.
Com alguns desses nomes concordo muito mais do que com outros, mas, obviamente, com nenhum deles concordo em relação a tudo.
Como disse Paulo, "examinai tudo; retende o bem". Aplicando esse método em nossas leituras cotidianas, percebemos que, da produção de alguns articulistas seculares, não sobra praticamente nada. De outros, sobra alguma coisa. E de outros ainda, há muito a se aproveitar. Cabe a nós sermos bons examinadores.





