quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Como previsto, um homem extremamente coerente com sua biografia e fiel aos alvos da cartilha do liberalismo social

Hoje, faz um ano que Barack Hussein Obama foi eleito presidente dos Estados Unidos da América. Há pouco mais de um ano, mais precisamente em 5 de outubro de 2008, escrevi um artigo sobre as razões pelas quais, mesmo não sendo fã de MCain, preferia este a Obama e não era nada simpático à candidatura do então senador democrata, por mais incensado que este fosse pela maioria da mídia de lá, de cá e de toda parte. O artigo pode ser lido aqui.
Bem, um ano depois de eleito e com pouco mais de nove meses de mandato, Obama foi, como esperado, absolutamente fiel a todas as promessas que fez na área de liberalismo social e falho nas promessas que fez em outras áreas. Tudo dentro do script. Aliás, essa era uma das coisas mais óbvias de se antever. Não era preciso ter “bola de cristal”, revelação, nada disso, para saber essas coisas. Era só olhar para a biografia do indivíduo e esperar que ele mantivesse a coerência ideológica que marcou sua trajetória. Quanto ao que prometeu que se chocava com a realidade dos fatos, naturalmente deveríamos deixar de lado. A maioria das pessoas, porém, prefere marketing de campanha, afetação, esse tipo de coisa; e aí, logo depois que a fumaça abaixa, vem a frustração.
Pois bem, vejamos a extraordinária coerência de Obama.
Escrevi à época de sua campanha, no texto já mencionado, que Obama faria de tudo para apoiar os abortistas, e... Bingo! O seu primeiro ato como presidente, em 21 de janeiro, foi decretar a Lei da Liberdade de Escolha, que autoriza o financiamento de ONGs internacionais pró-aborto com dinheiro público americano. Ademais, sua reforma na área de saúde inclui oferecer aborto gratuito a toda a população. Absolutamente previsível.
Afirmei ainda que Obama era a favor da destruição de embriões para a produção de células-tronco e faria de tudo para liberar essa prática nos EUA, e... Bingo! Em 9 de março, com o apoio de um Congresso americano esmagadoramente formado pelos seus colegas liberais (capitaneados por Nancy Pelosi, da ala radical do Partido Democrata [O Congresso americano já viu dias melhores...]), o homem assinou a liberação de tal pesquisa e o financiamento público para sua execução. Totalmente previsível.
Escrevi também que Obama era a favor do movimento homossexual e faria tudo para implementar a agenda desse movimento, e... Bingo! Obama estabeleceu que o mês de junho nos EUA será agora o “Mês gay dos EUA”, um mês dedicado a homenagear o homossexualismo no país, e ainda está lutando pela aprovação, no Congresso, de projetos de lei contra a chamada “homofobia”. Aliás, já conseguiu a aprovação de um deles e está lutando pela dos demais (leia aqui).
Lembrei ainda que Obama era a favor da legalização de drogas e... Bingo! Há poucos dias, o homem acabou com as restrições ao consumo de drogas implementado pelo governo anterior em contraposição ao consumo liberado de maconha em 14 Estados dos EUA (leia aqui). Tudo isso para a alegria de George Soros, que está fazendo campanha para que Obama inclua no tal Sistema Público Nacional de Saúde a maconha por receita médica (leia aqui e aqui). Aliás, meses atrás, Obama chegou até a levar a sério a cogitação de alguém a respeito da legalização da maconha como uma estratégia para “aquecer a economia americana”, porém descartou não o seu desejo de lutar pela legalização da maconha em todo o país, o que permanece, mas a legalização da maconha como método eficiente para reverter a crise (leia aqui). O objetivo de Obama, já celebrado de antemão pelos que lutam pela legalização da maconha, é, ao final, liberar a maconha para fins lúdicos (leia aqui). Imensamente previsível.
Apresentei também meus temores de que Obama, ao ser eleito, colocaria no alto escalão de seu governo gente extremamente liberal e radical, justamente porque sua vida estava totalmente associada a essa turma. Adivinhem. Outra vez, bingo! Só para citar três exemplos (porque citar todos os casos aqui resultaria em uma postagem quilométrica): O chefe do Escritório de Segurança nas Escolas do governo Obama é um ativista do movimento homossexual (leia aqui) e outros dois secretários de Obama são fãs confessos do carniceiro Mao Tsé-Tung, que matou 70 milhões de pessoas na China, inclusive milhões de cristãos.
Vamos aos fatos.
Durante a 6ª edição do Fórum Anual de Investimento, realizado no Clube da Liga da União de Nova Iorque, nos dias 27 e 28 de fevereiro de 2008, Ron Bloom, membro da ala radical do Partido Democrata e nomeado por Obama conselheiro sênior do presidente dos EUA para assuntos relativos à indústria, bem como líder da força-tarefa do governo para salvar a indústria automobilística (boa parte dela foi estatizada neste ano), externou sua admiração por Mao Tsé-Tung. Ao palestrar no evento supracitado sobre o tema “O papel da União na falência e reestruturação”, Bloom revelou o que acha de verdade sobre o Livre Mercado e sobre o pensamento de Mao Tsé-Tung a respeito. Disse ele: “Sabemos que o Livre Mercado é um disparate. Sabemos que a questão toda está no sistema de jogo. (...) Sabemos que isso é em grande parte sobre poder. (…) Estou de acordo com Mao (Tsé-Tung) de que o poder político vem em grande parte do cano de uma arma”. Veja e ouça a fala de Bloom aqui. Acho que, depois desse discurso, Obama não pensou duas vezes: "O homem odeia o Livre Mercado e é fã de Mao Tsé-Tung! Que maravilha! Se eu for eleito, esse é o cara que preciso para essa crise econômica". Idealizado e feito.
Anita Dunn, atual diretora de Comunicações da Casa Branca, que também pertence à ala radical do Partido Democrata, foi a conselheira sênior da campanha de Obama à presidência dos EUA. Dunn afirmou recentemente que é fã de Mao Tsé-Tung e que a Casa Branca controla a mídia americana.
Sobre seu apreço a Mao, disse Dunn, em 5 de junho, discursando aos estudantes da Escola Episcopal de Saint Andrews, em Potomac, Maryland (EUA): “...a terceira lição e dica [que quero vos passar] vem de dois dos meus favoritos filósofos politicos: Mao Tsé-Tung e Madre Tereza, não muitas vezes ligados entre si, mas as duas pessoas para quem me volto no dever de apresentar um ponto simples, que é: você deve fazer escolhas, você deve desafiar, você deve dizer ‘Por que não?”, você deve descobrir como fazer as coisas que nunca foram feitas antes. Este é o ponto: As escolhas são suas, elas não são de mais ninguém. [Exemplo:] Em 1947, quando Mao Tsé-Tung foi contestado dentro do seu próprio partido em seu plano para tomar a China. Chiang Kai-shek e os nacionalistas chineses estavam em algumas cidades, tinham o exército e a força aérea, tinham tudo ao seu lado. E as pessoas diziam a Mao: ‘Como você pode ganhar? Como você pode fazer isso?’. E, então, Mao Tsé-Tung disse, vocês sabem: ‘Vocês lutam sua guerra e eu lutarei a minha’. Pense sobre isso por um segundo. Você não tem que aceitar a definição de como fazer as coisas e não tem que seguir as escolhas de outros povos e caminhos. Ok? Trata-se de suas escolhas e seu caminho. Você luta sua própria guerra, você define o seu próprio caminho, você descobre o que é certo para você. Você não deixa a definição externa definir a sua definição interna do que é bom para você, você luta a sua guerra e deixa eles lutarem a deles. Todo mundo tem o seu próprio caminho”. Veja e ouça Anita proferindo estas "sábias" palavras aqui.
E há poucos meses, em uma conferência na República Dominicana, Anita Dunn afirmou: “Nós controlamos as notícias da mídia”. O vídeo está aqui. Nele, ela explica como a campanha de Obama controlou a circulação e os trabalhos da grande mídia (NBC, MSNBC, ABC, CBS, CNN, New York Times etc), que, por sua vez, aceitava submissa esse controle por ter toda boa vontade em relação a Obama. Mais sobre o assunto pode ser lido aqui.
Enfim, Obama é cansativamente previsível. Exaustivamente previsível.
Hoje, nos Estados Unidos, há muita gente decepcionada com Obama. Os “evangélicos moderados”, que foram decisivos para elegê-lo, já nos primeiros meses de mandato se disseram arrependidos por o terem apoiado (leia aqui). A população americana, que dava a ele cerca de 65% de apoio no início do mandato, também está decepcionada e indignada (Hoje, mais da metade dos americanos não aprova o governo Obama). Eu, não. Obama não me decepcionou em nada. O máximo que posso dizer é que ele chega a ser enfadonhamente previsível.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Drops de outubro: Confissões de Benny Hinn e William Bonner, "obamices" e Jim Belcher, o novo "inventor da roda"

Charles Grassley, senador republicano por Iowa, lidera uma investigação sobre as finanças de seis grandes ministérios paraeclesiásticos dos EUA, dentre eles o de Benny Hinn. Diante da pressão, Hinn cedeu duas entrevistas sobre o assunto: uma ao canal a cabo Fox News e outra, a mais recente, ao canal ABC. A entrevista à ABC se deu em 20 de outubro. Nela, Hinn revelou que o seu ministério arrecada 100 milhões de dólares por ano e disse que o fato de ter um avião particular “não é extravagância, mas necessidade”. Ele ainda admitiu que muitas pessoas que testemunham em seus cultos e programas que foram curadas por suas ministrações estão hoje com os mesmos problemas de saúde.

Grande parte das faculdades de Jornalismo, sobretudo as públicas, se preocupa mais em fazer uma doutrinação ideológica de esquerda do que em formar profissionais. Não é papel da universidade doutrinar ninguém, mas oferecer um universo de conhecimentos. Além disso, há duas áreas desprezadas pelos cursos de jornalismo: português e história”. Essa declaração, com a qual concordo em gênero, número e grau, é de alguém com quem nem sempre concordo em gênero, número e grau: William Bonner, editor-chefe do Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão. Ela foi proferida na sexta-feira, 16 de outubro, pela manhã, quando Bonner dava uma palestra a 450 alunos no auditório da Universidade Católica de Pernambuco, em Recife, ocasião em que acabou batendo boca com um professor de Sociologia da Comunicação daquela instituição que se incomodou exatamente com a declaração de Bonner de que as faculdades de Jornalismo doutrinam seus alunos para serem de esquerda.

Lembram-se do que escrevi aqui há meses sobre Obama e a perseguição a Fox News? Pois é, este mês a coisa chegou ao seu clímax e acabou sendo notícia até mesmo nas mídias que normalmente bajulam Obama. Veja aqui o artigo que escrevi a respeito em 19 de junho e aqui a matéria da revista Veja sobre o assunto. Detalhe: o autor da matéria de Veja, André Petry, um liberal fã do Partido Democrata, se apresenta agora como um obamista frustrado, depois de ver seu ídolo bater um recorde: Barack Hussein Obama é o presidente dos EUA que mais rapidamente foi do céu ao inferno em termos de popularidade. Em oito meses de mandato, mais da metade dos americanos já era contra o governo Obama. Só para usar um parâmetro: Bush levou sete anos de mandato para chegar aos atuais índices de Obama.

Outra observação: chega a ser risível ver Petry e demais jornalistas liberais referirem-se à CNN, à ABC, ao The New York Times como “independentes”, até mesmo quando não conseguem esconder o fato de que todas essas mídias sempre foram pró-democratas, algumas há mais de 30 anos. Vergonhosamente, eles apostam na ingenuidade dos seus leitores. Não precisa nem conhecer a linha editorial desses jornais e canais de notícias. Basta raciocinar: “Vem cá, quer dizer que os que não são pró-republicanos são independentes? Quer dizer que não tem mídia pró-democratas nos EUA ?”. CNN, ABC, NYT, Washington Post, Los Angeles Times etc não são “independentes”. Eles se declaram convenientemente "independentes", como a própria Fox News também o faz, mas são pró-democratas. Assim como 90% dos programas políticos e de debates das rádios americanas (Talk Shows) são conservadores ou pró-republicanos. Fox News é pró-republicanos, Wall Street Journal é pró-republicanos e CNN, ABC, NYT, Washington Post, Los Angeles Times etc são pró-democratas.
Agora todo mundo quer “inventar a roda”. Jim Belcher, um escritor evangélico americano, lançou recentemente um livro intitulado Deep Church: A Third Way Beyond Emerging and Traditional. O que ele propõe? O que chama de “terceira via evangélica”. Para Belcher, que é um dissidente da Igreja Emergente empenhado em conquistar o seu espaço criando uma nova visão de igreja, tanto as Igrejas Tradicionais como as Igrejas Emergentes estão erradas. Ele usa o termo Igrejas Tradicionais para se referir tanto às denominações históricas quanto às pentecostais clássicas conservadoras, classificando-as todas como “direita evangélica”; e chama as Igrejas Emergentes de “esquerda evangélica”. É a nova versão do "homem-que-tem-a-reposta-que-ninguém-sabia-até-ele-a-conceber". Agora, para Belcher, nem Igreja Tradicional nem Igreja Emergente. A nova onda agora deve ser a da Igreja Profunda, porque o certo mesmo é o “Movimento da Igreja Profunda”. Sabe, eu ainda prefiro a Igreja de Cristo...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A Alma e o Tempo

Quando a alma percebe o seu Amado no pano de fundo do tempo, por trás do tempo, ela aceita tudo que o tempo lhe pode proporcionar como bênção e expressões de amor. O que víamos com a lente do desânimo e da crítica como equívocos agora são vistos nitidamente como são na realidade – coisas imprescindíveis.
Ela vê tudo como necessidades, não erros. Ela aspira ao amor em cada momento. Ela vê uma mão amiga em cada porta aberta ou lacrada pelo tempo. Ela descobre Deus no tempo e isto lhe concede sensações agradáveis, estimulantes e refrigério.
Kairós guia cronos. Kairós usa cronos como método para tocar a alma. Kairós é a ação de Deus no tempo, é Deus fazendo os horários e a agenda da nossa vida.
Em síntese, a alma e o tempo são dois assuntos que podem ser contemplados por dois prismas diferentes: a alma em relação ao tempo ou o tempo em relação à alma, ou melhor, o tempo da alma ou a alma do tempo.
Alma e tempo, tempo e alma; a alma do tempo, o tempo da alma. Isto é mais do que um trocadilho de palavras.
A alma do tempo é a essência do tempo, o que podemos extrair dele; são lições que tentam nos passar. São elas que dão significado à existência do tempo. O tempo existe para nós sermos burilados e amadurecidos para Ele.
E o tempo da alma? A alma é imortal, e sua existência é tecida basicamente pela agonia e pelo amor. E o que vai determinar o sabor e os consequentes adjetivos da sua existência é o ambiente onde a alma se nutre. Quais os ambientes possíveis para ela?
O primeiro é o clima do inferno. Quando alguém não se rende a Jesus e se entrega aos vícios, ao mal, está implementando uma extensão do inferno na sua alma. O tempo do existir, para ele, se torna angustiante, a despeito de eventuais prazeres terrenos. Se eu cultivo o inferno na alma, a alma irá para o inferno.
O segundo é o clima do céu, as “regiões celestiais”. Quando me lanço nos pés de Deus, o céu desce à minha alma e o prazer se estabelece. Se eu cultivo o céu na alma, a alma irá para o céu.
Sempre o ambiente da minha alma será uma pequena maquete, uma pequena amostra, do meu destino pós-morte e o definidor das minhas angústias ou prazeres que sinto.
O Tempo regra a alma enquanto a alma se encontra no tempo [Uso o termo "Tempo" para referir-se ao ambiente onde estamos, o cosmos onde vivemos; e o termo "tempo" para se referir à nossa vida individualmente no Tempo. Quem conhece o livro Refelexõs sobre a Alma e o Tempo já está habituado ao uso diferenciado que faço desses termos a partir das iniciais maiúscula e minúscula]. Entretanto, quando a alma romper a esfera do tempo pelo toque da morte (às vezes doloroso, às vezes suave), o Tempo deixará de ser, mas para algumas outras almas (que ainda esperam o toque liberador da morte) continuará sendo, até que venha o instante em que o Deus da alma e do Tempo acabará com este último, pois este não se fará mais necessário. O Tempo existe por causa da alma e não a alma por causa do Tempo.
A partir desse período, quando o Tempo dará seu último suspiro e não se falará mais dele, não existirá mais hora, segundo ou milésimo, nem o dia terá mais seus fins e começos interligados por noites. A definição e limitação que acompanharam nossa vida no Tempo darão lugar a uma doce 'prolixidade', a maravilhosa ininterruptabilidade da eternidade.
O horário, que muitas vezes nos dizia quando sermos e quando não sermos, quando termos e quando não termos (pois já dizia Salomão que há tempo para tudo debaixo do sol), dará lugar ao ser para sempre e ao ter para sempre. As separações não mais ocorrerão.
Cumprir-se-á, então, os dizeres gravados no Relógio de Sol do Seminário de Princeton, nos EUA: “Unidos pelo Tempo. Separados pelo Tempo. Unidos, novamente, quando não houver mais Tempo!” E eu acrescentaria: “E para sempre!”
Os “atés” darão espaço para as reticências, o finito dará lugar ao infinito, a transitoriedade ao sem fim, a trivialidade no ambiente do Tempo será substituida pelas novidades sem término da liberdade que existe na eternidade.
As estações desvanecerão, nunca mais outono ou inverno, mas só primavera e verão; sempre haverá dia, nunca noite.
Os nossos passos não serão mais cronometrados, nossa vida não será mais regida pelo som incessante de tique-taques do relógio a nos provocarem ansiedade; não haverá mais pressa, demora, disputa, corrida, correria, adiantamento, atraso, agitação ou espera.
Não entenda essas minhas palavras como se eu estivesse a contradizer-me, afirmando que, naquele dia, acharemos que o Tempo foi péssimo. Pelo contrário, estaremos certos de que, de alguma maneira, ele foi bom para nós, mas agora nos espera o melhor – o céu com Deus.
O céu é um lugar preparado para um povo preparado, e esse preparo é feito no chão deste planeta. Por isso, quando saírmos daqui, não nos sentiremos como pessoas que passaram décadas dentro de uma cela escura e agora são postos em liberdade. Nos sentiremos como pessoas que passaram anos numa faculdade até receberem seus diplomas.
Quem é salvo sabe que a felicidade existe, começa na terra e existe apesar dos problemas. Lá no céu, ela existirá em maior grau e sem a presença do sofrimento e da espera. O Tempo terá cumprido o seu papel de universidade da alma.
Diante desta possibilidade, a alma exclamará: “Vitória!” – O alvo terá sido finalmente alcançado.
Mas, para alguns, em algum lugar no universo, a saída do Tempo não representará vitória, porém a concretização de uma terrível, sem precedentes e inesperada tragédia. Tudo será o oposto: noite sem fim, gemidos sem resposta, dores lancinantes, ranger de dentes, desespero, horror, angústia. Eles perceberão como o tempo, que foi desprezado, era importante, e desejarão que volte, mas será impossível.
Enquanto para uns o infinito será o começo, para outros será o fim. Enquanto para alguns a eternidade será um belo começo sem fim que abrirá portas para outros começos extraordinários, para outros será o terrível fim sem fim, o começo da impossibilidade de começos. Destinos, percepções e situações distintas para aqueles que viveram no tempo antagonicamente.
Estejamos certos: o que fazemos e o que deixamos de fazer no tempo, as nossas principais decisões aqui, afetarão a nossa estada na eternidade.
Mais do que nunca, sob a ótica desta verdade, consideremos a nossa alma e o nosso tempo e, acima de tudo, o nosso Deus, que nos assiste fora do Tempo, mas ao mesmo tempo (porém sem estar como nós, preso ou sujeito ao Tempo) na nossa alma, trazendo um pedaço da eternidade ao nosso pequeno e frágil coração.
Que sua alma, neste tempo, tenha e mantenha esta oração:

Deus, ajude-me a não odiar o meu tempo e amar a eternidade contigo mais do que qualquer coisa. Ajude-me a viver para Ti nesse mundo com toda intensidade do que eu sou. Ajude-me a conhecer o meu tempo, a me refazer quando preciso, a me esquivar quando for necessário, a saber quando dizer ‘sim’ e quando dizer ‘não’. Quero acertar o relógio da minha alma com o Teu. Não quero nunca me adiantar ou me atrasar em relação à Tua Vontade, Senhor. Fecha todas as portas para mim, a não ser a certa. Quero sempre perceber e aproveitar o tempo oportuno e ideal. Que haja sempre sincronia entre cronos e kairós.
Amante e Amado da minha alma, ajude-me a suportar o que esta dimensão pode me reservar e aproveitar cada situação abstraindo-a e, assim, obter inferências, novos conteúdos para meu caráter. Auxilia-me a reconstruir cenários neste chão passageiro que sirvam de marcos que ajudem muitos e estimulem o louvor ao Teu Nome. Concede-me em tudo que eu sempre veja que somos do Eterno, mas estamos emprestados ao Tempo, para que o Tempo, que foi feito pelo Eterno, nos molde, até o momento tonicamente anelado em que sairmos do Tempo ao Eterno para no Eterno permanecermos. É o que te peço, sinceramente, em nome de Jesus”. Amém!


Se essa for a sua oração, o Deus do tempo terá com certeza se tornado o Deus da alma. Você sempre encontrará Deus no seu tempo e pode estar seguro de que viverá eternamente com Ele no além-Tempo. Ele o ajudará! Você conseguirá, em nome de Jesus!
'O Senhor te guardará de todo o mal; Ele guardará a tua alma' (Salmos 121:7a).

(Este texto foi extraído da minha obra Reflexões sobre a alma e o tempo, lançada pela CPAD em 2001. Dedico esta mensagem à memória do irmão Josias, meu sogro, que partiu para a eternidade em 29 de setembro)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Links importantes e recentes sobre o ataque à democracia hondurenha

Como alguns irmãos e amigos me pedem mais links de artigos sobre Honduras, ei-los:
Um manifesto contra o ato vergonhoso do Brasil contra Honduras assinado pela comunidade brasileira da cidade hondurenha de San Pedro Sula:
http://notalatina.blogspot.com/2009/09/manifesto-publico.html

Artigo do ex-preso político cubano Armando Valladares, que foi embaixador dos Estados Unidos na Comissão de Direitos Humanos da ONU durante os governos Reagan e Bush, e que recebeu recentemente um prêmio de jornalismo na Europa pelos seus artigos em defesa da liberdade no mundo:
Um artigo de quatro páginas do professor Lionel Zaclis, doutor e mestre em Direito, publicado no famoso site Consultor Jurídico, no qual ele mostra didaticamente, por A + B, que não houve golpe em Honduras (É o tal artigo citado pelo Merval Pereira em sua coluna de hoje no jornal O Globo e que mencionei no início da tarde de hoje no espaço de comentários da última postagem):
http://www.conjur.com.br/2009-set-22/apoio-zelaya-despreza-processo-constitucional-hondurenho-deposicao

Artigo da jornalista Graça Salgueiro ressaltando a ilegalidade do ato brasileiro em Honduras e denunciando a orquestração do Fórum de São Paulo:
http://www.midiasemmascara.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=8935:brasil-opcao-preferencial-pela-ilegalidade-parte-2&catid=9:governo-do-pt&Itemid=15

A informação de que a Biblioteca do Congresso americano promoveu um estudo com especialistas para estudar o caso Honduras, e a conclusão foi a obviedade de que não houve golpe nenhum em Honduras:
http://schock.house.gov/News/DocumentSingle.aspx?DocumentID=146377

http://www.laprensahn.com/Ediciones/2009/09/24/Noticias/Destitucion-de-Zelaya-fue-legal-Informe-de-EUA

A jornalista Graça Salgueiro conta o que foi que aconteceu nos bastidores da viagem de Zelaya à embaixada brasileira em Honduras:
http://notalatina.blogspot.com/2009/09/ultimas-noticias-de-honduras.html

A nota de repúdio do governo hondurenho ao ato vergonhoso do Brasil:
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/integra-da-nota-em-que-o-governo-interino-acusa-a-ingerencia-de-lula/

A União de Organizações Democráticas da América critica os que apoiaram o regresso clandestino de Zelaya:
http://www.heitordepaola.com/publicacoes_materia.asp?id_artigo=1258

Artigo do presidente de Honduras, Roberto Micheletti, publicado em 22 de setembro (terça-feira agora) no jornal The Washington Post:
http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2009/09/21/AR2009092103111.html

E vale a pena reler o editorial de quarta-feira (23 de setembro) do jornal Wall Street Journal sobre o erro do governo Obama em cair na conversa de Lula-Chavez-Ortega etc de que houve golpe em Honduras e ressaltando ainda que se houver uma tragédia naquele país, o atual governo americano será um dos principais culpados:
http://online.wsj.com/article/SB10001424052970204488304574427403985118892.html

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Vergonha, asco, nojo é o que sinto ao ver o que estão fazendo (incluindo meu país) com Honduras







Protesto contra Zelaya reunindo 20 mil pessoas nas ruas da capital hondurenha hoje à tarde
É vergonhoso, e de dar asco, o que o presidente Lula e seus parceiros do Foro de São Paulo estão fazendo com Honduras. Estes dois últimos dias foram daqueles em que dá vergonha de ser brasileiro. Pensei em escrever algo a respeito, mas lembrei-me que já havia dito tudo sobre o assunto. Quem estiver interessado, favor leia (ou releia) as postagens deste blog publicadas nos dias 1 de julho e 8 de julho, e todas as minhas interações-artigos nos respectivos espaços de comentários destas referidas postagens. Inclusive, em 6 de julho, às 16h06, eu já dizia:
Um homem que desrespeitou a Constituição e todas as instituições do país (Suprema Corte, Congresso Nacional, Exército, Procuradoria Geral, Tribunal Eleitoral etc) e por isso é rechaçado, segundo pesquisas, por 70% da população; que não tem o apoio dos principais segmentos da sociedade civil (igrejas [Igreja Católica e todas as igrejas evangélicas], empresas, entidades de direitos humanos do país etc); um homem que foi legalmente deposto, como pode ele ser empurrado “goela abaixo” do povo hondurenho e das instituições?!? Como?!? Trazê-lo de volta vai criar aquilo que hoje não há em Honduras: uma crise, o caos, a desordem, uma guerra civil. Porque voltar ao poder significa cuspir no rosto de todas as instituições, rasgar a Constituição e desrespeitar a vontade do povo. Quem quer trazer Zelaya de volta em nome da estabilidade estará desestabilizando o país, provocando uma crise, uma guerra civil, derramamento de sangue”.
Não precisava ter "bola de cristal" para antever isso.
Na esteira desse assunto, pretendo posteriormente escrever apenas mais um artigo, desta feita sobre a tristeza de ver os caminhos tenebrosos que o nosso país está tomando ideologicamente. No mais, para inteirar-se corretamente sobre Honduras, indico aos irmãos e amigos acompanharem a verdade sobre os acontecimentos nos blogs dos jornalistas Graça Salgueiro, Heitor de Paula, Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes. Leiam ainda os jornais de Honduras (El Heraldo, por exemplo). E, dos EUA, só merece algum respeito ainda sobre esse assunto, dos jornalões, o Wall Street Journal. Só. Indico, por exemplo, três links do WSJ (este, este e este aqui).
Ademais, oremos por Honduras. Oremos!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Sobre a candidatura de Marina Silva e o caso Universal-Record

Como já é sabido por todos, a assembleiana Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, oficializou em agosto sua saída do Partido dos Trabalhadores (PT), ao qual estava filiada havia mais de 20 anos. No final do mesmo mês, depois de ser capa de algumas das principais revistas semanais do país devido à possibilidade de se lançar como candidata à presidência da República em 2010, ela oficializou sua entrada no Partido Verde (PV) e confirmou a possibilidade da candidatura à presidência da República ano que vem. Bem, desde então, alguns irmãos por e-mail e pessoalmente me perguntam o que acho sobre a possível candidatura da irmã Marina à presidência da República. De forma geral, posso dizer que é um fato muito positivo, apesar de particularmente não acreditar que ela possa ganhar o pleito do ano que vem. Claro que "muito água ainda vai rolar debaixo da ponte" até outubro de 2010, mas, por agora, tudo está caminhando para a eleição de José Serra, atual governador de São Paulo, à presidência do país, e não há indícios de que o quadro eleitoral mude muito daqui para lá.
Marina tem oscilado entre 6% e 8% nas últimas pesquisas, o que não é animador, embora uma pesquisa do Ipespe, pedida pelo PV e divulgada pelo jornal Valor Econômico de 26 de agosto, amenize sua baixa pontuação ao revelar que 59% dos eleitores brasileiros nunca ouviram falar de Marina Silva; só 7% dizem que a conhecem bem, 9% afirmam que a conhecem mais ou menos e 24% dizem que a conhecem apenas de ouvir falar. E segundo a mesma pesquisa, quando os entrevistados foram, ao final, informados sobre o currículo de Marina, as intenções de voto para ela subiram de 10% para 24%. Os únicos problemas com essa pesquisa são que o seu resultado final (24% para Marina) foi estimulado e que, um mês depois dela, quando o nome de Marina já é bem mais conhecido (depois de várias matérias em jornais, revista, tevê e rádio), ela ainda não ultrapassou a barreira dos 8%; além do que é preciso avaliar a variação dos votos para cada candidato após o eleitor ser submetido à propaganda televisiva de todos os candidatos. Entretanto, independente de resultados, a candidatura Marina já é uma das grandes notícias positivas das eleições em 2010. Por quê?
Em primeiro lugar, pela saída de Marina do PT - para mim, uma das melhores decisões de sua vida. Ela já não tinha quase nada a ver com o seu antigo partido, sendo sua permanência nele, a meu ver, já há alguns anos insustentável. Só por respeito a companheiros de décadas Marina tratou sua saída com extrema delicadeza (como, aliás, lhe é de praxe), demonstrando respeito à instituição a qual pertencera e à liderança desta em sua nota de despedida. Não creio que ela tenha sido tão respeitosa apenas por medo de o partido cobrar seu mandato.
A saída do PT era uma questão de tempo. Ela já não era mais a cara do PT. Se não, vejamos.
Primeiro, ela foi um dos poucos nomes de destaque do PT que saíram sem manchas após os escândalos do partido nos últimos anos. Contra ela pesa apenas o fato de ter ficado em silêncio diante de tudo.
Segundo, ela é contra a liberação do aborto e a descriminalização de drogas, duas bandeiras originais do PT (É verdade que não só políticos do PT defendem essas bandeiras, mas é preciso lembrar que o PT foi o primeiro a defendê-las e é até hoje o único partido que estabeleceu que quem é a ele filiado e não as empunha deve ser expulso do partido - vide o caso dos dois deputados expulsos recentemente do PT por isso. No caso de Marina, por ser um nome de peso, o PT fazia vista grossa em relação a ela e esta, por sua vez, não propagandeava sua posição contrária; mas, depois da saída dela, os processos que já existiam foram levados adiante e a "caça" aos pró-vida começou - os deputados federais Luiz Bassuma e Henrique Afonso foram expulsos, e o deputado Flávio Arns, outro pró-vida, pulou fora do barco antes de ser expulso). No PV, há quem defenda essas bandeiras, como em outros partidos, mas não trata-se de uma resolução oficial do partido que, se não seguida, resulta na exclusão do filiado. Repito: só o PT, o pai dessas propostas no país, empunhando-as como bandeiras oficiais do partido desde os anos 80, é quem exclui seus membros que divergem nesses pontos.
Terceiro, as divergências entre Marina, o governo e Dilma Rousseff, e que resultaram em sua saída da pasta do Meio Ambiente. Desde essa época, sua permanência no PT se tornou definitivamente insustentável.
Em segundo lugar, considero a candidatura de Marina Silva uma das grandes notícias positivas das eleições de 2010 porque, ainda que ela não ganhe, sua presença, além de elevar o nível dos debates presidenciais do próximo pleito, desestabiliza ainda mais a candidatura Dilma Rousseff.
Em terceiro lugar, admiro muito a postura de Marina de ser totalmente avessa a qualquer espécie de "messianismo" em torno do seu nome. Foi importante a sua declaração "Não sou um projeto messiânico" já nas primeiras entrevistas sobre a possível candidatura.
E finalmente, em quarto lugar, posso ainda hoje não concordar com todos os posicionamentos da irmã Marina, mas, no geral, ela parece estar mais madura e equilibrada em relação a algumas posições outrora radicais que parecia assumir, o que nos traz alegria. De sorte que vejo-a "anos luz" à frente da maioria dos possíveis candidatos do ano que vem à presidência da República.

O caso Universal-Record

Sobre o caso envolvendo Universal e Record, três pontos devem ser considerados.
Primeiro: esta não é uma guerra entre a Globo e os evangélicos, como alguns tentam impingir. Trata-se de uma guerra entre o Ministério Público, a Folha de São Paulo e a Globo contra a Universal e a Record.
Como anunciou em 2008 o colunista Lauro Jardim, da revista Veja, em sua coluna eletrônica no site da revista, já circulava há algum tempo uma determinação da direção da Globo para que se deixasse claro aos telespectadores de que a briga da Globo não é contra os evangélicos, mas contra a Universal. Escreveu Jardim na ocasião: “Há uma recente instrução geral (não escrita) na Globo sobre como tratar os evangélicos, vinda diretamente da família Marinho: adversária é só a Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo – e não todas as igrejas evangélicas. Em sua programação, a emissora deve deixar claro que não discrimina os outros evangélicos. Essa demarcação terá que ficar nítida. A avaliação é que a Universal aproveita bem o embate com a Globo para unir todos os evangélicos contra a emissora – e que a Globo nunca conseguiu explicitar de modo patente que a sua guerra é com igreja de Macedo, a qual chama de seita. Na verdade, a Globo nunca se preocupara com isso, que, afinal, parece meio óbvio, e botavam todos no mesmo saco. Resultado: há entre boa parte dos evangélicos o sentimento de que são discriminados pela emissora. Agora, ela tenta recuperar o tempo e a audiência perdidas”.
Meses atrás, a Globo deixou isso bem claro ao fazer uma série de reportagens no Jornal Nacional falando do excelente trabalho social que os evangélicos fazem no Brasil, mencionando o trabalho social das igrejas Assembleia de Deus, Presbiteriana, Batista, Metodista, Luterana etc. Outras matérias mostraram a parceria da Globo na área social com pastores de igrejas no morro do Rio de Janeiro; o trabalho social das igrejas nas cadeias também foi alvo de matéria no Fantástico há alguns meses; e nos jornais televisivos locais, a Globo fez também recentemente matérias sobre o trabalho social dos evangélicos e divulgou eventos evangélicos locais, como um que ocorreu aqui no Rio de Janeiro. Foram várias matérias de cunho positivo. E em mais uma demonstração de aceno aos evangélicos, um diretor da Globo chegou ainda a dizer, em julho, conforme nota publicada no jornal Folha de São Paulo, que uma das razões de a Globo ter ultimamente retirado as cenas de nudez e sexo explícito da novela das oito é o respeito ao público evangélico (sic). Resta saber se essa ausência de cenas de nudez e sexo explícito vai permanecer ou é só temporária.
Pois bem, logo depois de todas essas demonstrações de aproximação em relação aos evangélicos, explode a denúncia. Isto é, a Globo, ao que tudo indica, sabia das investigações que rolavam nos bastidores e procurou se precaver de possíveis ataques da Universal tentando arregimentar os evangélicos contra a emissora logo que as investigações viessem à tona, porque a Globo não quer ter os evangélicos como inimigos (não por razões ideológicas, mas obviamente por razões comerciais). Por isso, antes de estourar a investigação, a preocupação em deixar claro aos evangélicos a seguinte mensagem: “Temos nossas diferenças, porém a nossa briga não é com vocês, mas com a Universal”.
Ou seja, não é uma perseguição aos evangélicos (como a Universal-Record, por razões óbvias, quer que todos pensem), embora a Globo e os que produzem seu conteúdo claro que ainda alimentam preconceito em relação a princípios e valores dos evangélicos que chocam-se com o liberalismo social defendido pela emissora. Aliás, como escrevi recentemente aqui, essa aproximação da Globo com os evangélicos não significa mudança de princípios, mas apenas aproximação por motivos financeiros.
Em segundo lugar, a razão dessa investigação é mais do que clara. Há uma guerra declarada entre o Ministério Público, a Folha de São Paulo e a Globo contra a Universal e a Record fruto de rusgas passadas. A FSP e a Globo já tiveram problemas judiciais com membros da Universal (aqui) e esta, por sua vez, já criticou o Ministério Público várias vezes. No caso da Globo, a guerra de audiência é outro fator (se bem que, ultimamente, a Record está se estapeando é com o SBT).
E em terceiro lugar, quanto às acusações em si contra a Record e a Universal, esperamos que tudo seja investigado até o fim e, se há irregularidades, que os culpados sejam punidos. O fato de as investigações serem motivadas por rusgas particulares não deve ser usado como cortina de fumaça para se esquecer a investigação das irregularidades apontadas. Deve-se ir até o fim e, repito, se as acusações se comprovarem procedentes, que todos os culpados sejam punidos. Discordo profundamente das posições teológicas e da práxis eclesiológica da Igreja Universal, mas isso não deve me levar a considerá-la culpada de antemão das acusações que agora são feitas. Tenho minha impressão e opinião sobre o assunto (particularmente vejo-a como culpada de todas as acusações feitas), mas a prudência manda esperarmos o julgamento.
Agora, independente do resultado, duas coisas são certas: primeiro, as posições teológicas e a práxis eclesiológica da Igreja Universal continuam sendo uma afronta ao verdadeiro Evangelho; e segundo, é uma contradição sem tamanho a Record querer ser o “canal dos evangélicos” (se é que algum dia de fato desejou ser isso) e apresentar uma programação com uma qualidade moral pior do que a programação da rival, que não tem nada de evangélica. Sobre isso escreveu bem o pastor e amigo Ciro Zibordi.
Enfim, nem a Globo agora é "pró-evangélicos" ideologicamente, nem a dupla Universal-Record parece ser uma mera vítima nessa história, e nem essa briga é nossa.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Em setembro, de volta

Caros irmãos e amigos,

Devido à maratona de compromissos nas últimas semanas (compromissos particulares e de trabalho), passei em branco em artigos-postagens este mês e ainda não interagi com algumas mensagens que recebi nesse período. Anuncio, porém, que, em setembro, estou de volta. E na próxima postagem, como não poderia deixar de ser, falo sobre o caso Universal-Record-Ministério Público-Globo-Folha de São Paulo e sobre o que acho da novidade no cenário eleitoral do ano que vem: a irmã Marina Silva, candidata à presidência pelo PV. Enquanto a postagem está no forno, indico a do meu amigo pastor César Moisés sobre a entrevista da irmã Marina Silva à revista Veja desta semana. O endereço do blog do pastor César é marketingparaescoladominical.blogspot.com
Abraço a todos!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Sobre importância da Campanha de Oração pelo Sudão em todo o mundo amanhã e a recapitulação de assuntos evocados anteriormente neste blog


Acima, cristãos sudaneses cultuando a Deus apesar da onda de perseguição e matança; na foto abaixo, no meio do texto, crianças cristãs sudanesas em uma escola cristã

Campanha de Oração pelo Sudão

Amanhã, 1 de agosto, conforme informado pelo pastor e amigo Geremias do Couto, representante da Associação Billy Graham no Brasil, os cristãos sudaneses estarão realizando o seu Dia Nacional de Oração pelo Sudão (Sudan National Day of Prayer) e todos os demais cristãos do mundo estão sendo conclamados a juntarem-se em oração aos irmãos sudaneses para que Deus fortaleça sua amada igreja naquele lugar e transforme a situação caótica daquele país. Para quem não sabe, ali está acontecendo um dos maiores massacres a cristãos da História da Humanidade.
O Sudão é o maior país da África em extensão territorial. São 42 milhões de pessoas, dentre as quais 70% de muçulmanos (30 milhões), a maioria ao norte do país; 20% de cristãos (8 milhões), a maioria no sul do país; e 10% (4 milhões) de seguidores de outras crenças, sobretudo animistas. Ocorre que, há 26 anos, o norte muçulmano do Sudão tenta submeter a população do sul, predominantemente cristã (5,5 milhões), ao islamismo e também expulsar os 2,5 milhões de cristãos do norte. Nestas quase três décadas de conflito, já são quase 3 milhões de mortos, sendo que, só nos últimos 6 anos, quando o governo ditatorial islâmico do Sudão iniciou o massacre de Darfur, já foram 400 mil mortos. Trata-se de um dos maiores genocídios da História da Humanidade e do maior massacre a cristãos por muçulmanos em toda a História.
Sudaneses que pertencem a outros grupos religiosos também estão sendo assassinados por tabela – estes representam cerca de 5% dos mortos –, mas a motivação do massacre é totalmente étnica e anticristã – são as tribos de sudaneses arabizados do norte, que são muçulmanos, contra as tribos de sudaneses predominantemente negros, que são cristãos. Não é verdade, como uma minoria tem dito, que o massacre em Darfur não é um conflito entre muçulmanos e não-muçulmanos como aquele encetado em 1983, e relativamente apaziguado em 2005, que dividiu o Sudão em Norte e Sul. A constatação de que mais de 90% dos mortos do Conflito de Darfur são de cristãos - e nenhum muçulmano - demonstra o contrário. E mais: a ditadura islâmica que promove o conflito usa como justificativa para a matança exatamente a não-aceitação das normas da Sharia por parte da população – parte esta esmagadoramente de cristãos.
São radicais armados pela ditadura contra cristãos que não têm como se defenderem. Há milhões de cristãos sudaneses vivendo de forma subumana em campos de refugiados e campos de concentração. Outro detalhe que mostra o radicalismo islâmico naquele país é a ligação do regime sudanês com terroristas. Por exemplo: antes dos atentados de 11 de setembro, os muçulmanos do Sudão chegaram a abrigar em seu território o terrorista saudita Osama bin Laden e o quartel-general da Al Qaeda. Ademais, o Sudão é mais uma prova de que aquela tese dos anos 80 de que xiitas são mais violentos do que sunitas é uma grande mentira – os muçulmanos do Sudão são sunitas.
Em 2004, devido ao genocídio encetado pelo ditador sudanês Omar Hassan Ahmad al-Bashir, que tomou o poder num golpe de Estado em 1989, o Conselho de Segurança da ONU tentou votar, com apoio dos EUA, Europa e Israel, duas resoluções contra o Sudão que impunham sanções econômicas caso o massacre continuasse, porém China e Paquistão, que investem na indústria do petróleo do Sudão, em associação com os países árabes, derrubaram as duas resoluções no Conselho de Segurança da ONU. Derrubadas as sanções, sobrou apenas uma alternativa, que chegou a ser ventilada à época: os Estados Unidos liderarem uma intervenção militar unilateral, já que a ONU estava de mãos atadas. Entretanto, naquele período, os EUA estavam com problemas demais no Iraque e no Afeganistão, por isso sem condições de despachar soldados para o Sudão.
Em 2006, houve uma segunda tentativa: o Conselho de Direitos Humanos da ONU, em dezembro daquele ano, tentou votar a condenação do massacre, que já ceifara, à época, a vida de 200 mil sudaneses. Porém, mais uma vez, por causa da oposição de países africanos e árabes, da China e de dois países do Ocidente – Cuba e Brasil (sim, Brasil) –, o Conselho de Direitos Humanos não conseguiu aprovar a condenação. Vergonhosamente, o documento final não criticava o governo do Sudão nem falava de responsabilidades pelo massacre. O acordo desse bloco evitou que os países votassem a proposta dos EUA, União Européia e Israel de condenar o governo do Sudão. Pela proposta aprovada, foram enviados apenas cinco especialistas à região para analisar a situação e – Adivinhem! – nada aconteceu. Hoje, dois anos e sete meses depois, já chega a 400 mil os mortos do massacre islâmico em Darfur, e o governo do nosso país, vergonhosamente, manchou a nossa história ao se opor às sanções contra a ditadura genocida do Sudão.
Oremos pelo Sudão, por nossos irmãos perseguidos, pelo fim do massacre e, como for possível, manifestemos nosso repúdio ao que está acontecendo ali.
Recapitulação de assuntos evocados anteriormente no blog

Alguns leitores deste blog pedem-me para que volte a dar informações sobre o caso da não-divulgação da certidão de nascimento de Obama, que havia mencionado em postagem de 5 de outubro do ano passado. Querem saber em que pé está aquela história estranha. Posso adiantar que as coisas estão mais estranhas hoje do que antes. Agora, o detalhe curioso é que esses pedidos chegam exatamente nesta semana, quando o assunto voltou a ser mencionado pela grande imprensa devido à manifestação de neurastenia da Casa Branca com o crescente interesse dos americanos pelo assunto.
Outros querem saber se é verdade que mudei minha posição inicial sobre o caso do aborto praticado em uma menina em Recife no início do ano. Quem acompanhou o desenrolar do debate na blogosfera sabe que sim. Mantenho meu posicionamento inicial acerca de uma situação hipotética de aborto para salvar a vida da mãe, porém não sou mais ingênuo de achar que seja tão comum, como era no passado, uma situação dessas, devido ao avanço da Medicina nessa área.
O terrível caso do aborto da menina em Recife

Como expressei nas minhas últimas intervenções no espaço de comentários da referida postagem sobre o assunto neste blog e no meu comentário sobre o mesmo assunto no blog do pastor e amigo Geremias do Couto (leia aqui), meu posicionamento diante de uma hipotética situação em que concretamente só o aborto salvaria a vida da mãe continua o mesmo (Mesmo sendo pesarosa qualquer uma das duas decisões, vejo como eticamente possível tanto a mãe morrer em lugar do filho como a morte deste em lugar da mãe. Esta seria, portanto, a única exceção ética em relação ao aborto: o aborto para salvar a vida da mãe). Porém, já não acredito, diante das evidências que foram se apresentando nas semanas seguintes após o fato, que o caso da menina em Recife era desse tipo, como pregavam seus médicos (lembrando: a tese dos médicos era de que a menina mui provavelmente morreria se ou a gravidez fosse levada adiante - o que tinha lógica - ou passasse por uma cesariana - o que já era falso). E ademais, volto a frisar: também já não creio tanto na possibilidade de em algumas gravidezes de risco a salvação da criança no ventre só for possível se a mãe morrer e vice-versa.
"Quer dizer que é impossível que um caso assim surja ainda em nossos dias?" Não digo que seja impossível, mas, com certeza, é muito, muito improvável mesmo.
Enfim, hoje, já não seria ingênuo como fui no começo, ao dar o benefício da dúvida aos médicos da menina, e também já não creio que seja comum (como era no passado antes do avanço da Medicina nessa área) situações em que somos forçados a optar por apenas uma vida - a da criança no ventre ou a da mãe.

A certidão de nascimento de Obama

Continua a preocupar Obama o fantasma da sua certidão de nascimento, a qual nos referimos à primeira vez em postagem deste blog já mencionada. Sete meses depois de tomar posse como presidente dos Estados unidos e mais de um ano depois que a denúncia de não ser americano nativo surgiu, Barack Hussein Obama ainda não mostrou sua certidão de nascimento original e já gastou milhões de dólares com advogados para garantir na justiça a possibilidade de não revelar a certidão de nascimento original.
Recapitulando (para quem não se lembra da história): Phillip Berg, procurador geral da Pensilvânia e membro do Partido Democrata (tendo, inclusive, já se candidatado a governador da Pensilvânia pelo PD), questionou a legitimidade da candidatura Obama evocando claras evidências de que este não é um cidadão americano nativo (condição exigida pela Constituição dos EUA para alguém se candidatar à presidência). Para esclarecer definitivamente a situação, há mais de um ano, Berg entrou com um processo solicitando o direito de, como eleitor e membro do PD, ver a certidão de nascimento original do candidato do seu partido.
Seu processo acabou chegando à Suprema Corte ainda em outubro do ano passado, mas a decisão sobre o caso foi adiada para dezembro (ou seja, para depois do resultado das eleições) e depois para janeiro e, por fim, para depois da posse de Obama. No final das contas, só em fevereiro Berg teve seu pedido julgado. Na ocasião, os advogados de Obama conseguiram que o órgão máximo da Justiça americana desse ganho de causa ao presidente eleito sob a alegação esdrúxula de direito de privacidade. Seguiu-se à decisão um abaixo assinado com meio milhão de americanos exigindo o seu direito de ver a certidão original, apelo ignorado. Como resultado dessa atitude estranha de Obama de esconder o documento, outros processos já estão correndo na Justiça sobre esse assunto e a Casa Branca já criou um setor do governo só para lidar com esse caso.
Alan Keyes e John Haskins chegaram a publicar um artigo sobre o assunto no dia da posse de Obama. Keyes, que foi secretário no governo Reagan, entrou também com uma ação contra Obama. Leia o artigo de Keyes e Haskins aqui.
A grande questão é: Por que Obama não mostra logo a certidão original para acabar com essa celeuma toda? Por que ele insiste em não mostrá-la? Não a mostra por quê? O que teme? E aí é inevitável a pergunta seguinte: Afinal, a certidão existe ou não existe?
Um dos maiores sites conservadores de notícias dos EUA, o World Net Daily (http://www.wnd.com/), com mais de um milhão de acessos por dia, divulga toda semana novidades sobre o caso que complicam cada vez mais Obama. Aí, como resposta ao crescente interesse dos americanos pelo caso e preocupados com a queda da popularidade do presidente nos últimos dias, a Casa Branca fez um pronunciamento irritado esta semana insistindo que o presidente é um americano nativo. Leia sobre o pronunciamento aqui.
Ao divulgar o pronunciamento da Casa Branca, a Agência Reuters chegou a divulgar uma certidão de nascimento eletrônica de Obama, que fora divulgada há meses pela sua equipe de campanha, como se fosse a certidão original, erro no qual caíram também o jornal O Globo e o site G1 ao reproduzirem-na como sendo a certidão original em 27 de julho. Veja aqui.
A tal certidão eletrônica não prova nada. Só a certidão original, registro feito exatamente no dia em que nasceu, que está no Havaí guardada a sete chaves, pode resolver o problema. Porém, sabe-se lá por que, Obama não autoriza mostrá-la de jeito nenhum, nem pelo menos a cópia dela. Daí a pergunta: Será que existe mesmo? Leia mais sobre o assunto, por exemplo, aqui.
Agora, é esperar para ver no que vai dar.
P.S.: Leia mais novidades sobre o assunto aqui e aqui e aqui.