quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Atendendo a pedidos, mais "drops"

Caros,

Enquanto não termino a segunda parte do artigo sobre a eleição de ícones católicos como exemplos de espiritualidade sadia, seguem mais alguns drops que, atendendo a pedidos de leitores por e-mail, falam principalmente sobre a eleição norte-americana.

Sobre desejar o mal ao próximo
Não sei se vocês sabem, mas muitos democratas literalmente festejaram a vinda do Furacão Gustav à costa sul dos EUA durante a Convenção do Partido Republicano. Torciam fervorosamente para que a tensão com o Gustav estragasse a convenção. Por incrível que pareça, alguns chegaram até a torcer para que o estrago provocado pelo Gustav fosse bem maior do que o esperado. O obamista Michael Moore, por exemplo, aquele dos documentários recheados de informações escandalosamente falsas (*), afirmou, no programa Keith Olbermann de 29 de agosto, da liberal rede de tevê MSNBC (totalmente obamista), que a notícia sobre a possibilidade de o Furacão Gustav se transformar em um furacão de categoria 3 chegava aos seus ouvidos como uma “proof that there is a God in heaven” (“uma prova de que há Deus no céu”). E Olbermann corroborou: “Seria supremamente bom”.
Como vocês devem saber, o furacão não só não atrapalhou a Convenção do Partido Republicano como esta foi um sucesso total. Só para se ter uma idéia: o discurso de Obama na noite de 28 de agosto, que dias antes de ser proferido já era chamado forçadamente de “histórico” pelos seus ardorosos fãs da imprensa liberal (embora tenha sido completamente esquecido pela imprensa já no dia seguinte com o anúncio do nome da vice de McCain – Ué, mas não era “histórico”?), foi ouvido por 38,4 milhões de pessoas. Os demais discursos da convenção (de Hillary Clinton, do vice Joe Binden etc), não passaram de 25 milhões em audiência cada um. Já o discurso da vice republicana Sarah Palin quase igualou a audiência do discurso de Obama e superou com folga a audiência de todos os outros discursos da Convenção Democrata. Ela foi assistida por 37,2 milhões. E era apenas o discurso da vice! E, para "fechar com chave de ouro", o discurso de McCain, mesmo sendo proferido exatamente na mesma hora em que acontecia a primeira rodada do campeonato de futebol americano, foi assistido por 38,9 milhões, meio milhão de pessoas a mais do que o discurso de Obama. Todos os dados são da consultoria Nielsen Media Research. É o que dá desejar o mal ao próximo.

Independente do resultado
Em tempo: não acho que será o fim do mundo se o liberal Obama ganhar as eleições de novembro, e seja quem ganhar devemos orar para que seja um bom governante naquele país cujas decisões afetam o mundo, porém não escondo minha preferência pela dupla McCain-Palin, não só pelos valores que defendem, mas (1) por algumas propostas mais sólidas e interessantes, e porque, (2) diferentemente do que a campanha de Obama insiste em dizer, McCain não é Bush (**).
Com isso, não estou querendo dizer que embarco na onda da maioria esmagadora da imprensa mundial, que demoniza o atual presidente norte-americano. Nem tudo no governo Bush foi ruim e, além do mais, ele enfrentou situações atípicas em seu governo que, independente de quem fosse o presidente, dificilmente se sairia plenamente bem. Para mim, o grande erro de Bush mesmo foi a Guerra do Iraque. Mas o ponto é o seguinte: independente de você odiar Bush ou reconhecer que nem tudo foi ruim em seu governo, McCain não é Bush.

Adiante
E chega de falar de política americana, já que este blog é de reflexão teológica. O assunto é interessante, mas o foco aqui é outro. Só abordei esses assuntos a pedido de alguns leitores que me enviaram e-mails solicitando que comentasse a eleição norte-americana. Agora, se alguém quiser saber mais sobre o assunto, indico a próxima edição do jornal Mensageiro da Paz, que traz uma matéria sobre o recente e crescente envolvimento dos evangélicos dos EUA nesta eleição depois da definição de Sarah Palin como vice de McCain.
Pretendo ainda publicar alguns drops neste blog durante as semanas que se seguem, mas procurando me ater mais a temas que despertam alguma reflexão teológica relevante. E quanto ao próximo artigo, como já anunciado na abertura desta postagem, está no forno. Será publicado aqui nos próximos dias.

Programa
Não percam a reprise do programa “Resposta Fiel” no domingo, 14 de setembro, às 12h. Assista o programa pelo link www.cpad.com.vr/radioweb

(*) Para saber mais, leia http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=32777&cat=Artigos&vinda=S, http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=769, http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=789 e http://www.olavodecarvalho.org/textos/1a_leitura_2004_ago.htm.

(**) Essa história de Obama dizer que McCain é a continuação de Bush porque, como senador, votou a favor do governo em 90% dos projetos é um argumento para enganar distraídos. Primeiro porque, nestes oito anos de mandato Bush, todos os senadores, sejam democratas ou republicanos, votaram, na maioria das vezes, a favor de projetos do governo; e segundo porque McCain foi um dos poucos senadores republicanos que não votaram com o governo em alguns projetos considerados importantes. Lembremos ainda que McCain foi oposição a Bush várias vezes dentro de seu próprio partido, ao ponto de ser conhecido como “o mais democrata dos republicanos” e ao ponto de ter escolhido uma vice conservadora para conseguir a união do partido em torno de sua candidatura. E quanto a seu liberalismo, mesmo não sendo muito conservador, é bem menos liberal que Obama.

17 comentários:

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Pastor Silas, a paz!

Os “drops” estão muito interessantes, mesmos falando de política externa...

Bush não tem um bom nome... Antes dos atentados de 11/09, era conhecido como um presidente preguiçoso, depois dos atentados, um presidente desastrado. Por causa de suas medidas extremas, o governo Bush acabou fortalecendo a esquerda bizarra da América Latina, o radicalismo islâmico e os movimentos liberais dentro da América do Norte. Bush não teve sucesso na economia, pois a crise de crédito ainda está cheia de incertezas, além de uma guerra que gastou mais de um trilhão de dólares. Não assinando o tratado de Kyoto (que já está desatualizado), ignorou a poluição que o EUA produz!
As vantagens estão na formação de uma suprema-corte conservadora, um segundo mandato mais reconciliador, um mandato que evitou outros atentados e a assistência prestada pelo seu governo para países que sofreram tragédias como o Tsunami. Infelizmente as vantagens não conseguem nem empatar com as desvantagens. Espero que McCain-Palin ganhem e recuperem a imagem do Partido Republicano, sem medidas desastradas e apoiando o conservadorismo naquele país.

Gutierres Siqueira
www.teologiapentecostal.blogspot.com

Silvio Araujo disse...

Prezado Pastor,
gostei muito do formato e conteúdo dos tais "drops" e acredito que deverias continuar a postá-los periódicamente!
Aprecio todos os seus textos e o acompanho desde seus dias de adolescente aqui em nossa Igreja, pregando com ousadia e cheio da graça e do conhecimento.
Deus o abençoe!

Victor Leonardo Barbosa disse...

Não creio que o governo Bush seja tão mal sucedido quanto pensam, Gutierres. assim também como não creio que depois do 11 de setembro, seu governos foi desastroso. Ele foi correto em invadir o Afeganistão, sua política contra o terro talvez tenha cometido erros e exageros, assim também como a Guerra do Iraque.

Com relação ao protocolo de Kyoto, por mais que o EUA poluam(o que está errado), muitas vezes tais manchetes são usadas de forma inadequada por democratas (fora as machetes tendenciosas). sendo que nem os cientistas possuem uma definição sobre o aquecimento global. Há alguns que afirmam até que ele não existe(pasme). sinceramente duvido que as causas do aquecimento global seja simplesmente fruto da ação do homem. Tão pouco creio em fenômenos ao estilo do filme "O dia depois do Amanhã"

Silas Daniel disse...

Caro Gutierres, a Paz do Senhor!

O bom dos “drops” é que proporcionam informações ou respostas imediatas, ainda que curtas, sobre temas prementes, do momento, e sua freqüência dão um dinamismo maior ao blog. Por tudo isso – e estimulado pelas manifestações de apreço por parte dos leitores à utilização desse tipo de recurso por aqui – estou pensando seriamente em postar pelo menos uma edição de “drops” por semana. Será que consigo? Vou tentar.

Bem, vamos a Bush. Ele realmente “não tem um bom nome” no mundo. Sua imagem está muito queimada, mas, por outro lado, discordo de muita coisa negativa que é dita sobre ele, inclusive muitas que ajudaram a criar essa sua má fama.

Por exemplo, acho um pouco forçar a barra dizer que Bush, antes do 11 de setembro de 2001, era um presidente “preguiçoso”. A agenda de Bush no início de seu governo era tão intensa quanto a de qualquer outro presidente dos EUA antes dele. E ele cumpria a sua agenda cabalmente. Durante os primeiros 12 meses de governo, Bush passou só um mês de férias no Texas (de 5 de agosto a 5 de setembro de 2001). A questão é que suas férias foram já no oitavo mês, quando não é costume um presidente dos EUA tirar férias antes de completar o primeiro ano. Por isso, Bush foi chamado de “preguiçoso”. Porém, lembre-se que outros presidentes dos EUA chegaram a fazer o mesmo no passado. Ademais, colocaram nessa conta da “preguiça” de Bush os 14 finais de semana em Camp David nesse período, como se o presidente americano tivesse que dar expediente de domingo a domingo sempre, sem pausa para descanso; e como se algumas dessas estadas em Camp David não fossem a trabalho (em alguns desses finais de semana ali, recebeu autoridades como Tony Blair); e como se nenhum presidente dos EUA não tivesse estado tantas vezes ou mais em Camp David em um ano, seja recebendo alguma visita oficial, seja realmente descansando. É aquela história: um mesmo fato pode ter significados diferentes dependendo de quem está o experimentando – alguém que gosto ou alguém diante do qual tenho preconceito.

Antes de prosseguirmos falando sobre o caso Bush, quero frisar o que já falei neste blog outras vezes – a mídia brasileira pauta-se pela mídia televisiva e impressa americana, majoritariamente democrata. Quer um exemplo? Já notaram que nenhum presidente republicano dos EUA foi elogiado pela mídia brasileira durante sua gestão? Desde que me entendo por gente, nunca vi a mídia brasileira elogiar um presidente republicano durante a sua gestão. Mesmo o excelente governo Reagan era reconhecido, mas com ressalvas, com restrições. Sei que não é da sua época, por isso permita-me lembrar: não dava para a oposição ser totalmente contra Reagan porque, primeiro, foi ele que salvou a economia americana da crise econômica do final dos anos 70, iniciando um período de prosperidade só igualado pelo governo Clinton (se bem que a prosperidade do governo Clinton se apresentou, ao final, muito artificial – daqui a pouco falo disso); e segundo, o contraste do governo dele com o de seu antecessor, o democrata Jimmy Carter, era abissal. O governo de Carter foi um fracasso total na economia (o país enfrentou forte recessão) e no combate ao terror, mas foi um pouco perdoado devido ao poder curador da História. Quando o tempo passa, os analistas tendem a se tornar mais condescendentes com alguns erros de presidentes do passado. Foi assim com Carter. Hoje, enfatizam as virtudes de sua política de paz com Cuba e URSS.

Mais exemplos da implicância da mídia brasileira com os republicanos? Quem não se lembra que já na campanha presidencial de 2000 havia uma forte oposição a Bush na mídia democrata norte-americana, oposição esta reproduzida fielmente no Brasil pela mídia brasileira? Bush foi perseguido pela mídia durante toda a campanha, durante a eleição, antes de assumir e logo depois de assumir. Quem não se lembra que diziam, à época de sua campanha, que Al Gore era o melhor candidato; que Bush era um caipira; que frisavam que, no passado, antes de se converter, Bush era alcoólatra (na tentativa de, evocando pecados do passado, tentar criar uma imagem de relativismo moral em sua figura no presente); que tinha posições ditas arcaicas, de atraso, tais como ser contra o aborto, a favor da abstinência sexual antes do casamento, contra o “casamento” homossexual, contra a legalização de drogas, a favor de se ensinar o Criacionismno nas escolas etc. Isso ainda na campanha presidencial! O homem nem havia assumido, nem havia passado ainda pelo escrutínio das urnas, nem se sabia se ele seria eleito ou não, e já era visto, em prosa e verso pela mídia democrata e sua versão tupiniquim, como um dos piores presidentes da historia dos EUA se ganhasse o pleito!

E quem não se lembra que o governo Clinton era incensado pela mídia brasileira em 9 de cada 10 reportagens obre os EUA, reproduzindo o que exatamente dizia a mídia televisiva e impressa dos EUA, esmagadoramente democrata? Quem não se lembra que, quando ocorreu o Escândalo Mônica Lewinsky, a mídia brasileira, sobretudo a Globo, defendia Clinton, seguindo o que fazia a mídia democrata norte-americana? Quem não se lembra de Arnaldo Jabor incensando Clinton e sendo fervorosamente contra os que pediram seu “impeachment”, inclusive zombando dos supostos “valores idiotas” dos americanos ao “supervalorizarem” o fato de seu presidente praticar sexo oral com a estagiária na Casa Branca e ainda mentir sobre isso? Para Jabor, nós, aqui no Brasil, é que seríamos os “evoluídos”, pois, devido à cultura do jeitinho, da sem-vergonhice, qualquer presidente pode fazer isso por aqui e ninguém acha nada demais. “É bobagem...”

Também não é verdade que Bush tenha sido um presidente totalmente desastrado depois do 11 de setembro. Cometeu erros, mas só dois foram realmente desastres – a Guerra do Iraque e a demora em responder aos perigos do Furacão Katrina. Se não, vejamos. Os problemas da economia não foram causados diretamente por ele. Lembre-se que, logo quando Bush assumiu, veio a primeira crise, quando empresas que haviam crescido no governo Clinton mostraram-se, na verdade, com um falso crescimento. Muitas publicavam relatórios falsos de crescimento e a bomba de efeito retardado estourou no governo Bush. Houve também o ufanismo das pessoas com o crescimento da Internet. Pensando que enriqueceriam, investiram, durante a Era Clinton, em ações de marcas da Internet, mas o retorno não veio logo e faliram. Mais à frente, veio a crise imobiliária, que foi uma surpresa. A única medida direta e mais significativa do governo Bush que fez aumentar contundentemente o déficit americano foi o gasto com as guerras do Afeganistão (mais do que necessária) e a do Iraque (totalmente dispensável). Ora, seja quem fosse o presidente, a guerra contra o Afeganistão aconteceria (esta recebeu, inclusive, o apoio mundial e foi aprovada por unanimidade pelo Congresso americano – republicanos, democratas e independentes). Seja quem fosse o presidente, passaria por isso. Fosse Al Gore, John Kerry ou Bush, enfrentaria essa crise econômica. Era inevitável.

E olha que a economia dos EUA ainda resiste bravamente. Há mais de um ano anunciam que vai haver recessão na economia americana e, até agora, há apenas desaceleração. Recessão ocorre oficialmente quando, em vez de crescer, a economia decresce. Se crescer 0,1% ao mês, não há recessão. Se der -0,1% naquele mês, oficialmente já há recessão. Nos primeiros seis meses deste ano, a economia americana cresceu 4,8%. Muito pouco para os EUA (o Brasil cresceu, no mesmo período, 6%), mas surpreende o fato de que, mesmo depois de duas guerras, crise imobiliária etc, ainda cresce. A passos curtos, mas resiste, mesmo depois de ter passado por tudo isso.

E por que a recessão ainda não veio? Por causa de medidas importantíssimas que o governo Bush tem tomado, como o plano econômico aprovado pelo congresso americano em fevereiro, e criticado demagogicamente por Hillary e Obama, mas que funcionou a curto prazo. Outra medida foi tomada esta semana ainda. São medidas precisas em termos emergenciais, o suficiente para a economia continuar viva, crescendo; a passos curtos, mas crescendo.

E aproveitando que estamos falando das guerras, sei que não é o seu caso, mas é importante frisar aqui – é uma tolice enorme dizer que Bush atiçou o terrorismo mundial contra os EUA. Mentira! Os dois primeiros atentados da Al-Qaeda contra os EUA foram durante o simpático governo Clinton. Talvez você não se lembre por já fazerem dez e oito anos respectivamente. A primeira vez que fomos apresentados a um cara chamado Bin Laden por meio de vídeos nos noticiários foi por ocasião dos dois primeiros atentados da Al-Qaeda contra os EUA, ocorridos no governo Clinton – contra um navio americano (o “USS Cole” em 12 de outubro de 2000 – 17 soldados morreram e 37 ficaram feridos) e contra duas embaixadas dos EUA, ceifando a vida de centenas de pessoas, americanas e não americanas (ocorreu em 7 de agosto de 1998, no Quênia e na Tanzânia, matando 229 pessoas – leia mais, por exemplo, em http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI3061764-EI294,00.html). Na época, Clinton reagiu bombardeando o Afeganistão e o Sudão. O episódio do atentado contra as embaixadas inspirou o filme “Nova Iorque cidade sitiada”, com Denzel Washington e Bruce Willis, e que foi lembrado por ocasião dos atentados de 11 de setembro de 2001. O terrorista capturado no filme é inspirado em Bin Laden. Ademais, os atentados de 11 de setembro contra o Pentágono, o World Trade Center e a Casa Branca (este frustrado – o avião da United 93 caiu antes de chegar ao destino devido aos passageiros terem lutado contra os terroristas) foram planejados durante mais de um ano, exatamente durante o governo Clinton. Ou seja, o problema dos terroristas não é com Bush ou os republicanos (Como se estes fossem a causa do mal do mundo!), mas com os Estados Unidos, seja quem for o presidente. Fosse Clinton, Al Gore, John Kerry ou Bush, os atentados aconteceriam, assim como haviam acontecido outros antes. O problema dos terroristas é com os EUA.

Eis abaixo uma lista dos atentados de radicais islâmicos aos EUA nos últimos 30 anos, durante o mandato do democrata Carter, dois mandatos do republicano Reagan, um do republicano Bush pai e dois do democrata liberal-boa-praça Bill Clinton:

1979 - 80 iranianos invadiram a embaixada americana do Teerã e fizeram 52 reféns, durante 444 dias.

1980 - 6 terroristas islâmicos tomaram a embaixada do Irã em Londres e mataram 2 pessoas.

1983 - Integrantes do Hesbollah, com o apoio da Líbia e Irã, explodiram com bombas suicidas a embaixada americana de Beirute, matando 63 pessoas.

1983 - Novamente o Hesbollah jogou um caminhão com explosivos na embaixada americana, agora do Kwait. Ataques adicionais foram feitos a embaixada francesa, a apartamentos de empregados da Raytheon, com 5 mortos e 80 feridos.

1984 - Ataque com bombas na embaixada americana no Líbano, matando 24 pessoas.

1985 - Terroristas trabalhando para o governo da Líbia bombardearam o aeroporto de Viena e Roma, matando 20 pessoas.

1988 - Uma bomba explodiu no vôo da Pan Am matando 270 pessoas na Escócia.

1993 - 18 membros das tropas americanas em missão humanitária foram mortos na Somália, com envolvimento, sabe-se hoje, de Bin Laden.

1995 - Caminhão-bomba explodiu na Arábia Saudita matando 7 americanos da Guarda Nacional em treinamento.

1996 - Novo atentado na Arábia Saudita mata 19 militares americanos.

1996 - O Talibã concluiu a conquista do Afeganistão, tomando sua capital Cabul, e criou centros de treinamento terrorista enquanto o mundo ocidental nada fez.

1997 - Bin Laden declarou, em entrevista exibida na CNN, a jihad, guerra islâmica, contra os Estados Unidos.

1998 - Bin Laden publica declaração com objetivo claro de que é dever de cada muçulmano matar americanos civis ou militares, assim como seus aliados. No mesmo ano, um carro-bomba explodiu a embaixada americana do Quênia e, poucas horas depois, outra explosão ocorreu na embaixada da Tanzânia. O total de mortos foi de 229 civis, além de mais de 5 mil feridos. Ainda neste ano, a ONU finalmente reconheceu o massacre no Afeganistão cometido pelo Talibã, por razões étnicas, totalizando cerca de 6 mil mortos. NO final do ano, Bin Laden diz em entrevista que guerra contra América será muito maior que guerra contra URSS, e que “o futuro dos EUA é negro”.

2000 - Ataque suicida no navio americano “USS Cole”, no Iêmen, matando 17 soldados e deixando 37 feridos.

Ah, sim: para quem pensa que a Al-Qaeda só é uma ameaça para os EUA, vale lembrar o atentado terrorista em Bali em 2002, com mais de 180 mortos e 300 feridos (http://archives.cnn.com/2002/WORLD/asiapcf/southeast/11/07/bali.bombings.qaeda/); e a explosão em trem que matou mais de 200 e feriu mais de 2 mil em Madri em 2003 (http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI278225-EI294,00.html).

Pois é, mas, segundo o senso popular, a culpa do terrorismo no mundo é de Bush, Bush teria “despertado o ódio dos muçulmanos”... Vai ver ele é um idiota por enfrentar os terroristas islâmicos, pois teria “feito com que começasse uma onda de atentados”. Então, talvez o correto seria conversar com os terroristas, “sentar para conversar com Bin Laden”, uma vez que ficou claro que ele tem “demandas racionais e razoáveis”. Talvez o certo fosse ignorar que um lado luta com restrições da democracia, sociedade aberta, mídia, leis, regras de guerra etc, enquanto o outro ignora qualquer lei ou regra, visa a matar civis deliberadamente, detesta a liberdade, busca impor ao mundo seu totalitarismo. Vai ver Bin Laden nem mesmo é culpado de coisa alguma. O “pobre coitado” está apenas “devolvendo” o que o “império maligno americano” fez... Não é isso que dizem articulistas como Jabor? Não é isso que alguns professores reproduzem em nossas escolas?

Mas alguém pode dizer: “E os EUA não pode ser acusado de ter pelo menos ajudado indiretamente a ‘criar’ a Al-Qaeda ao dar ajuda ao Afeganistão contra a URSS e fortalecido Saddam Hussein no passado na Guerra Irã-Iraque?” Não! Os EUA ajudaram o povo do Afeganistão a se libertar da ditadura soviética quando aquele país foi invadido em 1979 pelos russos. E quando os afegãos venceram, os EUA não implantaram nenhuma ditadura americana ali. Deixaram os afegãos se auto-determinarem. E na Guerra Irã-Iraque (1980-1990), o apoio ao Iraque só se deu porque era um governo sunita (até então teoricamente não-terrorista, diferentemente dos xiitas iranianos) contra o governo xiita do Irã que já declarara guerra aos EUA e promovera atentados terroristas contra os americanos em 1979. Porém, os EUA depois se opuseram a guerra, que parecia não ter fim (inclusive com atrocidades cometidas pelo Iraque em relação aos curdos, atrocidades veementemente reprovadas pelos EUA e o mundo). Por meio da ONU, os EUA propuseram um cessar fogo. Em 1988, o Iraque aceitou, mas o Irã não. A guerra só acabou em 1990, depois da morte do aiatolá Khomeini. E, quando o Iraque invadiu o Kuwait, os EUA se opuseram a ele. E não só os EUA, mas o mundo.

Deixe-me recapitular o que foi realmente a Guerra do Golfo: tudo começou em julho de 1990. Para poupar tempo (já estou escrevendo demais), vou valer-me da Wikipedia, até porque a história desse conflito está narrada de forma correta ali: “Saddam Hussein acusou o Kuwait de causar a queda dos preços do petróleo e retomou antigas questões de limites, além de exigir indenizações. Como o Kuwait não cedeu, em 2 de agosto de 1990, tropas iraquianas invadiram o Kuwait, com a exigência do presidente Saddam Hussein de controlar seus vastos e valiosos campos de petróleo. Este acontecimento provocou uma reação imediata da comunidade internacional. Os bens do emirado árabe foram bloqueados no exterior e a ONU condenou a invasão. Dois dias após a invasão (4 de agosto), cerca de 6 mil cidadãos ocidentais foram feitos reféns e conduzidos ao Iraque, onde alguns deles foram colocados em áreas estratégicas. Nesse dia, o Conselho de Segurança da ONU impôs o boicote comercial, financeiro e militar ao Iraque. Em 28 de agosto, Saddam respondeu a essa decisão com a anexação do Kuwait como a 19ª província do Iraque. Perante os desenvolvimentos do conflito, a ONU, em 29 de agosto, autorizou o uso da força, caso o Iraque não abandonasse o território do Kuwait até 15 de janeiro de 1991. Uma coalizão de 29 países, liderada pelos EUA foi mobilizada. A atividade diplomática intensa fracassou, e em 17 de janeiro de 1991 um massivo ataque aéreo foi iniciado. Do conjunto de nações participantes, destacam-se os Estados Unidos da América, a Grã-Bretanha, a França, a Arábia Saudita, o Egito e a Síria”.

Bem, mas voltemos à resposta do governo Bush aos atentados de 11 de setembro.

É incrível ainda ver que tem gente que chega a interpretar a resposta do governo americano aos atentados como uma cruzada do cristianismo contra o islamismo (aarrgh!) e, pior ainda, dizer que isso tem a ver com a fé de Bush (aaarrrggh!). Nada mais falso! Às vezes, vejo até algumas pessoas falando como se os EUA tivessem provocado os atentados, como se os americanos tivessem pensado: “Vamos provocar esses atentados que vão matar milhares de pessoas para depois atacarmos esses muçulmanos!” (!?!?!?!?). É preciso ser muito boboca para embarcar nessas mentiras estilo Michael Moore. Aliás, quer ter uma idéia de como vai a compreensão da verdade sobre os EUA, os 11 de setembro, Bush etc no Brasil? Basta parar para perceber como tem gente que acredita nos documentários (?) de Michael Moore.

E como estamos falando dos atentados, há de se destacar também o fato de que não se cumpriram as previsões alarmistas do articulista Frank Rich, do jornal “The New York Times”, na edição de 14 de setembro de 2002, em seu artigo intitulado "Never Forget What?", de que ainda aconteceriam mais atentados terroristas em solo americano em poucos meses. Rick afirmou na época que o plano de segurança de Bush era falho e que certamente falharia nos próximos meses. Seis anos se passaram, Bush já está terminando o mandato e não ocorreu nenhum outro atentado nos EUA. Mesmo assim, Rich não pediu desculpas.

Adiante.

Também não foram as medidas de Bush que fortaleceram a esquerda bizarra da América Latina. O Foro de São Paulo foi criado em 1990, portanto 11 anos antes do primeiro mandato do governo Bush, e com o projeto de fazer com que os principais partidos de esquerda da América Latina assumissem o poder de seus países pelas vias democráticas em dez ou quinze anos. Hoje, membros do Foro presidem o Brasil, a Venezuela, o Paraguai, a Bolívia, o Equador, a Nicarágua etc. Foi um processo idealizado e construído bem antes de Bush. O que esses foristas fizeram apenas foi explorar o antiamericanismo durante o governo Bush por causa das guerras, que ocorreram na época em que conseguiram ascender ao poder em seus países.

Outra coisa: o erro na antecipação aos atentados de 11 de setembro foi da CIA, e não do alto escalão do governo. A CIA recebeu a notícia que os atentados poderiam acontecer e não levaram a coisa a sério, não repassando a informação ao governo. A Guerra do Iraque foi outra burrada da CIA e que o governo Bush embarcou feio. A CIA garantiu que havia armas químicas de destruição em massa no Iraque e o governo Bush acreditou tanto nessa história que, você deve se lembrar, nos preparativos da invasão do Iraque, gastou milhões de dólares em equipamentos e estratégias baseadas nessa informação. Todo o projeto de invasão era baseado nessa premissa. Porém, quando entraram no Iraque, viram que todos os gastos com a estratégia e equipamentos (detalhados à exaustão nos jornais impressos da época e em infográficos e reconstituições digitais na tevê) foram desnecessários.

Não se pode olvidar ainda que Saddam Hussein impediu que os inspetores da ONU entrassem no Iraque durante semanas, tempo que poderia ter sido usado para retirar possíveis armas do tipo; e que, meses após o governo encerrar oficialmente a busca pelas tais armas, surgiu uma denúncia – publicada em livro – de um militar do alto escalão de Saddam Hussein, muito próximo ao ditador, afirmando que Hussein enviou as armas à Síria em aviões civis bem antes da invasão e bem antes dos inspetores da ONU serem liberados por ele para entrarem em solo iraquiano. Mas, como a Síria negou, ficou por isso mesmo. O relatório diz que eram, ao todo, 77 toneladas métricas de urânio enriquecido; 1,5 mil galões de agentes químicos usados em armas; 17 ogivas químicas com ciclosarina, um agente venenoso cinco vezes mais mortal que o gás sarin; mil materiais radiativos em pó, prontos para dispersão sobre áreas populosas; e bombas com gás de mostarda e gás sarin. Esse dado, mencionado apenas em forma de notas pela mídia democrata e totalmente omitida pela mídia brasileira, foi enfatizado, por exemplo, pelo jornalista Richard Miniter em seu livro “Disinformation: 22 Media Myths That Undermine the War on Terror”, de 2005, que esteve durante três semanas no topo dos livros mais vendidos nos EUA. Miniter foi colunista dos jornais “Washington Post”, “Wall Street Journal” e “The New York Times”. Há muitos textos de jornais americanos não comprometidos com os democratas que comentam a informação, como o “The New York Sun” (http://www.nysun.com/foreign/iraqs-wmd-secreted-in-syria-sada-says/26514/) e até mesmo a BBC fez referência à história, Agora, o governo dos EUA não levou a história adiante, pressionando a Siris, porque não queria criar um novo impasse diplomático, ainda mais logo depois de uma guerra estressante no Iraque. Por isso, ficou por isso mesmo.

E sobre as burradas da CIA, além do que saiu na mídia da época, indico um livro resenhado pela revista “Veja”, edição da semana passada (esqueço o título agora). A CIA é, simplesmente, a instituição mais desmoralizada nos EUA hoje.

Finalmente, concluo falando sobre a atual impopularidade de Bush, que já chegou a ter mais de 80% de aprovação em seu país até pouco depois do início da Guerra no Iraque. Ela se deve à situação econômica do país (o governo sempre é o bode expiatório, não importa se não foi o principal causador da crise econômica – isso acontece com qualquer governo do mundo) e ao caso do Katrina e da Guerra do Iraque. Por tudo isso, Bush só tem 32% de aprovação hoje em seu país. Mas, vale aqui as sábias palavras do pastor George Wood, líder da Assembléia de Deus nos EUA em entrevista à revista “Obreiro” edição 42: “Pessoalmente, penso que não se pode avaliar um governo de imediato. É necessário um longo tempo para enxergar os resultados das suas políticas. Lembro que, nos anos 40 e 50, o presidente Harry Salomon Truman teve o mais baixo índice de popularidade na América na época da sua presidência. Eu era um garoto naquela época, e ele era um presidente muito impopular. Cerca de 20 anos depois, após uma significante reavaliação, Truman foi considerado um dos melhores presidentes dos Estados Unidos. Gasta tempo para que o julgamento se evidencie. É muito cedo para dizer o veredito sobre George Bush”.

Acho o mesmo.

Abraço!

Silas Daniel disse...

Caro Sílvio, a Paz do Senhor!

É um prazer vê-lo por aqui. Obrigado por suas palavras motivadoras. Pretendo continuar com os "drops". Um abraço nos amados irmãos de Recife!

Silas Daniel disse...

Caro Victor,

Corroboro suas palavras. Nem mencionei o outro lado da história do Protocolo de Kyoto em minha exposição ao Gutierres porque você já adiantou o assunto. O que a mídia brasileria não falava na época é que a decisão de Bush em não levar adiante a proposta de Kyoto não era só por razões econômicas, como se não se importasse nada com o planeta, mas também com base no que alguns cientistas argumentavam sobre o assunto, o que contrariava a versão prevalecente. Porém, a mídia aqui no Brasil omitiu esse lado. Só dizia que era por razões econômicas. Hoje, porém, já se conhece mais o outro lado, já se sabe um pouco da posição dos chamados "cientistas céticos". Se bem que o governo Bush resolveu ser mais condescendente nos últimos anos com a questão do aquecimento global e Kyoto. Além do mais, a maioria dos evangélicos conservadores dos EUA (que formam a base de Bush) se preocupa muito com as questões ambientais, só se opondo a exageros como os de Al Gore em seu "documentário".

Abraço!

Silas Daniel disse...

Caros,

Primeiro, uma errata; em seguida, algumas notas sobre o tema que estamos tratando aqui, mais uma vez atendendo a pedidos por e-mail.

Errata: no meu comentário do dia 13 às 15h52, no final do antepenúltimo parágrafo, leia-se "...à história. Agora, o governo dos EUA não levou a acusação adiante, pressionando a Síria, porque...".

Informações:

1) Leitores me perguntam por e-mail o que achei das críticas que a imprensa brasileira reproduziu por aqui sobre a entrevista de Sarah Palin a um repórter da ABC. Vamos lá:

a) A crítica de Sarah à Rússia foi realmente contundente. Nisso a imprensa brasileira não está exagerando, a não ser quando diz que “Sarah quer atacar a Rússia”. Não é bem assim. Ela falou apenas que, se a Geórgia ou outro país da antiga URSS for aceito na Otan, e a Rússia insistir em atacar esse país para desmembrar parte de seu território e anexá-lo ao território russo, ignorando os apelos da comunidade internacional, como fez com a Geórgia, esse país da Otan teria seu território defendido, até porque o tratado da Otan estabelece isso. E isso em última instância, depois de usar todos os meios diplomáticos para solucionar a questão.

b) Finalmente, é uma tremenda mentira a história de que Sarah não sabia o que era a “Doutrina Bush” e por isso o repórter Charlie Gibson teve que explicar a ela o que era isso. Há quatro versões do que é a “Doutrina Bush” e Sarah, ao ser perguntada por Gibson sobre o que achava da “Doutrina Bush”, prudentemente quis saber antes em qual sentido Gibson estava se referindo ao termo antes de dizer se concordava ou não. E mais: a forma como o jornalista da ABC definiu o que era a “Doutrina Bush” não se coadunava com o que Sarah entendia sobre a “Doutrina Bush” e nem com o que o próprio criador do termo, Charles Krauthammer, diz que é a “Doutrina Bush”. Krauthammer explicou no dia seguinte que Sarah é que estava certa e o entrevistador, errado. Leia aqui: http://townhall.com/columnists/CharlesKrauthammer/2008/09/13/charlie_gibsons_gaffee

Na verdade, ao perguntar sobre a “Doutrina Bush”, o jornalista democrata quis fazer uma pegadinha para tentar passar a impressão aos telespectadores de que Sarah “não sabe nada de política internacional”, exatamente para contrastá-la com o vice de Obama, Joe Binden, que é presidente da Comissão de Relações Exteriores do Congresso Americano. Aliás, não por acaso, a maioria das perguntas foi exatamente sobre política externa. O entrevistador chegou até ao ponto de perguntar a ela sobre há quanto tempo ela tinha passaporte (Sarah tirou passaporte pela primeira vez este ano, meses atrás, algo que já havia saído na mídia democrata dias antes). Ele, como todo mundo nos EUA, já sabia a resposta, mas fez essa pergunta tola para tentar enfatizar a seus telespectadores a idéia de que Sarah não conhece política internacional. Sua lógica é: ter passaporte há pouco tempo e nunca ter viajado para o exterior = não saber nada de política internacional.

2) Trinta (30) democratas, entre advogados e investigadores, estão no Alaska desde o dia 30 de agosto (leia aqui http://g1.globo.com/Noticias/0,,MUL754173-15525,00-DEMOCRATAS+ENVIAM+EQUIPE+AO+ALASCA+PARA+INVESTIGAR+PALIN+DIZ+JORNAL.html). Chegaram lá menos de 24 horas depois que o nome de Sarah Palin foi anunciado como vice na chapa republicana. Qual o motivo da longa estada lá, que já dura hoje 15 dias? Investigar o passado da governadora do Alaska para municiar a imprensa todos os dias com tudo aquilo que pode parecer “sujeira” na vida de Sarah para tentar destruir sua imagem e credibilidade diante dos eleitores. Mas, até agora nada adiantou. O caso da gravidez de sua filha Bristol foi, por razões óbvias, um tiro que saiu pela culatra, e as demais acusações foram todas desmentidas (infelizmente, a imprensa tupiniquim não publica as respostas do lado republicano ou, quando raramente o fazem, editam as respostas para parecerem tolas a seus leitores). Enquanto isso, o que dizer de Obama? “Do que você está falando, pastor Silas?” De algo que a mídia brasileira não fala porque, obviamente, não lhe interessa. Leiam os seguintes artigos: http://www.olavodecarvalho.org/semana/080911dce.html e http://www.olavodecarvalho.org/semana/080912dce.html

3) A dupla McCain e Palin não está à frente das pesquisas só nos censos de votos populares, mas também nas pesquisas sobre vitória nos colégios eleitorais, que é o que interessa para eleger o presidente. Quem estiver interessado pode atualizar-se todos os dias no endereço http://www.realclearpolitics.com/epolls/maps/obama_vs_mccain/

4) É uma tremenda mentira e apelação da mídia dizer que quem não apóia Obama ou prefere McCain-Palin é, portanto, racista. Quer dizer que se alguém defende bizarrias teremos que apoiá-lo só por causa da cor da pele que tem? Cor de pele não é motivo para votar, mas, sim, idéias e propostas. Por que não apóio Obama? Pelos mesmos motivos que não apoiei Al Gore e John Kerry – pelo que defendem. Aliás, sobre esse assunto, tem um excelente artigo do jornalista Reinaldo Azevedo, da revista “Veja”, aqui http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2008/09/eleio-dos-eua-mistificaes.html , onde ele desconstrói um artigo de um colunista britânico obamista do jornal inglês “The Guardian”, artigo este publicado hoje no jornal “O Estado de São Paulo”.

Por hoje é só, até porque não sou assessor do Partido Republicano para ficar mostrando o tempo todo o outro lado dos fatos, deliberadamente olvidado pela imprensa brasileira. Além do mais, volto a repetir: este blog é de reflexão teológica e não de política internacional! Sei que alguns gostam desse tema, mas está na hora de virar um pouco a página.

Abraço a todos!

Victor Leonardo Barbosa disse...

Olá pastor Silas, realmente este blog não têm com objetivo a política internacional, mas sim a revelação teológica, mas que foi muito produtivo isto foi, e com certeza instiga os leitores cristãos e conservadores brasileiros a tomarem um posição sadia com relação à grande mídia.

Abraços e Paz do Senhor!!!

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Pastor Silas e Victor, a paz!

Meus amigos!!! Vocês me convenceram que o Bush não foi tão ruim quanto parece, mas poderia ter sido melhor! Só lembrando aos leitores que acompanharam esses comentários que não sou anti-Bush e inclusive fico defendendo o Partido Republicano em debates na faculdade sobre política externa!
Agradeço as respostas extensivas do pastor Silas Daniel, pois mesmo com suas ocupações, dedica o bom tempo para os comentários... O blog é de reflexão teológica, mas espero voltarmos ao assunto em breve...

Abraços!

Silas Daniel disse...

Caro Victor,

É verdade. Este debate foi bom para despertar os leitores do blog a serem mais críticos em relação a tudo o que a mídia diz, a despertá-los para o fato de que a mídia não é imparcial - ela conduz e edita suas matérias observando uma ideologia.

Por tudo isso, valeu mesmo a pena debatermos esses assuntos. Daqui para frente, continuarei não me omitindo de falar deles, mas será sempre quando estiver em foco alguma questão que envolva valores e princípios da Palavra de Deus. Ou seja, quando tratarmos desses assuntos aqui, sempre será de forma eventual, acidental, quando envolverem alguns desses princípios aos quais me referi, posto que este blog é de reflexão bíblica e teológica, e gostaria de mantê-lo assim.

Abraço!

Silas Daniel disse...

Caro amigo Gutierres,

Obrigado por ter despertado essa importante reflexão! Sem sua intervenção, não nasceria essa exposição.

O Bush não fez um excelente governo, cometeu dois graves erros, como já frisei, mas, como você pôde perceber, não é ruim como a mídia o vende. Ele fez um governo dentro das possibilidades que a conjuntura de nossos dias lhe permitiu. O que isso nos ensina? Que devemos sempre estar atentos a analisar os fatos com todas as suas nuances e a vermos além do que nos é passado meticulosamente editado pela mídia.

Mais uma vez, obrigado por ter despertado essa reflexão!

Abraço!

Silas Daniel disse...

Caros,

Um esclarecimento e algumas informações interessantes dentro do assunto que colocamos nesta postagem.

Esclarecimento:

Desde o início desta semana, os links que coloquei à disposição dos irmãos com artigos do site www.midiasemcascara.com.br não estão acessíveis porque o referido site foi atacado por hackers. Ele deverá estar de volta ao ar, segundo a equipe do MSM, nos próximos dias, logo que o problema for resolvido.

Informações:

(1) O jornalista Reinaldo Azevedo, da revista “Veja”, que assistiu à entrevista de Sarah Palin ao jornalista Charlie Gibson, da rede ABC, fez questão de traduzir uma parte da entrevista em que Sarah fala sobre a Rússia (e que se encontra disponível na Internet) justamente para mostrar o que já falamos aqui: que a governadora do Alaska não flertou com uma guerra contra a Rússia, como a mídia obamista divulgou; que sua declaração aparentemente incisiva em relação à Rússia foi forçada pelo jornalista obamista da ABC, que fez o máximo possível para arrancar uma declaração beligerante dela; e que a resposta de Sarah foi coerente.

Escreve Azevedo, em artigo com o título “Quando falha a máquina ‘progressista’ de desqualificar pessoas”:

“No Brasil e no mundo, tentou-se fazer um grande escarcéu com a entrevista concedida por Sarah Palin, candidata a vice-presidente na chapa do republicano John McCain, à Presidência dos Estados Unidos, a Charlie Gibson, da ABC News. Por mais que se esforcem para colocar palavras na sua boca, há o que ela disse, e há o que ela não disse. E é mentira que ela tenha levantado a hipótese de uma guerra contra a Rússia com a frivolidade de quem constata: ‘Hoje é segunda-feira’ [este texto de Azevedo foi publicado em seu blog no dia 15 de setembro, segunda-feira, às 5h27]. Basta recuperar os principais trechos da entrevista (aqui - http://abcnews.go.com/Politics/Vote2008/story?id=5782924&page=1 – no site da própria emissora)”.

“No link acima, a passagem sobre a Rússia está nas páginas 2 e 3. Gibson vai preparando a cama-de-gato para pegá-la, e a verdade é que ela se sai muito bem. Antes que se falasse qualquer coisa sobre guerra, ela diz literalmente: ‘Charlie, você está no Alasca. Os russos são nossos vizinhos de porta. Precisamos ter uma boa relação com eles. Eles são muito importantes para nós (...). Eu estou lhe expondo quão pequeno é o nosso mundo e como é importante que nós trabalhemos com nosso aliados para obter uma boa relação com todos esses países, especialmente a Rússia. Nós não vamos reeditar a Guerra Fria’”.

”São palavras de uma louca, de uma doidivanas beligerante, que sai por ai enfiando as presas em alces selvagens e jogando bombas na Rússia? Acho que não. Mas Gibson estava fazendo o seu trabalho, não?, e quis saber se ela era favorável ao ingresso da Geórgia e da Ucrânia na Otan. E ela disse que sim. Terá caído numa armadilha em razão da inexperiência? Acho que não. Com uma Geórgia ainda invadida e com a Ucrânia sob ameaça, este “sim” parece ser a única resposta decente de quem se propõe a ser vice-presidente da maior potência militar do planeta”.

“E é Gibson quem pergunta: ‘And under the NATO treaty, wouldn't we then have to go to war if Russia went into Georgia?’ Para o português mais claro possível numa tradução não literal: ‘Uma vez na Otan, a gente não teria de partir para a guerra se a Rússia invadisse a Geórgia?’ Pausa, leitor! Algumas perguntas para pensar”.

“- O que deve responder um político numa hora como essa?”
“- Tal questão seria formulada assim para Joe Biden? E para Barack Obama?”
“- Pode-se achar bobagem o ingresso da Geórgia e da Ucrância da Otan porque aquele é ‘quintal’ da Rússia, mas uma candidata a vice deve, numa entrevista, fazer um Tratado de Tordesilhas sobre a área que cabe à Otan e a que cabe à Rússia?”

”E o que disse Sarah Palin? Um ‘Talvez sim’. E lembrou que a proteção mútua faz parte do acordo da Otan: se um país é atacado, os outros correm em seu socorro. E quando é que a Otan foi diferente? Trata-se de uma mentira cretina afirmar que ela flertou, do nada, com uma guerra contra a Rússia”.

(2) Há um artigo interessante sobre algumas coisas que a mídia brasileira omite sobre Obama e que foi publicado na edição de quarta-feira, 18 de setembro, do “Jornal do Brasil” pelo jornalista e filósofo Olavo de Carvalho. O link é o que se segue http://quest1.jb.com.br/editorias/textosdoimpresso/jornal/pais/2008/09/18/pais20080918003.html

O referido artigo também pode ser lido no site do próprio articulista, no link http://www.olavodecarvalho.org/semana/080918jb.html

(3) Os e-mails de Sarah Palin e de seu marido Todd foram atacados também por hackers esta semana, conforme a imprensa americana divulgou ontem e a brasileira, hoje. Interessante que os de Obama nunca foram atacados por hackers. Seriam os hackers também obamistas?

Abraços!

Robson Rocha disse...

Prezado Silas,
a Paz do Senhor.

Depois de séculos, volto a tecer algus comentários em seu blog! Só queria lembrar algus fatos sobre o governo Bush:

1) Sofreu um terrível ataque terrorista no qual mais de 3000 pessoas morreram. Este ataque revelou a falta de integração entre as diversas centrais de inteligência a começar pela CIA (o que ocorria a anos, não começou com Bush);

2) Invadiu o Afeganistão e atacou células terroristas da Al qaeda com o aoio de todo o mundo;

3 Os falcões de Bush, Romsfeld (escrevi certo?) e Dick Chenney criam a "doutrina Bush" na qual o governo dos EUA afirma ter o direito de passar por cima de todos os tratados e instituições internacionais e invadir preventivamente qualquer país que queiram. O problema é que não existe doutrina para um país só. Ao passar por cima do direito internacional, o governo Bush acaba por dar o exemplo para qualquer outro país de fazer o mesmo posteriormente.

4) Inexplicavelmente, lançou uma campanha contra o Iraque, onde não haviam células terroristas, mas tinha petróleo. Integrantes da CIA revelaram que eram pressionados pelo governos a produzirem relatórios que sustentassem a mentira de que lá haviam armas de destruição em massa. O mundo não acreditou e o governo Bush passou a criticar seus aliados europeus França e Alemanha, chamando-os de "Velha Europa", chamando de Novas lideranças, Portugal, Espanha e Polônia. Dos aliados tradicionais, somente Inglaterra ficou do seu lado, porém o o povo inglês ficou contra Tony Blair.

5) Como uma forma de tentar legitimar sua investida contra o Iraque, o governo americano inica uma campanha na ONU para retirar o embaixador Bustani (do Brasil) da chefia da comissão para o Contrle de armas Químicas, pois ele estava conseguindo convencer o governo iraqiuano a fazer inspeções e se tivesse inspeções, não haveria motivos para invasões;

6) Invadiu, matou gente até dizer chega, mudou a bandeira do país, atraiu tudo quanto é terrorista para lá, destruiu toda a infraestrura do país, a ponto de falta gasolina (!) e água no país. E o Iraque quase se fragmentou numa guerra entre xiitas, sunitas e curdos. Isto é que é "pax americana"!

7) Foi contra a criação do Tribunal Penal Internacional com medo que suas tropas pudessem ser processadas por crimes comuns cometidos em outos países. lembra-se de Abu Graib?.

8) Confinou centenas de pessoas sem julgamento ou acesso à defsa em Guantánamo, colocando-as em um vácuo jurídico, literalmente condenado-as a prisão pepétua e torturas, sem nem que se saibam quem são elas e sem que elas saibam do que são acusadas! Sem justiça não há democracia. Quem critica Cuba (justamente, aliás) não pode fazer o mesmo e, irônicamente, faz em solo cubano!

9) O goveno Bush, seguindo o ideário neoliberal republicano, cortou impostos dos mais ricos e políticas sociais dos mais pobres, ao mesmo tempo em que deixou correr frouxa a fiscalização do mercado. Isto somado as despesas de suas guerras simultâneas levaram os EUA a uma gigantesca crise econômica.

10) Claro, Kioto. Além de não assinar, o governo americano duvida que boa parte da causa das mudanças climáticas seja devido a ação humana, especialmente das indústrias. O que é que faz? Financia cientista que concordam com sua polêmica opinião e censuram e perseguem os cientistas que tentam publicar dados que mostram o tamannho do problema.

11) Isto sme falar de Katrina, 4a Frota, Haliburton, Blackwater, etc.

Bom para finalizar, concordo com você quando afirma que McCain não é Bush. O problema é que ele não é Bush naquilo que ele tem de bom: suas convicções cristãs.

"Brócolis at aspargos, hortaliças est"

Atenciosamente,

Robson Rocha

Silas Daniel disse...

Caro Robson,

Sempre é bom contar com sua participação neste blog, pois amplia o debate. Sobre suas colocações, vamos lá.

1) O governo Bush não sofreu um terrível ataque terrorista no qual mais de 3000 pessoas morreram, como você disse. Foram os Estados Unidos que sofreram um ataque terrorista no qual mais de 3000 pessoas morreram. Colocações desse tipo, mesmo que não propositais (muitas vezes inconscientes, por causa da lavagem cerebral da mídia anti-bush e anti-republicana), criam uma associação falsa entre Bush-republicanos e atentados, como se um governo democrata implicasse em não-atentados e como se o governo Bush tivesse provocado os atentados. Tremendamente falso! Como lembrei no meu comentário neste espaço no dia 13 de setembro, às 15h52, a Al Qaeda começou a atacar os EUA, ceifando centenas de vidas, e preparou os atentados de 11 de setembro, durante o governo do “democrata-boa-praça” Bill Clinton. Aliás, você mesmo frisou nesse primeiro tópico que a falta de integração entre as diversas centrais de inteligência, a começar pela CIA, ocorria havia anos, bem antes do governo Bush, e foi ela que proporcionou, caro Robson, os dois atentados no governo Clinton em que morreram 346 civis e militares e a preparação em solo americano, sem os terroristas serem incomodados, do atentado de 11 de setembro, também durante o governo Clinton. E foi o governo Bush – este mesmo, tão malhado – que fez com que há sete anos os Estados Unidos não sofram mais nenhum atentado (a não ser que você conte números da Guerra no Iraque e no Afeganistão como atentados, mas aí não vale. É a guerra).

2) Quando você diz que “o governo Bush invadiu o Afeganistão e atacou células terroristas da Al Qaeda com o apoio de todo o mundo”, parece até que está querendo dizer que se o presidente fosse Al Gore, quando os atentados de 11 de setembro ocorressem, ele não atacaria o Afeganistão (quando o próprio Clinton, depois dos atentados às embaixadas americanas, bombardeou o Afeganistão – bombardeou até farmácia, pensando que era abrigo de terrorista). Fosse outro o presidente, faria o mesmo. Não é à toa que todo o mundo apoiou o ataque ao Afeganistão e o próprio Congresso Americano, unânime (republicanos, democratas e independentes), também.

3) “Os falcões de Bush, Romsfeld (escrevi certo?) e Dick Chenney criam a ‘doutrina Bush’ na qual o governo dos EUA afirma ter o direito de passar por cima de todos os tratados e instituições internacionais e invadir preventivamente qualquer país que queiram. O problema é que não existe doutrina para um país só. Ao passar por cima do direito internacional, o governo Bush acaba por dar o exemplo para qualquer outro país de fazer o mesmo posteriormente”.

O certo é Rumsfeld. Mas, vamos ao que interessa: quando o termo “Doutrina Bush” surgiu, ele não tinha nada a ver com guerra, e não foi nem Chenney nem Rumsfeld que o inventaram. Ele foi criado por um célebre colunista de política externa dos EUA, e no contexto das críticas à não-adesão do governo americano ao Tratado de Kyoto, meses antes do 11 de setembro. O primeiro a usar o termo “Doutrina Bush” e delineá-la foi Charles Krauthammer, em artigo publicado em 4 de junho de 2001 na revista americana “The Weekly Standard”, sob o título “The Bush Doctrine: ABM, Kyoto and the New American Unilateralism”. Como vê, bem antes do 11 de setembro (inclusive, esse unilateralismo aqui diz respeito a decisões na área econômica, como a envolvendo o tratado de Kyoto). A partir daí, o termo começou a ser usado no mundo todo, inclusive pela mídia brasileira. Ele só ganhou uma versão voltada para a questão da guerra depois.

Como explica Krauthammer em artigo no www.townhall.com, cujo link já mencionei, a “Doutrina Bush” não consiste essencialmente em ataques preventivos no sentido bélico, como é propalado pela mídia. Como explica Krauthammer, há quatro conceitos dentro da “Doutrina Bush”, e este quarto e último (envolvendo a questão do combate ao terrorismo) só foi acrescido após os ataques de 11 de setembro. Neste último, os Estados Unidos passaria a se antecipar a seus inimigos (bem definidos como todos os que praticam ou apóiam grupos terroristas que atacam os EUA) com retaliações na área econômica e sanções, e só em última instância com ataque bélico. Em última instância! Hoje, porém, quando se fala de “Doutrina Bush”, ela aparece como sinônimo de “ataques militares preventivos”. E lembre-se que o quarto sentido do termo foi usado à primeira vez por ocasião da Guerra no Afeganistão, apoiada por todo o mundo, e que só ocorreu porque o Talibã não aceitou entregar Osama Bin Laden e os demais terroristas da Al Qaeda. Foi só depois de resistir a essa reivindicação dos EUA, da ONU e do mundo, que os EUA atacaram. A “Doutrina Bush” (na última instância de seu quarto sentido) só passou a ser malhada mesmo depois da Guerra no Iraque – uma guerra, a meu ver, como você sabe (já conversamos sobre isso), dispensável, já que estava óbvio que ela traria um desgaste internacional sem precedentes aos EUA por não haver o mesmo apoio de antes (por razões que lembro abaixo); porque haveria a possibilidade, a meu ver, de tentar impedir o apoio de Saddam a terroristas (impedindo que armas dele eventualmente chegassem à mão de terroristas) sem precisar invadir aquele país; e porque, se alguma coisa desse errado na guerra (como deu), todo mundo iria malhar Bush e evocar, para isso, o petróleo iraquiano. Era um risco que o governo Bush quis correr, e estimulado à época pelo apoio de mais de 80% do seu povo.

Lembrando que o mundo já odiava Bush antes de ele ser eleito. Só deram uma trégua depois do 11 de setembro, e a precipitação que foi a Guerra no Iraque foi a oportunidade de voltar a malhar Bush e os republicanos, atribuindo, inclusive, culpas a ele que não procediam.

4) A campanha contra o Iraque não ocorreu “inexplicavelmente”, como você diz. Ela se deu com base na aposta de que ainda encontrariam as armas de destruição em massa no Iraque ou pelo menos descobririam seu rastro (o que aconteceu, como já falei em comentário aqui no dia 13, mas ninguém quis problema com a Síria, ainda mais depois da extensa Guerra no Iraque ainda rolando – os confrontos ali ainda eram freqüentes – e com o tremendo desgaste internacional). E essa de integrantes da CIA “revelarem” que eram “pressionados pelo governo a produzirem relatórios que sustentassem a mentira de que lá haviam armas de destruição em massa” só surgiu depois que não encontraram as armas de destruição em massa no Iraque. Foram alguns da CIA querendo limpar a sua barra. Tanto é que a CIA reprovou o que disse esses homens e assumiu a culpa pelo erro. O problema é que isso não sai na televisão e na mídia brasileira. Aliás, quer saber mais sobre as burradas da CIA? Há uma enxurrada de livros no mercado norte-americano nos últimos anos falando sobre esse assunto.

Sobre a tese de que a Guerra no Iraque foi só por petróleo, é forçar os fatos. Que o governo americano pensou nesse fator petróleo também, nenhuma pessoa normal duvida, porém é mentira dizer que a Guerra no Iraque foi “principalmente isso” ou, pior ainda, “foi só por isso”. Lembre-se que, antes da guerra, as empresas de petróleo americanas se opuseram ao conflito reclamando que a Guerra do Iraque só lhes traria prejuízo, posto que o preço do petróleo subiria em todo o mundo com a guerra e até tudo se normalizar iria demorar muito. O negócio chegou ao ponto de os países da Opep, mesmo os islâmicos, precisarem, para acalmar as empresas americanas, reafirmar que fariam de tudo para atender amplamente a qualquer aumento da demanda do mercado apesar da guerra. E mais: em sua última reunião antes da guerra, em outubro de 2002, os países da Opep foram incisivos ao afirmarem que “embora os países islâmicos condenem um ataque ao Iraque, não reduzirão nem a produção, nem as exportações. Ao contrário, estão prontos a aumentá-las, se necessário”. Entretanto, apesar dos medos de prejuízo das empresas de petróleo americano, os EUA foram à guerra. Então, como foi só por petróleo?

E nada mais natural o fato de que os primeiros países europeus que se opuseram à Guerra no Iraque serem justamente os dois países que lucravam à beça com a mamata do petróleo iraquiano: França e Alemanha. Eles é que iriam sofrer mais diretamente do que qualquer outro país do mundo. Por isso eles encabeçaram a oposição à guerra. E apoiados por quem? Pela ONU, outra que lucrava exorbitantemente com o petróleo iraquiano. Ou será que você não se lembra do projeto da ONU no Iraque “Petróleo por Comida”, que movimentou 67 bilhões de dólares. Nunca a ONU encheu os seus cofres tanto como nesse período pós-Guerra do Golfo. A presidência de Kofi Annan chegou a balançar ao ser acusada de corrupção envolvendo o petróleo iraquiano bem antes da Guerra no Iraque, lembra-se? O chefe do antigo projeto “Petróleo por Comida”, Benon Sevan, foi demitido sob várias acusações gravíssimas. E o caso, mesmo depois da guerra, ainda rendeu muito. Ou você não lembra que a França e a Rússia, duas opositoras da guerra, negaram constrangidas um relatório de outubro de 2004 que confirmava um suborno de dezenas de bilhões de dólares pago por Saddam a esses países para que se opusessem ao embargo econômico ao Iraque após a Guerra do Golfo?

Lembra-se que a União Européia rachou na questão da Guerra no Iraque? Por que muitos países europeus apoiaram os EUA na Guerra no Iraque, inclusive mandando soldados, e não a França e a Alemanha? Esses países da Europa só se colocaram contra os EUA ou retiraram o seu apoio depois que viram que as armas de destruição em massa não eram encontradas.

Interessava à França e à Alemanha “jogar terra” na Guerra no Iraque e vendê-la como uma guerra por petróleo, e por isso foram eles os primeiros a disseminarem essa idéia no mundo. Por isso, costumo dizer que, olhando por esse ponto de vista, houve realmente uma guerra essencialmente por petróleo – e esta foi a guerra contra a Guerra do Iraque. Os maiores opositores à Guerra do Iraque o foram por petróleo.

E interessante que a imprensa mundial nesse período, não sei se você se lembra, tentou o máximo possível arrancar alguma frase suspeita ou alguma informação escondida de alguém do governo que confirmasse a tese de que “tudo foi só por petróleo”. Ué, se era tão claro que “tudo foi só por petróleo”, por que a ânsia de descobrir alguém influente confirmando isso?

Exemplo: o jornal britânico “The Guardian” divulgou em 2003 ao mundo que o vice-secretário de Defesa dos EUA, Paul Wolfowitz, declarou que o petróleo teria sido a verdadeira causa da Guerra no Iraque, algo que foi reproduzido em todos os jornais brasileiros e na Internet. Só que o “The Guardian” se desmentiu no dia seguinte, categoricamente, dizendo que havia se enganado e que “Wolfowitz não dissera nada disso”. Entretanto, não saiu uma mísera nota na mídia brasileira sobre o desmentido, só sobre a mentira do dia anterior. Repito: não saiu em canto nenhum o desmentido, até hoje. O resultado? Pergunto: Qual a versão que prevalece entre os tupiniquins hoje? A da mentira ou a do desmentido?

Outro exemplo: o único nome de peso dos EUA que a mídia encontrou para dizer que o petróleo era uma questão de peso na guerra (falei nome de peso, o que significa que não estou falando de gente como Michael Moore, de atores de Hollywood ou de colunistas de jornal emitindo sua opinião) foi Alan Greespan, em 2007, mas ele não é do governo, é oposição, é democrata e fiel escudeiro dos poderosos grupos democratas Rockfeller e J. P. Morgan, para os quais trabalhou durante anos e ainda hoje trabalha; e, mesmo assim, teve o cuidado de dizer que a Guerra no Iraque foi, “em grande parte, acerca do petróleo”. Repito: “...em grande parte...”. Ou seja: “Olha, não foi só isso não, mas, em grande parte, foi isso”. Perceba: o único nome de peso nos EUA que teve a coragem de defender essa versão é alguém intrinsecamente ligado à oposição e nem mesmo assim disse que foi só por isso, mas “em grande parte” por isso. E mais: só esposou essa versão anos depois, só no ano passado, quando nem mais presidia o Banco Central americano e em pleno início da campanha democrata à presidência.

Enfim: como já disse, ninguém duvida que o tema petróleo também estava envolvido nas discussões sobre a guerra, mas este não era a principal questão, não era a pauta principal e muito menos foi “O” motivo para a Guerra no Iraque. Esse discurso da guerra essencialmente por petróleo é bom para “jogar para a galera”, é bem popular, faz o maior sucesso, vende jornal, mas não condiz com a verdade.

5) “Como uma forma de tentar legitimar sua investida contra o Iraque, o governo americano inicia uma campanha na ONU para retirar o embaixador Bustani (do Brasil) da chefia da comissão para o Controle de Armas Químicas, pois ele estava conseguindo convencer o governo iraquiano a fazer inspeções e, se tivesse inspeções, não haveria motivos para invasões”.

Robson, Bustani não convenceu o governo iraquiano a aceitar as inspeções. O governo iraquiano, depois de meses, foi quem liberou as inspeções para adiar ainda mais a guerra e porque sabia que, agora, as armas não poderiam ser encontradas – já haviam sido tiradas de lá, como foi denunciado. Ademais, Bustani saiu e as tais inspeções no Iraque acontecerem, com o apoio dos EUA (http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,5502,OI62662-EI865,00.html e http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2003/030227_blixg.shtml).

6) “Invadiu, matou gente até dizer chega, mudou a bandeira do país, atraiu tudo quanto é terrorista para lá, destruiu toda a infra-estrutura do país, a ponto de faltar gasolina (!) e água no país. E o Iraque quase se fragmentou numa guerra entre xiitas, sunitas e curdos. Isto é que é ‘pax americana’!”

Caro Robson, suas informações sobre o Iraque estão desatualizadas. Você fala do Iraque hoje como se fosse aquele Iraque dos primeiros meses após a derrubada do governo de Saddam; como se os EUA, depois de destruir parte da infraestrutura do Iraque (nada mais lógico numa guerra), tivesse deixado tudo do jeito que estava; como se não tivesse investido (e ainda está investindo) dezenas de bilhões de dólares na reconstrução do país. Os dados atuais sobre o Iraque são os que se seguem:

Segundo o site independente Iraq Coalition Casualty Count, proporcionalmente há mais homicídios e crimes no Rio de Janeiro do que no Iraque hoje. Por isso o general David Petraeus afirmou no início de agosto que o Iraque está estabilizado. Por isso o governo Bush anunciou, também em agosto, o projeto de retirada progressiva das tropas a começar ainda este ano. A “pax americana” estaria funcionando??? E se está, alguém torce para que não dê certo? Por quê?

E sobre a reconstrução do Iraque, ela está de vento em popa: dezenas de bilhões de dólares já foram gastos, recuperando saneamento, energia elétrica, prédios, distribuição – inclusive de gasolina nos postos – etc. E o fato de a Halliburton estar no topo da lista das empresas que mais receberam na reconstrução do Iraque não quer dizer muito. Ela é a empresa número 100 dos EUA (segundo a revista “Fortune”) e a maior do mundo em seu ramo – de construção civil, de infraestrutura. Ela não é empresa de extração de petróleo ou coisa parecida. A Halliburton não recebeu uma gota de petróleo. Ela foi paga para infraestrutura. Vejamos a listas das 25 empresas que mais receberam do governo dos EUA na reconstrução do Iraque até 2006 e o que fizeram:

1. Halliburton – Construção civil – Reparação e construção de bases militares, de campos petrolíferos e das demais estruturas destruídas no Iraque. Recebeu 17,2 bilhões de dólares de 2003 a 2006.

2. Veritas Capital Fund/ Dyn Corp – A Veritas Capital Fund é um grupo de investidores de todo o mundo que junta dinheiro e depois investe esse dinheiro numa empresa para que essa faça os serviços necessários. A empresa aqui é a Dyn Corp e os serviços prestados são o treino e equipamentos para as forças policiais do novo Iraque. Receberam quase um bilhão de dólares em três anos.

3. Washington Group International – Reparação e manutenção de campos petrolíferos e a construção de sistemas de abastecimento de água, de escolas e de bases militares. Nacionalidade americana. Recebeu 931 milhões de dólares de 2003 a 2006.

4. Environmental Chemical – Limpeza de zonas de guerra de todo tipo de lixo de guerra, como equipamentos destruídos, munições abandonadas, cápsulas dos projéteis que ficaram para trás etc. Recebeu 876 milhões de dólares de 2003 a 2006.

5. Aegis – Companhia britânica. Ela coordenou todas as operações privadas de segurança no Iraque por um contrato de 430 milhões de dólares. Já terminou o serviço há dois anos.

6. International American Produts – Recebeu 759 milhões de dólares do governo americano de 2003 a 2006 para restabelecer todo o sistema elétrico do país, colocando luz em todas as casas e regiões.

7. Erinys – Companhia baseada em Londres. Seu trabalho foi guardar as reservas de petróleo iraquianas durante quase quatro anos, antes de a nova polícia iraquiana ser formada, treinada e equipada. Foram 140 milhões de dólares para pagar a 20 mil guardas colocados nos poços de petróleo para evitar sabotagens ou ataques terroristas de de 2003 a 2007.

8. A Fluor – Assinou um contrato de 1,1 bilhão de dólares (reberá o valor total só quando terminar o serviço) para, desde de 2004, criar sistemas de água e de tratamento de água e de esgoto em todo o país. Na verdade, é um empreendimento conjunto entre a Fluor e a empresa baseada em Londres “London AMEC PLC”, divididos em dois contratos: um de 600 milhões em que a Fluor tem que construir a infraestrutura de transporte de agua e os saneamentos para as maiores cidades iraquianas e a outra companhia faz o mesmo nas demais cidades, mais pequenas, pelos outros 500 milhões.

9. Perini Corporation – Assinou um contrato de 650 milhões de dólares com o governo americano para fazer toda limpeza ambiental do país. Só receberá o valor total quando terminar o serviço.

10. URS Corporation – Assinou um contrato de 792 milhões de dólares (só receberá o valor total quando terminar o serviço) para fazer limpeza ambiental apenas nas zonas de guerra iraquianas.

11. Parsons – Uma companhia norte-americana, que tinha como tarefa construir academias de polícia, estações de bombeiros e centros de policiamento pelas cidades. Assinou um contrato de 540 milhões de dólares (só receberá o valor total quando terminar o serviço), mas está penando para receber o restante, porque está refazendo parte do seu trabalho depois que uma comissão do Senado americano encontrou falhas em 13 dos seus 14 projetos.

12. First kuwaiti General trading and contracting – Essa companhia assinou um contrato de 500 milhões de dólares para construir a embaixada norte-americana no Iraque.

13. Armor Holdings – É uma subsidiaria da empresa inglesa BAE Systems. Ela fornece blindagem para veículos e pessoas.

14. L3 comunications – Esta companhia fornece serviços de vigilância electrônica: câmaras de vídeo, scanners de movimento etc. Treina ainda pessoal e fornece serviços de tradução no terreno.

15. AM General – Subsidiária de uma empresa chamada Renco, fornece veículos para chão terrenoso (Jipes).

16. HSBC BANK – Terceiro maior banco do mundo, decidiu investir no Iraque. Não está ganhando nada do governo americano, mas já está dando lucro no Iraque. Comprou uma fatia de 70% do Banco Nacional do Iraque, chamado “Dar es salaam Investment bank”. O HSBC já tem 14 agências no Iraque e é o primeiro banco privado do país.

17. Cummins – Empresa inglesa, ela ganhou 45 milhões de dólares para produzir motores a diesel e estações de produção de energia elétrica.

18. Merchant Bridge – É um grupo de investimento que criou uma estratégia de conquista de cotas de mercado no Iraque nas seguintes áreas: construção, telecomunicações, compra e venda de propriedades, hotéis e industrias de tecnologia de informação. Ela oferece serviços de leasing e criou um banco chamado Mansour Bank, que havia gerado, até 2006, 61 milhões de dólares. E detalhe: 90% de todos os negócios deste grupo veio do próprio Iraque – de investidores iraquianos.

19. Global risk strategies – Esta empresa é especializada em gestão de risco. Ela recebeu 24,5 milhões de dólares por serviços já prestados: aconselhamento das forças norte-americanas e da coligação acerca de estratégias de ataques terroristas, e serviços de ajuda humanitária.

20. Control risks – Uma companhia inglesa de controle e gestão de riscos. Recebeu 37 milhões de dólares para fornecer segurança às forças militares e empresas. Ela foi paga por algumas empresas que aparecem nessa lista para lhes dar segurança.

21. Caci – A empresa Caci forneceu interrogadores para o interrogatório de prisioneiros iraquianos. Quando surgiram acusações de abusos em Abu Ghraib, muitos desses funcionários, civis, foram condenados criminalmente.

22. Bechtel – Considerada uma das maiores empresas de construção civil do mundo, recebeu 2,4 bilhões de dólares para reconstruir parte da infraestrutura do país. Ela perdeu o contrato para construir o hospital infantil de Basra, porque estava um ano atrasada e tinha excedido o orçamento entre 70 a 90 milhões de doláres. O contrato foi para outra empresa.

23. Custer Battles – Esta foi a primeira empresa de construção no Iraque a ser directamente acusada de fraude. Basicamente faturas artificialmente elevadas – 10 milhões de dólares a mais. Saiu de lá.

24. Nour USA – Assinou 400 milhões de dólares em contratos na área de transportes, inclusive de transporte de petróleo.

25. General Dynamics – Companhia que fabrica armamento militar dos mais variados tipos. Aviões, balas para tanques, veículos de ataque etc.

Detalhe: claro que algumas dessas empresas são ligadas a republicanos – se só há dois grandes partidos no país, elas ou são ligadas a um ou a outro! Ainda mais que nos EUA as empresas são bastante engajadas política e ideologicamente, com seus empresários investindo nas campanhas de seus preferidos. Detalhe: os empresários das empresas ligadas aos democratas que estão nessa lista contribuíram, todos, à campanha de Obama, não de Hillary. Exemplos: a Perini Corporation e a URS Corporation. Elas pertencem a Richard Blum, presidente de um fundo americano e marido da senadora democrata obamista da Califórnia Dianne Feinstein.

Outra coisa: até agora, TODO o dinheiro com o petróleo do Iraque está sendo investido na reconstrução do próprio Iraque, e mesmo assim não é suficiente, ao ponto de o governo norte-americano ter desembolsado bilhões de dólares, como foi demonstrado.

E mais: logo que o Iraque puder andar totalmente com os seus próprios pés, os EUA já anunciaram que vão sair dali para que os país se auto-determine, assim como fizeram na reconstrução do Japão, da Coréia do Sul etc.

7 e 8) “Foi contra a criação do Tribunal Penal Internacional com medo que suas tropas pudessem ser processadas por crimes comuns cometidos em outros países. Lembra-se de Abu Ghraib? Confinou centenas de pessoas sem julgamento ou acesso à defesa em Guantánamo, colocando-as em um vácuo jurídico, literalmente condenado-as à prisão perpétua e torturas, sem nem que se saibam quem são elas e sem que elas saibam do que são acusadas! Sem justiça não há democracia. Quem critica Cuba (justamente, aliás) não pode fazer o mesmo e, ironicamente, faz em solo cubano!”

Os EUA condenando prisioneiros em Guantánamo a torturas e à prisão perpétua? E “literalmente”? Essa é boa. Juiz: “Você está condenado. Pena: será torturado até o quanto viver aqui em Guantánamo”. Para seu governo, o governo Bush já anunciou que, depois de todos os acusados de terrorismo presos em Guantánamo serem julgados, a prisão será fechada, e que isso deverá acontecer nos próximos anos. Já sobre o Tribunal Penal Internacional, é verdade que Israel, China, Iraque, Iêmen, Líbia e Qatar também votaram contra, mas concordo que pegou muito mal aos EUA não ter apoiado o TPI devido a seu forte-protecionismo-nacionalismo em relação aos seus cidadãos – refiro-me à velha máxima americana: “Cidadãos americanos devem ser julgados pela justiça americana, não pela de outros países”. Lembre-se que quando Clinton assinou o Estatuto de Roma em 1998, muitos americanos, inclusive democratas, o criticaram à época lembrando essa máxima.

Agora, sobre os demais pontos:

Primeiro, não dá para comparar Abu Ghraib e Guantánamo com Cuba. Elas estão infinitamente, abissalmente, longe disso. Além do que, há muita lenda sobre Guantánamo. Se não, vejamos.

Em primeiro lugar, em Cuba, a tortura é ordenada pelo próprio governo. Nos EUA, não. Não há nenhuma prova de que o governo dos Estados Unidos autorizou abusos em Abu Ghraib e Guantánamo. Bem ao contrário: logo que souberam de casos de tortura havidos nessas prisões, o presidente Bush e demais autoridades do governo se manifestaram condenando tais práticas e tomaram providências (leia, por exemplo, aqui http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u313792.shtml). Isso é democracia.

Cuba faz isso?

Outra coisa: a única acusação contra uma autoridade americana de conhecer os abusos e ter ficada omissa é ridícula: o general da reserva Antonio Taguba acusou Donald Rumsfeld de mentir ao dizer que não estava a par dos abusos porque, UM DIA antes de entregar o dossiê ao Congresso americano, ele havia denunciado os abusos a Rumsfeld. Um dia antes! Dispensa comentário... (Mesmo quando Taguba disse, posteriormente, que havia denunciado a ele “também dias antes”, Rumsfeld o desmentiu; mesmo assim, para quem já havia dito o que dissera antes, nem precisava de desmentido).

Todos os eventuais abusos em Abu Ghraib e Gauntánamo foram cometidos sem a autorização do governo americano. Lembre-se que, em 6 de setembro de 2006, o presidente Bush discursou na Casa Branca sobre Guantánamo, enfatizando que “os Estados Unidos não praticam tortura, pois isso é contra os valores do nosso país. Não autorizei e nunca autorizarei tortura” e que “Nenhum americano será autorizado a torturar outro ser humano em nenhum lugar do mundo”. Ele garantiu ainda que “todo tipo de abuso será punido”. E sobre os terroristas presos em Guantánamo (entre eles Khalid Sheik Mohammed, um dos mentores dos ataques de 11 de setembro de 2001; Ramzi Binalshibh, um dos líderes da Al Qaeda; e Abu Zubaydah, homem de ligação entre Osama Bin Laden e várias células da Al Qaeda), afirmou Bush: “Todos os detentos serão protegidos pelas Convenções de Genebra. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha está sendo comunicado da detenção deles e terá a oportunidade de ter contato com eles. Os acusados de crimes terão acesso a advogados que vão ajudá-los a preparar sua defesa, e haverá presunção de inocência. Em Guantánamo, eles terão acesso à mesma comida, roupa, assistência médica e oportunidades para orações como os demais detentos. Eles continuarão sendo tratados com a humanidade que negaram a outros”.

E quando surgiram acusações em Abu Ghraib, o governo dos EUA criou uma lei para tornar mais pesadas as penas contra quem cometesse abusos ou torturas em prisões. A mídia no Brasil, porém, divulgou idiotamente a notícia como se Bush tivesse, finalmente, proibido a tortura e abusos! Que mentira descarada e deslavada! Os EUA já têm leis contra isso há séculos. O projeto de Bush, aprovado pelo Congresso, foi para aumentar a pena (que já era pesada), como uma demonstração ao mundo de que o governo americano, como já havia anunciado antes, não tolera esse tipo de coisa.

E em respostas a algumas acusações que a Anistia Internacional fez sobre Guantánamo, leia o que o general Richard Myers, chefe do Estado-Maior dos Estados Unidos, afirmou: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u84209.shtml

Em segundo lugar, nos EUA, o preso em Abu Gharib ou Guantánamo pode processar por abusos. Além disso, em Guantánamo, os suspeitos de terrorismo detidos têm o direito de recorrer aos tribunais federais para contestar a sua detenção. E em caso de abuso, se os acusados de abuso são soldados, estes não são apenas punidos militarmente, mas também são processados e condenados criminalmente. Leia:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u417966.shtml

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG64128-6013,00-SEIS+MILITARES+DOS+EUA+SAO+PUNIDOS+POR+TORTURAS+NO+IRAQUE.html

http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u323812.shtml

Isso é democracia. Nos EUA, os responsáveis são punidos. Em Cuba, nem pensar.

Agora, vejamos as acusações de tortura em Guantánamo segundo o relatório da Comissão de Direitos Humanos da ONU, relatório este divulgado em fevereiro de 2006 e que foi fruto de uma extensa entrevista particular com os advogados dos presos, segundo divulgou a própria Comissão: “técnicas de interrogatório que devem ser consideradas como equivalente à tortura” (Sabe por que o relatório diz “devem” e “equivalente” em vez de “são”? Porque essas técnicas, segundo o relatório, consistem em “gritos” e “empurrões”); “obrigar os prisioneiros a fazer a barba, fazendo-os ir contra as suas crenças religiosas”; “desrespeito a algumas crenças religiosas dos presos, o que resulta em intimidação” (falou-se, por exemplo, em desrespeito ao livro Alcorão); “submeter alguns presos [os violentos] a confinamento solitário extenso [quer dizer, por uma quantidade de horas ou dias que a Comissão da ONU julgou ser exagerada para os casos]”; “submeter alguns presos a iluminação e barulho extremos para ficar dias sem dormir” e “assustar com cães”. Essa é a síntese do relatório de 54 páginas da ONU, conforme depoimento dos advogados dos próprios presos. Tudo o mais que se fala sobre Guantánamo é invenção. E o governo americano ainda contestou o relatório da ONU, ressaltando, inclusive, que o relatório já nascia viciado porque a Comissão só se baseou no depoimento dos advogados dos presos.

(Um parêntese para esclarecer uma das grandes mentiras e desinformações deslavadas sobre Guantánamo disseminadas pela mídia: a história de que há 500 pessoas lá que são acusadas de terrorismo. Esse é só um exemplo entre os muitos de informação falsa que a mídia repete incansavelmente sobre Guantánamo. Havia, pelo menos até um dia desses, 270 acusados de terrorismo lá. Então, de onde vem esse número 500? De onde tiraram ele? Ora, 500 é o número total de pessoas presas em Guantánamo, principalmente militares, pois é uma prisão militar americana que já existe lá há tempos).

O caso mais grave mesmo em Guantánamo, e confirmado (ocorrido em 2004, antes do relatório), foi o da chamada “tortura branca” (em que os presos têm seus olhos, boca, mãos e ouvidos cobertos para não perceberem nada à sua volta), cujas fotos correram o mundo, e que era praticado no Acampamento X-Ray, mas não só os acusados foram punidos como esse acampamento de Guantánamo foi fechado.

E é importante lembrar ainda que esse relatório da ONU foi feito depois que um preso de Guantánamo, exatamente na semana de um dos julgamentos de presos dali, denunciou a uma ONG de direitos humanos que “introduziram a cabeça de réus na privada e puxaram o autoclismo até quase sufocá-los”, “espancaram doentes e feridos, em frente mesmo de médicos e enfermeiras” e “torturavam os presos em nome da lei”, acrescentando ainda que “são tantos incidentes que é impossível contar todos” e “fui ameaçado de ser estuprado, que atacariam minha família, seqüestrariam minha filha e que eu seria assassinado pelos espiões (norte-americanos), se voltava à Arábia Saudita”. As acusações chocaram o mundo. Só que o problema é que a Comissão de Direitos Humanos da ONU não conseguiu comprovar nenhuma dessas denúncias e nem até hoje algum preso foi encontrado com mínimos sinais de espancamento. Mas, quando o relatório foi divulgado, ninguém da mídia brasileira lembrou que o relatório desmentia àquela acusação. Aliás, essa não foi a primeira vez que denúncias desse tipo foram feitas e não comprovadas. Lembra-se daquela do marroquino solto depois de três anos e meio em Guantánamo? (http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2005/02/050214_guantanamorc.shtml) Um mês após ser solto, ele fez denúncias gravíssimas que jamais foram comprovadas. O próprio governo australiano (o tal ex-preso é cidadão australiano) acusou-o de estar mentindo e de ser um mentiroso contumaz. Ele ainda responde por terrorismo na Justiça australiana.

Finalmente, para concluir, só uma curiosidade (propositalmente deixada para o final): Você sabia que existe em Guantánamo também uma prisão do governo cubano? Pois bem, desde que a Guantánamo americana começou a receber os tais prisioneiros terroristas até a presente data, não só não morreu ninguém lá como nenhum preso apareceu sequer com um hematoma. Enquanto isso, no mesmo período, já morreram MAIS DE CEM PRESOS na prisão do governo cubano em Guantánamo e ainda há lá 47 presos políticos que são torturados (com todas as implicações desse termo). São eles:

1.- Mariano Antomachin Rivero
2. - Nicol� Estrada Castellanos
3. - Jorge Cardona Vald�s
4. - Andr�s Betancourt Montoya
5. - Armando Tamayo Qui��nez
6. - Feliciano Portuondo Mart�nez
7. - Orlando Fern�ndez P�rez
8. - Rafael Perera G�mez
9. - Oreste Armora Portuondo
10. - Eli�cer Cruz Tamayo
11. - Daniel Mart�nez Dom�nguez
12. - Juli�n Figuera Guzm�n
13. - Ren� Cabrera Rojas
14. - Yordys Bles Ruiz
15. - Yobanis Mart�nez Montedeoca
16. - Jes�s Sam�n Matos
17. - Alexander Boloy Zamora
18. - Alexis Mu�oz Rodr�guez
19. - Alexander Gil Cruz
20. - Ernesto Rojas Gamez
21. - Jorge �lvarez S�nchez
22. - Rodolfo Bartelem� Cobas
23. - Masao Betsumizs Navarro
24. - Randy Cabrera Mayor
25. - Ernesto Lucas Corral Cabrera
26. - Santiago Cutido Aguilera
27. - Luis Mariano Delia Utria
28. - Carlos Luis D�az Fern�ndez
29. - Ar�stides Ram�n Salgado Corrales
30. - Pedro Ismael Serra Abreu
31. - Juan Carlos Fonseca Fonseca
32. - Bernardo Fern�ndez Abreu
33. - Eugenio S�nchez Ang.
34. - Andr�s Arias Pisarrosa
35. - Alexander Lobaina Jim�nez
36. - Yanel Dupuy Aguilar
37. - Carlos Manuel Guti�rrez Grella
38. - Juli�n Hern�ndez L�pez
39. - Jorge Luis Larraz�bal Zulueta
40. - Andr�s Leyva Telles
41. - Ivo �ngel Maycheco Arriba
42. - Antonio M�rquez Urquia
43. - Yoander Mora Rivero
44. - Rolando Oramas C�spedes
45. - Yorquis Pinada Laurencio
46. - N�stor Rodr�guez Lobaina
47. - Alberto Mart�nez Mart�nez

Estes nomes e informações estão no site http://www.payolibre.com/

Que ironia, não? Duas prisões tão diferentes e no mesmo lugar – Guantánamo.

Que fique claro que não creio que a Guantánamo americana é “o máximo de retidão”, mas ela não tem nada de “campo de concentração” nem se assemelha, mesmo que ao longe, com as prisões de Cuba. Ela é uma prisão que está abissalmente distante do que se vê até mesmo nos presídios brasileiros; e Abu Ghraib, mesmo nos momentos em que se constatou aqueles terríveis abusos (todos punidos), estava infinitamente acima do que ela era quando funcionava no regime de Saddam Hussein (O Iraque de Saddam tinha 300 mil presos políticos, dos quais centenas morreram na prisão de Abu Ghraib, onde era comum os presos iraquianos serem eletrocutados e terem partes do corpo quebradas ou decepadas). E lembrando mais uma vez que os eventuais casos de abusos em Abu Ghraib e Guantánamo tiveram seus responsáveis punidos, pois os EUA são uma democracia (aliás, a mais antiga e vibrante democracia do mundo). Enquanto isso, não vemos essas coisas em Cuba e, às vezes, nem mesmo no nosso democrático Brasil!

9) “O governo Bush, seguindo o ideário neoliberal republicano, cortou impostos dos mais ricos e políticas sociais dos mais pobres, ao mesmo tempo em que deixou correr frouxa a fiscalização do mercado. Isto somado as despesas de suas guerras simultâneas levaram os EUA a uma gigantesca crise econômica”.

Caro Robson, vários erros crassos aqui. Primeiro: o ideário dito neoliberal não é uma idéia, invenção ou propriedade republicana. Só para citar um exemplo mais próximo: Clinton era neoliberal (Inclusive o governo FHC era acusado de seguir as políticas neoliberais de seu amigo, lembra-se?). Ora, Clinton é republicano?

Aliás, esse negócio de “neoliberalismo” é uma graça! Quando o governo FHC ajudou os bancos, era neoliberalismo; quando o governo americano ajuda os bancos, é intervenção do Estado na economia. Coerente, não?

Fato: a intervenção do Estado na economia em momentos de crise é não apenas uma medida mais do que racional e necessária: é um princípio do liberalismo econômico. Em momentos de crise! Porém, os opositores de plantão, as “múmias” do socialismo – olvidando que nossa guerra deve ser contra o capitalismo selvagem e não contra o capitalismo em si; olvidando que deve ser por um capitalismo ético, obedecendo a normas claras – confundem propositalmente exceção com regra e regra com exceção. Uma coisa é intervenção em uma crise, outra coisa é dirigismo estatal permanente. Pior foi ler gente que chegou a dizer: “O capitalismo acabou!” Pois é, os socialistas disseram isso no século 19, nos anos 30, nos anos 70 e agora, de novo.

Segundo: o governo Bush NÃO É culpado pela crise econômica atual. Essa é uma afirmação tremendamente falsa. Seja quem fosse o presidente, a crise aconteceria e a medida que Bush tomou, ao qual você se referiu (a dos impostos), não influiu em nada na crise – foi só um paliativo impopular (e fugindo da cartilha republicana). A crise foi provocada, como tem sido repetido insistentemente, pelo calote colossal de mutuários nos financiamentos dos bancos para compra de casas próprias, que começou lá atrás com a política de afrouxamento da fiscalização do Banco Central americano durante os 12 anos de progresso da economia americana. O problema só estourou agora. Inclusive, hoje, depois que a maré baixou um pouco, sabe quem é que os economistas estão culpando pela crise? Alan Greespan. Até o Delfim Neto, no jornal “Primeira Leitura” da Bandeirantes nesta manhã, frisou a culpa dele, dizendo que “Bush não é culpado; quem fosse o presidente, a crise aconteceria; ela se deve à frouxidão de fiscalização do Banco Central americano na empolgante onda de crescimento da Era Clinton”.

Como o Banco Central americano é independente, é ele o responsável pela fiscalização da economia, mas, influenciado pelo frenesi dos 12 anos de progresso crescente, afrouxou na fiscalização (o que Delfim lembrou que é comum acontecer em períodos de grande progresso, é uma tentação comum em períodos assim). Greespan só começou a tentar fazer alguma coisa e a alertar o governo Bush, querendo livrar a cara, quando percebeu que a coisa ia explodir, mas já era tarde. “E por que todo mundo cobrava do governo Bush, se a culpa não era dele?” Claro! Porque o governo, independente de ser o culpado ou não, precisava fazer alguma coisa para solucionar o problema! (Mas a impressão que passa, para quem não entende, é que essas críticas são porque o governo é culpado!) Medida tomada, os economistas agora viraram sua artilharia para Greespan.

Até o Delfim reconhece isso. Logo ele, colunista da petista fervorosa e dedicada “Carta Capital”, aquela que tem 58% de anúncios do governo federal (embora com uma tiragem de apenas 30 mil exemplares) e que tem uma campanha interessante de assinaturas: basta apresentar o comprovante de filiação ao Partido dos Trabalhadores (PT) e você terá, automaticamente, um desconto de 50% na sua assinatura de “Carta Capital” (sic). A promoção está no site do próprio PT.

Bem, se até o Delfim reconhece isso... (Se bem que não precisava ele reconhecer isso para ser verdade. A verdade é verdade não por quem a diz, mas por si mesma, pelos fatos evidenciados).

Falo mais da crise econômica em comentário posterior aqui mesmo, neste espaço, nesta semana ainda, até porque este comentário está exteeeeeennnnssssooo...

10) “Claro, Kioto. Além de não assinar, o governo americano duvida que boa parte da causa das mudanças climáticas seja devido à ação humana, especialmente das indústrias. O que é que faz? Financia cientista que concordam com sua polêmica opinião e censuram e perseguem os cientistas que tentam publicar dados que mostram o tamannho do problema”.

Não, Robson. Erro de novo. Distorção dos fatos. O governo Bush não financiou cientistas que concordavam com sua opinião. Bush não criou uma tese e pediu que a provassem. Esses cientistas já contestavam o alarde em torno do aquecimento global ANTES de Bush ser eleito presidente. Tão somente Bush ouviu esses cientistas (que são cientistas sérios) e não deu bola para os outros, até porque o que defendem é mais conveniente para a economia. E outro erro: o governo Bush, depois da pressão mundial (e inclusive de sua base conservadora, que já leva mais a sério a história do aquecimento global), há tempos mudou. Desde o ano passado que o governo Bush mudou sua política em relação ao aquecimento global. Quanto a Kyoto, recentemente Bush prometeu se comprometer, mas só depois de se rediscutir algumas condições ali que, inclusive, não estão sendo respeitadas por outros países que assinaram o tratado e hoje as contestam.

11) “Isto sem falar de Katrina, 4a Frota, Haliburton, Blackwater etc”.

Já falei do Katrina em comentário anterior desta postagem (no dia 13): concordo que houve erros ali, por mais que haja alguns atenuantes invocadas pelo governo. Sobre as ditas “conspirações” por trás da presença da Quarta Frota, até o esquerdista Luís Fernando Veríssimo disse com razão, escrevendo à revista norte-americana “Times”: tudo bobagem de brasileiros excessivamente anti-americanos. Sobre Halliburton, já falei. Acerca da Blackwater? Está sendo devidamente processada por abusos. E ela não é do governo. É um grupo privado. Aliás, nos EUA é assim. Você sabia que mais da metade da CIA já foi privatizada?

12) “Bom para finalizar, concordo com você quando afirma que McCain não é Bush. O problema é que ele não é Bush naquilo que ele tem de bom: suas convicções cristãs”.

Não, Robson. McCain diverge de Bush em muitas outras coisas que não têm nada a ver com a fé, inclusive num ponto fundamental: muitas questões de política econômica. McCain não é Bush.

Abraço!

P.S.: "Brócolis at aspargos, hortaliças est"! "Latim"-tupiniquim-vegetariano! Como responder? Que tal: "Couves at Coentro Alfafa est"?

Robson disse...

Rapaz! Isto não é um texto, é um testamento!
Bom, pretendo ser conciso, pois acho que exageramos na dose rsrsrs
1) Quanto ao 11 setembro, obviamente que me referi a um ataque aos EUA e não ao governo Bush. O que quis dizer é que o fato ocorreu durante o governo Bush.

2) Quando me referi ao ataque no Afeganistão quis dizer apenas que todo o mundo ocidental achou uma atitude correta, só isso. Não sei daonde saiu o Al Gore nesta história...

3) Rumsfeld, Krauthammer, Wolfowitz... por quê este povo tem nomes tão complicados? Sim, a doutrina Bush tem sua origem no unilateralismo e, embora ela tenha se revelado quanto a Kioto se tornou realmente preocupante com a Guerra do Iraque. Apoio de Sadam Hussein a terroristas? Ele era o ditador de uma república laica, de origem sunita e que se opunha aos xiitas. Fanáticos religiosos não o via com bons olhos. O máximo que ele fazia era mandar dinheiro para as famílias de homens-bomba palestinos. Se estivéssemos falando de apoio iraniano a terroristas, eu não teria dúvidas, mas o Iraque?

4) Inexplicável pelo o que postei acima. Ainda não tinham aniquilado nem o Talibã nem a Al Qaeda no Afeganistão e se envolveram em uma nova guerra com um país que todos sabiam que não apoiava o terrorismo islâmico. Quanto a CIA assumir o erro de avaliação do Iraque, alguém esperava alguma coisa diferente? Lá eles levam à sério a lealdade ao presidente. Eu me lembro do coronel Oliver North assumindo toda a responsabilidade pelo escândalo Irã-Contras para que a investigação no Congresso não chegasse até o presidente Reagan.
Sinceramente não sei qual foi o motivo que levaram os EUA a se meter nesta guerra. O que se publicava na época é que o governo americano contava com uma rápida e fácil invasão e que a exploração do petróleo iraquiano não apenas cobriria os custos da guerra como também os de reconstrução do país. Só não contavam com a guerra assimétrica e com os atentados contra as refinarias e poços de petróleo. Um fato emblemático é que após a invasão, os americanos colocaram tropas protegendo o ministério do petróleo do Iraque, mas deixaram desprotegido o museu de Bagdá. O resultado foi que relíquias arqueológicas dos impérios babilônicos, assírios, persas, entre outros foram saqueados, o que foi uma gigantesca perda para a cultura mundial. Uma invasão por petróleo é mais plausível do que por armas de destruição em massa que não existem.

5) Não o Bustami, pelo o que me lembro, não tinha conseguido ainda as inspeções, mas as negociações estavam progredindo. O jogo naquela época foi pesado. Foi noticiado que os EUA pagaram as dívidas de diversos países pequenos com a ONU para que pudessem votar a saída de Bustani, o que de fato, aconteceu. Com a saída dele, um egípcio cujo nome não me lembro assumiu a COPAC e continuou as negociações e inclusive chegou a estar no Iraque procurando as tais armas químicas. Antes que pudesse terminar seu relatório, os EUA invadiram o Iraque.

6) Sim eu descrevi o que ocorreu na invasão, e não como está o Iraque hoje, até porque um fato não anula o outro. Confesso que fiquei muito chocado ao ver uma foto de uma criança iraquiana chorando de ódio e sem os braços e as pernas devido aos ataques americanos. O mais triste é saber que foi uma guerra inútil. Atualmente se gastam bilhões para que o país volte a ser o que era antes da guerra, o que não era lá grande coisa devido ao embargo da ONU. Quanto à Halliburton, a suspeição paira sobre ela não apenas por ser a que lucrou mais com o Iraque mas porque é a empresa onde trabalhava o vice de Bush, o sr. Chenney.

7 e 8) Quem bom que concordamos sobre o TPI! Quanto à Guantánamo, a crítica é que lá os presos estão submetidos a um vácuo jurídico, onde a lei americana não se aplica e nem a Convenção de Genebra. Esta situação seria de se esperar de uma ditadura latinoamericana e não de um país com a forte tradição do respeito à Lei que tem os EUA. O fato dela se situar em Cuba um país que todos sabem que não respeitam os direitos humanos tornou a situação ainda mais irônica. Quanto a tortura, Bush se opôs veementemente a que o Congresso abolisse a prática torturas, embora semrpe se utilizem de eufemismos para descrevê-las. Nesta questão, aliás, recentemente, McCain por seu passado de ex-prisioneiro e ex-torturado, afirmou que opõe a qualquer tipo de tortura. Quanto a comparar com o Brasil, aí é covardia! é capaz de até uma prisão cubana ser melhor do que uma delegacia carioca rsrsrs.

9) Bom, o neoliberalismo é uma das escolas do capitalismo. Tradicionalmente, os republicanos defendem os postulados do neoliberalismo enquanto os democratas tendem a defender uma maior interferência do estado na economia. Na prática, porém, há uma variação de tons não de cores entre eles. às vezes os sinais ficam trocados, como o governo Bush, republicano, defendendo subsídios e sobretaxas alfandegárias conta o Brasil, mas aí há também a pressão dos estados produtores sobre Washington para que adote medidas protecionistas. Quanto a crise, na verdade, estamos falando de crises. Antes do estouro da bolha, a qual já vinha sendo noticiada com tal a mais de ano, a economia americana já não vinha bem e o fato do governo cortar impostos (menos receita) com despesas de guerra na casa dos trilhões (mais despesas) não ajudava em anda o cenário.

10) Sim, o governo Bush está mudando sua agenda, visto que a pressão é muito grande tanto fora quanto dentro dos EUA. A própria indústria automobilística americana está se esforçando muito para descobrir meios não ou pouco poluentes de alimentar os motores de seus carros. Os sinais da natureza são preocupantes e muito tempo foi perdido e poucas iniciativas forma tomadas – por todos – não apenas pelos EUA.

11) Sim, eu sei, mas o que eu quis ressaltar é que tenho minhas dúvidas se McCain depois de eleito, defenderá com o mesmo empenho que Bush, a luta contra a utilização de células-tronco, contra o aborto e a defesa da castidade no combate à gravidez indesejada. Eu gostaria que sim, mas tenho minhas dúvidas.

P.S. "Couves at Coentro Alfafa est" Ah, Ah, Ah, Ah! Ótimo latim, só não sei se couve e coentro são alfafa, mas brócolis e aspargos são hortaliças, sim!

Fique na Paz, meu irmão, e me perdoe por mais este excesso de mal digitadas linhas!

Silas Daniel disse...

Caro amigo Robson,

Sobre a questão da CIA, vai uma informação que muito provavelmente você não sabe: no final do governo Ronald Reagan, este privatizou boa parte dos serviços secretos. Na época, quem podia comprou um pedaço e o pôs a serviço de si mesmo. Até a família Clinton é dona de uma parte da CIA hoje. Você sabia disso? Muito provavelmente não, já que isso não sai na televisão e na mídia impressa brasileiras. Aliás, quer saber mais sobre a CIA, suas dissensões políticas internas e as burradas? Há uma enxurrada de livros no mercado norte-americano nos últimos anos falando sobre esse assunto, como “Countdown to Terror”, de Curt Weldon. Sobre as burradas especificamente, há o livro “Legado de Cinzas”, de Tim Weiner, 742 páginas, já publicado no Brasil em português pela Editora Record no final do mês passado.

Sobre Chenney e a Halliburton: Sei que Dick Chenney trabalhou na Halliburton, mas lembre-se que ela é a centésima maior instituição (entre bancos e empresas) dos EUA (segundo a revista “Fortune”) e a maior do mundo em seu ramo – de construção civil e infra-estrutura em geral. Será que ela não seria a mais indicada pelo seu “know how”? Ademais, ela não trabalha sozinha lá: ela divide o trabalho de reconstrução do Iraque com outras empresas do ramo contratadas pelo governo dos EUA, como mostrei ao dar os dados de gastos com a reconstrução do Iraque.

Esquecer o museu de Bagdá foi um erro do qual os EUA se arrependem amargamente, mas daí a pensar que, portanto, "tudo é petróleo" é um verdadeiro "salto quântico"! Volto a frisar algo que desmistifica totalmente a história de que os EUA objetivaram explorar o Iraque e “curtir o petróleo” de lá: (1) até agora, TODO o dinheiro com o petróleo do Iraque está sendo investido na reconstrução do próprio Iraque, e mesmo assim não é suficiente, ao ponto de o governo norte-americano ter desembolsado bilhões de dólares; (2) e quando o Iraque puder andar totalmente com os seus próprios pés (O que seria um sinal verde para finalmente “curtir o petróleo”, não?), os EUA já anunciaram que vão sair dali para que o país se auto-determine, assim como fizeram na reconstrução bem-sucedida de outros países. Portanto, onde está a tal “guerra pelo petróleo”? E a exploração?

Sobre o trágico caso do garoto iraquiano, ao qual se referiu, quero apenas lembrar que:

Primeiro - Toda guerra, justa ou injusta, tem vítimas civis. A questão é: uns atacam civis de propósito e outros, não – como é o exemplo dos EUA. Os EUA não são como determinados países e governos que, em conflito, procuram atingir civis como tática de guerra (Saddam, por exemplo, em seu governo, abriu dezenas de valas para entulhar cadáveres de civis. Por exemplo: as valas de Babilônia, Al Hilla e Abul Khasib. Na primeira, 15 mil cadáveres; na segunda, outros 15 mil cadáveres; na terceira, 40 cadáveres). Ao contrário desses países, os EUA, a Grã-Bretanha e a Austrália (países com tropas no Iraque), como países civilizados que são, fazem o máximo possível para preservar civis. E se algum soldado atacar, roubar ou torturar civis, é condenado em seu país por crime de guerra.

Segundo: Aquela criança mutilada é o garoto Ismail Abbas e ele perdeu partes de seu corpo e seus pais foram mortos em um ataque dos EUA contra milícias iraquianas, não contra civis. A família foi atingida por acidente, por estar próxima ao ataque. Ele foi levado ao Kuwait pelo exército americano para ser tratado e, depois, à Inglaterra, onde vive. Ismail e Ahmed Mohammed Hanza, outro menino mutilado por estar próximo a ataques, receberam auxílios financeiros dos Estados Unidos e Grã-Bretanha.

Terceiro: A maioria esmagadora dos civis mortos nos últimos anos no Iraque morreu devido a atentados, e não a ataques equivocados do exército americano. E ainda: as mortes de civis, bem como a de soldados americanos, caíram abissalmente nos últimos dois anos. E o número continua caindo, desta vez lentamente, mas ainda caindo.

Quarto: Segundo matérias de novembro de 2003 do jornal britânico “The Guardian” e da BBC, o governo dos EUA já havia desembolsado até àquela época mais de 1,5 milhão de dólares em indenizações a famílias iraquianas pelas mortes ou ferimentos de familiares por erro de soldados americanos. Hoje, cinco anos depois, as indenizações já somaram outros tantos milhões de dólares. A Grã-Bretanha também está indenizando. Só para uma família o governo britânico desembolsou 2,83 milhões de libras (cerca de 3,54 milhões de euros). Ademais, as famílias iraquianas que se sentirem lesadas podem processar cobrando indenizações - como é o caso de algumas famílias que, desde o final do ano passado, estão processando devidamente nos EUA à empresa Blackwater.

Finalmente, segue uma notícia que tem tudo a ver com outro ponto do que já comentamos aqui, nesta interação. Veja no link a seguir até que ponto a ONU e a União Européia chegaram em sua política de subserviência ao terrorismo (o fato ao qual se refere a matéria da Reuters lida no link a seguir ocorreu semana passada, mas a mídia televisiva e impressa tupiniquim, quase por inteiro, não o divulgou): http://emsergipe.globo.com/nesseinstante/exibir_noticia.asp?id=101003&tit=ONU+REVELA+PRXIMO+PASSO+DA+AL-QAEDA+SER+LEGITIMIDADE

E sobre a questão econômica, como prometi, ainda entro no tema brevemente, se Deus permitir.

Abraço!

Silas Daniel disse...

Caros,

Na lista que apresentei de atentados aos EUA desde o final dos anos 70 até hoje (publicada no meu comentário neste espaço no dia 13 de setembro, às 15h52), esqueci duas coisas: primeiro, de lembrar que os atentados de 1980 e 1985, mesmo não sendo diretamente contra os Estados Unidos (foram em Londres e Roma), os terroristas, em sua "justificativa" àqueles ataques, proferiram sermões contra os EUA; e segundo, esqueci de mencionar na lista um dos principais atentados da História: o primeiro ataque terrorista da Al Qaeda em solo americano, ocorrido durante o governo Bill Clinton, em 1993. Esse atentado também foi o primeiro ao World Trade Center. Ele ocorreu em 26 de fevereiro de 1993, quando um carro bomba foi detonado por terroristas árabes islâmicos da Al Qaeda no parque de estacionamento subterrâneo por baixo da Torre Um do World Trade Center.

Foram, ao todo, 680kg de explosivos, abrindo uma cratera de mais de 30 metros de diâmetro que destruiu quatro andares do WTC. A explosão matou seis pessoas e feriu outras 1.042. A intenção, conforme confessaram os terroristas, era abalar os alicerces da Torre Norte para que ela caísse em cima da outra torre, levando tudo abaixo.

O ataque foi planejado pelos terroristas Ramzi Yousef, Sheik Omar Abdel-Rahman, El Sayyid Nosair, Mahmud Abouhalima, Mohammad Salameh, Nidal Ayyad, Ahmad Ajaj e Abdul Rahman Yasin. Todo dinheiro para financiar o atentado foi repassado pelo tio de Ramzi Yousef, chamado Khaled Shaikh Mohammed, naquela época um dos membros da cúpula da Al-Qaeda. Os terroristas que planejaram o atentado foram presos e condenados à prisão perpétua e à pena de morte durante o governo Clinton.

Pronto, agora a lista está completa.