quarta-feira, 27 de julho de 2011

Por que os republicanos se opõem à proposta de Obama?

Há semanas que as duas casas legislativas dos EUA – a Câmara dos Representantes e o Senado – debatem os cortes de gastos que o governo Obama deve empreender e as propostas do governo democrata de aumentar os impostos bem como o limite da dívida americana (isto é, a capacidade de o governo americano gastar mais). Como todos já devem ter percebido pelo noticiário, os democratas são a favor de um aumento significativo do limite da dívida, de um corte de gastos em longo prazo e do aumento de impostos sobre os ricos, para que o governo continue gastando; e os republicanos são a favor de um aumento mínimo do limite da dívida, contra qualquer tipo de aumento de impostos e a favor de um corte de gastos mais duro. Bem, diferentemente do que ocorria no ano passado, os democratas são hoje apenas uma maioria simples no Senado, com 51 cadeiras contra 47 dos republicanos e 2 dos independentes (que geralmente votam com a maioria), e os republicanos são emagadora maioria na Câmara dos Representantes, com 242 cadeiras contra 193 dos democratas (não há independentes na Câmara). Daí as persistentes negociações do governo e dos democratas com os republicanos, pois, sem o apoio deles, o que desejam não passará.


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2 comentários:

Clébio Lima de Freitas disse...

Caro Pr. Silas Daniel,

Paz do Senhor!

O senhor é claramente de direita e se esforça bastante (e aparentemente de forma solitária) para defender os republicanos. Eu não sou um profundo conhecedor de correntes de pensamento político, mas me considero de direita, apesar de apoiar certas ações da esquerda, não todas. Bem, existe alguma ação sua para, de alguma forma, propagar ideias de direita? Não falo apenas de escrever textos (que por sinal são muito bons), mas algo mais enérgico como discussões em escolas, debates, etc.. Há algo desse tipo sendo feito pelo senhor ou por alguém que conheça? Falo porque tenho pensado muito em tentar alertar a população sobre o buraco para o qual caminha o Brasil.

Desde já agradeço a atenção.

Aenciosamente,

Clébio Lima de Freitas

Silas Daniel disse...

Clébio, a Paz do Senhor!

Essa é uma boa pergunta. Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que eu não sou um cristão que veio a se alinhar ideologicamente à direita, mas, sim, um cristão que, antes de se preocupar em examinar-se para se definir ideologicamente no que diz respeito à política, naturalmente se viu, como cristão, defendendo posicionamentos tradicionalmente definidos como de direita ao expressar o que pensa sobre política e economia à luz dos princípios bíblicos. Foi só depois, quando percebi que os pontos que defendo biblicamente, no que tange à política e à economia, se encaixam no que é convencionalmente discernido como direita clássica, que me assumi de direita. Ou seja, não concordo com tudo o que grupos diversos autodefinidos como de direita pregam, mas reconheço que meu pensamento bíblico sobre muitos assuntos do cosmos socio-político-econômico coincidem com a direita clássica, que, aliás, tem origem cristã.

"Como assim 'direita clássica'?"

Lembremos que a direita se divide hoje em alguns espectros (se bem que, no Brasil, não existe direita organizada como em outros países; os próprios partidos do Brasil considerados pela esquerda brasileira como sendo "de direita" não têm nada de direita ou, no melhor dos casos, quase nada). No meu caso, vejo-me situado - no espectro do pensamento político e econômico - no que é definido por muitos como "direita clássica", como ainda há nos EUA. Isto é, sou liberal-conservador, como não poderia deixar de ser à luz do que entendo sobre política e economia à luz dos princípios bíblicos. Sou liberal economicamente e conservador socialmente. Logo, simpatizo com grupos que, de alguma forma, defendem - como eu - os valores bíblicos, judaico-cristãos, que fundaram a sociedade ocidental. Repito: Isso não significa dizer que me alinho a todos os posicionamentos da direita, mas simpatizo com ela pelo enorme denominador comum que temos, e que é infinitamente menor no caso dos grupos de esquerda.

Por isso simpatizo com os republicanos nos EUA e não com os democratas, já que a maioria esmagadora dos republicanos é conservadora, da linha "direita clássica" (que, repito, não temos mais no Brasil), enquanto a maioria esmagadora dos democratas é liberal. Os republicanos são esmagadoramente contra o aborto, o casamento homossexual, a destruição de embriões para a produção de células-tronco e a liberação das drogas, radicalmente contra leis que tolhem as liberdades de expressão e religiosa etc, enquanto os democratas vão extamente na contramão. Os republicanos são contra um Estado forte, intervencionista, perdulário e controlador da vida das pessoas; lutaram pelo direito das mulheres e dos negros nos EUA (diferentemente do Partido Democrata, que só nos anos 70 do século 20 mudou de posicionamento, mas, infelizmente, de forma radical, adotando os extremos do racialismo e do feminismo, por exemplo); foram os menos beligerantes da história (visão que não é compreendida pelas novas gerações, que viram as guerras do Golfo, Afeganistão e Iraque, durante governos republicanos, e pensam, erroneamente, que os republicanos sempre foram mais bélicos, quando a História mostra exatamente o contrário); são os menos protecionistas em termos de política econômica internacional etc. São perfeitos? Claro que não! Estão longe disso, mas têm posicionamentos com os quais concordo muito, diferentemente do que acontece em relação ao democratas.

Enfim, o espaço não permite, mas é por aí. Além do mais, a forma como a mídia brasileira, absolutamente pró-democrata (devido aos valores ideológicos que esse grupo político defende nos EUA), trata os republicanos, distorcendo fatos, tratando preconceituosamente etc, me levam a desejar apresentar aos meus leitores o que sei sobre os fatos, para que essa imagem falsa não se perpetue.

Em síntese, é isso.

Abraço!