quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A vitória do "Messias" midiático: reflexões sobre a eleição de Barack Hussein Obama


Como era de se esperar, Barack Hussein Obama, ungido "Messias" pela imprensa internacional e por 10 em cada 10 pensadores liberais, foi eleito esta semana presidente dos Estados Unidos da América, provocando o júbilo efusivo de milhões de liberais em todo o mundo. Nunca uma eleição para presidente dos EUA foi tão celebrada pela imprensa internacional como esta. Não precisamos ir longe. Só como amostra, vejamos, por exemplo, algumas manchetes e editoriais das principais mídias impressas do Brasil.
Jornal O Globo: "Mundo celebra a nova cara dos EUA" (manchete), "A mudança chegou" (título do caderno especial) e "Momento mágico" (editorial). Um outro periódico do Rio, o jornal Extra, ligado ao grupo Globo, estampou em sua capa os dizeres: "Oba!!!ma".
No jornal Folha de São Paulo: "Vitória histórica de Obama afasta conservadores e derrota racismo" (sic). É isso mesmo que você leu. Essa foi a manchete do jornal. Numa só frase, a síntese de três idéias absurdas: (1) conservadores são maus; (2) conservadores são sinônimo de racismo (já desfizemos essa falácia na postagem do dia 5 de outubro); e (3) a crença idiota de que os EUA viviam até hoje sob um regime parecido com o apartheid, sendo Obama o novo Nelson Mandela. Só ingênuos e preconceituosos caem nessa falácia. Ora, o racismo já foi vencido nos EUA há muito tempo, só existindo ainda ali entre uma minoria ínfima e marginalizada de excêntricos, doentes sociais. Não foi Obama que derrotou o racismo. Afirmar o contrário é forçar uma grotesca mentira.
Numa frase: Não foi a vitória de Obama que derrotou o racismo; o racismo é que já fora derrotado há muito tempo, por isso um Obama pôde ser eleito (e mesmo sob fortes acusações, que só não tiraram sua vitória por fatores que ainda mencionaremos). Os 46% de americanos que não votaram em Obama não o fizeram pela cor da pele, mas por outras razões (e fortes!) já frisadas neste blog. Fazer desses 46% racistas é de uma estupidez sem tamanho.
Que é significativo um negro (ou mestiço, como queiram) ter sido eleito presidente de um país que, num passado recente, sofria com forte racismo, isso é verdade. Por esse ângulo específico, de ser mais uma demonstração ao mundo de uma mudança que já ocorreu há tempos no país, a vitória de Obama é positiva. O que é ignorância é vê-la como uma vitória dos anti-racistas sobre os racistas. Isso, sim, é que é uma estupidez.
Nos EUA, só quem usou o discurso de voto racial nessas eleições foram os militantes de movimentos negros (Louis Farrakhan, Jesse Jackson, Jeremiah Wright, os rappers etc). Somente. Mas, boa parte da mídia daqui e de outros lugares do mundo comprou esse discurso; e ainda agora, às vezes, ela age quase como se fosse o voto desses movimentos que tivesse elegido o novo presidente. Nesse caso, a lógica é pior ainda. Todos os eleitores negros daquele país representam só 13% da população. Não há como alguém ser eleito só com os votos deles. Foram mais de 40% dos brancos dos EUA que elegeram Obama. Logo, que racismo é esse?
Ainda na Folha: "Vitória de Barack Obama detém hegemonia conservadora dos EUA" (título do caderno especial). Nos artigos e matérias, vê-se a tese implícita (e às vezes explícita) de que a vitória de Obama é boa porque representa uma vitória sobre essa espécie de "cancro" da sociedade ocidental, que insiste ainda em viver, chamada conservadores. Agora a situação estaria melhor, dizem, porque foi eleito, conforme ressalta a própria Folha, um candidato "liberal e progressista" que está, inclusive, "mais à esquerda" até mesmo "dentro de seu próprio partido". Ah, há também, na capa de Folha, uma foto de um cartaz em Roma com a foto de Obama e o título em letras garrafais: "O mundo mudou".
E só para dizer que não citei uma revista semanal, menciono a revista Época de 4 de novembro, última edição antes do pleito. Na capa, a chamada é "Por que o mundo quer Obama". Ela traz o seguinte subtítulo: "O que o primeiro negro a um passo da Casa Branca representa para a economia global, para o futuro do planeta e para a sua vida". Dentro da revista, o título "A História quer Obama" e um artigo do antiteísta Christopher Hitchens para Época com o título "A guerra de Sarah Palin contra a ciência" e com a declaração: "O Partido Republicano deixou a Casa Branca ao alcance de uma fanática religiosa e ignorante". Para "variar", pior do que Hitchens, só Arnaldo Jabor. Leia aqui: http://www.midiasemmascara.org/?p=392
Bem, estou só mencionado alguns dentre inúmeros casos. Quem tem acompanhado os telejornais e lido a chamada Grande Imprensa tem visto o frenesi apaixonado e febril da mídia pela vitória de Obama, bulício este analisado com discernimento pela jornalista britânica Melanie Phillips em sua coluna de hoje na quase bicentenária revista The Spectator (http://www.spectator.co.uk/melaniephillips/2576106/freedom-now-stands-alone.thtml). Nela, Phillips ressalta que a mídia e a entourage intelectual de nossos dias está em verdadeiro êxtase e frenesi porque Obama representa aquela mudança pregada pelos promotores da "guerra cultural" por que passa o Ocidente e da qual esse grupo faz parte. Por isso, para a analista britânica, a forma como se deu a vitória de Obama, um defensor de valores sociais liberais, alguém que esposa a agenda da chamada "esquerda chique", e num país como os EUA, onde ainda há um forte conservadorismo, é sinal de que o Ocidente está perdendo. Sim, já que, uma vez que o Ocidente foi construído sobre os valores judaico-cristãos, perder esses valores é decaracterizar o Ocidente. Melanie Phillips está absolutamente certa.
"E Obama não é cristão?" Não cristão no sentido das Sagradas Escrituras. Ele é um "cristão" típico da pós-modernidade. O tipo de cristianismo que Obama defende é aquele em que, por exemplo, (1) eutanásia, aborto, destruição de embriões para produção de células-tronco e homossexualismo não são pecados, como ele mesmo já afirmou repetidas vezes, (2) e no qual a fé cristã, para não "estagnar", para se tornar menos "engessada", deve aprender com as demais religiões. Já escrevi sobre isso no post de 5 de outubro, mas, se alguém quer mais referências, há um livro novo no mercado brasileiro, intitulado O Deus de Barack Obama, que se propõe a explicar o porquê de tantos jovens nos EUA se identificarem com Obama. Explica o livro:
"Com relação à religião, a maioria dos jovens dos Estados Unidos tem uma postura pós-moderna, o que significa dizer que eles encaram a fé de um modo parecido ao jazz: informal, eclético e, muitas vezes, sem um tema específico. Basicamente, costumam rejeitar uma religião organizada, privilegiando uma mescla religiosa que funcione para eles. Para esses jovens, não há nada de mais em construir a própria fé juntando tradições de religiões totalmente diferentes, e muitos formam sua teologia da mesma maneira como pegam um resfriado: por meio de contatos casuais com estranhos. Portanto, quando Obama fala de questionamentos sobre certos dogmas de sua fé cristã, da importância da dúvida na religião ou de seu respeito por religiões não cristãs, a maioria dos jovens imediatamente se identifica e simpatiza com sua fé não tradicional como base para sua política com tendência de esquerda — e também para a deles”. Leia mais sobre o assunto no blog do irmão Valmir Milhomens: http://comoviveremos.com/2008/11/05/o-deus-e-a-fe-de-barack-obama/
Não é à toa que o pastor convidado por Obama para fazer a oração de abertura (tradição nas convenções dos dois maiores partidos dos EUA) da Convenção do Partido Democrata no final de agosto foi o emergente Donald Miller, autor do best seller Blue Like Jazz, lançado no Brasil com o título Como os pingüins me ajudaram a entender Deus. Miller é um dos maiores ícones do chamado "cristianismo pós-moderno" nos EUA e admirado principalmente pelos jovens. O "jazz" do título original de seu livro tem a ver com a comparação que o autor de O Deus de Barack Obama faz entre o jazz e o "cristianismo pós-moderno".
Isto é, o "ungido" foi beneficiado pela convergência dos acontecimentos que moldaram a atual conjuntura econômica, política, social, filosófica, religiosa e psicológica dos EUA, devidamente aproveitada pela militância engajada, devotada, persistente e incansável de seus fiéis seguidores na mídia e fora dela.

Entendendo o resultado

Ninguém esperava um resultado diferente nas eleições americanas, principalmente depois que a crise econômica estourou, pulverizando em poucos dias a vantagem que John McCain tinha sobre Obama durante as duas primeiras semanas de setembro e estabilizando o candidato democrata à frente nas pesquisas. A crise econômica foi, sem dúvida, um dos principais fatores determinantes. De meados de setembro para cá, depois que ela explodiu, Obama não apenas voltou a tomar a dianteira: ele não a largou mais. É verdade que, nesse período de disparada, ainda chegou a oscilar por três vezes, ficando em uma oportunidade rigorosamente empatado com McCain (ambos com 46% das intenções de voto), empatando tecnicamente há duas semanas (46% a 43%) e ficando incrivelmente com apenas um ponto à frente de McCain numa das pesquisas diárias da semana passada, em censo do Instituto Zogby. Mas foram só lampejos decorrentes dos ataques que sofreu nas últimas semanas, com acusações fortíssimas pesando contra ele (a relação com Bill Ayers e o processo de Phillip Berg, por exemplo).
No final, o que valeu mais não foram as fortes acusações que pesavam contra o democrata, nem as melhores propostas ou a maior experiência de McCain, mas o clima de protesto diante da crise e contra um presidente republicano que tem o segundo maior índice de rejeição da história daquele país (só 24% dos americanos o apóiam). Prevaleceu a eficiência do marketing e do discurso retórico de “esperança” para uma nação atingida em cheio pelo caos econômico (quase 2 milhões de americanos despejados de suas casas por inadimplência, 40% da população endividada, milhões de desempregados). Em suma: o que prevaleceu foi a catarse do ressentimento em relação ao governo que atravessou duas guerras e está enfrentando uma crise econômica colossal. Aliás, convenhamos: esta foi a eleição presidencial mais fácil para os democratas em todos os tempos. Toda a conjuntura social, política e econômica do país concorria a favor deles.
Para que você entenda melhor: Quem elege o presidente dos EUA não são os republicanos ou os democratas, posto que praticamente se equivalem em quantidade de seguidores. Se os democratas fossem maioria esmagadora, ou os republicanos, todas as eleições nos EUA já estariam decididas antes mesmo das campanhas começarem. As campanhas seriam meras formalidades. A verdade é que 80% dos eleitores americanos se dividem praticamente meio a meio entre republicanos e democratas. O último levantamento sobre a quantidade de eleitores filiados aos dois partidos revela que, hoje, 42% dos eleitores americanos registrados seriam democratas e 38%, republicanos. Ou seja, a diferença numérica entre eles é de apenas 4%. Por sua vez, os eleitores filiados aos partidos independentes chegariam a apenas 9%. Isso significa que, teoricamente, 89% dos eleitores americanos são votos certos para seus respectivos partidos (na verdade, os independentes não são tão fiéis a seus partidos; entretanto, por outro lado, o número de democratas e republicanos que viram a casaca é ínfimo). Resta ainda, contudo, 11% de eleitores americanos que não têm preferência partidária e que mudam sua preferência conforme a onda. Ou seja, são estes 11% – que representam milhões de eleitores – que decidem a vitória para um lado ou para o outro; são eles que definem para que lado a balança vai pesar mais, além, claro, do poder que cada partido demonstrará, no dia do pleito, de mobilizar seus próprios filiados para votar (lembremos que o voto, nos EUA, não é obrigatório).
Em 2004, a maioria dos americanos sem partido votou em Bush e o Partido Republicano conseguiu mobilizar mais seus seguidores do que os democratas. Em 2008, desta vez foi a vez de os democratas conseguirem mobilizar mais seus seguidores do que os republicanos e de convencerem a maior parte daqueles 11% a votarem em Obama.
Bem, mas como os democratas conseguiram mobilizar tanta gente e convencer a maioria desses 11% de eleitores sem partido? E mais: o que isso nos ensina sobre a conjuntura política e espiritual do final dos tempos? É o que analisaremos a seguir.

A crise leva as pessoas a serem mais coração do que razão

Recentemente, vi um analista político secular afirmando que as pessoas mais racionais em suas análises naturalmente percebiam que McCain seria melhor opção que Obama, já que, além de também representar mudança (McCain é um republicano progressista que sempre defendeu uma ruptura com o modelo de governo da "Era Bush"), é também muito mais experiente que o democrata, entende melhor de política externa e apresentou propostas mais viáveis (as propostas dos dois candidatos eram, no geral, parecidas, com algumas poucas divergências profundas - e ambos tinham também os tradicionais exageros de promessa de campanha -, mas as propostas de McCain eram, em certos pontos, claramente melhores).
Porém, conforme frisou aquele analista, as pessoas, em meio à crise, passaram a ser mais coração do que razão, e para quem é mais coração do que razão, Obama era o candidato que se tornava mais atraente às pessoas, já que, além de ter uma excelente retórica, ser mais jovem, bonito e alto (é o terceiro presidente mais novo da história dos EUA), enquanto McCain é idoso e com problemas de saúde, o democrata contou com um marketing muito forte (nunca visto antes em uma eleição), sendo apresentado como uma espécie de símbolo de protesto. Em outras palavras, as pessoas votaram mais em uma idéia e em uma mensagem do que em propostas concretas; canalizaram para Obama, como um símbolo de seu protesto, os anseios de mudança que desejavam - anseios estes catalisados pela explosão da crise econômica em meados de setembro. E aí, quando isso acontece, pouco importa se o símbolo é um candidato inexperiente, sob fortes acusações ou sem as melhores propostas.
Em uma frase: a crise foi o maior cabo-leitoral de Obama. Foi ela que fez os americanos serem mais coração do que razão na hora do voto, porque a crise leva as pessoas a serem mais coração do que razão.
Claro que, para que pudesse capitalizar votos quando a crise econômica estourou, Obama - cuja campanha tinha como mote "mudança" - teria que, antes, conseguir cristalizar em torno de si a imagem de uma mudança realmente relevante, mais do que a que McCain estava esposando. Lembremos que o candidato eleito nas prévias do Partido Republicano era o mais progressista de todos os nomes republicanos e que o discurso de campanha dele, antes e depois da vitória nas prévias, enfatizava constantemente isso.
Obama e sua campanha precisavam diminuir a todo custo a imagem de progressista do candidato republicano. E foi o que fizeram. Insistiram nisso o tempo todo. Tentaram, o máximo possível, colar em McCain a imagem de “continuação da Era Bush”. E não é que, por mais absurdo que seja afirmar que McCain seria uma continuação da “Era Bush”, os democratas conseguiram levar muitos americanos a pensarem assim? Mas, como conseguiram?
Realmente, a tarefa não era fácil. Como levar o americano a pensar que John McCain representava "a continuação da Era Bush", se ele sempre foi oposição a Bush no Partido Republicano e foi o congressista republicano que mais votou contra o governo Bush? Obama, carregando na tinta, dizia que McCain votara "95% das vezes a favor do governo", quando fora 89% das vezes, algo próximo da média dos congressistas democratas. Eles votaram, em média, 80% das vezes a favor do governo Bush. Os republicanos, 95%. Ademais, McCain tem no currículo vários projetos seus importantes aprovados como legislador, enquanto Obama, que tanto prega mudança, nunca teve um projeto seu aprovado. Apenas votou 100% conforme a orientação do seu partido. Nunca rompeu com a liderança do seu partido em qualquer questão de qualquer natureza, nem escreveu nenhum projeto de lei em quatro anos como senador. E queria mudança!
Como, então, Obama conseguiu?
O próprio McCain ajudou-o sem querer. Quando o republicano viu sua liderança nas pesquisas ser ameaçada pelo democrata depois da explosão da crise econômica em setembro, McCain tomou uma medida muitíssimo arriscada, uma medida que, se desse certo, o consagraria; se não, "adeus eleição".
Em 20 de agosto, antes da Convenção do Partido Democrata, McCain estava 5 pontos à frente de Obama (http://www.estadao.com.br/internacional/not_int227515,0.htm). Então, veio a Convenção Democrata, encerrada em 28 de agosto, e Obama voltou a subir, empatando tecnicamente com McCain com uma leve vantagem de 3 pontos. Mas, na semana seguinte, vem a Convenção Republicana e McCain volta a ultrapassar Obama, e em todas as pesquisas, ficando dez dias à frente do democrata. Em 7 de setembro, a pesquisa US Today/Gallup chega a apontar McCain 10 pontos à frente de Obama (http://time-blog.com/real_clear_politics/2008/09/usa_todaygallup_mccain_10.html). Foi só em 18 de setembro, com a explosão da crise, que Obama voltou a subir e a ultrapassar McCain (http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/mundo/conteudo.phtml?tl=1&id=809480&tit=Apos-piora-na-economia-pesquisas-mostram-Obama-a-frente-de-McCain).
Vendo o que estava acontecendo, McCain tentou reverter o quadro de forma errada. Tentou passar a imagem de pró-ativo, suspendendo a campanha dele temporariamente para participar das negociações no Congresso em favor da aprovação do pacote salvador do governo Bush. Medida arriscada que, no começo, deu certo. Quando McCain suspendeu a campanha para negociar, Obama, que já havia disparado 9 pontos à frente de McCain pelo Gallup logo que a crise estourou, perdeu os 9 pontos de vantagem em apenas três dias, segundo o mesmo Gallup. Em 26 de setembro, os dois estavam rigorosamente empatados com 46%. Porém, à medida que as negociações não prosperavam, McCain voltou a cair. Ou seja, era melhor não ter se envolvido nas negociações. Como Obama, deveria se postar apenas como um crítico à distância. McCain pensava, como a maioria do mundo pensou, que o pacote do governo seria logo aprovado, o que capitalizaria sua imagem de líder e negociador (e, no caso, em momentos difíceis), mas não foi o que aconteceu. As negociações duraram mais de suas semanas. Assim, Obama pôde usar algo para questionar a capacidade de liderança de McCain e "linká-lo" à propalada ineficiência do atual governo nas negociações. E insistiu: "Ele é mais do mesmo". Resultado? O democrata disparou nas pesquisas e não largou mais a dianteira.
O próprio Instituto Gallup, na sua avaliação feita hoje sobre a corrida eleitoral americana, reconhece que foi a crise econômica que tirou McCain da liderança, ressuscitou Obama nas pesquisas e o levou solidamente à vitória (http://www.gallup.com/poll/111742/Obamas-Road-White-House-Gallup-Review.aspx). Ontem, o Gallup já ressaltara que 86% dos americanos estão insatisfeitos com a situação do país e 62% colocam a crise econômica como a principal razão para sua insatisfação. Por isso, mesmo após as denúncias das últimas semanas, Obama se manteve à frente, apenas oscilando um pouco em alguns momentos devido à intensidade das denúncias, como falamos de início.
Portanto, não é verdade, como alguns tontos dizem, que McCain perdeu porque “escolheu uma péssima vice”. Tremendo equívoco. E não estou afirmando isso por mera simpatia em relação a Sarah Palin por ela ser uma evangélica conservadora. O "Efeito Palin" ajudou McCain, sim, conquistando o apoio dos republicanos conservadores, que estavam reticentes em relação a McCain por ele não ser conservador em todas as questões. Tanto ajudou McCain que, logo seu nome anunciado, iniciou-se uma campanha avassaladora da mídia democrata americana contra Sarah (tentando criar e colar nela defeitos que a mídia enfatiza em Bush) e, mesmo com essa contra-campanha, ela continuou no auge. Algumas das maiores audiências da tevê americana neste ano foram o discurso de Palin na Convenção Republicana, sua entrevista à CBS, seu debate com Joe Binden (mais assistido do que todos os debates entre Obama e McCain) e até a sua participação bem-humorada no Saturday Night Live.
Para quem acha que Sarah não ajudou: antes de escolhê-la, McCain não tinha tanto apoio dos evangélicos dos EUA, como já lembramos. As pesquisas da época apontavam que boa parte deles estava indecisa, desanimada e falava que não iria votar. Pois bem, segundo li hoje, comprovando as previsões, um levantamento da CNN mostra que 74% dos evangélicos que foram às urnas votaram em McCain contra apenas 24% que votaram em Obama. O respeito que McCain demonstrou aos conservadores durante a campanha, sua ênfase nos pontos comuns e principalmente a escolha de Sarah ajudaram McCain. Mas não foram suficiente. Só o voto dos evangélicos não elege o presidente. Em 2004, isso funcionou, mas, frise-se, combinado com o apoio da maioria daqueles 11% de que já falei e com uma grande mobilização dos republicanos liderada pelo excelente estrategista da campanha de Bush, Karl Rove.
Agora, se alguém afirma que a escolha de Sarah só ajudou McCain nesse sentido (de atrair o apoio de evangélicos desanimados com as eleições), aí podemos concordar. Sarah, por exemplo, não conseguiu atrair a maioria do voto feminino para McCain. Entretanto, também é errado afirmar que Sarah afastou de McCain muitos eleitores que antes pensavam em votar nele. Outra falácia midiática. Antes de Sarah, as pesquisas já mostravam que a maioria das eleitoras simpatizava com Obama. E os poucos republicanos que declararam-se insatisfeitos com a escolha de McCain são ínfima minoria no partido, além do que todos os analistas da imprensa secular daqui e de lá que citaram Sarah em artigos como "uma escolha ruim", "uma escolha que me afastou ainda mais de McCain", já eram obamistas antes de McCain eleger Sarah, e estavam apenas usando-a como um argumento a mais contra o republicano. McCain perdeu os votos que estava agregando em torno de si por outros motivos, os quais já elencamos aqui.
Por fim, se Sarah só afastava eleitores em vez de agregar, como tentava vender a imprensa obamista, por que todas as vezes que a víamos em ação nas ruas ela arrastava mais multidões do que McCain e o próprio Obama? "Do que Obama?" Sim. Você sabia que ela arrastou mais pessoas às ruas do que o "ungido"? Pois é, o ranço e a perseguição da imprensa obamista a ela escondem-nos essas informações. Aqui vai uma nota que mui provavelmente você, leitor, desconhece. Trata-se de uma notícia que nenhuma mídia brasileira divulgou, seja jornal, revista, televisão, rádio ou internet, e que mostra muito como Palin conseguiu agregar a McCain um grande número de eleitores, especialmente evangélicos: o maior recorde em um comício de rua desta eleição presidencial não é de Obama, mas de Sarah. Em 22 de setembro, Sarah Palin, que até o final da campanha continuou arrastando multidões em suas comícios de rua, fez campanha sozinha para McCain na Flórida, arrastando uma multidão de 60 mil pessoas! O máximo que Obama tinha levado às ruas durante toda a sua campanha foi quase 50 mil pessoas, e isso já faz meses (Obama só falou a mais gente em três oportunidades que não contam: em Berlim; no discurso de apresentação da Convenção do Partido Democrata, que foi em um estádio; e no discurso da vitória da madrugada de hoje. Nenhum desses casos vale como medição, porque não são comícios de rua em campanha nos EUA).
O discurso de Obama a 50 mil pessoas foi foto de capa de vários jornais do Brasil, como o jornal O Globo, aqui do Rio. Já o recorde estabelecido por Palin não provocou nem uma notinha de uma linha em qualquer lugar perdido dos jornais. O detalhe é que, no mesmo dia, Joe Binden, vice de Obama, esteve na Flórida também em campanha e levou apenas 2 mil pessoas. Engraçado que McCain chegava a fazer comícios na rua para até 500 pessoas, enquanto os comícios de Sarah geralmente não tinham menos que 5 mil pessoas.
"Mas, pastor Silas, como essa multidão nos comícios de Sarah não se refletiu em uma vitória apertada? Obama ganhou esmagadoramente!"
Em termos de delegados conquistados, que é o que vale mais lá, sim, é verdade; mas, em termos de número de votos, não foi uma vitória avassaladora. É verdade que Obama-Binden conquistou mais de 360 delegados e McCain-Palin, 162. Porém, McCain-Palin venceu em 22 Estados e Obama-Binden, em 28, e com vitória apertada em muitos deles. E no número total de votos, a chapa Obama-Binden foi eleita com 52,6% dos votos e a McCain-Palin teve honrosos 46,1%.
Bem, finalmente, dentro deste primeiro ponto, quero ressaltar ainda que o que aconteceu nesta eleição exemplifica muito bem o que irá acontecer quando do advento do Anticristo. Ei! Não estou dizendo que Obama é o Anticristo! Só estou dizendo que o que aconteceu a Obama agora é um exemplo do contexto a partir do qual o Anticristo se levantará: forte crise econômica, guerras, clima de desesperança, anseio por mudanças profundas, a busca por um "líder salvador", messianismo, quase que unanimidade internacional em torno do "líder salvador", inclusive por parte da mídia etc. Os ingredientes são os mesmos. Ou seja, esse contexto da eleição de Obama é uma amostra clara do contexto político e espiritual que deve permear o mundo quando do advento do Anticristo. As pessoas apoiarão o Anticristo porque, desesperançadas, tendem a ser mais emoção e feeling do que razão.

O maior poder de marketing e uma estratégia de mobilização jamais usados na História, e com o apoio maciço da mídia americana e internacional
O maior apoio já dado pela mídia americana e a internacional em relação a um político em toda a História ocorreu nesta eleição, em favor de Barack Hussein Obama. Era extremamente comum a maior parte da mídia dos EUA e do mundo até mesmo ocultar ou minimizar deliberadamente as acusações fortes que pesam contra o democrata.
Uma pesquisa recente mostrou que 204 jornais dos EUA declararam apoio explícito a Obama antes do pleito, enquanto só 100 apoiaram McCain, e com um detalhe: dos que apoiaram Obama, a maioria era de grandes jornais (The New York Times, Washington Post, Los Angeles Times etc). Todos os "jornalões", exceto um, apoiaram o democrata. O único "jornalão" americano a apoiar McCain foi o Wall Street Journal.
Além de Obama ter arrecadado mais de 600 milhões de dólares (um recorde fruto da onda messiânica), que possibilitaram que comprasse meia hora de três das maiores redes de televisão do país para passar sua propaganda eleitoral, enquanto McCain só tinha dinheiro para propagandas de cinco ou três minutos, alguns centros de pesquisa independentes e um analista da ABC destacaram a "obamização militante" da mídia americana. Leia aqui http://www.newsmax.com/insidecover/media_study_mccain/2008/10/22/143199.html?s=al&promo_code=6DF8-1, aqui http://abcnews.go.com/print?id=6099188 e aqui http://www.ornery.org/essays/warwatch/2008-10-05-1.html. Até mesmo o colunista ateu e liberal Diogo Mainardi, que torcia pela chapa McCain-Palin (uma exceção à regra) por vê-la com as propostas mais coerentes, reconheceu a irracionalidade desse colossal apoio midiático pró-Obama em artigo no qual, em tom de ironia, faz graça com sua tristeza pela derrota da chapa republicana (Leia aqui: http://veja.abril.com.br/idade/podcasts/mainardi/integra_061108.html).
Obama teve praticamente todo o mundo midiático ao seus pés, lutando pela causa liberal, que foi fortalecida por duas guerras e uma crise econômica que ocorreram durante o governo de um conservador.
Essa quase perfeita harmonia e apoio da mídia a um político defensor da causa liberal também é uma amostra de como será possível, mais à frente, uma conjuntura liberal que propiciará o advento do Anticristo.
Enfim, o século 21 começou apontando a formação de uma nova conjuntura no mundo, cuja textura ideológica, política e social não é novidade para quem já conhece os vaticínios bíblicos sobre o Final dos Tempos.

41 comentários:

Victor Leonardo Barbosa disse...

Olá pastor Silas, a Paz do Senhor!!!

Excelente artigo, importante e pertinente.

Com relação a escolha de Palin por Mccain, ontem mesmo escutei esse discurso que "McCain só perdeu por causa desta mulher", proferido por um tanto quanto famoso blogueiro do Rio, na semana de comunicação em que estou participando.

Pura falácia!

Com relação à Obama e o anticristo, tive a mesma impressão, pastor. Nunca vi uma mídia tão engajada e publicitária a favor de alguém. A nossa então...nem se fala.

Paulo disse...

Pastor Silas, a paz do Senhor,

Parabéns por mais este excelente texto. gostei muito de suas analises e gostaria apenas saber como está aquele processo do advogado democrata Philip Berg contra Obama . Aquela historia é muitoesquisita. Como terminou?

Abraço

Em Cristo,

Irmão Paulo Silva (RJ)

Silas Daniel disse...

Caro Victor, a Paz do Senhor!

Obrigado por suas palavras de apreço e motivação. Aproveito o seu "gancho" sobre Sarah Palin para enfatizar: só desatentos e pessoas que confiam piamente em tudo que sai na mídia tupiniquim, que é total e declaradamente obamista, não percebia a contradição entre o que a mídia dizia sobre Palin e o que os fatos mostravam. Se não, vejamos.

Primeiro: Se Sarah Palin não trouxe vigor e votos a mais para a campanha de McCain, por que continuava atraindo, até o final da campanha, uma multidão maior às ruas do que o "ungido" Obama? E por que a mídia daqui escondia esse fato?

Segundo: Não é engraçado que logo que McCain escolheu Sarah, e ainda mais depois do discurso dela na Convenção do Partido Republicano, Obama despencou nas pesquisas e McCain só subia, chegando a 10 pontos de vantagem sobre o democrata e, simultaneamente a esse crescimento, começou uma campanha colossal da mídia obamista contra ela?

Por que essa onda de ataques sistemáticos a ela, com muitas acusações ridículas e risíveis?

Por que essa preocupação gigantesca em destruir a imagem de Sarah Palin? Ela não era "ruim de voto"?

O fato é que os democratas se assustaram com o "Efeito Palin" e começaram a atacar a governadora republicana para destruir a sua imagem e, assim, derrubar McCain nas pesquisas. Lembremo-nos da denúncia do "Wall Street Journal" de que, menos de 24 horas após a escolha do nome de Sarah Palin por McCain, dezenas de investigadores particulares e advogados da campanha democrata desembarcaram no Alaska com um único objetivo: investigar tudo sobre a vida de Sarah que pudesse ser usado na imprensa contra ela. Essa equipe passou mais de um mês ali levantando fofocas e histórias que foram desmentidas uma a uma, e que eram repassadas à mídia obamista para atacar Palin. Até sua família foi atacada com histórias distorcidas. Baixaria total! A equipe de Obama tinbha a missão de municiar os amigos da mídia todos os dias.

Apesar de a denúncia do "Wall Street Journal" ser gravíssima, pois mostra o complô militante entre a campanha de Obama e a mídia liberal, a única mídia brasileira secular que a divulgou, e parcialmente, sem entrar em mais detalhes, foi o site G1, do grupo Globo. Ninguém mais. Nem jornais, nem revistas, nem outros sites, nem televisão, nem rádio, nada. Leia a matéria do G1 aqui, que menciona a notícia, mas omitindo a informação de que essa equipe de Obama, segundo a denúncia do jornal americano, municiava a imprensa obamista diariamente: http://g1.globo.com/Noticias/0,,MUL754173-15525,00-DEMOCRATAS+ENVIAM+EQUIPE+AO+ALASCA+PARA+INVESTIGAR+PALIN+DIZ+JORNAL.html

Terceiro: Se Sarah não atraía votos, por que todas as revistas dos EUA com ela na capa venderam "horrores" e suas participações em programas televisivos de entrevista e debate nos EUA foram sucessos estrondosos de audiência. Por quê?

Quarto: Se Sarah não atrai voto, por que ontem toda a imprensa secular dos EUA procuraram Sarah Palin para saber se ela iria se candidatar à presidência em 2012? Ué, ela não era "ruim de voto"? (Obs.: Palin disse aos jornalistas que não pretende se candidatar à presidência. Por enquanto, só objetiva cuidar do seu Estado, Alaska).

Quinto: Se Sarah não atraía votos, por que, depois de sua escolha, o eleitorado evangélico migrou em massa para McCain e, segundo as urnas, essa migração indicada antes pelas pesquisas se confirmou, com 74% dos votos dos evangélicos sendo para McCain?

Pois é, Victor, como frisei, e você bem ressalta, só tontos afirmam que Sarah prejudicou McCain. O que prejudicou McCain nas pesquisas, todos sabemos, foi a crise econômica.

Só tolos não percebem que, depois dessas eleições, McCain ficou em baixa, mas Sarah Palin, não. E apesar de todos os ataques contra ela! E, como já mencionie, já se aglutinaram ao redor dela ontem para saber se ela se ela candidataria à presidência em 2012! Por que, se ela é "ruim de voto"?

Abraço!

Silas Daniel disse...

Caro Paulo,

O processo ainda está rolando na Suprema Corte dos EUA. Coloquei mais detalhes recentes sobre o caso no espaço de comentários da postagem de 5 de outubro deste blog. Para ir direto, o link é: http://silasdaniel.blogspot.com/2008/10/porque-no-apio-obama.html

Você pode encontrar mais detalhes também no site republicano www.worldnetdaily.com ou neste link do site de um jornalista brasileiro residente nos EUA que acompanha o caso: http://www.olavodecarvalho.org/semana/081104dc.html

Abraço!

Bruno Barros Barreira disse...

Olá Silas,

A paz do Senhor,

Por um lado, a vitória do Obama mostrou como a sociedade americana é, realmente,muito mais justa, avançada e democratica com sua população. A luta por igualdade social é, realmente, levada a efeito e de forma séria. Através de ações afirmativas, investimentos pesados dedicados à minoria negra, campanhas para melhorar a autoestima dessa população; conseguiram, em um curto período, mudar um passado vergonhoso de racismo. Simplesmente incrível! Isso sim é um país de verdade, nacionalista, que luta por uma sociedade melhor e passa longe de ser entreguista,como é o caso do triste Brasil...

Contudo, é uma pena que a cor do Obama tenha sido levada a um lado puramente sentimental, fugindo completamente da razão. Os democratas e a grande mídia conseguiram explorar bem a cor de Obama com um sentimento de mudança(?) da afirmação final de uma nova realidade nos EUA. Enfim, uma espécie de corte final da última ligadura de um passado muito mais conservador. Conservadorismo este, sempre, covardemente, associado ao racismo, machismo, militarista-opressivo e anticientífico.

E tudo isso ficou muito claro, pois ao longo dessas eleições ficou absurdamente óbvio que Obama simplesmente não tinha propóstas, projetos claros e racionais, sem falar de sua duvidasa conduta. Algo que, incrivelmente, foi muito bem tampado por esse sentimento irracional de "mudança(?)", mesmo que o discurso fosse sem fundamentos claros.

No mais, já que a lambança foi feita (alguns podem achar estranho o que vou escrever), torço para que o Obama seja mesmo uma espécie de "voz do que clama no deserto, que anuncia a vinda do anticristo". Afinal, enquanto esse maldito anticristo não vier, não serei arrebatado!Isso sim é realmente triste...rsrsrs. Não se assuste com o que eu escrevi, mas seriamente o meu espírito clama: Vem, e, juntamente, o Espírito clama comigo: Vem. Ora venha o Senhor Jesus!

E olha que sou recém-casado, com uma mulher linda que eu amo, tenho a perspectiva de me tornar um médio empresário e funcionário público, e quero ter três filhos. Mas isso, apesar de grato a Deus, não enche os meus olhos mais que a glória vindoura, não mesmo, sério mesmo. Afinal, nada poderá se comparar com o que está reservado para nós. E, além disso, clamo em ver a justiça final sendo feita. A coisa está feia e já vemos até milicianos chegando ao poder no Rio de Janeiro. Que progresso é esse? Que futuro é esse? Sem falar em candidatos "evangélicos", pastores, que vieram aqui me pedir apoio para vereador, com campanhas com dinheiro vindo de lugares ilítcitos, não declarados (dos dízimos), pedindo voto em vários púlpitos da região.

Minha alma se alegrará quando a justiça chegar e todos se ajoelharem ante Aquele que é antes da fundação do mundo.

A hipocrisia chegou a níveis insuportáveis, o que mais falta? Tomara mesmo que o obama seja o percursor final do anticristo! Para que mais Guerras, mas fome, mais desigualdade, injustiças, calúnias, mentiras, egoísmo, ateísmo, violência,adultério, fornicação, roubo, feitiçaria, corrupção, hipocrisia religiosa.... Até quando Senhor???

Obs: viu meu site???

Anônimo disse...

Caro irmão,

Tenho acompanho vc nesse tema e, não necessariamente intentando ofendê-lo, vejo que és uma espécie de Reinaldo de Azevedo gospel. Lamento a dificuldade que a irmandade crente sofre por não entender que todas as coisas estão previstas no eterno decreto do Soberano Deus. Por mais que rejeitemos o Obama, a sua vitória, independendo da ajuda da mídia e dos insucessos do atual mandatário americano, foi um fato irresistível ante a eterna decisão do Pai. A derrota da dupla McCain/Palin estava igualmente prevista na eternidade. Não considero todo perdido o tempo envidado no esforço para realçar as não virtudes do Obama, mas parece-me que esse custoso exercício não leva em conta que quaisquer ocorrências no universo são eternamente determinadas pelo excelso Soberano. Assim constatamos que boa parte das conjecturas, as não coincidentes com o ato eterno, redundam em perda de tempo.
Acatemos o decreto eterno.

Atenciosamente,
Kilmer

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

“As pessoas votaram mais em uma idéia e em uma mensagem do que em propostas concretas”. Vejo que essa frase sintetiza o seu texto. Como disse o jornalista Nelson Ascher: “um país é governado por um grande líder e não por um símbolo”. Aliais, Ascher foi um dos poucos jornalistas brasileiros, junto com Diogo Mainardi, Olavo de Carvalho e Reinaldo Azevedo, que não cairão na “obamania”.
Enquanto Obama se definia como um candidato pós-racial, os seus fãs diziam ter medo do dito “fator racial”. Isso pegou em cheio na mídia, e não se falava em outra coisa quando Obama caia um ponto nas pesquisas. Esse foi o papo mais idiota dessa campanha!!! O seu texto mostra muito bem que Obama foi eleito pelos brancos.

PS: Mudando um pouco. Recentemente o irmão recomendou o ótimo livro “A verdade sobre o Cristianismo” de Dinesh D'Souza, publicado no Brasil pelo Thomas Nelson. Olha pastor Silas, fiquei muito simpático com a opinião de D`Souza sobre a “teoria da evolução” (cap. 13), sendo até parecido com os pontos de vista de Francis Collins e Alister Mcgrath. O que você achou?

Um abraço,

Gutierres Siqueira
www.teologiapentecostal.blogspot.com

Silas Daniel disse...

Caro irmão e amigo Bruno, a Paz do Senhor Jesus!

Estou muito feliz com o que Deus tem feito em sua vida! Visitei o site e gostei muito. Bem profissional, de qualidade. Parabéns!

Sobre o Obama, é isso aí mesmo que você disse. Só faço uma ressalva em sua fala: não vejo Obama como uma espécie de precursor do Anticristo no mesmo sentido de João Batista em relação a Jesus. Não. Obama não está anunciando a proximidade da chegada de ninguém. A única relação que estabeleço entre o caso dele e o do Anticristo é no sentido exemplificativo, posto que algumas coisas que aconteceram a Obama nessas eleições presidenciais se assemelham ao que a Bíblia diz que acontecerá com o Anticristo quando da sua ascensão. Só isso. O que aconteceu com Obama, repito, serve-nos de exemplo do que acontecerá com o Anticristo em sua ascensão. Afinal, Obama foi apresentado e alçado como “a mudança que o mundo precisa” e “a esperança do mundo” pela imprensa mundial e em meio a uma colossal crise econômica, a guerras e tendo o apoio de 75% da população do planeta, segundo pesquisa feita em todos os continentes e na maioria dos países do mundo (só Geórgia e Israel eram pró-McCain-Palin). Ele teve o apoio apaixonado de quase a totalidade da imprensa mundial. Nunca se viu uma unanimidade e ufanismo tão grande, e em todo o mundo, em torno de um político de uma nação, e logo da maior potência do mundo.

Então, se você fala de “precursor” no sentido de alguém (no caso, Obama) cuja experiência é uma amostra do que, segundo as profecias bíblicas, irá acontecer com o Anticristo, aí sim o termo é válido.

No mais, que coisa terrível o que você me contou! Obreiros jogando no lixo sua ética e princípios pelo poder secular?!?! Que nojo! É sinal dos tempos.

E quanto ao anseio pela Volta de Jesus, que bom seria se todos os cristãos também tivessem essa chama acesa em seus corações! Oh, Senhor, como isso tem desaparecido! Infelizmente, o amor de muitos cristãos no mundo tem esfriado. É outro sinal dos tempos.

Mantenhamos a chama acesa. Estejamos envolvidos com as questões da Terra, como “sal da terra” e “luz do mundo”, mas sem perder o foco celestial, pois somos “peregrinos nesta Terra”, a Cidade celestial nos espera. Estamos de passagem por aqui.

Um abraço na família e nos irmãos da Igreja de Nova Vida!

Forte amplexo!

Silas Daniel disse...

Caro irmão Kilmer,

Alguns anos atrás, eu pensava como você: “Por que se preocupar com o que está acontecendo na sociedade e no mundo, se Deus já nos antecipou que essas coisas iriam acontecer e prosperar?” Porém, depois aprendi à luz da Bíblia, e ainda bem que ainda muito cedo, que não é assim que devemos agir diante dos acontecimentos.

Em primeiro lugar, atentar para e ressaltar os sinais da Vinda de Jesus são atitudes bíblicas. Jesus nos disse que devemos estar acordados e atentos em relação aos sinais da proximidade de Sua Segunda Vinda. O apóstolo Pedro afirma que devemos despertar os cristãos para esses sinais (2Pe 3). Pois é exatamente o que estamos fazendo aqui neste blog: despertar as pessoas para os fatos que indicam a formação cada vez mais rápida da conjuntura política-social-econômica-filosófica-psicológica-e-espiritual que caracterizará o final dos tempos conforme os vaticínios bíblicos. Se o irmão é do tipo de cristão que acha que não devemos despertar as pessoas para esses fatos indicativos do fim, pois isso não seria importante, que pena! Saiba que não sou desse tipo. À luz das palavras de Jesus (Lc 21.29-31), julgo isso importantíssimo!

Em segundo lugar, o fato de sabermos que, no final dos tempos, o mal vencerá até que Jesus venha com Sua Igreja e julgue todo o mal - quando, enfim, o bem prevalecerá -, não significa que devemos ficar inertes diante do avanço do mal hoje. Não devemos ser conformistas, guiando-nos pelo seguinte raciocínio: “No final, sabemos que o aborto será totalmente liberado. Então, por que lutar contra o aborto? No final, sabemos que as leis contra ‘homofobia’ serão aprovadas, então por que lutar contra elas?” etc. E trazendo essa lógica para o caso Obama: “No final, sabemos que o liberal Obama ganhará. Então, para quê se preocupar com sua vitória?”

Lamentavelmente, não ocorre ao irmão que, mesmo sabendo que o avanço do mal é inevitável, nós, cristãos, temos o mandato de “salgar” o mundo, ou seja, de, por exemplo, dentro do que estiver ao nosso alcance, nos envolvermos com as questões sociais de nossa época e influenciarmos as pessoas e a sociedade como um todo. O fato de saber o que acontecerá no final dos tempos não deve me levar a desistir, não deve me levar a abdicar do meu mandato neste mundo como cristão, como parte da Igreja do Senhor, de influenciar e fazer refletir, de abrir os olhos da mente das pessoas para a profundidade dos fatos e as verdades eternas. Devo ser uma reserva moral e de princípios no meio dessa sociedade corrompida, influenciando-a. Por isso, fiz isso, por exemplo, na faculdade e faço isso aqui.

Por tudo isso, importa-me, sim – e deve nos importar mesmo -, a vitória de Obama para presidente da maior potência do mundo e seu significado. Tenho o compromisso, como cristão, pastor e jornalista, de despertar os irmãos em Cristo em minha esfera de atuação para a escandalosa mobilização da mídia em prol de Obama, para as razões disso, para o confronto de valores envolvidos e para o que isso tem a ver com o final dos tempos. Não posso me furtar deste compromisso.

Ademais, não entendo como o irmão, conforme afirma, tem entrado neste blog já há um tempo e se impressiona com minha preocupação em relação a esse tipo de assunto. Desde que este blog foi criado, em agosto de 2007, desde seu primeiro dia de existência, está escrito em sua abertura, em seu cabeçalho, que seu objetivo é “compartilhar reflexões sobre as principais questões que perpassam nossa existência, a sociedade e o cristianismo em nossos dias”. Alguma diferença quanto ao que tenho feito aqui em relação ao caso Obama ou quanto ao que já fiz em postagens mais antigas, como as dos dias 3, 7, 8, 13 e 19 de agosto, só para citar alguns exemplos? Veja o teor dessas postagens no arquivo deste blog, aí do lado direito, no alto.

Se todos os cristãos, irmão Kilmer, usassem essa sua lógica, que terrível seria! Se não, vejamos. Você me diz: “Por mais que rejeitemos o Obama, a sua vitória, independendo da ajuda da mídia e dos insucessos do atual mandatário americano, foi um fato irresistível ante a eterna decisão do Pai. A derrota da dupla McCain/Palin estava igualmente prevista na eternidade. Não considero todo perdido o tempo envidado no esforço para realçar as não virtudes do Obama, mas parece-me que esse custoso exercício não leva em conta que quaisquer ocorrências no universo são eternamente determinadas pelo excelso Soberano. Assim constatamos que boa parte das conjecturas, as não coincidentes com o ato eterno, redundam em perda de tempo. Acatemos o decreto eterno”. Ok. Então, por esse raciocínio, também poderíamos dizer em caso de uma eventual aprovação ampla do aborto no STF: “Por mais que rejeitemos a aprovação do aborto, a sua vitória, independendo da ajuda da mídia e de outros fatores, foi um fato irresistível ante a eterna decisão do Pai. A derrota de quem lutou contra a aprovação do aborto estava igualmente prevista na eternidade. Não considero todo perdido o tempo envidado no esforço para realçar o erro que é a aprovação do aborto, mas parece-me que esse custoso exercício não leva em conta que quaisquer ocorrências no universo são eternamente determinadas pelo excelso Soberano. Assim constatamos que boa parte das conjecturas, as não coincidentes com o ato eterno, redundam em perda de tempo. Acatemos o decreto eterno”.

Esse tipo de raciocínio, Kilmer, que torna a eleição de Obama um “decreto de Deus” e algo de que ninguém pode desgostar, torna também, por exemplo, a aprovação do aborto em alguns países e a eventual aprovação do aborto aqui no Brasil igualmente “decretos de Deus” e acontecimentos de que ninguém pode desgostar, que ninguém pode criticar. Isso é uma deturpação da pior espécie do calvinismo!

Finalmente, irmão Kilmer, vejo que o irmão deveria escolher melhor as palavras se a intenção não é “ofender”. Ao escrever que “não necessariamente intentando ofendê-lo, vejo que és uma espécie de Reinaldo de Azevedo gospel”, você se trai, atropela-se em suas próprias palavras. Se você me julga ser uma espécie de “Reinaldo Azevedo gospel”, mas diz que afirma isso não necessariamente intentando ofender-me, você está me dizendo que... sua intenção é eventualmente ofender-me! Deixe-me explicar: Quando se usa o termo “não necessariamente”, está se querendo dizer que uma coisa nem sempre é (ou pode ser) de um determinado jeito, mas, sim, o é eventualmente. Ou seja, ao dizer-me o que disse, da forma como disse, você está dizendo-me, apercebida ou desapercebidamente, que queria eventualmente me ofender ao chamar-me de “Reinaldo Azevedo gospel”. “Não necessariamente”, logo eventualmente.

Por que me ofender, Kilmer? Só por que não sou pró-Obama?

Primeiro, não gosto dessa mania no meio evangélico de querer sempre comparar alguém do meio cristão que desenvolve alguma atividade específica com alguma relevância com alguém proeminente no meio secular que desenvolve atividade similar com sucesso. Para mim, são atitudes reprováveis tanto alguém ter a obsessão de ser uma “versão gospel” de alguma pessoa famosa no meio secular quanto o sempre tentar taxar todo cristão que desenvolve alguma atividade com relevância no seu meio como uma “versão gospel” de fulano ou beltrano do mundo. É assim que nascem os absurdos estereótipos.

Nunca tentei ou quis ser uma versão desse ou daquele. Procuro apenas ser eu mesmo, Silas Daniel, que nada mais é do que um servo de Deus tentando ser relevante às pessoas conforme os dons que Deus lhe deu. Imitar? Só procuro imitar a Cristo em meio dia-a-dia, no trato com as pessoas. E procuro ser o mais verdadeiramente possível um homem de uma face só – Silas Daniel. Aliás, já escrevi sobre esse tema no ano passado, em um site evangélico. Leia aqui: http://www.elnet.com.br/colunistas_interna.php?materia=1065

Em segundo lugar, pelo que sei, Reinaldo Azevedo é um jornalista secular, católico conservador e escritor que também foi contra a onda obamista. Ora, por eu também ser escritor (e há mais tempo que Azevedo) e jornalista, e ser conservador evangélico e não-obamista, logo sou “Reinaldo Azevedo gospel”? Por sua lógica, ser não-obamista é querer ser “Reinaldo Azevedo gospel”? Essa é a sua lógica? Desculpe, mas, sinceramente, não consigo entender como alguém desenvolve uma lógica dessas, a não ser que tenha algum problema em seu coração. Como cristão evangélico, sempre fui conservador social, como milhões de outros cristãos evangélicos. E tenho muitas divergências em relação a alguns posicionamentos do jornalista Reinaldo Azevedo. Muitas! Isso me faz um “Reinaldo Azevedo gospel”?

Kilmer, menos, menos.

Silas Daniel disse...

Caro irmão e amigo Gutierres,

É isso aí. E que bom que o Ascher, assim como alguns outros corajosos jornalistas seculares brasileiros, mesmo sendo minoria esmagada, não se rendeu ao movimento obamista do jornalismo mundial.

Sobre o brilhante livro de Dinesh D'Souza, já havia feito a ressalva sobre seu evolucionismo teísta em meu "drops" de 30 de setembro, quando indiquei o livro. Como C.S.Lewis, Colins, Alister e outros, D'Souza é evolucionista teísta, posição que não compartilho. Vejo, porém, válidas as suas colocações nesse assunto no sentido de provar, como Alister e Colins, que mesmo a Teoria da Evolução não é suficiente para abolir a existência de Deus; mas discordo dele quanto a aceitar toda a Teoria Evolucionista (macro evolução etc). Sou criacionista.

Como o espaço não permite debatermos todos os pontos que eu poderia ressaltar em minha discordância em relação ao evolucionismo teísta de D'Souza, prometo fazê-lo posteriormente, em postagem ou por e-mail.

Aproveitando: desculpe não ter respondido seu último e-mail. Estava assoberbado de trabalho e, quando encontrei um tempinho para começar a responder aquele seu e-mail, minha conexão caiu, então deixei para depois. Se der tempo (e ainda valer a pena), envio as respostas àquelas perguntas ainda esta semana.

Abraço!

Marcelo Oliveira disse...

Paz do SENHOR! Pr. Silas Daniel!

Gostei da sua análise sobre toda a conjuntura que levou a Barak Obama a presidência dos EUA.
Claramente houve uma exploração da crise financeira e dos desprestígio do atual governo juntamente com manipulação da imprensa pró-Obama dos sentimentos do povo americano e mundial.
Vejo com certo temor a ascensão de alguém que não tem compromisso com as escrituras e com valores judaicos-cristãos. Israel e os verdadeiros cristãos estão preocupados com o que isto pode representar. Contudo, nosso SENHOR esta no controle de tudo e não deixará sua igreja e Israel, pois afinal de contas isso só esta indicando a proximidade do vinda de Cristo.


Mudando de assunto sou obreiro da igreja Assembléia de Deus em Mauá onde o irmão vai ministrar na nossa EBO. Fico feliz da sua presença, embora não possa estar presente por motivo de trabalho.
Que o SENHOR continue de abençoando!

Bruno Barros Barreira disse...

Irmão Silas,

A paz do Senhor!

Ótima resposta ao Kilmer. O que ele disse é justamente a corrente que eu mais odeio no Calvinismo. Bom, na verdade (eu nunca escondi isso) não gosto de qualquer tipo de Calvinismo (quem quiser criticar, pode criticar, inclusive o Silas que já disse para mim, centenas de vezes, que o calvinismo de verdade não é herético, mas eu continuo achando que é), pois, no fim, sempre mostra um Deus que manipula, até para salvar alguém, já que a Graça seria Irresistível e o indivíduo não tem o Direito de rejeitar.

O Deus que eu creio é tão justo que dá até o direito de uma pessoa rejeitá-lo. É isso mesmo. Mesmo sendo isso contra a Sua perfeita vontade. O que não O torna menos soberado,nem dá a mim nenhuma glória pelo simples fato de dizer sim.

Além disso, a "Graça Irresistível" acaba mostrando que esse Deus do kilmer faz acepção de pessoas, pois, se ninguém merece a salvação, qual foi o critério??? Seja qual for, nunca será justo. Estaria este Deus jogando dados para, por sorte, escolher os Eleitos?? Ou será pela cor do cabelo ou pelo jeitão de conservador???

Aliás, esse tipo mais violento de Calvinismo, defendido pelo Kilmer, é usado covardemente por vários sites ateístas brasileiros, para desmoralizar o protestantismo. O pior é que alguns fanáticos calvinistas acabam afirmando e incautos sem uma opinião formada acreditando e, por fim, rejeitando não só esse Deus manipulador, como também todo o Cristianismo em si.

É esse tipo de pregação Calvinista que leva a pseudos intelectuais chamar o Deus da Bíblia de corrupto, mesquinho e desonesto. Afinal, um Deus que manipula, um Deus que já fez alguém predestinado para o sofrimento eterno, não importa o que se tente fazer para reverter, vai para o inferno porque Deus o criou para ter uma vida infeliz e ir mesmo para o inferno. Enfim, é um Deus, no mínimo, covarde.

Definitivamente, não pode ser mesmo um Deus de justiça e de amor.

Esse tipo de pensamento (Calvinismo Fatalista) torna Deus em criminoso e Lúcifer uma vítima. Através desse tipo de Calvinismo, eu posso, sem o menor problema, elaborar o seguinte pensamento. "Pobre Lúcifer, não caiu pela sua própria arrogância e maldade. Deus já o criou para ser um infeliz, inimigo dos homens, e levar sobre si toda a culpa da tirania e maldade do próprio Deus. Afinal é o capeta, com um caráter maldoso, cuidadosamente arquitetado e predestinado por Deus, que faz os homens errarem e, junto com ele, herdarem o inferno. Mas para guardar uma lembrança viva de todo esse parque de diversões, Deus salvará alguns - não importa quem, pode até mesmo ser um assassino no lugar de um pai de família amoroso que ama seus filhos - pela sua Graça Irresistível, para memória eterna entre suas vindouras criações. E Judas? Pobre bode expiatório. Por isso vou viver como quiser, afinal, se sou escolhido, a boa obra será completada, queira eu ou não".

Silas, muito feliz a sua afirmação em dizer que devemos ser luz do mundo e sal da terra. Também não é à toa que me meto em longas discusões em sites ateístas, pois sei que a Palavra não volta vazia. Alguns podem dizer que eu perco o meu tempo, mas nunca vou me conformar em ver sites criados para deturpar a imagem de um Deus Santo, Justo, Longanimo e Amoroso. E que, além disso, é misericordioso.

Silas Daniel disse...

Caro Marcelo, a Paz do Senhor!

É isso aí. A influência da mídia sobre as pessoas hoje é tão grande que não foram pucos os cristãos que embarcaram na onda obamista, sem atentar para os valores liberais extremos que Obama defende. Que bom que o irmão está entre aqueles que viram além da embalagem criada pela mídia e não embarcaram nessa onda!

Pena o irmão não poder estar presente à nossa ministração na Escola Bíblica na AD em Mauá (SP) para nos conhecermos. Mas, creio, outras oportunidades virão.

Abraço!

Anônimo disse...

Caro irmão Silas,

Contenta-me perceber que o irmão não nega a operação do eterno decreto de Deus. Fiz o comentário porque imaginei que você acreditava que o seu protesto anti-Obama poderia redundar em efeito prático sobre a opinião dos seus leitores e, quiçá, de algum eleitor americano. Agora sim, entendi que as suas manifestações são apenas registros resignados ante as determinações do Soberano.
Pensando bem, acabo por concordar que é melhor botar para fora o nosso inconformismo, mesmo quando sabemos que os eternos decretos do Pai jamais serão frustrados. Você diz: "Se todos os cristãos, irmão Kilmer, usassem essa sua lógica, que terrível seria!" Concordo, seria horroroso, talvez não sucumbíssemos em face a verdade do eterno decreto de Deus. Certamente a saída menos dolorosa para a nossa humanidade é a tergiversação, não a mal intencionada. Portanto, como o irmão ressalta, salguemos mesmo quando sabemos que, pelo decreto do Eterno, no final dos tempos o mal vencerá.
Fazer o que? Acatemos o decreto eterno. O bem vem depois, por esse mesmo decreto.

Em tempo: Fico triste, mas acredito que o ódio do irmão Bruno Barros Barreira ao calvinismo é parte dos eternos decretos de Deus.

Cordialmente,
Kilmer

Silas Daniel disse...

Caro amigo Bruno,

Sobre tudo o que o irmão colocou, desejo fazer apenas um adendo e realçar uma importante reflexão que o irmão fez.

1) Adendo:

Como já disse outras vezes neste blog e volto a frisar, à luz do que encontramos nas Sagradas Escrituras, considero o Calvinismo (genuíno) uma compreensão imperfeita da mecânica da Salvação. Essa afirmação já foi bastante substanciada com argumentos no espaço de comentários de algumas concorridas postagens do "Verba Volant Scripta Manent" ao longo destes 15 meses de existência e interação; portanto (falo agora aos leitores interessados no assunto) esquivo-me de, nesta oportunidade, encetar uma nova exposição sobre o assunto. Quem quiser saber mais é só pesquisar no arquivo do blog, o "Scripta Manent", aí no alto, à direita.

Em suma: Não é que considero o Calvinismo genuíno correto, mas não o vejo, por razões exaustivamente apresentadas neste blog, um ensino que comprometa a salvação do crente. É apenas uma compreensão imperfeita (posto que em parte correta) da mecânica da Salvação. Se fosse uma compreensão incorreta do método da Salvação (em vez da mecânica da Salvação), aí, sim, o caso seria gravíssimo, posto que, para sermos salvos, à luz da Bíblia, é imprescindível conhecermos o método da Salvação. Agora, diferentemente do Calvinismo genuíno, o Calvinismo Fatalista é uma bizarria que compromete a salvação do crente se levada até às últimas conseqüências.

2) Reflexão:

Importantíssimo o que você disse sobre o uso recorrente que o ateísmo faz do Calvinismo, sobretudo o fatalista, para justificar sua argumentação contra Deus e a Bíblia. Creio que todos aqueles que evangelizam ateus devem ter isto claro em suas mentes: muitas vezes, quando um ateu vocifera contra Deus, ele tem em mente não o Deus das Sagradas Escrituras, que ele pensa que conhece e entende, mas uma caricatura dEle, uma versão calvinista fatalista de Deus. Ou uma versão a partir do calvinismo genuíno mesmo, isto é, uma versão de Deus que enfatiza mais a soberania divina do que a responsabilidade humana e que tem dificuldades em conciliar uma com a outra, embora creia que ambas existem e, de alguma forma, não se anulam mutuamente.

Abraço! E obrigado mais uma vez por enriquecer nossa reflexão!

Silas Daniel disse...

Caro Kilmer,

Você mais uma vez insiste no erro e, agora, ainda tenta distorcer o que eu disse, o que leitores deste blog sabem que é uma das coisas que mais ojerizo. Onde eu disse que escrevi esse texto sem esperar que ele pudesse "redundar em efeito prático sobre a opinião dos leitores", como você diz? Afirmei exatamente o contrário! Disse com todas as letras que meu objetivo, como cristão, pastor e jornalista é, através dos meus textos, positivamente "influenciar e fazer refletir, abrir os olhos da mente das pessoas para a profundidade dos fatos e as verdades eternas".

Se eu não acreditasse que meus textos afetam as pessoas, nem escreveria!

Mas, pior ainda é ver você insistindo em confundir qualquer acontecimento com decreto de Deus! Kilmer, suas afirmações são de cunho absurdamente fatalista, e isso é muito, muito doentio.

O mal vencerá até o Retorno de Cristo com a Igreja? Sim, é verdade. Isso está claro na Bíblia. Como também é verdade que a presença da Igreja na Terra, salgando o mundo, detém o total avanço do mal hoje.

A Igreja, os verdadeiros servos do Senhor neste mundo, fazem a diferença, conquistando vidas para Cristo e afetando cenários e conjunturas à sua volta. Quer um exemplo? Não sei se você sabe, mas, no mesmo dia das eleições presidenciais dos EUA, alguns Estados daquele país estavam votando a aprovação ou não de propostas liberais, tais como a aprovação do "casamento" homossexual. O que fizeram os cristãos dos EUA? Oraram e votaram contra esses projetos. Resultado? A maioria esmagadora desses projetos liberais foram derrotados nas urnas em 4 de novembro.

O caso mais marcante foi o da Califórnia. Até sábado, 1 de novembro, as pesquisas mostravam que, naquele Estado liberal (onde está instalada a indústria do cinema americano, indústria esta que defende maciçamente o "casamento" homossexual), a aprovação do "casamento" homossexual seria aprovada com 5% de vantagem. Que fizeram os evangélicos dali? Lotaram em 1 de novembro um dos maiores estádios dos EUA e que fica naquele Estado, o Estádio de San Diego, onde dezenas de milhares de cristãos passaram 12 horas - de 10h às 22h - orando contra a aprovação do projeto. E no dia 4, todos se mobilizaram para ir às urnas. O que aconteceu? O projeto foi derrotado com 5% a mais de votos contra. O quadro foi revertido pela oração e mobilização do povo do Senhor, e não por um conformismo idiota, fruto de uma compreensão fatalista da vida e que é absolutamente antibíblica, uma verdadeira bizarria que não tem nada a ver com a vida cristã.

Lembre-se, Kilmer, que o mal só vencerá mesmo depois que a Igreja partir. Até lá, os servos do Senhor estão aqui na Terra para fazer diferença evangelizando, ganhando vidas para Cristo, fazendo missões, promovendo obras sociais, se engajando socialmente etc, represando o avanço do mal e mudando cenários à sua volta pela graça de Deus.

Fatalismo, Kilmer, não é Evangelho.

Bruno Barros Barreira disse...

Kilmer,

Você pode lamentar a minha opinião sobre o Calvinismo o quanto quiser, sabe por que? Tem o livre-arbítrio para isso. Assim como que posso criticar o calvinismo livremente.

Vou apenas dar algumas informações históricas de quem foi João Calvino, coisa que os cursos teológicos calvinistas ousam a esconder.

Após fugir a perseguição da Igreja Católica, João Calvino fugiu para a Suíça, onde escreveu sua principal obra “Instituição da Religião Cristã”, fez sucesso entre os burgueses da época e de 1541 a 1560, foi posto pelos poderosos como Governador Absoluto da cidade de Genebra. Durante esse período, Calvino deu início a um governo de terror, que misturava religião e política, com total falta de liberdade religiosa. A população de Genebra era controlada por severa vigilância moral calvinista. E qualquer um que ousasse se opor a Calvino era queimado vivo na fogueira. O que aconteceu com muitos, inclusive, com o médico Miguel de Servet (1511-1553), que foi queimado vivo por negar o pecado original, por decreto de Calvino.

É isso mesmo o que todos leram, basta pesquisar em qualquer livro de história.

Vocês, calvinistas, querem me dizer que Deus iluminou esse facínora, assassino cruel, impiedoso, vulgar e com sede de poder, para dar a única e possível interpretação correta da Bíblia??? Calvino nem cria no que ele mesmo escreveu. Afinal, se o médico negou o pecado original, por que o matou???? Ora, ele não era eleito e pronto! Ao conhecer bem a mente de Calvino, entendemos o porquê de sua doutrina fazer acepção de pessoas, com toques profundos de tirania.


Por fim, gostaria deixar aqui registrado, mais algumas razões do por quê não gosto de qualquer tipo de Calvinismo:

1) Graça Irresistível: é uma idéia que mancha a justiça, o amor e o caráter de Deus, pelo simples fato de que, se isso for verdade, não me dá direito de escolha. Ou seja, a pessoa é manipulada para aceitar a Deus de forma irresistível. O indivíduo não aceitará a Deus livremente, mas por força. Isso é rebaixar demais o Deus da Bíblia. Ele não precisa disso e ainda contraria a Palavra “nem por força, nem por violência”

2) Eleição Incondicional: mesmo que o indivíduo seja um pai de família honesto, amoroso, trabalhador e goste da moral cristã, não vai adiantar nada, se ele já foi escolhido para queimar eternamente. Afinal, pode ser que ele esteja apenas convencido de que Cristo é o Senhor, mas não convertido, não é? Quando morrer pode ter a triste surpresa que não foi eleito desde os tempos imemoriais. E o pior, o serial killer, que estuprou e matou sua filha mais nova foi salvo, porque disse sim para Jesus no último segundo de vida e isso foi o suficiente para cumprir o decreto imemorial de que seria salvo. Não importa o serial kiler ter matado mais de 30 pessoas e seguir a igreja satanista dos EUA, ele já estava eleito antes da fundação do mundo, por um decreto divino imemorial, sabe-se lá porque motivo. Por favor, Kilmer, não venha querer dizer que eu deturpei, se é incondicional, é incondicional e pronto, não importa quem seja a pessoa ou a sua condição. Inclusive você pode estar marcado para ir para o inferno, cuidado!!! Afinal, como você pode saber o que foi determinado antes da fundação do mundo???

3) Uma vez salvo, salvo para sempre. Essa é mais uma afirmação que mancha a santidade de Deus e contraria a própria Bíblia. O que aconteceu com Saul, então? A Bíblia diz que ele estava cheio do Espírito Santo quando foi empossado Rei. E depois de Deus ter o escolhido, rejeitou-O porque deixou de andar com Ele. E mais: de que serve todas as exortações de Cristo, Pedro, Tiago, Paulo, e os alertas assustadores de Levíticos e as duras advertências de Cristo as Sete Igrejas??? É só pra dar um susto? Só para deixar o sujeito esperto? Então você está me dizendo que eles estão mentindo, que não é nada disso, foi mesmo só para dar um susto???

Vou terminar por aqui, pois parece que debater com você é perder tempo. Prefiro pregar a Palavra aos atues e ver alguns experimentar a verdadeira Graça.

Anônimo disse...

Caro irmão Silas,
Vejo o irmão um tanto confuso e oscilante teologicamente, inicialmente o irmão diz: “O mal vencerá até o Retorno de Cristo com a Igreja? Sim, é verdade. Isso está claro na Bíblia”, depois contradiz: “Lembre-se, Kilmer, que o mal só vencerá mesmo depois que a Igreja partir” (grifos meus).
Cheguei a concluir que o irmão estava inequivocamente alinhado àqueles que admitem a eterna presciência do Soberano Deus. De repente, o irmão demonstra debandar para os domínios do abominável teísmo aberto quando afirma: “pior ainda é ver você insistindo em confundir qualquer acontecimento com decreto de Deus!”. Pergunto: Se qualquer acontecimento não pode ser “confundido” com Decreto de Deus, deve ser “confundido” com o que?
Afirmar que qualquer acontecimento não pode ser referendado pelo Decreto do Eterno implica em aceitar que, possivelmente, Ele não saiba todas as coisas. Insisto, se o Soberano Pai sabe todas as coisas - e Ele sabe – tudo é decreto Dele. Toda essência e existência Nele residem.
Inferir que o sucesso dos cristãos no dia das eleições presidenciais dos EUA, quando oraram, votaram e viram os vis projetos liberais serem derrotados nas urnas, foi meramente resultado de oração e ação daqueles irmãos e que a derrota dos liberais da Califórnia foi o desencadeamento de 12 horas de oração é admitir que esses mesmos crentes foram muito mal sucedidos quando se trata da vitória do Obama. Estranho, ganharam o varejo e perderam o atacado. Conclui-se pelo raciocínio do irmão que se os crentes tivessem orado mais e melhor o senhor McCain e a irmã Palin seriam eleitos.
Em última análise, irmão Silas, uma coisa e outras acontecem, sobretudo, porque estão nos Eternos Decretos de Deus. Orar é tão somente questão de obediência ao Eterno; “Orai sem cessar”. Uma das coisas mais sublimes é perceber que a nossa oração coincidiu com o Decreto do Altíssimo. Quando assim não acontece, não nos resta outra coisa senão resignadamente nos submetermos aos Decretos do Supremo Benfeitor.
Convençamos que, quando tratamos da Soberania do todo Poderoso Deus, não é possível manter-se indefinidamente em cima do muro, tentando fragmentar e classificar o autêntico calvinismo.

Um abraço,
Kilmer

Victor Leonardo Barbosa disse...

Pastor Silas, com sua licença, gostaria de sugerir ao Gutierres certa cautela em ele ser "simpático" a teoria da evolução teísta.

Seria bom que você leia os pontos dos conservadores sobre isso, leia por exemplo,

-Randall Milton Pollard
-Dave Hunt
-O Brasileiro Adalto Lourenço
-O livro Os fatos sobre Criação e Evolução - de John Akerberg e John Weldon.

Entre outros...

Abraços e Paz do Senhor!!!

Marcelo Oliveira disse...

Paz do Senhor! Pr. Silas

Encontrei um artigo do colunista Diogo Mainardi da revista Veja intitulado imprensa americana chapa- branca em que analisa desserviço que a imprensa fez ao país.

http://veja.abril.com.br/idade/podcasts/mainardi/integra_121108.html

Quando puder faça um visita em meu blog:

http://blogdomarcelooliveira.blogspot.com/

Anônimo disse...

Pastor Silas Daniel! Sou eu Eduardo! houve algum problema com seu e-mail? Não recebi mais resposta. Aguardo a próxima, certo?

Anônimo disse...

porque sera, que ainda, negros,serão sempre visto vejamos como: anti cristo, quando não faz na entrada faz na saida, etc.. Todo poder é dado ao homem por Deus. Deus quis assim , pronto, obedecemos. Mas na verdade todo mundo tem um pouco ainda de racismo, Os negros sofrem tanto porque Cam foi amaldiçoado, qdo viu a nudez de seu pai.. falam disso ainda nas igrejas.. Oremos , oremos , para que tudo isso que falam do obama, não venha a se confirmar..Outra coisa seja branco seja negro, Jesus Cristo esta perto de voltar e não vou ficar aqui, com certeza vendo se vai dar certo ou não Obama governar.

Silas Daniel disse...

Caro Kilmer,

Isso é o que chamo de “dislexia premeditada”! Como é que você consegue ler estas duas frases - “O mal vencerá até o Retorno de Cristo com a Igreja” e “O mal só vencerá mesmo depois que a Igreja partir” – e ver alguma contradição entre elas?

Não sei qual é a sua corrente escatológica, mas, como já afirmei neste blog uma vez, sou pré-tribulacionista e pré-milenista. Bem, se você sabe o que é ser um pré-tribulacionista e pré-milenista, então já ouviu falar sobre o entendimento, à luz da Bíblia, de uma Primeira Fase e de uma Segunda Fase da Segunda Vinda de Jesus. Ou não? Supondo que não, deixe-me explicá-las: na Primeira Fase, ocorre o Arrebatamento da Igreja, quando só os santos O verão; já a Segunda Fase é aquela do “todo olho O verá”, quando Cristo descerá com Sua Igreja glorificada. Pois bem, posto isso, faço agora uma pergunta cuja resposta, de tão óbvia, se encontra na própria pergunta: O Retorno de Cristo com a Igreja ocorrerá antes ou depois de a Igreja partir? Bem, se é retorno com a Igreja, só pode ser (Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três... E a resposta é...) depois de a Igreja partir! Então, onde está a contradição, Kilmer? Onde? O mal só vencerá até o Retorno de Cristo com a Igreja, que só acontecerá depois que a Igreja partir! Tão simples!

Pergunto-me: O que leva uma pessoa que, supõe-se, é esclarecida sobre um determinado assunto, a ler sobre esse assunto determinado escrito em um português claro e, mesmo assim, não entender nada do que ali está disposto ou, pior ainda, entender exatamente o contrário daquilo que foi escrito? O quê? Só vejo três possíveis explicações:

Opção 1 - Desconhecimento (Na verdade, não entende do assunto que está sendo tratado).

Opção 2 - Desonestidade (Entende o que foi dito, mas deliberadamente age como se não o tivesse entendido, distorcendo completamente o que foi dito claramente).

Opção 3 – Distração colossal (É difícil, mas acontece).

E para corroborar mais ainda esse tipo de questionamento que faço, eis que, como se não bastasse o que você me disse introdutoriamente, ainda me diz que eu não estou “alinhado àqueles que admitem a eterna presciência do Soberano Deus” e que eu estaria “debandando para o Teísmo Aberto” porque afirmo a você que “pior ainda” é vê-lo “insistindo em confundir qualquer acontecimento com decreto de Deus”!

Kilmer, será que você não sabe o “bê-a-bá” sobre as diferenças entre calvinismo e arminianismo ou, de repente, foi acometido por alguma amnésia?

Como eu posso ser teísta aberto, se uma das diferenças básicas entre um calvinista e um arminiano é que o primeiro crê que Deus não apenas sabe de todas as coisas antecipadamente como também predeterminou todas as coisas, enquanto o segundo não crê que Deus predeterminou todas as coisas, mas crê que Ele sabe de todas as coisas antecipadamente? Enquanto o calvinista crê que a presciência de Deus é decorrente do fato de Ele ter predeterminado todas as coisas pelo Seu poder, o arminiano crê que nem tudo que acontece foi predeterminado por Deus, mas que Deus sabe, sim, de tudo antecipadamente, que Ele nunca é pego de surpresa. Por isso o Teísmo Aberto é claramente visto como é, uma heresia, tanto pelo calvinista como pelo arminiano, posto que o Teísmo Aberto ensina não apenas que Deus não decretou todas as decisões e acontecimentos (com que o arminiano concorda), mas que também não sabe de todas as coisas que irão acontecer (do que o arminiano discorda profundamente).

Kilmer, onde, em meu comentário ou em qualquer outro texto que escrevi em minha vida, estou afirmando algo contrário ao que afirma o arminianismo tradicional? Onde eu disse não crer na presciência de Deus ou crer que nenhuma coisa é determinada por Deus? Onde você encontra alguma negação minha da presciência divina ou da inexistência de decretos de Deus? ONDE?

Como todo arminiano, não afirmo que “qualquer acontecimento não pode ser referendado pelo Decreto do Eterno”. Afirmo, como qualquer arminiano tradicional, que há os Decretos de Deus (o Plano Geral, Incondicional e Inamovível de Deus para a História), que absolutamente nunca podem ser frustrados, e há coisas que acontecem que não foram decretadas por Deus, e que o fato de não terem sido decretadas não significa que estejam fora do alcance e do conhecimento de Deus ou, muito menos, que podem atrapalhar o cumprimento do Plano Geral de Deus para a História. Nada pode mudar o Conselho e Propósito divinos para a Sua Criação como um todo.

Como vê, para nós, arminianos, esse Plano Geral envolve, sim, todas as coisas, mas não predetermina todas as coisas. O Plano Geral de Deus para a História estabelece deliberações incondicionais que nasceram no desígnio e no propósito de Deus, mas, dentro desse Plano Geral, e sob ele, existem as promessas condicionais de Deus (o que alguns arminianos chamam de “decretos condicionais”) e o livre arbítrio de Suas criaturas.

Ilustrando: É como se o Universo fosse um imenso navio e, dentro dele, cada um pode tomar decisões particulares, mas nenhuma dessas decisões pode afetar o destino final do navio (Decreto de Deus). Elas somente afetam a vida particular de cada um dos navegantes e algumas circunstâncias e contextos de pessoas dentro do navio, que, enquanto isso, caminha inexoravelmente ao seu destino decretado, pré-estabelecido pelo Comandante. Com um detalhe ainda: o Criador e Comandante do navio chamado Universo conhece antecipadamente todas as decisões que serão tomadas por aqueles que estão dentro do navio. Ele nunca é pego de surpresa.

Kilmer, como você (ao que tudo indica) é calvinista, não é surpresa vê-lo afirmando que “se o Soberano Pai sabe todas as coisas, tudo é decreto Dele”, mas é de uma ignorância abismal afirmar, ao mesmo tempo, que o arminiano, porque não crê que Deus predeterminou cada acontecimento, logo não acredita que Deus sabe de todas as coisas. Que tremendo absurdo! Nós, os arminianos, cremos, como é sabido por todos que conhecem minimamente o arminianismo, que (1) Deus sabe de todas as coisas antes de todas as coisas acontecerem, pois Ele é onisciente e presciente, como afirmam as Escrituras; e que (2) Ele sabe de todas as coisas sem necessariamente ter predeterminado tudo. Deus não precisa predeterminar tudo para saber de tudo.

Você ainda me diz: “Inferir que o sucesso dos cristãos no dia das eleições presidenciais dos EUA, quando oraram, votaram e viram os vis projetos liberais serem derrotados nas urnas, foi meramente resultado de oração e ação daqueles irmãos e que a derrota dos liberais da Califórnia foi o desencadeamento de 12 horas de oração é admitir que esses mesmos crentes foram muito mal sucedidos quando se trata da vitória do Obama”. Sim, os crentes dos EUA de forma geral foram mal-sucedidos mesmo, mas não os da Califórnia. Eles fizeram o máximo dentro de suas limitações e com a ajuda de Deus, a quem buscaram em oração. A maioria dos evangélicos do país não se envolveu com as eleições como os irmãos da Califórnia que, mesmo sendo esmagada minoria em seu Estado, fizeram diferença. Sua presença maciça à eleição não foi o suficiente para dar a vitória a McCain-Palin na Califórnia, o que era esperado por serem minoria, mas foi o suficiente para que a balança da votação sobre o “casamento” homossexual em seu Estado pesasse a favor deles. Se eles não procurassem se mobilizar e não orassem para que a mobilização surtisse efeito, e para que indecisos mudassem de idéia na reta final; se confiassem só nos votos de católicos conservadores e nos votos favoráveis de última hora de indecisos, eles não teriam ganho. Lembre-se: antes da campanha de mobilização e oração, as pesquisas mostravam a vitória do “casamento” homossexual por 5% de vantagem. Depois dela, que ocorreu a apenas três dias da votação (Três dias!), o resultado foi a vitória por 5% de vantagem, considerada inesperada pela imprensa californiana, que atribuiu a vitória à... mobilização dos evangélicos californianos!

Ademais, dizer que a nossa oração produz resultados não é atribuir a nós, crentes, algum poder extraordinário de forçar Deus a mudar todas as situações como desejamos, posto que a oração nada mais é do que o reconhecimento de que dependemos de Deus, é a súplica humilde a Ele para que intervenha, ajude, oriente etc.

A oração produz resultados não porque haja algum merecimento em nós que oramos, mas porque é o reconhecimento da nossa dependência de Deus; é o pedido humilde para que Ele, o Senhor, intervenha; é confiar na Graça de Deus; é crer e reconhecer que Deus tem poder de mudar situações, de fazer em nosso favor aquilo que, aos olhos humanos, parece impossível; é reconhecer que, sem Ele, nada podemos fazer.

E você prossegue: “Estranho, ganharam o varejo e perderam o atacado”. Não, nada de estranho. Absolutamente normal. Além de só o voto dos evangélicos não eleger o presidente (como asseverei no texto desta atual postagem), nem todos os evangélicos do país se envolveram nesta eleição como em 2004. E se a eleição nos EUA não se dá pela consecução da maioria dos votos conquistados no país, mas é uma eleição indireta, onde a vitória se dá pela conquista da maior parte do número de delegados, o que há de estranho aí? Os evangélicos tiveram vitórias pontuais, como a na Califórnia, mas perderam de forma geral na maioria dos Estados pelo país.

Volto a frisar: a maioria dos cristãos nos EUA não se envolveu em uma campanha de oração e mobilização como os irmãos da Califórnia. E mesmo os dados mostrando que a mobilização nacional dos evangélicos deste ano foi menor que a de 2004, McCain e Palin ainda tiveram 46,1% dos votos. Venceram em 22 Estados, mas não foi suficiente. Obama venceu nos outros 28, entre eles muitos Estados cujo número de delegados em jogo era bem maior do que nos demais; e, em alguns deles, a vitória foi apertada.

Ademais, Kilmer, segundo as Sagradas Escrituras, orar é mais do que mera obediência. É um ato de fé, confiança e amor. Devemos buscar ao Senhor “de todo o nosso coração” e “crendo que Ele é galardoador dos que O buscam”.

Quando a Bíblia diz que orar não muda a vontade de Deus (1Jo 5.14), isso quer dizer que Deus só não vai atender àquelas petições nossas que estão fora de Sua vontade, e não que Deus não atende a petições que não tenham sido originadas por Ele ou que não devemos pedir nada a Ele porque “isso é perda de tempo” etc. O próprio Jesus incentivou seus discípulos a pedirem mesmo em oração crendo que Deus os ouviria (Mt 7.7-11; Mc 11.22-24; Jo 15.7 etc). Claro, a oração é mais do que pedir, mas o pedir é algo intrinsecamente ligado à oração e incentivado por Jesus.

Outra coisa, Kilmer: não sou eu ou nenhum arminiano quem tenta “fragmentar e classificar o autêntico calvinismo”. Não inventei o termo “calvinismo fatalista” ou “hiper-calvinismo”. Assim como não inventei os termos calvinismo supralapsário, calvinismo infralapsário e calvinismo compatibilista. Essas são fragmentações e classificações criadas pelo próprio calvinismo.

O que chamo de “calvinismo genuíno”? O calvinismo genuíno é aquela tradição cristã que antecede a João Calvino e que só recebe este nome – Calvinismo – tão somente porque teve em Calvino seu maior expoente, e que durante os séculos e até hoje é a vertente do calvinismo preponderante. Por exemplo: Agostinho, que viveu mais de mil anos antes de Calvino, foi o primeiro calvinista (o que não significa dizer que a Igreja Primitiva era calvinista; dos Pais da Igreja, só Agostinho o era; João Crisóstomo, só para citar um dentre muitos exemplos, fez afirmações extremamente arminianas). Outro exemplo: Lutero foi calvinista antes de Calvino, e a sistematização do Calvinismo como o conhecemos só se deu bem depois de Calvino. O que nós chamamos hoje de calvinismo genuíno, na verdade, não é 100% do que cria Calvino sobre a mecânica da Salvação.

Aliás, não conheço nenhum calvinista que creia em 100% do que Calvino ensinou sobre a mecânica da Salvação, embora admita que ainda há alguns poucos que crêem assim – os supralapsários. Calvino era supralapsário, porém a maioria esmagadora dos calvinistas do mundo sempre foi de compatibilistas e infralapsários.

O hiper-calvinismo é supralapsário. O Calvinismo Supralapsário é basicamente aquele que crê na eleição dupla, para o Céu e para o Inferno; que o homem não tem livre arbítrio algum e que absolutamente tudo já foi determinado por Deus. Ele crê na expiação limitada. Calvino, volto a repetir, era supralapsário. O próprio Berkhof e tantos outros teólogos calvinistas ressaltam isso. Os supralapários são e sempre foram minoria na História, conforme já afirmava o teólogo americano Loraine Boettner (1901-1990) em seu livro Reformed Doctrine of Predestination.

O Calvinismo Infralapsário, por sua vez, é aquele que crê que Deus decreta apenas a eleição dos eleitos e indiretamente a eleição dos não-eleitos, pois permite que eles sigam seu curso natural. São infralapsários Agostinho e todos os teólogos que sistematizaram o calvinismo como hoje o conhecemos. Exemplos: o Sínodo de Dort era infralapsário, bem como a Confissão de Westminster. Os infralapsários admitem que o homem (todos os homens) tem livre-arbítrio, embora costumem usar outro nome para isso: livre-agência.

É precisa a forma como Berkhof define esses dois grupos do calvinismo. Diz ele que os supralapsários lutam para não fazerem Deus o autor do pecado (o que é decorrência inevitável de seu ensino) e os infralapsários lutam para não se parecerem com os arminianos e, por isso, ficam próximos dos supralapsários em muitas coisas. Exemplo: Enquanto o primeiro grupo afirma que o decreto de Deus tornou certa a Queda do homem, o segundo prefere admitir (como nós arminianos) apenas a permissão de Deus para a Queda. Porém, evitando a acusação de arminianismo, os infralapsários afirmam que, apesar de a Queda ter sido apenas permitida, o decreto divino a tornava certa.

Finalmente, o Calvinismo Compatibilista (que, junto com o infralapsário, prevalece hoje entre os calvinistas de todo o mundo, inclusive no Brasil) é aquele que crê na predestinação e no livre arbítrio, e que a expiação é limitada na aplicação e não em sua extensão total. Boa parte dos grandes homens de Deus da História que eram calvinistas era de compatibilistas. Um dos mais famosos deles é o chamado (pelos batistas) “Príncipe dos Pregadores”: Charles Haddon Spurgeon. Spurgeon chegou a travar brigas “homéricas” em sua época contra os calvinistas supralapsários, hiper-calvinistas, mais conhecidos hoje como “calvinistas fatalistas”.

Há até um livro, escrito por Ian Murray, denominado “Spurgeon vs. Hyper Calvinists: The Battle for Gospel Preaching” (Spurgeon Contra Hiper-calvinistas: a Batalha da Pregação da Palavra), que descreve as diferenças entre os calvinistas fatalistas e os calvinistas não-fatalistas. Os calvinistas genuínos não-fatalistas, que são majoritários, evangelizam, fazem missões, pregam o Evangelho aos não-cristãos para levá-los a Cristo, envolvem-se com as questões sociais de nossos dias etc. Já os fatalistas não só não fazem isso como muitos até condenam tudo isso.

Comentando o texto de 1 Timóteo 2.3-6, o calvinista não-fatalista Spurgeon disse o que se segue, que se encontra registrado em sua obra “Metropolitan Tabernacle Pulpit”, 1 Timothy 2.3,4, volume 26, nas páginas 49-52:

“E então? Tentaremos colocar um outro sentido no texto do que já tem? Penso que não. Precisa-se, para a maioria de vocês, conhecer o método comum com qual os nossos amigos calvinistas mais velhos lidaram com esse texto. ‘Todos os homens’, dizem eles, ‘quer dizer, alguns homens’, como se o Espírito Santo não pudesse ter falado ‘alguns homens’ se quisesse falar alguns homens. ‘Todos os homens’, dizem eles, ‘quer dizer alguns de todos os tipos de homens’, como se o Senhor não pudesse ter falado ‘todo tipo de homem’ se quisesse falar isso. O Espírito Santo através do apóstolo escreveu ‘todos os homens’ e, sem dúvida, quer dizer todos os homens mesmo. Estava lendo agora mesmo uma exposição de um doutor muito apto o qual explica o texto de tal forma que muda o sentido. Ele aplica dinamite gramatical no texto e explode-o enquanto o expondo. (…) O meu amor pela consistência com as minhas próprias doutrinas não é de tal tamanho para me autorizar a alterar conscientemente um só texto da Escritura. Respeito grandemente a ortodoxia, mas a minha reverência para a inspiração é bem maior. Prefiro parecer cem vezes ser inconsistente comigo mesmo do que ser inconsistente com a Palavra de Deus”.

Spurgeon, lembra a obra de Murray, combateu o conformismo dos calvinistas fatalistas de sua época. Ele dedicou-se com afinco à obra do Mestre, convencendo cristãos mal-orientados e conquistando não-cristãos para Cristo. Ele oferecia a Salvação a todos os homens e procurava influenciar o contexto e a vida das pessoas à sua volta como cristão que era, como seguidor de Cristo que era. Ele também acreditava que a oração poderia aumentar a colheita de vidas para Cristo, por isso criou mais de uma reunião de oração semanais em sua igreja, reuniões estas voltadas para a intercessão pela salvação de vidas para Cristo. Inclusive, todas as vezes que pregava, um grupo orava em uma sala abaixo do púlpito em que ele estava, intercedendo por ele e para que vidas se rendessem a Cristo naquela oportunidade. Por isso ele fez a diferença em sua época.

O jornal londrino calvinista Earthen Vessel, dirigido por calvinistas supralapsários, em uma de suas edições de 1857, declarou sobre as pregações de Spurgeon: “É um absurdo pregar que é dever do homem crer em Cristo para salvação”. Spurgeon fazia isso e, porque fazia isso, fez a diferença em sua geração!

E o que dizer do calvinista não-fatalista William Carey, chamado “Pai das Missões Modernas”? Não sei se você já leu que houve uma época em que o calvinismo fatalista cresceu entre as igrejas batistas da Inglaterra quase as matando espiritualmente. Isso ocorreu no século 18 e no início do século 19, fazendo que a visão missionária dessa igreja desaparecesse, até que Deus levantou homens como o calvinista não-fatalista William Carey. Conta o livro “History of the Baptists” (História dos Batistas), de Thomas Armitage:

“O livro de William Carey ‘Inquiry into the Obligations of Christians to Use Means for the Conversion of the Heathen’ (Pesquisa Sobre as Obrigações de Cristãos para Usar Meios para a Conversão de Pagãos) foi publicado em 1792, mas encontrou poucos leitores e produziu pouco resultado. Para a maioria dos batistas, os pontos de vista de Carey eram visionários e até extravagantes, em conflito aberto com a soberania de Deus. Numa reunião de pastores, onde Ryland senior era presidente, Carey propôs que no próximo encontro eles discutiriam a tarefa de tentar espalhar a Palavra para os pagãos. (…) Ryland, escandalizado, se colocou de pé e ordenou a Carey que se sentasse dizendo: ‘Quando agradar a Deus converter pagãos, Ele o fará sem a sua nem a minha ajuda!’”

Veja até onde leva um calvinismo fatalista!

Kilmer, o calvinismo tradicional, genuíno, prevalecente em toda a história, não nega que o homem seja livre. Os calvinistas genuínos não negam a liberdade do homem. Negar a liberdade do homem é, como ressaltou o Bruno em comentário anterior aqui, dar as mãos ao ateísmo.

Deixe-me dar um exemplo do claro calvinismo de Spurgeon, mas um calvinismo não-fatalista. Disse Spurgeon, conforme registrado em “New Park Street Pulpit”, volume 4, página 337:

“Que Deus predestina, e que o homem é responsável, são duas coisas que poucos enxergam. Acredita-se que são inconsistentes e contraditórias; mas elas não são. É simplesmente a culpa do nosso julgamento fraco. Duas verdades não podem ser contraditórias. Se, então, acho ensinado em um lugar que tudo foi pré-ordenado, é verdade; e se achar em outro lugar que está sendo ensinado que o homem é responsável para todas as suas ações, é verdade; e é a minha grande tolice que me leva a imaginar que duas verdades podem se contradizer. Não acredito que essas duas verdades jamais poderão ser amalgamadas numa só sobre qualquer bigorna humana, mas elas serão uma só, na eternidade: são como duas linhas que são tão paralelas, que a mente que persegui-las o mais longe possível nunca descobrirá que elas convergem; mas elas convergem ,sim, e se encontrarão em algum lugar na eternidade, perto do trono de Deus, de onde nasce toda verdade”.

Veja que, como arminiano, eu e Spurgeon temos diferenças, porém consigo “dialogar” com ele, porque seu calvinismo não é fatalista e conformista, mas compatibilista. Assim como “dialogo” com Carey, Whitefield e outros por não serem fatalistas.

Mais exemplos de calvinistas não-fatalistas: Francis Schaeffer, Charles Colson e Nancey Pearcey, que se envolvem (envolveu-se, no caso de Schaeffer, que já faleceu) em questões sociais de sua época.

Outros conhecidos calvinistas não-fatalistas de hoje são, por exemplo, o reverendo Augustus Nicodemus (para citar um nome brasileiro conhecido) e John Piper, nos EUA. Se não, vejamos:

“Você sabe que a posição reformada clássica é de que a soberania de Deus e a responsabilidade humana são duas verdades igualmente ensinadas na Bíblia, muito embora não saibamos como elas se reconciliam logicamente. Deixe claro que você em momento algum está anulando a responsabilidade do homem para com as decisões que ele toma, e que, quando ele toma essas decisões, ele as toma porque quer tomá-las. Ele é, portanto, responsável pelo que faz e pelo que escolhe, mesmo que, ao final, o plano de Deus sempre prevalecerá e será realizado. Não tente resolver o mistério dessa equação. Seja humilde o suficiente para dizer que você reconhece o aparente paradoxo dessa posição e que não consegue eliminar nenhum dos seus dois pontos. Mantê-los juntos em permanente tensão é o caminho da Reforma, e um caminho que muitos pentecostais vão entender e apreciar” (http://tempora-mores.blogspot.com/2007/09/carta-um-pastor-pentecostal-que-virou.html).

E John Piper? Disse ele:

“Não cavalgue sobre o que não está no texto. Pregue exegeticamente, explanando e aplicando o que está no texto. Se isto soar Arminianismo, que soe Arminianismo. Confie no texto e o povo confiará em você por ser fiel ao texto”.

Com esse calvinismo não-fatalista posso dialogar, mas não com um calvinismo fatalista e conformista.

É isso.

Esperando que tenha sido apenas um mero desentendimento,

Em Cristo,

Abraço!

Silas Daniel disse...

Caro Victor,

Fique à vontade para acrescentar. Aliás, boas sugestões.

Abraço!

Silas Daniel disse...

Caro Eduardo,

Fiquei longe do blog e dos e-mails desde terça-feira (e até terça já havia muitos e-mails que não tivera tempo de responder). Voltei à ativa hoje, sexta-feira (14/11). É só aguardar mais um pouco que o respondo. Não esqueci do irmão.

Abraço!

Silas Daniel disse...

Marcelo, a Paz do Senhor!

Li o artigo. Muito bom. Mainardi, Reinaldo Azevedo, Olavo de Carvalho e Nelson Ascher são os únicos articulistas seculares que conheço no Brasil que não caíram na onda obamista. Ponto para eles. Podemos ter muitas diferenças em relação a eles (por exemplo, em relação ao liberalismo de Mainardi em relação ao aborto e à pesquisa de células-tronco embrionárias, entre outros pontos; e aos rompantes de Carvalho em alguns assuntos etc), mas é preciso reconhecer essa virtude neles.

Prometo fazer uma visita ao seu blog brevemente.

Abraço!

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Silas e Victor, a paz!

Só esclarecendo que não sou evolucionista teísta, só achei interessantes os argumentos do D´Souza. Tenho estudado os argumentos do Criacionismo (Adalto Lourenço), Design Inteligente (Paul Nelson, Phillip E. Johnson, Nancy Pearcey e outros) e Evolucionismo Teísta (Alister McGrath, Dinesh D’Souza, Francis Collins). Quando terminar esses estudos espero chegar a uma conclusão e isso demandara tempo e esforço. Lembrando que todos esses nomes são cristãos que levam a Bíblia a sério! Não é que estou em cima do muro (hehehe), mas esse assunto deve ser mais debatido em círculos cristãos conservadores.
PS: Assim que puder mandar o e-mail pode fazê-lo, pois sua resposta será importante para uma série de textos que estou fazendo.


Abraços a todos,

Meire Ferreira disse...

Pastor Silas,

Sou brasileira, porem naturalizada americana, vivendo neste Pais ha quase vinte anos. Sou nascida de novo, lavada e remida pelo sangue de Jesus. Sou casada e tenho 3 filhos, todos nascidos aqui.

Acabei de ler o seu texto sobre a vitoria do Obama (o qual nao retiro uma palavra, apenas acrescentaria algumas poucas). Quero agradece-lo muito pois a visao que o Pastor colocou e exatamente a visao que nos verdadeiros evangelicos temos deste quadro eleitoral. Saiba que Deus o ungiu sobremaneira para esclarecer a tantas pessoas cegas pela midia liberal e, porque nao dizer infernal, com relacao a este cidadao que vem sw apresentando como o "salvador da patria". Era a queda da bolsa se intensificar e este cidadao subia nas pesquisas. O eleitor cego pela midia nao conseguiu enxergar o risco que ele representa tambem para a economia e atirou no proprio pe.

Nao sei se o Pastor conhece alguns detalhes da vida da nossa irma Sarah Palin e de quanta injustica e calunias ela sofreu por esta maldita midia. Agora Pastor, nos resta orar por esta nacao que tem um remanescente extremamente fiel e que Deus tenha misericordia dos que o fizeram na ignorancia e cumpra o proposito Dele nao somente neste Pais que nao quiz mais o governo de Deus e pediu um rei para reinar sobre eles segundo a dureza de seus coracoes, mas neste mundo que precisa com urgencia se dobrar ao unico, supremo e soberano Deus.

Deus o abencoe, o seu texto lavou a minha alma, pois estava cansada de tanta mentira e maledicencia e confesso sem forcas para defender minha posicao como povo de Deus e eleitora fiel da dupla conservadora MacCain/Palin.

Com carinho e gratidao,

Meire Ferreira

Obs: Sobre racismo, moro a 20 minutos da capital do Pais onde nao so nao se ve mais a discriminacao contra negros ha muitos anos como quem e discriminado racialmente e o branco, que ja passou em alguns lugares daqui da condicao antiga de opressor a oprimido.

Silas Daniel disse...

Caro "anônimo" das 15h11 do dia 14 de novembro,

Se você tem a capacidade de ler o texto que postei neste blog no dia 5 de outubro ("Quatro razões porque não sou pró-Obama...") e este de 5 de novembro e achar que minha oposição a Obama se deve à cor da pele ou que sou do tipo que usa distorcida e idiotamente textos bíblicos para afirmar alguma estupidez tipo "os negros são amaldiçoados", então não adianta nem dialogar com você.

Não adianta dialogar em um blog com alguém que não sabe nem ler.

Passar bem.

Silas Daniel disse...

Caro Bruno,

Concordo com você que Calvino muitas vezes manifestou uma conduta extremamente reprovável no que diz respeito à tolerância, não transcendendo o espírito, os costumes e o padrão de sua época, e também que o caso Serveto (no qual foi apenas testemunha contra o acusado) mancha enormemente a sua biografia, porém não é verdade, por exemplo, que Calvino foi governador de Genebra. Ele nunca foi.

Inclusive, quando da morte de Serveto, Calvino não exercia nenhum cargo instituído pelo Conselho da cidade (liderado à época pelos Libertinos, grupo a qual Calvino se opunha). Ele não era nem cidadão genebrino ainda, título que só receberia anos depois, pois os Libertinos não o viam com bons olhos. Ou seja, naquela época, conforme a legislação genebrina, Calvino não podia nem votar nem concorrer a qualquer cargo público naquela cidade.

Também não é verdade que ele mandou matar várias pessoas. Quando os Libertinos deixaram o poder em Genebra, o grupo reformista que assumiu seu lugar é que condenou à morte dezenas de Libertinos que se sublevaram contra o novo governo em um protesto sangrento nas ruas de Genebra. A legislação da cidade previa a pena de morte, havia séculos, em casos de acusados de promover protestos sangrentos.

Foi esse governo reformista, que admirava e respeitava Calvino, que deu a ele, mais à frente, o título de cidadão genebrino e contratou Calvino para exercer um cargo importante onde tinha o poder de indicar à expulsão de Genebra (e não à morte) todos aqueles que não quisessem adotar os costumes e a Teologia genebrina, da qual Calvino passou a ser designado pelo Conselho responsável por zelar.

Mais sobre o assunto, indico o Apêndice 2 do meu mais recente livro "A Sedução das Novas Teologias".

No mais, você já sabe a minha posição sobre o calvinismo. Sou arminiano, mas não considero um calvinista não-fatalista um “tremendo herege”.

Abraço!

Silas Daniel disse...

Cara Meire,

Obrigado por suas palavras de apreço e motivação. Sua participação neste blog, como cidadã e eleitora americana que testemunhou "in loco" toda a orquestração da mídia liberal dos EUA para eleger Obama, vem se somar à nossa reflexão. E que bom saber que muitos evangélicos brasileiros com cidadania americana não se deixaram levar pela onda obamista (apesar da campanha descarada pró-Obama e contra McCain-Palin promovida pela Globo e a Record internacionais).

Um abraço e que Deus continue abençoando sua vida, família e projetos na América!

Silas Daniel disse...

Caro Gutierres,

Ok. Inclusive, é muito bom estudar todas essas correntes. Você faz bem em fazê-lo. Fiz o mesmo que você um tempo atrás. O resultado, pelo menos para mim, é que continuo criacionista. Mas respeito cristãos sinceros que pensam diferente nessa questão. Apesar de discordar profundamente deles quanto à forma como compreendem que Deus deu origem ao Universo, aprecio o biblicismo deles em tudo o mais que escrevem.

Sobre a entrevista, é impossível respondê-la este final de semana, mas o farei, se Deus permitir, logo no início da semana que entra. É que estou em Florianópolis (cheguei esta madrugada) pregando no Congresso de Jovens da Assembléia de Deus daqui, e os compromissos aqui são tarde e noite de hoje e manhã e noite de amanhã. É por isso também que estou respondendo aos comentários do blog e aos e-mails esparsadamente - aproveito as brechas entre uma programação e outra para atender a todos.

Portanto, desde já, obrigado pela compreensão (agradecimento estendido a todos os leitores deste blog).

Abraço!

Meire Ferreira disse...

Pastor Silas,

Me sinto honrada em poder contribuir com o esclarecimento desta eleicao "historica" para o povo de Deus. Fico triste em saber quantos cristaos foram enganados pela midia, quando possuem a Verdade, que e a Palavra e Deus e que facilmente poderia confrontar os dois candidatos e ver claramente a diferenca entre eles. Saiba o pastor que tenho sofrido muitas criticas dos meus irmaos ai no Brasil por ter um candidato tao "old fashion". Sempre fui retaliada por defender o presidente Bush que antes de presidente e meu irmao de fe, e que segundo um grande estrategista americano, ainda sera reconhecido pelo mundo como um dos maiores chefes de Estado. Mas lembro da conversa de Deus com Elias quando ele se escondia mediante a perseguicao de Jezabel. "Elias, ainda existem 7 mil joelhos que nao se dobraram a baal". E isto que nos encoraja, Pastor. O nosso reino nao e deste mundo e nao estamos sozinhos, muitos nao venderam "a primogenitura por um prato de lentilhas".

Deus o abencoe e que possamos achar graca aos olhos Dele e que sejamos achados fieis quando Ele vier buscar a sua verdadeira Igreja.

Um abraco fraterno,

Meire Ferreira

carlos lanes disse...

achei desrespeitoso e desnecessario colocar o sublime título do Ungido de Deus em uma situação polemica e transferir este atributo embora parcial a qualquer ser humano. sugiro que o Pastor ache outro meio de conseguir IBOPE.

Silas Daniel disse...

Cara irmã Meire,

Deus também continue abençoando a irmã e sua família mais e mais!

Um amplexo!

Silas Daniel disse...

Caro Carlos Ianes,

Concordo plenamente com o cuidado que se deve ter em relação ao uso dos nomes do Senhor. Inclusive, já escrevi sobre esse assunto uma vez, ano passado, chamando a atenção para a cada vez mais comum quebra do terceiro mandamento em nossos dias: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão” (Êx 20.7). Leia aqui: http://www.elnet.com.br/colunistas_interna.php?materia=2169

Todavia, este não é o caso aqui. A preocupação do irmão com o uso do termo “ungido” em meu texto absolutamente não procede. Primeiro, não chamei Obama em nenhum momento de “Ungido de Deus”, como o irmão afirma, mas de o “‘ungido’ da mídia”. E usei a expressão ungido entre aspas justamente porque a uso no sentido figurado. No sentido literal, todos sabemos, ungido é alguém ou algo que passou por algum cerimonial ou processo em que é derramado azeite sobre ele. Já no sentido figurado, que é o que emprego claramente aqui, ungido significa consagrado, escolhido, eleito. Obama é, sim, o “ungido” da mídia, pois ele foi, bem antes do resultado das urnas, eleito e consagrado pela mídia como “o homem que vai melhorar o mundo”. E mesmo depois de sua eleição em 4 de novembro, a mídia ainda se esforça o máximo possível, deliberadamente, para não mencionar qualquer coisa negativa sobre a pessoa dele, porque ele é o seu “ungido”, o seu eleito, escolhido e consagrado.

Outra coisa: Não procede o raciocínio de que usar o termo “ungido” seria, como você afirma, “transferir” algum “atributo [de Jesus] embora parcial[mente] a qualquer ser humano”. Davi era o ungido do Senhor (2Sm 22.51). Deus se referia a ele dessa forma (1Sm 16.6,12), o povo também (2Sm 19.21) e o próprio Davi se referia a si mesmo como ungido de Deus (Sl 20.6; 132.10). Saul também era ungido de Deus (1Sm 24.6). Zorobabel idem – ele é até chamado por Deus, juntamente com o sumo sacerdote Josué, de “filho do óleo” (Ag 2.23; Zc 4.14). Ora, até mesmo o pagão Ciro é chamado por Deus de Seu ungido (Is 45.1). Ciro, medo-persa, era ungido de Deus! Lembrando ainda que ungido, em hebraico, é “mãshîah”, de onde vem a palavra “Messias”. A palavra “Cristo” é a forma grega equivalente ao hebraico “mãshîah”.

Caro Ianes, a Bíblia chama Davi, Saul, Zorobabel e Ciro de ungidos de Deus porque eles eram isso mesmo: ungidos de Deus. Deus os chama assim e em nenhum momento o texto bíblico sugere que Ele estava, com isso, equiparando-os a Jesus. Ao contrário: ao chamar Jesus de Messias, ou seja, o Ungido de Deus, a Bíblia está evocando a figura dos ungidos de Deus (escolhidos de Deus) do Antigo Testamento para destacar Jesus como Aquele que foi escolhido e enviado para um ministério que, claro, era bem maior do que o de qualquer profeta, rei ou sacerdote do AT, já que Sua missão era nada menos que proporcionar salvação à humanidade. Assim, os demais eram os ungidos de Deus (escolhidos de Deus) e Jesus, o Ungido de Deus (o Escolhido de Deus). Eles tinham uma missão; Jesus, a Missão. Ou seja, os termos Ungido e Messias aplicados a Jesus servem apenas para enfatizar a unção especial sobre Jesus para desempenhar sua função como escolhido de Deus para salvar a humanidade. Por isso, Jesus, só Jesus, é o Messias (sem aspas). Os outros auto-proclamados ou consagrados pela mídia e pelo povo são os messias aspeados (“messias”). Obama é um deles. Ele é o “Messias” da mídia, e não o Messias. Como outros antes dele que foram vendidos a suas nações e gerações como sendo o “Messias” de suas respectivas épocas, assim acontece com Obama hoje, com a diferença apenas de que Obama é o político que teve o maior apoio e popularidade mundial da História. Se vai continuar com esse apoio maciço por longo tempo, isso já é outros quinhentos.

Portanto, o irmão se engana abissalmente ao achar que sou do tipo que apela, que rompe os limites da ética para conseguir “Ibope”. Passo longe disso! Os irmãos que me lêem há muito tempo ou que me conhecem pessoalmente sabem que não tenho compromisso com “Ibope”, mas com minha consciência. Escrevo o que escrevo sem estar preocupado em ser politicamente correto ou popular, porque minha única preocupação neste blog é a de ser o mais relevante, correto e coerente possível ao “compartilhar reflexões sobre as principais questões que perpassam nossa existência, a sociedade e o cristianismo em nossos dias” (como se lê no cabeçário deste blog desde o seu primeiro dia de existência). Se, ao fazer isso, eventualmente muitos se sentem atraídos a ler-me, que maravilha! Ora, afinal de contas, escreve-se para ser lido! Porém, meu compromisso não é com a audiência. Se esta vir, que bom; se não, fazer o quê? Condescender com princípios não posso. Meu compromisso é com os princípios da Palavra de Deus, ainda que defendê-los signifique, por exemplo, remar contra a maré da onda obamista – maré esta que ainda consegue levar incrivelmente alguns cristãos a acharem “polêmico” (?) e um ato de "querer aparecer" (?) algum cristão dizer que não apóia um homem político que defende o aborto, o “casamento” homossexual etc.

Abraço!

Josélio disse...

Pr Silas, lembro-me que que foi lançado um projeto das Assembléias de Deus no Brasil um projeto chamado década da colheita que entre outros alvos estavam:

* Alcançar 50 milhões de convertidos a Cristo; (No início do projeto, em 1990, significava o trabalho de 6 crentes, para
ganhar uma única pessoa para Cristo no ano);

* Preparar 100 mil obreiros a fim de alocá-los em pontos estratégicos na seara do Mestre;
Plantar 50 mil novas igrejas em todo o Brasil;

* Formar e enviar novos missionários além fronteiras.

Gostaria de saber se o senhor saberia dizer se esses alvos foram alcançados ou não.

Josélio

Silas Daniel disse...

Caro Josélio,

Lembro do Projeto Década da Colheita, liderado pelo saudoso pastor Valdir Bícego, que contava em sua equipe com alguns irmãos que tenho o prazer de ter como amigos, tais como os pastores Geremias do Couto e Isael Araújo. Só não lembro exatamente de quanto eram as metas. Sabe-se que o projeto, infelizmente, não conseguiu superar todos os alvos, mas alavancou consideravelmente o crescimento evangélico no Brasil. É só ver, por exemplo, o crescimento que a Assembléia de Deus teve entre os censos de 1991 e 2000 - um crescmento de mais de 200% em apenas 9 anos.

Hoje, constatamos que a proximidade do centenário da Assembléia de Deus tem despertado a liderança nacional assembleiana para a necessidade de a denominação voltar àqueles grandes empenhos evangelísticos em nível nacional. Não que todas as ADs do país não estejam evangelizando de vento em popa. Muitas estão um tanto paradas evangelisticamente, essa é a verdade; mas outras estão bem ativas e ganhando milhares e milhares de vidas para Cristo todos os anos. A importância de uma mobilização evangelística nacional é justamente porque desperta todas as igrejas para a urgência de cumprir a Grande Comissão.

O apoio e envolvimento da CGADB com o Projeto Minha Esperança Brasil, da Associação Billy Graham, foi um exemplo dessa disposição. Foi só um dentre muitos passos. Ainda existe um projeto de mobilização evangelística nacional para os últimos anos que deverá ser implementado em breve. Pelo menos é o que se fala, e estamos orando para que se torne mesmo realidade.

Oremos por isso!

Abraço!

Anônimo disse...

Irmão Silas,
Só para encerrar o nosso debate, travei comentário no blog O Tempora - na postagem de igual tema, escrita pelo irmão Solano - e parece-me que a contradição persiste lá como cá, com a diferença que ele, reconhecendo o decreto eterno, parece pender mais para o calvinismo.
Entendo a necessidade de se contemporizar essa incongluência, dando "uma no cravo e outra na ferradura", quando busca-se estar bem com gregos e troianos.
Concluo afirmando que um calvinista não-fatalista é sim um “tremendo herege”, justamente porque não é calvinista quando a sua teologia está contaminada com teses openteistas.

Até mais, numa outra postagem.
Kilmer

Silas Daniel disse...

Caro Kilmer,

O seu problema, na verdade, como foi demonstrado desde o princípio, é que você nem sabe direito o que é calvinismo, nem arminianismo tradicional, nem teísmo aberto. Veja só: o irmão Solano Portela não apenas é calvinista como é uma das grandes referências teológicas calvinistas no nosso país, porém só porque ele não é um calvinista fatalista o irmão já duvida da sinceridade do calvinismo dele! E mais: considerando que você afirma o absurdo de que todo calvinista não-fatalista é "um tremendo herege", logo você também está chamando o irmão Solano, que não é um calvinista fatalista, de "tremendo herege"!

Meu irmão, não conheço o irmão Solano Portela pessoalmente, mais pelo que tenho lido dele há mais de 15 anos, antes mesmo de lançar um blog, mais especificamente desde a revista "Os Puritanos" (da qual fui assíduo leitor durante anos), posso afirmar que herege ele não é. Pelo que tenho lido dele e do reverendo Augustus Nicodemus até hoje, são biblicamente ortodoxos. Minha divergência em relação a eles gira apenas em torno de pontos doutrinários secundários: sou arminiano pentecostal enquanto eles são calvinistas não-pentecostais. Não existe aqui nenhum abismo que separa um ortodoxo de um herege. Muito longe disso!

Eu, um arminiano, e o irmão Solano, um calvinista, não queremos agradar “gregos e troianos” ao rechaçarmos o fatalismo. Simplesmente, reconhecemos, à luz da Bíblia, que tal posicionamento é absolutamente antibíblico.

Kilmer, você nem sabe o que é teísmo aberto!

Você chega ao ponto de achar que o arminianismo tradicional não crê em decreto de Deus e de considerar-me um "open theist"!

Além de ser "óbvio ululante" que o arminianismo tradicional não tem nada a ver com o "open theist", este escriba foi um dos primeiros no Brasil a denunciar os equívocos do teísmo aberto.

Quando ainda não havia nenhum livro publicado no Brasil sobre esse assunto, escrevi artigos em jornal e revista em 2005 contra o teísmo aberto (jornal “Mensageiro da Paz” e revista “Obreiro”); dei entrevista em janeiro de 2007 a um popular site evangélico falando contra o teísmo aberto (leia aqui: http://www.elnet.com.br/igreja_interna.php?materia=1464); tive a oportunidade de lançar dois livros em que falo contundentemente contra o teísmo aberto em alguns capítulos, um foi lançado em 2006 (“Como vencer a frustração espiritual”) e o outro, no final de janeiro deste ano (“A Sedução das Novas Teologias”), ambos pela CPAD; escrevi neste blog contra o teísmo aberto em 10 de agosto de 2007, em uma das minhas primeiras postagens (leia aqui: http://silasdaniel.blogspot.com/2007/08/o-canto-de-sereia-do-tesmo-aberto-j.html); fui editor de uma revista de apologética cristã (“Resposta Fiel”) onde traduzi artigos de teólogos americanos escrevendo contra o teísmo aberto; tenho um programa de rádio na internet em que já dediquei um programa inteiro falando contra o teísmo aberto e já ministrei em escolas bíblicas de obreiros pelo país falando sobre teísmo aberto. E você diz que sou “open theist”!

Kilmer, sua visão teológica está extremamente "daltônica", distorcida. Recomendo ler um pouco mais sobre esses assuntos (arminianismo, calvinismo, teísmo aberto) para, da próxima vez, não cometer mais erros conceituais crassos como esses.

Silas Daniel disse...

Caros,

Uma errata, uma informação solicitada e uma reflexão interessante sobre o tema em apreço aqui.

Errata: em meu comentário de 8 de novembro, às 13h39, ao final da penúltima linha do sexto parágrafo, leia-se “...tinha a...”; ao final da quarta linha do oitavo parágrafo, faltou o sinal de interrogação (o certo é “...de audiência?”); na segunda linha do nono parágrafo, a concordância exige “procurou” em vez de “procuraram”; e no último parágrafo, na terceira linha, leia-se “...mencionei...” e na quarta linha, “...para saber se ela se candidataria...”.

Ainda errata: no meu comentário de 9 de novembro, às 14h31, na penúltima linha do terceiro parágrafo, leia-se “...para que...”; no meu comentário de 14 de novembro, às 19h56, na segunda linha do quadragésimo primeiro parágrafo, leia-se "...Nancy Pearcey..."; e no meu comentário de 15 de novembro, às 15h04, na última linha do quarto parágrafo, leia-se “...passou a ser designado, pelo Conselho, responsável por zelar”.

Informação: alguns me perguntam por email quais seriam os “muitos pontos” em que divirjo do consagrado colunista secular Reinaldo Azevedo. Ok, são eles: a minimização do que foi a Inquisição Católica Romana; a crença na tese, sustentada ainda pelo Vaticano, mas desfeita por historiadores, de que os albigenses e cátaros eram contra a procriação; o apoio à adoção de crianças por homossexuais e a condescendência com o projeto de legalização da união civil homossexual. No mais, parabenizo a esse jornalista secular e a outros, como Nelson Ascher, que têm sido corajosos em defender princípios e valores que chocam-se frontalmente com a onda mundial anticristã e do politicamente correto, e também com os absurdos ideológicos de alguns segmentos da política brasileira e internacional.

Finalmente, a reflexão: Lembram-se que alguns colunistas obamistas pregavam a tolice de que a ascensão de Obama acabaria com os atentados terroristas contra os EUA, como se a luta dos terroristas fosse contra Bush e não contra os EUA? Como se os primeiros atentados terroristas contra os EUA, inclusive os três primeiros da Al Qaeda, não tivessem sido antes de Bush ser eleito presidente? Pois é, depois que Obama assumiu, já teve vídeo da Al Qaeda contra ele e agora ocorreu o terrível atentado na Índia, com mais de cem mortos e onde os EUA foram mencionados como inimigos. Ué, mas Obama não iria fazer com que os terroristas mudassem de opinião sobre os EUA?

Aliás, recomendo um interessante artigo sobre os EUA e o terrorismo do analista político Dinesh D’Souza, traduzido pelo jovem talento assembleiano Gutierres Siqueira. Leia-o aqui: http://opus-homo.blogspot.com/2008/11/como-esquerda-levou-os-eua-para-o-119.html

Abraços a todos!