quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Conheça as frágeis justificativas de Greg Boyd (um dos maiores defensores do Teísmo Aberto) para tentar sustentar seus erros doutrinários nos EUA

O texto que analisamos a seguir foi preparado anos atrás pelo pastor e teólogo Gregory Boyd, defensor do Teísmo Aberto, por ocasião de uma Conferência Geral Batista nos EUA, quando foi questionado sobre seus ensinos. Naquela oportunidade, apesar da pressão dos batistas para que fosse excluído de sua denominação (exatamente por causa do TA), ele conseguiu permanecer nela. Mas viu a membresia da igreja a qual dirigia diminuir quase 25% depois de denunciadas suas heresias. Veja as respostas dele às objeções que lhe foram feitas naquela conferência e nossa análise sobre cada uma das respostas de Boyd (sua defesa foi traduzida por Paulo César Antunes e pode ser encontrada também no site www.arminianismo.com).
Objeção 1: A visão aberta mina a onisciência de Deus
Eu afirmo (porque a Escritura ensina) que Deus absolutamente conhece todas as coisas. Não há nenhuma diferença em meu entendimento da onisciência de Deus e do de qualquer outro teólogo ortodoxo, mas eu defendo que parte da realidade que Deus perfeitamente conhece consiste de possibilidades assim como de realidades. A diferença está em nosso entendimento da natureza do futuro, não em nosso entendimento da onisciência de Deus.
Análise: Boyd afirma que Deus conhece absolutamente todas as coisas. Porém, o que diz a seguir contradiz absolutamente sua primeira afirmação. A partir do momento que ele afirma que o futuro que Deus conhece consiste não só de realidades, mas também de possibilidades, ele está dizendo que Deus não sabe de tudo.
Diz Boyd que há coisas no futuro que para Deus são apenas possibilidades, o que significa que Deus não saberia exatamente onde essas determinadas coisas vão dar. Ele as descobriria aos poucos (o que o TA chama, numa tentativa tresloucada de tentar mostrar que ainda crêem na onisciência divina, de “onisciência em movimento”; tal “onisciência” está em contraposição à verdadeira onisciência, que o TA chama de “estática”). Para Boyd, Deus teria que esperar para ver o que realmente vai acontecer em alguns casos específicos. Porém, não é isso que a Bíblia ensina (e mais à frente vamos citar textos que mostram claramente isso). Antes, porém, detenhamo-nos um pouco mais na fragilidade dessa afirmação de Boyd.
Ao dizer que o problema não é a definição de onisciência, mas a definição de futuro, Boyd tenta camuflar sua descrença na onisciência de Deus. O problema mesmo dele é com a onisciência, mas, infelizmente, ele não é honesto para afirmar isso. Desonestamente, joga com as palavras para confundir os desatentos.
É simples: quando digo que para Deus o futuro está cheio de possibilidades (como acontece com o homem), já estou partindo do princípio de que Deus não é onisciente. Não posso mexer numa coisa sem deixar de afetar a outra. Na verdade, o que Boyd está dizendo é o seguinte absurdo: “Não estou dizendo que Deus não sabe de tudo; estou dizendo que nem todo o futuro é conhecido por Ele”. Ora, Boyd, se você está dizendo que todo o futuro não é conhecido por Deus, logo está dizendo que Deus não é onisciente!
Em alguns momentos, em seus livros e artigos, Boyd repete que acredita que Deus é onisciente e, ao mesmo tempo, diz que não acredita que “essa onisciência seja plena ou exaustiva”. Ora, o termo onisciente significa “aquele que sabe de tudo”. O prefixo “oni” determina plenitude e exaustão nesse conhecimento. Logo, dizer que alguém “não é plenamente onisciente” ou “não é exaustivamente onisciente” é dizer que esse alguém não é onisciente, porque se não é pleno, se não é exaustivo, não é “oni”. Então, é ilógico dizer “creio na onisciência divina” e ao mesmo tempo “não creio que essa onisciência seja exaustiva”. O pior de tudo é saber que há pessoas inteligentes que conseguem ler uma declaração absurda dessas sem notar o erro de lógica crasso que reside nela.
Bem, mas vamos aos textos bíblicos. Isaías 46.10 e Salmos 139.1-18 (especialmente os versículos 2 a 4) são os textos mais conhecidos dentre os que afirmam claramente a onisciência de Deus (o conhecimento exaustivo de Deus em relação a todas as coisas passadas, presentes e futuras), mas gostaria de destacar ainda Hebreus 4.13 e Salmos 31.15 e 147.5. O primeiro texto diz: “E não há criatura alguma encoberta diante dEle; antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar”. Detalhe: o vocábulo usado no original grego nesta passagem e traduzido por “patentes” é o mesmo utilizado para descrever um lutador imobilizado pelo seu oponente. Ou seja, o termo traz a idéia também de submissão total. Logo, o que o escritor da Epístola aos Hebreus quis dizer mais profundamente é que todas as coisas e acontecimentos (futuros, passados e presentes) não são apenas totalmente conhecidos por Deus, mas também totalmente submissos a Ele. E isso é confirmado no segundo texto: “Os meus tempos [passado, presente e futuro] estão nas Tuas mãos” (Sl 31.15).
Portanto, os acontecimentos passados, presentes e futuros estão todos sob o controle divino; Ele os conhece e é Ele quem permitiu que os acontecimentos passados se tornassem realidade e permite que os acontecimentos presentes e futuros se tornem realidade. Logo, não há acontecimentos futuros que sejam hoje só possibilidades para Deus, mas todos os acontecimentos futuros são realidades já conhecidas por Ele, pois é Ele que os permite (dentro de Sua vontade absoluta ou permissiva).
Finalmente, o terceiro texto diz: “Grande é o nosso Senhor, e de grande poder; o seu conhecimento é INFINITO” (Sl 147.5). Ora, o futuro para nós é apenas um conjunto de possibilidades com só algumas certezas que temos por fé em Deus e na Sua Palavra. Mas para Deus, não. O Seu conhecimento é infinito!
O Senhor não manipula nossas decisões, mas Ele já sabe o que nós, pelo nosso livre arbítrio, decidiremos a seguir e administra nossas decisões livres conforme Sua vontade absoluta e Sua vontade permissiva. Ou seja, à luz da Bíblia, para Deus, o futuro já é todo realidade, não meio-realidade e meio-possibilidade.
Objeção 2: A visão aberta mina a onipotência de Deus
Eu afirmo (porque a Escritura ensina) que Deus é onipotente. Ele é o Criador de todas as coisas e por isso todo poder deriva dele. Como todos os arminianos, eu também defendo que Deus limita o exercício de seu próprio poder para conceder livre-arbítrio àqueles que ele criou à sua própria imagem.
Análise: Em primeiro lugar, Deus não é todo-poderoso simplesmente porque todo poder deriva dEle. Pela lógica que Boyd sugere, Deus não seria na verdade todo-poderoso ao pé da letra; Ele seria apenas a fonte dos poderes que existem. Dizer que Deus é “todo-poderoso” para Boyd significaria apenas isso. Porém, a Bíblia diz que Deus é todo-poderoso porque (1) tudo está sob o controle divino e (2) ninguém pode impedir Deus quando Ele deseja operar. Ninguém! É só ler Gênesis 17.1; Jó 42.2; Lucas 1.37; Isaías 43.13; 2Crônicas 20.6 e Daniel 4.35.
Em segundo lugar: Quem disse que o arminianismo afirma que o fato de Deus criar os seres humanos com livre arbítrio significa necessariamente que Deus limitou a Sua onipotência? É o velho hábito dos teístas abertos de tentarem camuflar seus erros colocando-os desonestamente na conta do arminianismo.
Para os arminianos, Deus é mesmo onipotente, Ele tem mesmo todo o poder. Deus não limita o Seu poder por causa do livre arbítrio humano. Se fosse o livre arbítrio que salvasse, alguém poderia dizer que Boyd está certo, mas quem salva é Deus. O homem não é salvo pelo seu livre arbítrio. Este apenas possibilita-o escolher ou não a salvação que só Deus poderá efetuar em sua vida (Mt 19.25,26). E se o homem não escolhe a salvação do Onipotente, ele se perde eternamente. A vontade de Deus, em nenhum momento, se submete ao livre arbítrio humano. Nem na oração isso acontece (1Jo 5.14). O ser humano, em seu livre arbítrio, é que deve escolher a vontade divina, se não, ao final, sofrerá as conseqüências de sua decisão e nada que o homem venha a fazer posteriormente poderá reverter isso. Será sofrimento eterno. Portanto, é errado ver o livre arbítrio como uma limitação da onipotência divina, posto que o homem, dentro do seu livre arbítrio, não pode mudar Deus e, se for contra Deus, sofrerá por isso.
Objeção 3: A visão aberta mina nossa confiança na capacidade de Deus para cumprir seus propósitos
Eu afirmo (porque a Escritura ensina) que Deus pode e garantiu tudo que quis sobre o futuro, visto ser ele onipotente. Eu também afirmo (porque a Escritura também ensina) que Deus nos criou com a capacidade para amar, e por isso nos capacitou a tomar decisões de algumas questões por nós mesmos. Dentro dos parâmetros estabelecidos pelo Criador, parâmetros que garantem tudo que Deus quer garantir sobre o futuro, os humanos têm algum grau de auto-determinação. Isso significa que em relação ao destino dos indivíduos particulares as coisas podem não se mostrar como Deus deseja. Se negarmos isto, devemos aceitar que Deus na verdade deseja que algumas pessoas vão para o inferno. A Escritura nega isso (1Tm 2.4; 2Pe 3.9).
Análise: Aqui há uma meia verdade. Há a vontade absoluta de Deus e a vontade permissiva de Deus, e dentro desta última o ser humano pode tomar decisões particulares. Aí tudo bem. Os problemas estão apenas em dois pontos.
Primeiro, no fato de que a concepção de Deus do Teísmo Aberto – que apresenta Deus como não sendo onipotente (não tem todo o poder) nem onisciente (não sabe de tudo) – afeta mesmo a garantia de que Deus cumprirá tudo que diz. E o argumento que Boyd usa para dizer que isso não é verdade simplesmente não tem nada a ver com o assunto. A capacidade que Deus dá aos homens de tomarem decisões particulares não significa limitação no poder de Deus. Isso porque essas decisões particulares, fruto do livre arbítrio, não são realizadas fora da vontade de Deus, mesmo aquelas decisões que ofendem a santidade divina. Elas são realizadas dentro da vontade permissiva de Deus. Logo, Deus está no controle, Ele administra essas ações. Ele não as provocou (no caso das decisões pecaminosas), não as incentivou, não se agrada delas, mas Ele soberanamente as administra. Essas ações livres do homem não limitaram Seu poder porque estão todas elas sujeitas ao Seu poder e cada uma delas terá sua recompensa segundo o Seu poder.
Por sua vez, o segundo problema está na confusão que Boyd faz entre o desejo de Deus que todos se salvem e a onipotência divina.
O fato de o ser humano ter o livre arbítrio para rejeitar a salvação oferecida por Deus não significa que Deus, portanto, não teve o poder para salvar o ser humano (logo, Ele não seria onipotente ou, como dizem os teístas abertos, cometendo um erro de lógica, “não seria plenamente onipotente” [ora, se não é pleno já não é “oni”]). Deus pôde e pode salvar, o ser humano é que muitas vezes não quer a salvação divina e sofrerá por isso. A onipotência divina não é afetada (ou “limitada”, como dizem os teístas abertos) pelo livre arbítrio quando o ser humano recusa Deus. Ao pensar o contrário, os adeptos do Teísmo Aberto, que se dizem tão arminianos, estão usando, na verdade, uma lógica calvinista.
Muitos calvinistas argumentam exatamente assim: “Se o ser humano pode resistir, logo você está dizendo que Deus não tem o poder de salvar”. Porém, na verdade, porque o livre arbítrio permite ao homem recusar a salvação, isso não significa que o livre arbítrio implica na limitação do poder de Deus. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas o que os teístas abertos dizem é o mesmo que muitos calvinistas afirmam: que tem a ver sim. Sendo que, no caso dos calvinistas, ao criarem esse problema claramente desnecessário, eles o eliminam dizendo que o livre arbítrio simplesmente não existe, que o livre arbítrio é um “escravo”, e que o que existe mesmo é apenas uma “livre agência” que Deus deu ao homem. Já os teístas abertos resolvem o “problema” criando um verdadeiro PROBLEMA, diminuindo os atributos de Deus, diminuindo Deus, chocando-se frontalmente com a doutrina bíblica; enfim, fazendo com que Deus deixe de ser Deus.
Objeção 4: A visão aberta mina a perfeição de Deus
Eu afirmo (porque a Escritura ensina) a absoluta perfeição de Deus. Eu não vejo, entretanto, que a Escritura ensina que o futuro deve ser predeterminado, ou na mente de Deus ou em sua vontade, para Deus ser perfeito. Antes, creio que a perfeição de Deus é mais exaltada quando o entendemos ser tão transcendente em seu poder a ponto de genuinamente conceder livre-arbítrio aos agentes moralmente responsáveis.
Análise: Ora, esse é outro dos tremendos assaltos à lógica que o Teísmo Aberto pratica. O que faz Deus ser Deus, perfeito, são justamente seus atributos, que são únicos e O distinguem de todos os outros seres. Se Deus não é mais onipotente e onisciente, logo Ele não é mais perfeito. Além disso, outra vez Boyd, desonestamente, tenta vincular o Teísmo Aberto ao genuíno arminianismo, ao dizer que Deus, ao conceder o livre arbítrio, estava automaticamente limitando Seu poder e limitando Seu conhecimento. Como já vimos, o livre arbítrio do homem não implica nem em uma coisa nem em outra.
Objeção 5: A visão aberta mina a força da oração
Eu afirmo (porque a Escritura ensina) que a oração petitória é nossa mais poderosa ferramenta para realizar a vontade do Pai “na terra como no céu.” Realmente, pelo fato de minha concepção permitir que o futuro seja um tanto aberto, creio que faz mais sentido por causa da urgência e eficácia que a Escritura atribui à oração.
Análise: O nosso relacionamento com Deus não muda Deus, não altera-o conforme nossa vontade. Para o Teísmo Aberto, as ações e orações do homem afetam Deus no sentido de fazer com que a vontade dEle seja alterada. Mas não é isso que a Bíblia diz. A oração, em nenhum momento, altera a vontade de Deus. Ela é que nos leva à vontade de Deus, quando oramos com nosso coração aberto, humilde e sinceros diante do Senhor. A Bíblia diz que Deus só atende à oração que é feita segundo a Sua vontade (1Jo 5.14). A oração não muda a vontade de Deus.
O texto que Boyd usa em seu favor vai exatamente contra seu ensinamento. Jesus, na Oração do Pai Nosso, ensinou que devemos orar para que seja feita a vontade de Deus na Terra “assim como no Céu” (Mt 6.10). Ou seja, Ele estava ensinando que a oração não é para que seja feita no Céu a nossa vontade na Terra, mas para que seja feita na Terra a vontade do Céu, a vontade de Deus. Um exemplo: 2Crônicas 7.14. Nessa passagem, está claro que quando nós mudamos, aceitando a vontade de Deus para nossas vidas, Deus nos abençoa. Não é Deus que muda Seu comportamento em nosso favor, nós é que mudamos nosso comportamento em relação a Ele, nos convertemos a Ele, buscamos a Sua presença, e então Ele, que sempre quer nos abençoar, nos abençoa. Por isso costumo dizer que Deus está mais interessado em nos abençoar do que nós em sermos abençoados por Ele. A questão é nosso comportamento, não Deus.
Objeção 6: A visão aberta não pode explicar a profecia bíblica
Eu afirmo (porque a Escritura ensina) que Deus pode e determina e prevê o futuro sempre que for adequado aos seus soberanos propósitos agir assim. Mas eu nego que isto logicamente requer, ou que a Escritura ensina, que o futuro seja exaustivamente determinado. Deus é sábio o suficiente para ser capaz de cumprir seus propósitos enquanto concede às suas criaturas um grau significativo de liberdade.
Análise: Sobre a primeira parte dessa afirmação, a verdade é que o futuro pode não ser exaustivamente determinado, mas é exaustivamente conhecido por Deus, e todas as livres ações dos seres humanos que Deus permite pela Sua vontade são administradas por Ele para que não firam seus propósitos eternos.
Quanto à segunda parte da afirmação de Boyd, já falamos mais acima sobre a falácia do argumento que encontramos aqui. A liberdade de escolha do homem não tem nada a ver com limitação de poder ou de conhecimento de Deus.
Objeção 7: A visão aberta é incoerente
Alguns argumentam que é logicamente impossível para Deus garantir aspectos do futuro sem controlar tudo sobre o futuro. Esta objeção tem sido levantada pelos calvinistas contra os arminianos por séculos e não é mais poderosa contra a visão aberta do que contra os arminianos clássicos. Tudo na vida, da nossa experiência pessoal às partículas quânticas, aponta para a verdade de que o eqüilíbrio previsível não exclui um elemento de imprevisibilidade.
Análise: Já falamos sobre a falácia desse argumento também. Pelo menos aqui Boyd, de passagem, assume que o Teísmo Aberto não tem nada a ver com o verdadeiro arminianismo, cuja única coisa que tem a ver com essa história toda é ter o desgosto de ver que o TA surgiu em seu meio. O TA não é arminianismo. É distorção do verdadeiro arminianismo.
Só um detalhe: Deus controla tudo sobre o futuro? Sim. Tanto os calvinistas quanto os arminianos concordam com essa afirmação, sendo que a interpretam de forma diferente; já o Teísmo Aberto não concorda com essa afirmação. Mas, à luz da Bíblia, Deus administra as ações livres dos seres humanos.
Quanto a essa história de relacionar física quântica com a Bíblia, brevemente estarei escrevendo sobre esse assunto. Aguardem.
Objeção 8: A Escritura usada para apoiar a visão aberta pode ser interpretada como antropomorfismos fenomenológicos
Esta declara que estas passagens são uma maneira humana de falar sobre coisas que parecem ser não como elas verdadeiramente são. Entretanto, nada no contexto destas Escrituras, cobrindo uma variedade de públicos, autores e contextos, sugere que sejam. Não há nenhuma razão para ler nestas descrições das ações de Deus qualquer coisa diferente da que sua mais natural explicação. Como podem relatos sobre o que Deus estava imaginando ser fenomenológicos (Jr 3.6,7; Jr 19-20; Êx 33.17)? E do que eles seriam considerados como antropomórficos?
Análise: O “arrependimento” de Deus trata-se, sim, de uma linguagem antropomórfica para explicar a relação de Deus com o homem. Não significa dizer que Deus é como o homem. A própria Bíblia nega isso contundentemente (Nm 23.19). O antropomorfismo é um recurso lingüístico milenar que foi usado não só na Bíblia. Inclusive, nas Sagradas Escrituras encontramos muitos outros recursos lingüísticos antiqüíssimos. Desprezar esse fato é forçar uma contradição na Bíblia (compare 1Samuel 15.10,11 com 15.39, por exemplo). É claro o uso desse recurso nas Sagradas Escrituras. Não se trata de um critério usado ao bel prazer, só em algumas passagens, para atender ao gosto do intérprete da Bíblia (como dizem Boyd e outros). Não perceber esse recurso claro no texto bíblico não só é desonesto como força uma interpretação de Deus que choca-se frontalmente com todo o resto do que a Bíblia diz sobre Ele.
Arrependimento significa “mudança de atitude”. Ora, quando a Bíblia diz, em linguagem antropomórfica, que “Deus se arrependeu”, está afirmando, portanto, que Ele, por causa de nossa mudança de atitude diante dEle, mudou Sua ação sobre nós, não Sua vontade.
Deus não muda. Ele continua sendo o que sempre disse que era. Nós é que muitas vezes deixamos de ser ou fazer e, à medida que mudamos, Sua ação sobre nós também muda. Não Sua vontade. Deus está sempre no mesmo lugar, nós é que nem sempre estamos no mesmo lugar onde Ele está (Sua vontade). Ele não muda, nós é que mudamos e sofremos as conseqüências naturais disso. Suas ações mudam na medida em que nós saímos do lugar em que Deus sempre esteve e nunca vai sair (Ml 3.6). E os textos que Boyd cita não contradizem isso. No último texto bíblico citado, lembremos que todas as orações de Moisés que Deus atendeu foram dentro da Sua vontade, não contra a Sua vontade.
Objeção 9: A visão aberta diminui a soberania de Deus
Pelo contrário, ela exalta a soberania de Deus. Após descrever um iminente julgamento, o profeta Joel afirma, “Ainda assim, agora mesmo diz o SENHOR: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto. E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal. Quem sabe se não se voltará e se arrependerá, e deixará após si uma bênção...” (Jl 2.12-14).
Análise: Bem, já vimos que não exalta. Pelo contrário, diminui Deus. E o texto que Boyd cita não o ajuda. A interpretação desse texto é clara e pode ser feita facilmente à luz do que já explicamos principalmente nas análises às respostas dele às objeções 5 e 8.
Como vemos, os argumentos de Boyd são um exemplo clássico de como um discurso envernizado e com tom piedoso pode esconder terríveis erros doutrinários e de lógica que só enganam os mais desatentos. Sejamos como os bereanos (At 17.11).

27 comentários:

Marcos disse...

Caro pastor Silas, precisamos desmascarar esses propaladores de falsas teologias. Eliú disse que Deus é quem tem "perfeito conhecimento" (Jó 37.16), e João disse que Deus "sabe todas as coisas" (1 Jo 3.20). Deus é infinito, e somente quem é infinito pode conhecer plenamente a si mesmo (como Deus conhece) e a todas as coisas reais e possíveis. O escritor aos Hebreus afirmou categoricamente: "Não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patente aos olhos daquele com quem temos de tratar" (Hb 4.13). Boyd que se cuide!
Deus está sempre plenamente ciente de tudo. Ele conhece tudo em um só ato, de uma vez, e não precisa parar para pensar como será o futuro. O conhecimento de Deus não é sucessivo como o do homem. Deus conhece tudo de forma perfeitamente simultânea.
Quanto ao poder de Deus... Que Boyd um dia possa experimentá-lo.

Um forte abraço do pastor Marcos Tuler

Silas Daniel disse...

Pastor Marcos,

Concordo com você. E é importante frisar também que chamar as coisas pelos seus verdadeiros nomes (isto é, chamar heresias de heresias) não é sinônimo de falta de amor. Sei que isso é óbvio demais, mas faço questão de destacar isso aqui porque os defensores do Teísmo Aberto, todas as vezes que têm suas heresias desmascaradas, fazem-se desonestamente de vítimas. Dizem que estão sofrendo uma “inquisição”, que estão sendo perseguidos, etc, querendo fazer crer que os críticos de seus ensinos estão sendo impiedosos e desonestos. Na verdade, eles não querem que os outros percebam que realmente estão errados em suas afirmações e por isso apelam usando o discurso de vítima, procurando, assim, tirar o foco do fato de que estão ensinando heresias terríveis, que chocam-se frontalmente com a Palavra de Deus.

Chamar as coisas pelos seus verdadeiros nomes é honestidade e responsabilidade (no caso de heresias, responsabilidade principalmente com a Palavra de Deus). Alertar para o erro é uma demonstração de amor. É isso que estamos fazendo neste blog, e com certa continuidade, para que os que ainda têm alguma dúvida sobre o assunto logo a vejam dissipada.

Um abraço, pastor Marcos!

Victor Leonardo Barbosa disse...

Olá pastor Silas..
infelizmente essa visão defeituosa de Deus foi adotada por Boyd, a parte de Deus não conhece o futuro é absurda, sem contra na parte da onipotência.
uma vez debati com um amigo que defendia a onisciência dupla de Deus. Ou seja, Deus conhece dois futuros(um exemplo, você no céu e você no inferno), cabe a você decidir qual deles seguir.
O debate foi caloroso mas graças a Deus hoje ele pensa diferente.
Parabéns pelo artigo pastor Silas.
Abraços e Paz do Senhor!!!

Silas Daniel disse...

Olá, Victor!

Essa história de "onisciência dupla" é outro jogo de palavras do Teísmo Aberto. É a falaciosa "onisciência em movimento", de que fala Boyd. É a história de que algumas coisas em relação ao futuro Deus conhece apenas como "possibilidades" e só vai conhecê-las como "realidades" aos poucos, mais à frente. Ou seja, Deus, segundo esse pensamento, pode ser pego de surpresa em alguns momentos.

O que esse povo não percebe é que, a partir do momento que o conhecimento de Deus sobre determinadas coisas é paulatino, em movimento, ou dúbio (pois também trabalha com possibilidades, não só com certezas), Deus já não é mais onisciente; Deus já não sabe mais de tudo. Por isso, não adianta falar de "onisciência tipo X" ou "onisciência tipo Y" porque já não existe onisciência. Só para enganar os incautos, os desatentos e bobos, eles afirmam que crêem na onisciência de Deus, "porque é bíblica, etc", mas, na prática, negam a onisciência divina. O nome disso é desonestidade, ludíbrio.

Que o Teísmo Aberto tenha vida curta no Brasil, para o bem da Igreja em nosso país.

E que bom saber que você pôde trazer um irmão de volta ao eixo da Palavra de Deus! É isso aí, Victor!

Um abraço!

Paulo Silvano disse...

Caro pastor Silas Daniel,

Parabens pela forma como postou, facilitando a confrontacao dos textos.
Permita-me apenas um comentario: Talvez tenha passado desapercebido que o Boyd nao nega em nenhum momento a onipotencia de Deus; o que afirma eh que
"Deus limita o exercicio de seu proprio poder para conceder livre-arbitrio aqueles que ele criou aa sua propria imagem".
Quando diz que Deus limita o EXERCICIO nao esta dizendo que se ESVAZIA do Seu poder. Essa relacionalidade eh proposicao basica no arminianismo, que assume Espirito de Deus pode ser resistido pelo homem. Se Deus pode ser resistido pelo homem, Ele soh permite porque, quando soberanamente quer, abre mao do EXERCICIO do seu poder para permitir que eu, sem a sua imposicao, seja livre para escolher. O salmista continua com toda a razao: "Uma vez Deus falou, duas vezes ouvi, que o poder pertence a Deus" Salmo 62:11.

Um abraco,
Pr Paulo Silvano

Silas Daniel disse...

Caro pastor Paulo Silvano,

Obrigado pela oportunidade que o irmão me concede de tocar em um assunto muito importante, mas pouco falado, e que diz respeito a outro equívoco do Teísmo Aberto. Trata-se da questão do “esvaziamento” de Deus ou Teoria de Kenosis. Essa teoria começa com a afirmação de que Jesus, quando estava aqui na Terra, limitou seus atributos naturais, tais como onisciência e onipotência. Essa teoria baseia-se em uma frágil interpretação da passagem de Filipenses 2.7, que diz que Jesus “esvaziou-se” ou “aniquilou-se a si mesmo”.

No original grego, o termo usado nessa passagem de Filipenses é "ekenõsen", daí o nome da teoria. Por extensão, os defensores do Teísmo Aberto, entre eles Greg Boyd, afirmam que esse “esvaziamento” (compreendido por eles, repito, como auto-limitação de atributos) não se deu apenas na encarnação de Cristo, mas também em outros momentos da História, como nos casos dos supostos arrependimentos de Deus (digo “supostos” porque, como todos devemos saber, para o TA, as referências bíblicas a Deus “arrepender-se” não se tratam de antropomorfismo, o que já falamos na postagem acima). Deus, então, segundo o TA, para se relacionar com o ser humano, para “respeitar o livre arbítrio”, de vez em quando se “esvazia” de seus atributos ainda hoje, isto é, limita Seus atributos ou o EXERCÍCIO de Seus atributos.

Ora, essa teoria é de uma fragilidade enorme, isso porque ela já nasceu apoiada em uma miragem, em uma base que não existe. O próprio versículo usado para, sobre ele, ser erigida essa teoria simplesmente desaprova-a. Filipenses 2.7 não está dizendo que Jesus esvaziou-se de seus poderes divinos (ou em relação a eles), mas sim da sua glória, isto é, da Sua “dignidade divina”; nesse sentido, Jesus “tornou-se a si mesmo insignificante” (aqui estou usando duas expressões emprestadas dos teólogos James Packer e Bruce Milne). Jesus se esvaziou de sua glória celeste, não de seus atributos. Os atributos de Jesus continuavam com Ele e em plena atividade. Há muitas passagens nos Evangelhos que provam que seus atributos estavam em plena atividade.

É isso que o texto de Filipenses diz claramente, inclusive frisando-o em expressões como "tomando a forma de servo".

Se Jesus se apresentasse com toda a sua glória, ninguém viveria, porque, como Deus disse a Moisés, ninguém pode ver a Sua glória e viver (Êx 33.18,20). Logo, Jesus vem despido, esvaziado, de sua glória. Mas não de sua divindade! (pois isso significaria a perda, mesmo que momentânea, de sua divindade, o que não tem base na Bíblia)

Pode parecer forte atribuir a idéia de que Jesus "esvaziou-se de sua divindade" aos adeptos do TA, mas essa é a conclusão lógica de seus pressupostos.

O TA não percebe que ao dizer que Jesus esvaziou-se no sentido de seus atributos está esvaziando a divindade de Jesus, está dizendo que Jesus encarnado não era plenamente Deus; quando Jesus, segundo a Bíblia, era 100% homem e 100% Deus. Esvaziar-se de seus atributos significaria necessariamente despir-se de sua divindade. Logo, Jesus não seria plenamente Deus.

Quando encarnou, Jesus não renunciou ou limitou Suas funções e atributos divinos. Esse princípio da cristologia bíblica foi bastante defendido, à luz da Bíblia, pelos reformadores ainda no século 16 e consiste no fato de que, enquanto Jesus estava aqui na Terra, Ele continuava com suas funções de sustentador de todas as coisas (Cl 1.17 e Hb 1.3). Jesus também permaneceu superior aos anjos, porque, mesmo sendo homem, continuava sendo o que sempre foi e será – Deus (Mt 26.53 e Hb 1.4-13).

O esvaziar-se não foi em relação à sua divindade, mas em relação à sua glória. E esvaziar-se em relação a seus atributos significaria esvaziar a sua divindade, pois são esses atributos que fazem Deus ser Deus. São esses atributos naturais que O distinguem, e eles são destacados em toda a Bíblia.

Logo, se Deus limita o EXERCÍCIO do seu poder, ou seja, se Ele LIMITA O SEU PODER, Ele limita seu próprio Ser.

Percebe agora as implicações terríveis dessa lógica do TA, que são camufladas por terminologias bonitinhas, mas que, sob uma análise atenta, à luz da Bíblia, logo revelam-se frágeis e perigosas?

Sobre a relação livre arbítrio e onipotência divina, já falei muito na postagem, ao rebater o ponto 2 da defesa de Boyd. Resumindo: uma coisa não afeta necessariamente a outra. Os calvinistas, porém, dizem que sim, que afeta (por isso preferem o conceito de “livre agência” em vez de livre arbítrio). E o TA também diz que sim, e aqui está a única concordância entre os calvinistas e os teístas abertos. Porém, a “solução” proposta pelo TA é perigosa por chocar-se frontalmente com a Bíblia.

Os arminianos, ao contrário dos dois, dizem que um fato (onipotência divina) pode conviver e coexistir plenamente com o outro (livre arbítrio), sem contradição. Os calvinistas, por acharem que não, resolvem o “problema” diminuindo o livre arbítrio, substituindo-o pela idéia de “livre agência”. Eles não diminuem Deus. Os teístas abertos, por sua vez, resolvem o “problema” criando um PROBLEMA, pois resolvem-no diminuindo a onipotência de Deus.

O Teísmo Aberto, por mais que Boyd tente camuflar (lembremos que ele produziu esse texto tentando escapar desesperadamente do título de “herege”), diminui, sim, a onipotência divina.

Mais uma vez, obrigado pela sua participação, que enriqueceu nossa abordagem do assunto.

Um abraço!

Pastor Geremias do Couto disse...

Caro Silas Daniel:

Parabéns, mais uma vez, pela sua forma bíblica de abordar o Teísmo Aberto. Digo-o desta maneira porque você não fica no terreno das idéias, mas embasa seus argumentos nas Escrituras.

Tenho acompanhado vivamente essa discussão em vários blogs e gostaria até mesmo de escrever alguma coisa a respeito (talvez o faça, ainda), na esperança de que os defensores do TA, fizessem no campo da sua teologia o que você fez com essa postagem: confrontassem ponto por ponto as minhas teses com argumentos bíblicos.

Mas o que tenho visto, até agora, entre todos os defensores do TA que postam nos blogs, sem exceção, é o uso de respostas evasivas e periféricas, conceitos abstratos, oblíquos, ambíguos e contraditórios na própria forma de cnceituar, onde uma definição contradiz a outra, como você "exaustivamente" provou, confrontando cada um desses pontos confusos defendidos por Boyd.

Também pudera: os defensores do Teísmo Aberto estão mesmo impedidos de usar a Bíblia como fonte de reflexão. Segundo pensam, aqueles que a escreveram se contradizem entre si, e há, entre os adeptos do TA, até quem pense que a história narrada no livro do profeta Jonas é uma lenda.

Na verdade, o Teísmo Aberto nada mais é do que teologia liberal vestida com uma imagem piedosa para iludir os incautos.

Avancemos, amigo, em nossa luta para que a verdade bíblica prevaleça.

Um abraço.

Silas Daniel disse...

Pastor e amigo Geremias,

Concordo com você "em gênero, número e grau". Um bom tempo atrás, li um texto de um famoso adepto do Teísmo Aberto aqui no Brasil (e que prefere o termo Teologia Relacional a TA) que dizia simplesmente que há passagens da Bíblia, como os primeiros capítulos de Gênesis, que têm uma "linguagem mítica" e se forem lidas "de forma literal" perderão a razão de ser. Segundo ele, essas passagens "são apenas poesia, não podem ser aceitas do ponto de vista científico"; "são narrativas simbólicas da história, narrativas míticas e poéticas".

Ora, o próprio Jesus afirmou que os primeiros capítulos no livro de Gênesis eram para serem lídos não como metáforas, mas como a narração de fatos históricos. Jesus afirmou que Adão e Eva eram literais, inclusive citando a história do casal como base para seu ensino sobre casamento (Mt 19.4,5).

O apóstolo Paulo enfatizou a literalidade dos primeiros capítulos de Gênesis. É simplesmente impossível aceitar a autoridade de Romanos 5 sem que a história da Queda, narrada em Gênesis, seja verdadeira. Nesse capítulo há um contraste claro entre Adão e Cristo, e se Este era um indivíduo histórico, Adão também o era. Paulo também fala de Adão e Eva como literais em 1Timóteo 2.13,14.

O apóstolo João, em Apocalipse, fala do Diabo como sendo a antiga serpente, numa referência direta a Gênesis 3 (Ap 20.2).

O apóstolo Paulo falou da história de Noé e da Arca como sendo verdadeira (2Pe 2.5). O Senhor Jesus também (Mt 24.38,39). Adão e Enoque foram citados por Judas como reais (Jd v.14).

E o tal teísta aberto (ou téologo relacional), depois de tudo isso, ainda diz que os primeiros capítulos de Gênesis são mito! Conclusão lógica a que chegamos: Parece que ele não crê na Bíblia.

Aliás, o mesmo teólogo relacional disse ainda que "a Bíblia não é homogênea" e que "há muitas contradições na Bíblia". Disse ainda que, por isso, não podemos crer em todas as afirmações que os escritores bíblicos fazem sobre Deus, pois, se eles são contraditórios, logo sua apresentação de Deus é contraditória. E, finalmente, concluindo seu raciocínio, o tal teólogo relacional disse que, por causa disso, "a essência de Deus continua sendo um mistério" e "a única coisa" que sabemos sobre Ele de concreto (como não dá para confiar nos autores da Bíblia) é que Ele se preocupa com o ser humano. Só isso. "Toda especulação sobre o ser absoluto de Deus deve ser considerada apenas especulação", arremata. Ou seja, ele chama afirmações bíblicas claras sobre Deus (seus atributos, por exemplo) de "especulação", não como "revelação divina". Pergunto: Esse homem crê mesmo na Bíblia?

Outra pergunta: Se eu não confio nas afirmações bíblicas sobre Deus, vou confiar em quê? Na filosofia? Na razão humana? Se for assim, todos os pastores e crentes dedicados a conhecer mais a Deus deveriam abandonar suas Bíblias (que não são confiáveis) e estudar filosofia. E não é à toa que foi exatamante isso que os teístas abertos começaram a fazer aos poucos. Foram deixando a Bíblia de lado e enchendo suas mensagem pregadas e escritas de citações de teólogos liberais, filósofos e pensadores seculares, muitas vezes ateus. No máximo, a Bíblia era citada só como ponto de partida.

Não me admira que o outro adepto da Teologia Relacional, ao qual você se referiu, diz que a história de Jonas e "o grande peixe" é lenda. Os dois abraçam as mesmas idéias. Que pena!

Teísmo Aberto é, como você bem afirmou, teologia liberal das mais grossas, só que com um verniz de piedade por cima. Mas, continuamos nessa luta para que a Verdade prevaleça. Em nome de Jesus!

Um abraço!

Gutierres Siqueira, 18 anos disse...

A paz do Senhor,pr. Silas Daniel.

Os adeptos da Teologia Relacional desprezam toda uma herança teológica dizendo que é uma ortodoxia morta, ou chamam essa riqueza bíblica, de idéias fúteis dos irmãos do norte(referindo a teoloia norte-amaricana). Como poderemos desprezar essa rica herança de Paulo, Tertuliano, Agostinho, Aquino, Lutero, Calvino etc. É muita arrogância!
Os teístas abertos esquecem que a teologia-filosofia deles é, também, importada. Porém é um produto de má qualidade!
Os grandes teólogos não são a Bíblia, mas desprezar o que eles tem de bom, é jogar fora o embasamento bíblico deles.

Pr. Silas continue em sua caminhada apologética.

Gutierres Siqueira
www.teologiapentecostal.blogspot.com

Bruno Barreira disse...

Olá Silas,

Achei seu blog muito interessante. Está de parabéns. Qaunto a este assunto, não tive como não deixar um comentário. Afinal, é algo que já me pertubou bastante. Veja com atenção e comente, por favor. Vamos lá:

Talvez seja ingenuidade da minha parte, mas acredito que o grande problema de Boyd possa estar relacionado a uma questão central de predestinação do indivíduo. Algo que ele parece combater de todas as formas, a ponto de cometer heresias. Melhor explicando: vejo que existe um grande conflito na mente de Boyd em aceitar a existência do livre-arbítrio pleno do ser humano em coexistência com um Deus que, de antemão, já sabe de todas as coisas que irão acontecer na vida de qualquer pessoa.

Ou seja, o grande questionamento me parece que é o seguinte: “do que me serve o livre-arbítrio e ter a possibilidade de conhecer mais de Deus se ELE mesmo já sabe que, no final, vou para o inferno?”. Em outras palavras, “Deus já sabe de todo o meu futuro exaustivamente, portanto, se ele já conferiu que vou para o inferno, não me adianta de nada estar hoje na igreja. Ele já sabe que vou desviar e pronto”. Ou seja, não há saídas, não há possibilidades e, de fato, parece não existir salvação para este indivíduo desde os tempos imemoriais, mesmo que ele procure, pois Deus já sabe que, em algum momento, ele irá tropeçar.

Assim, Boyd parece acreditar desesperadamente que, mesmo que a rota atual de um indivíduo o esteja levando para o inferno, o seu futuro não está determinado. Ou seja, Deus deixou “possibilidades abertas”, apontando que o Senhor ainda não deu nenhum “veredicto” sobre o assunto e também aguarda que a pessoa possa escolher o caminho certo. Acho que o grande conflito é este. Mas por causa disso, o Teísmo Aberto acabou cometendo heresias absurdas e, em alguns pontos, levianas demais para quem já leu a Bíblia por completo.

Interpreto desta forma porque essas questões também já me perturbaram bastante. Afinal, sou completamente contra o Calvinismo, uma doutrina que não dá para aceitar de forma alguma. Mas confesso que o Arminianismo ainda não conseguiu me responder todas as questões com clareza, porque se posso escolher entre a benção e a maldição, como pode ser o meu futuro exaustivamente determinado e conhecido? Isso realmente embola a minha cabeça. Afinal, se Deus não sabe todo o meu futuro exaustivamente, volto para o ponto que nega a onisciência de Deus.

Enfim, é demais para minha cabeça....rsrsrs. Como já li toda a Bíblia, graças a Deus, sei muito bem que o Teísmo Aberto é um erro grosseiro, mas também não encontrei explicações completas no Calvinismo ou no Arminianismo. Resolvi esquecer esses papos de teólogos, descansar no Senhor e confiar na Sua fidelidade. Hoje, minhas orações são para que o Espírito Santo jamais desista da minha vida até o momento em que possa estar no céu, mesmo com todas as minhas falhas humanas.

Minha conclusão final é: não posso e jamais poderei esquadrinhar a enorme sabedoria e transcendência divina. Portanto, só me resta adorar ao Senhor e ser submisso. O resto... só embola a minha cabeça. Ou talvez não conheça o arminianismo de forma suficiente.

Sem querer abusar, gostaria de ver um novo artigo analisando esta questão central que apresentei aqui, a luz do arminianismo. Afinal, se posso escolher entre a benção e a maldição, como pode estar determinado o meu futuro exaustivamente? Como disse, eu já desisti de tentar responder isso... Veja que isso, na verdade, não tem nada a ver com Teísmo Aberto. É uma questão central que, há muito tempo, leva a grandes divisões teológicas, como a existente entre o Calvinismo e o Arminianismo, e pode ser o embrião que originou a heresia do Teísmo Aberto.

Silas Daniel disse...

Caro Gutierres,

Infelizmente, o Teísmo Aberto, na prática, despreza totalmente essa herança teológica, mas o principal problema (e é importante que isso seja frisado aqui mais uma vez) não é o desprezo à herança teológica. O Teísmo Aberto contrapõe-se a pontos fundamentais da Bíblia, pontos que são consenso tanto para os arminianos quanto para os calvinistas justamente porque estão claros na Palavra de Deus. São pontos sobre os quais não há o que se debater, pois debatê-los significaria simplesmente não crer naquilo que a Bíblia fala claramente. Falo da onipotência de Deus e da onisciência de Deus, por exemplo. Isso está acima de Lutero, Calvino, Agostinho, Tertuliano e tantos outros mais.

Sobre a importação de teologias de fora, é aquilo que eu já falei: esse povo criticou tanto a Teologia da Prosperidade e a Confissão Positiva, que são bizarrias teológicas terríveis e importadas, e aceitaram o Teísmo Aberto, outra bizarria teológica, só porque ela vem numa embalagem muito mais atraente: verniz filosófico, embrulho piedoso e por aí vai.

Oro para que os proponentes do TA em nosso país tenham o discernimento para perceber os erros desse ensinamento e a humildade para voltar ao equilíbrio doutrinário. Lembrando que isso, obviamente, não os diminuiria em nada.

Um abraço, Gutierres!

Silas Daniel disse...

Olá, Bruno! É um prazer vê-lo aqui pela primeira vez!

Meu amigo, em parte você está certo. Nunca entenderemos perfeitamente a mecânica da Salvação (só quando chegarmos no Céu). E, aliás, nem precisamos entendê-la para sermos salvos. Precisamos entender apenas a mensagem da Salvação e aceitá-la para sermos salvos. Daí que alguém pode ser calvinista ou arminiano e ser salvo, e ser também um grande homem de Deus, como já tivemos na História: Jonathan Edwards (calvinista), John Wesley (arminiano), Abraham Kuyper (calvinista), William Joseph Seymour (arminiano), Spurgeon (calvinista) e A. W. Tozer (arminiano), dentre outros.

O arminianismo e o calvinismo são tentativas de entender a mecânica da salvação. Como você já sabe, sou arminiano, porque acredito que o arminianismo é a visão que melhor compreende a mecânica da Salvação à luz das pistas que a Bíblia nos dá sobre o assunto. Outros preferem o calvinismo. O único problema está no radicalismo em torno dessas correntes.

O radicalismo calvinista leva o crente ou a achar que os irmãos arminianos são hereges ou ao fatalismo; e o radicalismo arminiano leva o crente ou a achar que os irmãos calvinistas são todos hereges ou ao Teísmo Aberto.

Brigas entre calvinistas e arminianos desonram a Deus. E o fatalismo e o TA também, pois são dois extremos que ofendem a Bíblia. Nasceram do debate doentio entre arminianos e calvinistas para ver quem realmente tem a melhor visão. No calor do debate, alguns dos dois lados radicalizaram e, asssim, feriram a Bíblia. Foram além da Bíblia ou atropelaram a Bíblia.

Ora, além da luta entre calvinistas e arminianos ser inglória, no calor do debate, sempre surgem os que radicalizam.

Finalmente, sobre suas questões, dois detalhes devem ser ressaltados.

Primeiro, lembre-se que esse texto do Boyd foi escrito na ânsia desesperada de escapar do título de "herege", por isso ele apresenta o Teísmo Aberto com argumentos que, para o mais desatento ou para quem não conhece a fundo o Teísmo Aberto, parecem bíblicos. Boyd esconde sutilmente suas heresias. Ele não está sendo totalmente claro aqui, por isso usa de subterfúgios, como você pode ver na análise que faço, por exemplo, da resposta dele à primeira objeção.

Em segundo lugar, lembre-se que, em nossa análise, não afirmamos que Deus determina tudo exaustivamente (quem afirma isso são os calvinistas; lembre-se que somos arminianos). O que afirmo é que Deus conhece, sim, tudo exaustivamente, e isso em nada se opõe ao livre arbítrio. O fato de Deus saber de tudo não impede o livre arbítrio do homem. Deus apenas sabe as decisões que o homem livremente irá tomar. Ele não força as decisões do homem. E o fato de Deus não determinar tudo não quer dizer que Ele não seja onipotente. Para o TA, não. Deus teria que limitar o Seu poder e a Sua onisciência para que o livre arbítrio não fosse ferido. É uma lógica absolutamente desnecessária. Deus não precisa limitar Seu poder nem Seu conhecimento. Deus não precisa deixar de ser Deus, ser diminuído, para que o livre arbítrio exista plenamente. Deus sabe de tudo e permite a liberdade do homem, mas essa liberdade não deixa de receber sua paga mais à frente. A liberdade é um dom de Deus e todo dom que recebemos de Deus devem ser exercidos com responsabilidade. Deus cobrará de nós pela mordomia da nossa liberdade, pela forma como aproveitamos nossa liberdade (é isso que significa dizer que Deus administra soberanamente nossa liberdade).

No mais, obrigado por sua reflexão, que encorpou a nossa.

Um abraço!

Bruno Barros disse...

OK. Mas ainda tenho dúvidas. Vamos deixar a grosseria do TA de lado e falar mais sobre esta questão central que expus aqui. Quero insistir um pouco mais nesse assunto, porque me parece que o que acontece de diferente entre a interpretação Arminiana e a Calvinista sobre este ponto central é mais uma troca de palavras do que outra coisa... Como assim? Ora, o Calvinismo diz “Deus determinou tudo, na vida de qualquer um, desde os tempos imemoriais” e o Arminianismo diz “Deus conhece, sim, tudo exaustivamente, sabe quais serão todas as decisões que o homem livremente irá tomar”.

Ora bolas, no fundo não é a mesma coisa? Basta retirar a palavra “determinou” do Calvinismo e pronto. Afinal, se Deus já sabe exatamente e exaustivamente qual será o meu final, no fundo, não deixa de estar determinado. Ele já sabe e pronto, não adianta interceder, chorar, gritar, se revoltar. Ele já sabe que vai terminar daquele jeito e pronto! Isso significa que, mesmo com o livre arbítrio, o futuro já é conhecido e, portanto, não deixa de estar escrito (determinado) de alguma forma, porque ele (o futuro) já é conhecido por Deus. Neste sentido, qual é a diferença do Calvinismo com o Arminianismo? Um diz que tudo é conhecido exaustivamente e o outro, determinado. No fundo, dá no mesmo.

O que podemos entender, então, é que, na verdade, realmente já está determinado (ou conhecido) quem será salvo ou não.

Silas Daniel disse...

Caro Bruno,

Esse ponto em que você quer se deter um pouco mais é justamente o ponto principal de toda discussão entre arminianos e calvinistas. Ao insistir nesse ponto, vamos reiniciar aqueles debates que já remontam séculos entre arminianismo e calvinismo. Como você sabe, sou arminiano, e isso significa dizer que, ao ler a Bíblia, percebo que as afirmações do arminianismo sobre a mecânica da Salvação encontram muito mais apoio nas Sagradas Escrituras do que as afirmações do calvinismo. Os calvinistas acham que não, e inclusive interpretam diferentemente algumas passagens bíblicas ressaltadas pelo arminianismo e o arminianismo, por sua vez, faz o mesmo – interpreta de forma diferente as passagens citadas pelos calvinistas para sustentarem sua posição. Mas, repito, a interpretação sempre é em torno de textos que falam sobre a mecânica da Salvação. Apenas sobre a mecânica.

Outro detalhe é que concordo com você que a lógica calvinista incorre em perigos (o fatalismo, no caso). Há calvinistas, porém, que hoje estão muito mais precavidos quanto a isso, são muito mais equilibrados em suas afirmações. Poderia citar-lhe exemplos de como existe hoje essa preocupação clara, mas o espaço e o tempo não permitem.

Finalmente, quero concluir reenfatizando que não vejo que o fato de Deus saber exaustivamente de tudo signifique necessariamente que Ele já determinou tudo. Isso é uma conclusão forçada. Sinceramente, não há porque pensar assim. Saber tudo não é determinar tudo, ainda mais que quem sabe de tudo é Deus, que tem todo o poder, é verdade, para, se quiser, determinar tudo, mas lembre-se que Deus não é só onipotente. Ele é justo e Seus atributos coexistem com Seu caráter e se manifestam conforme o Seu caráter. Deus não pode fazer nada que contrarie Seu próprio caráter. Só para exemplificar: Deus não pode mentir nem ser injusto. Ora, se fosse outro ser que soubesse de tudo exaustivamente e detendo, ao mesmo tempo, todo o poder, dava para questionar se ele seria justo, daria para suspeitar. Mas, sendo esse ser que sabe tudo e pode tudo o Deus da Bíblia, que é justo em sua essência, não dá para suspeitar que Ele forçaria as decisões de suas criaturas em termos de Salvação.

Os calvinistas dizem que Deus poderia determinar, sim, a salvação para alguns e a perdição para os outros sem ser injusto, uma vez que todos os seres humanos não merecem a Salvação. Se ninguém merece e Deus graciosamente quer salvar uns e não outros dentre todos que não merecem, Ele não seria injusto. Logo, o que o homem teria, na verdade, é uma “livre agência” e não um livre arbítrio. Porém, à luz da Bíblia, entendo que a liberdade que Deus deu ao homem não é uma mera “livre agência”, mas, sim, um livre arbítrio mesmo, e sendo livre arbítrio, voltamos ao que afirmei no final do parágrafo anterior. Por isso, podemos dizer também que a grande questão entre arminianos e calvinistas gira em torno da conceituação do que é, à luz da Bíblia, essa liberdade que Deus deu ao homem: livre arbítrio mesmo ou “livre agência”? Para mim, como já afirmei, é claramente livre arbítrio.

A interpretação arminiana é, para mim, claramente a mais correta. E não só eu acho isso: a maioria esmagadora dos evangélicos do mundo (cerca de 80% são arminianos). Mas não posso dizer que os calvinistas são hereges, posto que, em sua interpretação, a onipotência e a onisciência de Deus (que são verdades bíblicas) são respeitadas, bem como a justiça e o amor de Deus (mas por outras vias de interpretação dos textos bíblicos, e que não acho as melhores).

É isso, Bruno. Tentei, o máximo que pude, resumir um assunto tão vasto desses em um único comentário. Tomara que tenha conseguido, e de forma inteligível e esclarecedora.

Um abraço!

Pastor Geremias do Couto disse...

Caro Bruno:

Deixe-me entrar neste debate com uma ilustração tosca, mas que, talvez, ajude no entendimento desses dois pontos vitais do calvinismo e do arminiansimo.

Pense que você está numa montanha e de lá tenha uma visão panorâmica de um imenso vale, com todos os seus caminhos, por onde passam e aonde chegerão. Antes de você subir, contudo, pré-determinou que as pessoas seguissem as rotas que você de antemão escolheu e chegassem nos destinos já pré-estabelecidos, sem qualquer possibilidade de escolha. De onde você está, vê todos os movimentos e sabe qual será o resultado final não apenas pela visão privilegiada, do topo do monte, mas também em virtude de ter pré-determinado a rota. Isso é calvinismo.

Imaginemos a mesma cena, com uma única diferença. Você não pré-determinou nada, mas do alto da montanhe vê por onde as pessoas caminham, e sabe, em virtude da visão privilegiada, alcançando todos os ângulos possíveis do horizonte, aonde elas chegarão, sem que, todavia, interfira em suas escolhas. Mas aí você me objeta e diz? "Ok. mas e se as pessoas resolverem livremente dar meia-volta e tomarem outra direção? Fica então aberto para se aceitar o tão propalado conceito das possibilidades que podem alterar o futuro". Eu respondo: "negativo". Por quê? Porque Deus não só vê e conhece o futuro, do alto de sua visão privilegiada, mas sobretudo conhece as intenções do coração humano. Deus sabe o que se passa em nosso interior. Só ele "sonda os rins", na expressão do salmista. Isso é arminianismo.

Quanto ao mais, basta aos que crêem a soberania de Deus. Se lhe retiramos esse atributo, ele se torna como qualquer outro ser humano e nos tornamos também iguais a ele. Mas esse caminho já foi proposto algum tempo atrás, pela serpente, e você viu no que deu!

Um abraço.

Silas Daniel disse...

Pastor Geremias, obrigado pela ilustração! Ela não é perfeita, como o irmão mesmo já adiantou, mas pelo menos nos mostra panoramicamente a diferença entre as visões arminiana e calvinista.

Bruno, todas as coisas no passado, no presente e no futuro estão igualmente patentes diante de Deus (Hb 4.13; Sl 31.15). Deus conhece todas as nossas intenções hoje e todas as nossas futuras intenções. Lembremos de Salmos 139.2-4: "...de londe entendes o meu pensamento... conheces todos os meus caminhos. Sem que haja uma palavra na minha língua, eis que, ó Senhor, tudo conheces". Portanto, o futuro não é composto de realidades e possibilidaes para Deus, mas só de realidades. O futuro é de possibilidades apenas para nós (as únicas realidades que sabemos em relação ao futuro são aquelas que Deus já nos revelou pela Sua Palavra).

Deus conhece as decisões livres que iremos tomar no exercício bom ou mal do dom da liberdade que Ele nos deu, e Ele irá nos julgar pela mordomia correta ou não da nossa liberdade. No caso daqueles que recusaram o Evangelho, receberão a recompensa de sua escolha: viver eternamente longe de Deus. No caso dos que aceitaram o Evangelho, Deus os cobrará também, no chamado "Tribunal de Cristo" (não confundir com Juízo Final), quando cada crente receberá um "galardão" conforme suas obras no Reino de Deus.

Ainda sobre o fato de Deus saber exaustivamente de todas as nossas escolhas presentes e futuras e, mesmo assim, não interferir em nossas decisões, é preciso também lembrar os conceitos bíblicos indispensáveis da vontade absoluta de Deus e da vontade permissiva de Deus. Deus permite nossas escolhas livremente. Ele não as força, mas Ele cobrará, ao final, pelas decisões que tomamos. Isso é o que queremos dizer quando afirmamos que Deus administra nossa liberdade. Nenhum ato livre do ser humano deixará de ter sua recompensa, pois Deus administra nossa liberdade. Ele é soberano para condenar ou recompensar nossos atos livres conforme Sua vontade, e, em alguns momentos, quando são decisões que chocam-se com Sua vontade absoluta, de intervir e frustrar o intento do homem, pois quem governa a História é Deus. Ele é o Senhor e o Onipotente; Ele tudo pode e nenhum dos Seus planos pode ser impedido ou frustrado (Jó 42.2). Nada acontece sem que Ele saiba que vai acontecer e sem a Sua permissão (vontade permissiva). E o pecado que acontece pela Sua vontade permissiva não passará incólume, porque é Deus quem governa a História, não o homem. Tudo terá a sua paga.

E se às vezes é difícil entender como Deus pode permitir o mal (por um propósito que hoje desconhecemos e para julgar o mal permitido mais à frente em vez de impedir que ele tivesse acontecido - e não impede porque isso seria desrespeitar o livre arbítrio), lembre-se, Bruno, que o profeta Habacuque também passou por essa crise, mas Deus falou-lhe que era assim mesmo e que "o justo viverá pela fé".

Portanto, descansemos na soberania, na sabedoria e na justiça de Deus. Ele sabe o que faz!

Esdras Costa Bentho disse...

Kharis kai eirene.
Meus parabéns por mais esse importantíssimo post. A piedade com que a palavra é mascarada não altera-lhe o sentido, mas o confunde. No entanto, sua lógica inconfundível reduziu à falácia os argumentos pretensamente factíveis. Os céticos questionam "o que significa a afirmação de que Deus é onipotente", e os Teístas Abertos "o que significa afirmar que Deus é onisciente". Os dois argumentos tentam demonstrar a autocontradição do Deus cristão, ou então, que a ortodoxia tradicional tem se equivocado ao afirmar a ortodoxa doutrina dos atributos metafísicos de Deus. Porém, estamos diante de premissas contraditórias.
2. Quanto à hermenêutica usada pelos teólogos abertos, infelizmente, trata-se de uma exegese de fundamento desconstrutivista, a mesma usada por Jack Miles na obra "Deus: uma biografia" (Companhia das Letras, 1997, pp.497). Nesta obra, Miles tenta, através de uma pseuda compreensão da "personalidade metamórfica e do caráter moral" de Deus, reduzi-lo à divindade caprichosa muito semelhante aos deuses gregos. Na obra, Miles afirma que Deus é mutável, que não interfere na vida e história humanas, e que é infindavelmente surpreendido, às vezes, de um modo desagradável” (p.24) pelos atos e tragédias das criaturas humanas.
Será que os teístas abertos são discípulos de Jack Miles?

Silas Daniel disse...

Caro amigo Esdras,

Não duvido que os adeptos do Teísmo Aberto leiam o ex-jesuíta Miles e achem-no o máximo. A lógica de Miles é a mesma das afirmações dos teístas abertos. Na verdade, a teologia de Miles nada mais é do que um Teísmo Aberto desinibido, levado às últimas consequências. Simplesmente, sem medo de ser identificado como herege, Miles leva às últimas consequências suas interpretações absurdas e, por isso, afirma aquilo que os teístas abertos acabam "dizendo sem asseverar", com medo de parecerem por demais antibíblicos.

Se aceito, o Teísmo Aberto, em último análise, leva-nos ao Deus de John Miles em seu "Deus: uma biografia". Essa obra despreza toda a hermenêutica clássica (e honesta) para se aventurar na perniciosa Teologia Narrativa (estou preparando um artigo sobre a TN e seus males - em breve vou postá-lo aqui). Miles segue a mesma linha em seu outro livro: "Cristo: uma crise na vida de Deus". Ele é discípulo (às vezes não assumido, para manter uma falsa imagem de originalidade em seus textos) de Robert Alter e sua obra "The art of biblical narrative". Miles, inclusive, cita o Alter em seus livros. Ora, Alter é pura Teologia Narrativa! Esse negócio, infelizmente, está em alta hoje no meio teológico lá fora e muitos bobos acham isso bonito por aqui.

Particularmente, Esdras, acho a aceitação à Teologia Narrativa o grande mal de nossos dias no meio teológico, porque nela acontece a grande abertura para a ressurreição de antigas correntes da teologia liberal, como o Teísmo Aberto (novo nome para as velhas "Teologia da Esperança" e "Teologia do Processo").

Victor Leonardo Barbosa disse...

É triste vermos tantos absurdos vindos do teísmo aberto e de seus discípulos.
O caso de miles não foge à regra.
Com relação ao calvinismo e arminianismo, creio que é bom fazermos certas distinçoes pastor Silas.

Calvinismo sublalapsário: crê na eleição dupla, o homem não tem livre arbítrio e tudo já foi determinado por Deus. Uns para o inferno e outros para o céu.Crêem na expiação limitada

Calvinismo infralapsário: Crê que Deus decreta apenas a eleição dos eleitos e indiretamente a a elição dos não-eleitos, pois permite que eles sigam seu curso natural.

Calvinismo compatibilista: Crê na predestinação e no livre arbítrio, a expiação é limitada na aplicaão e não em sua extensão total.

Arminianismo clássico: interpreta de forma diferente os decretos de Deus e a predestinação. Há dúvidas se é uma alternativa ou uma vertente da teologia reformada.

Arminianismo Wesleyano: è o mais famosos tipo de arminianismo, e o mais adotado. è praticamente o emsmo arminisnismo sutentado por seu fundador, mas há moficações.
Para wesley, não existiam decretos divinos ao céu e ao inferno.

É verdade que essa sistematização é limitadissíma, mas eu quis focar apenas na parte da predestinação.

Escrevi algo sobre o teísmo aberto no blog GQL, caso o senhor queira dar uma visita, seja bem vindo, abraços pastor e paz do Senhor!!!

Silas Daniel disse...

Olá, Victor!

Li o seu artigo no GQL. Você foi realmente contundente. Muito em breve postarei um comentário lá para realçar alguns pontos que você colocou no artigo.

Sobre os tipos de calvinismo, as variações são muito sutis. São detalhes muito pequenos mesmo que diferenciam um tipo do outro. A grande variação que o calvinismo sofreu mesmo, Victor, foi no século 19, pela influência de Charles Finney e Jonathan Edwards Neto (neto do pastor Jonathan Edwards que foi usado por Deus no Grande Despertamento do século 18 nos EUA). Finney e Edwards Neto implementaram na Faculdade de Teologia de New Jersey, hoje conhecida como Universidade de Princenton, aquela que se tornou a mais popular corrente do calvinismo no meio evangélico em nossos dias, e que foi denominada na época deles de "neocalvinismo". Do que se trata esse "neocalvinismo"?

Você se lembra dos cinco pontos do calvinismo: Depravação Total, Expiação Limitada, Eleição Incondicional, Graça Irresistível e Perseverança dos Santos? Pois bem, Finney e Edwards Neto não aceitavam os quatro primeiros pontos do calvinismo. Só aceitavam o último ponto: a perseverança dos santos (popularmente sintetizada pela expressão "uma vez salvo, salvo para sempre"). Para Finney e Edwards Neto, Deus não predestina incondicionalmente uns para a perdição e outros para a salvação, e a graça de Deus pode ser resistida. Porém, eles criam que, uma vez a pessoa aceitando Jesus sinceramente como Senhor e Salvador de sua vida, uma vez essa pessoa passando pela regeneração, ela nunca mais se perderia. Tais ensinos, que aparecem claramente na clássica obra "Teologia Sistemática" de Finney, foram muito combatidos pelas igrejas reformadas na época, mas acabaram "pegando" no meio calvinista.

Se você perguntar para muitas pessoas que se dizem calvinistas hoje no meio evangélico brasileiro se elas crêem na eleição incondicional e na graça irresistível (e aí você explica para essas pessoas do que se tratam esses pontos), muitos deles vão dizer que não aceitam esses ensinos; mas, quando você explicar o que é perseverança dos santos segundo o calvinismo, eles vão dizer que é justamente nisso que acreditam, que é isso que os torna calvinistas. Na verdade, usando a terminologia do século 19, eles são "neocalvinistas". Boa parte da massa calvinista (perceba que não estou falando da liderança, mas do povo em geral ligado a igrejas de herança calvinista) é, na prática, mais "neocalvinista" do que propriamente calvinista.

Sobre a diferença entre o arminianismo clássico e o arminianismo wesleyano, ela existe, mas, na essência, são a mesma coisa. O que há mesmo é apenas um pequeno detalhe para se fazer uma pequena distinção. Porém, é importante frisar a importância do Avivamento Wesleyano no século 18 para o prevalecimento da visão arminiana no mundo. Até o século 18, a maioria esmagadora dos evangélicos do mundo era calvinista. Após o Avivamento Wesleyano (que em sua maioria era arminiano), o arminianismo cresceu e, hoje, no século 21, cerca de 80% dos evangélicos do mundo são arminianos.

Wesley citava Armínio em muitos de seus escritos. Não foi por acaso que mudou o nome da sua "Revista Wesleyana" para "Revista Arminiana" em 1778. Durante o Avivamento Metodista do século 18 na Inglaterra, houve dois períodos de intensos debates internos entre os metodistas arminiamos e os calvinistas (encabeçados por George Whitefield e Augustus Montague Toplady), e no final os arminianos se saíram vencedores (o que é fácil de entender, já que o arminianismo é a posição mais coerente sobre a mecânica da Salvação à luz da Bíblia), mas os metodistas calvinistas continuaram com sua posição. Foi por causa dessa discordância que os metodistas se separaram ainda no século 18, formando as igrejas metodistas de linha calvinista de um lado (que são minoria) e as igrejas metodista de linha arminiana de outro lado (esmagadora maioria). De lá para cá, o calvinismo foi perdendo simpatizantes no mundo evangélico como um todo até ver, dois séculos depois, os arminianos inverterem a porcentagem.

Foi ali, no século 18, que começou a chamada "virada" ou “guinada” arminiana no meio evangélico.

Victor Leonardo Barbosa disse...

Obrigado pelo esclarecimento ainda maior pastor Silas. è engraçado que eu utilizava os termos neocalvinismo sem nem mesmo saber que ele já era utilizao antes, desde a época de Finney, o mais interessante é que os calvinistas odeiam Finney e o chamam de "pelagiano", outros, como Roger Olson, o classificam como Semi pelagiano. A coisa é meio complicada e espero em breve falar um pouco desse assunto.
Abraços e paz do Senhor!!!
obrigado pelas informações

Silas Daniel disse...

Victor, só duas retificações:

Eu falei que foram o Finney e o Jonathan Edwards Neto os proponentes desse neocalvisnismo, mas na verdade foram Finney e o Jonathan Edwards JUNIOR, o filho mesmo (e não o neto) do Jonathan Edwards. Outro detalhe é que esse neocalvinismo era também chamado de "Teologia de New Haven" ou "Nova Escola do Calvinismo" (daí o título de neocalvinismo).

A outra retificação é que Finney foi professor de Teologia e diretor da Faculdade Oberlin em Ohio (de 1835 a 1866), e não de New Jersey. O Edwards Junior é que era de lá. Porém, Finney (1792-1875) em Ohio e Edwards Junior, que foi antes dele (1745-1801) e era da Faculdade de New Jersey (hoje Princenton), foram os proponentes desse novo calvinismo, que teve também como grande articulador teórico o teólogo Nathaniel Taylor (1786-1858).

Posto isso, resta apenas dizer que é justamente por essas posições de Finney de que já falei que ele é chamado até hoje de "pelagiano" ou "semi-pelagiano" pelos calvinistas. Detalhe: Finney foi pastor ordenado pela Igreja Congregacional dos EUA, que é de linha calvinista, e, apesar de suas idéias, permaneceu em seu pastorado.

O espaço não permite, mas tem muitas outras coisas interessantes na vida de Finney que o tornam um dos mais influentes personagens evangélicos da história do protestantismo mundial. Ele inaugurou alguns estilos que até hoje perduram no meio evangélico. Um dia falo disso aqui.

Um abraço!

Bruno Barreira disse...

Olá pastor Geremias e amigo Silas, somente hoje me conectei de novo e pude ver os comentários! Quero agradecer a ambos pelo esclarecimento, que, sem dúvida, são, sim, ótimos. Eles tocaram em um ponto fundamental que me faz torcer o nariz para o Calvinismo: a questão da justiça!

Sim, porque - na minha visão de batizado há 3 anos e 7 meses - o Calvinismo, no fundo, apresenta um Deus que manipula a vontade humana, uma vez que afirma que todas as coisas estão determinadas. O que é difícil realizar na minha cabeça, porque tudo quanto diz respeito a oração, intercessão e o próprio "ide" de Cristo perde um pouco a razão de existir, uma vez que tudo já está determinado.

Pode parecer grosseiro e leviano, mas é isso que a idéia do Calvinismo traz à minha mente. Um prinípio que não deixa de apontar para o fatalismo...

Agora, fica muito mais fácil entender que o Senhor já sabe quais decisões irei tomar amanhã, pelo fato de que ELE sonda o meu coração e, justamente por isso, sabe exatamente quais são as minhas intenções. E, de fato, não há como se esconder do Senhor, pois ELE conhece todos os meus pensamentos.

Além disso, tem o fator justiça que o Silas citou muito bem. Assim, creio que, se Deus sondou em meu coração que bastar ELE enviar uma provação para que eu me arrependa dos meus pecados e reconheça que ELE é Deus, e, sabendo disso, não perde essa possibilidade, então passamos a falar do Senhor que eu conheci através da Bíblia. Ezequiel 18:23 “Tenho Eu algum prazer na morte do ímpio? Diz o Senhor Deus. Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?”. É um versículo como este, por exemplo, e tantos outros na Bíblia, que dão sentido ao "ide" de Cristo.

Ou seja, a todo momento vejo um Deus que não determinou o inferno para muitos (como querem os Calvinistas), pois este Deus não tem prazer nisto. E a sua justiça inclui a fidelidade com a Sua Palavra, que está repleta de promessas para a humanidade.

"Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais". (Jeremias 29:11). Ora, se Deus é bom e soberano para me dar o fim que eu desejo, então, realmente, não pode existir "determinação". Caso o contrário, teria que aceitar como mentira a Palavra de Cristo que diz:

· E tudo o que pedir na oração, crendo, recebereis, Mt 21.22);
· E mesmo agora sei que tudo quanto pedir a Deus, Deus to concederá. Jo 11.22;
· E tudo quanto pedir em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Jo 14.13.

Enfim, já me tornando bastante redundante, eu só posso pedir livremente se não foi determinado e, realmente, gozar de livre arbítrio.

Silas Daniel disse...

Amigo Bruno,

Resumindo: eu e você entendemos que o arminianismo é quem melhor vê, à luz da Bíblia, a mecânica da Salvação. O calvinismo é, sem dúvida, uma visão menos perfeita e um tanto perigosa. A única coisa que friso, porém, é que não posso dizer que meus irmãos calvinistas são "hereges". Afirmar isso seria um erro. Mas que o arminianismo melhor entende o assunto à luz da Bíblia, isso para mim é um fato.

É isso aí, Bruno.

Um abraço!

Daniel disse...

Irmãos,

entendo que Deus não limita o seu poder de maneira alguma. Isso nunca aconteceu. O que entendo é que Deus entregou ao homem o governo da terra e o homem é que se tornou limitado quando caiu no Edem.

A grande prova da humildade de Deus é que mesmo sendo o todo poderoso, concedeu ao homem a dádiva de concretizar Seu plano, através da Igreja.

O homem sim é um limitador de Deus. Temos exemplos na Bíblia que mostram isso, Saul, Pedro... Mas Deus mostra o seu poder levantando outros que irão tocar a obra adiante, Davi, Paulo...

Deus depende do homem para cumprir seu plano na terra, porque entregou a nós, cristãos, esta obra como seus cooperadores.

E na minha opinião, a maior prova do poder de Deus é que mesmo desta forma o plano de Deus tem se cumprido e irá se cumprir até o final.

Deus abençõe
Daniel

Silas Daniel disse...

Caro Daniel,

Sua posição é biblicamente equilibrada. A única observação que faço é que, na verdade, Deus não depende de nós; nós é que dependemos de Deus. Ele, por Sua Graça, resolveu fazer "muito mais abundantemente, além do que pedimos ou pensamos", por meio de nós - "segundo o poder que em nós opera" (Ef 3.20). Por isso, "a Ele seja a glória por Jesus Cristo" (Ef (3.21). Logo, temos a honra de sermos cooperadores de Deus.

Ele não precisava e não precisa de nós, mas preferiu que fosse assim. Os anjos, diz a Bíblia, quiseram fazer essa obra, mas Deus não permitiu. O Senhor opera aqui na Terra, na História, por meio de frágeis vasos de barro, para que a glória seja nitidamente dEle, só dEle.

No mais, Daniel, é por aí mesmo.

Deus o abençoe!

J. disse...

Prezado Senhor Pr. Silas Daniel,

Numa busca "googleana" do nome Greg Boyd cheguei até o seu "blog". Não conheço o assunto, nem de longe, não sou teólogo, nem sequer curioso em Teologia, mas vejo essa coisa de o Sr. Greg Boyd "quase" ter sido expulso de sua denominação algo meio medieval. É por isso que sou de opinião de que se determinado membro de qualquer segmento religioso, filosófico ou ideológico chegou ao ponto de desenvolver idéias que estão além (ou aquém) do grupo de que faz parte e, em razão delas, tem sido tal membro hostilizado, é melhor o sujeito, por si mesmo e de própria decisão, afastar-se de tal grupo, já que é muito difícil mudar idéias arraigadas, notadamente no aspecto religioso, onde impera, quer se admita ou não, a dogmática até à exacerbação. E é através da divergência que se torna possível o surgimento de novas idéias e novas posturas, visto que no difícil equilíbrio entre o conservadorismo e a inovação está a aventura humana na terra. A Bíblia é testemunha disso no caso de Abraão e seu sobrinho Ló, no caso do Profeta Jeremias que, denunciando as iniqüidades do rei de sua época, não foi apoiado por seu próprio pai; há exemplo até na vida do "Pai da Fé" Abraão, quando as desavenças entre o "filho da livre" (Isaque) e o "filho da escrava" (Ismael) desembocaram na expulsão deste conjuntamente com sua mãe de diante da face de Abraão e Sara.
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