sexta-feira, 10 de agosto de 2007

O canto de sereia do Teísmo Aberto já começa a provocar divisões no meio evangélico

É com tristeza que recebemos a notícia de que o Teísmo Aberto já está provocando terríveis resultados em nosso país, algo que temíamos que acontecesse. Uma importante denominação evangélica no Brasil, sobretudo no Nordeste e em São Paulo, está "rachando" justamente por causa disso. Trata-se da Igreja Betesda. Membros da referida igreja no Nordeste (que ainda preservam o antigo nome de fundação - Igreja Evangélica Assembléia de Deus Betesda, fundada em 1981 pelo jovem pastor Ademir Siqueira Gonçalves), preocupados com os ensinos do Teísmo Aberto em sua denominação, resolveram “desvincular-se doutrinariamente” da Igreja Betesda de São Paulo, liderada pelo pastor Ricardo Gondim Rodrigues. A decisão foi divulgada primeiramente em uma nota no jornal Diário do Nordeste de 7 de agosto. Porém, desde o início da semana, o site do pastor Ricardo Gondim já estava "de luto" por causa do ocorrido.
Para quem não se lembra, tudo começou no início de 2005. Devido à comoção mundial provocada pela tsunami arrasadora do Natal de 2004, alguns pensadores evangélicos no Brasil (sobretudo os pastores Ricardo Gondim e Ed René Kivitz, da igreja Batista de Água Branca - SP) passaram a propagar a necessidade de uma nova compreensão de Deus chamada Teísmo Aberto ou Teologia Relacional para tentar explicar a seguinte dúvida que, via de regra, surge sempre após alguma catástrofe natural de grande porte: “Se Deus é bom e todo-poderoso, como pode Ele permitir catástrofes desse tipo?”
Na verdade, a tsunami foi apenas a catalisadora do movimento, já que o Teísmo Aberto (passarei a chamar de TA daqui para frente) já começava silenciosamente a ganhar adeptos em alguns pequenos círculos de reflexão teológica em nosso país, devido à descoberta (e em alguns casos, à redescoberta) da obra de teólogos estrangeiros defensores dessa nova visão de Deus. Refiro-me aos escritos de Jürgen Moltmann e Wolfhart Pannenburg (teólogos já octogenários) e a obras mais recentes, como as de Clarck Pinnock, Greg Boyd e John Sanders.
Ainda em 2005, devido à expansão do TA, à importância do assunto, à ausência de reflexão teológica sobre o tema no meio pentecostal (entre outros ramos protestantes já havia) e à constatação de que alguns crentes desavisados já estavam flertando com as idéias do TA, senti a necessidade de entrar na linha de frente contra essa nova interpretação do Deus da Bíblia. Naquele mesmo ano, escrevi artigos na revista Manual do Obreiro (julho/2005) e no jornal Mensageiro da Paz (setembro/2005), órgão oficial da Assembléia de Deus no Brasil, combatendo os pressupostos do TA. Em dezembro de 2006, lancei meu quinto livro – Como vencer a frustração espiritual –, onde inseri um capítulo inteiro falando sobre os perigos de aderir à falácia do TA. Enquanto isso, o assunto continuava a ser debatido em blogs e artigos em outras revistas evangélicas. Aos poucos, o TA deixou de ser visto como uma “diferença teológica de somenos importância” para ser entendido como doutrina perigosa para quem deseja uma espiritualidade sadia.
Como repercussão do debate, que naquela época já envolvia vários setores do meio evangélico (os batistas, por exemplo, já começavam a refletir seriamente sobre o assunto), em 16 de janeiro de 2007, o Portal Elnet publicou uma matéria alertando sobre os perigos do TA. Na ocasião, tive o privilégio de, juntamente com o pastor presbiteriano Augustus Nicodemos, ser entrevistado para apontar os equívocos desse pensamento. Depois de publicada a matéria, os colegas jornalistas do portal contaram-me que quiseram até entrevistar os defensores do TA, a fim de que defendessem suas teses frente aos nossos argumentos, mas, estranhamente, os pregadores do TA se negaram a falar algo sobre o assunto. De lá para cá, alguns desses teólogos relacionais passaram até a afirmar, sem muita convicção, que "não era bem assim", que não eram "tão" adeptos do TA, etc. Porém, recentemente, aconteceu uma recaída, o que foi fatal.
Aproveitando que, devido a esse fato, o TA volta à tona nos debates, exponho, a seguir, uma análise sintética sobre o que é realmente o TA e porque seus pressupostos são perigosos.

O que é Teísmo Aberto?

O Teísmo Aberto (Open Theism), também chamado de Abertura de Deus (Openness of God) ou Teologia Relacional, é um falso ensino que nasceu em meio ao debate entre duas correntes teológicas: o arminianismo e o calvinismo. Na ânsia de defender o arminianismo, alguns teólogos, líderes e pensadores evangélicos descambaram para essa teologia equivocada. Trata-se de um arminianismo bizarro, rejeitado tanto por calvinistas quanto por arminianos.
Teísmo Aberto é uma invenção teológica que declara que (1) o maior objetivo de Deus é entrar num relacionamento recíproco com o homem, onde o Criador é afetado pela criatura e aprende com ela; (2) que todas as referências bíblicas a Deus devem ser interpretadas sem qualquer antropomorfismo; (3) que Deus criou um mundo onde Ele pode ser afetado pelas escolhas dos homens; e que (4) Deus não conhece o futuro plenamente, nem as escolhas livres que suas criaturas ainda farão.
Em outras palavras, o TA apresenta um Deus mais humano, mais vulnerável, que não tem tanto controle sobre as coisas. Por isso, é um Deus mais palatável para as pessoas que querem entender o problema do mal no mundo sem culpar a Deus.

Os cinco pilares do Teísmo Aberto

O Teísmo Aberto ensina, basicamente, cinco coisas:
1) O maior atributo de Deus é o amor – No TA, este atributo divino é normalmente enfatizado em detrimento a todos os demais atributos de Deus. Todos os atributos divinos, mesmo sua imutabilidade, sua onisciência e sua onipotência, são diminuídos e reinterpretados para favorecer o atributo do amor. Porém, a Bíblia nos apresenta todos os atributos divinos coexistindo em equilíbrio. Deus não é amor e mais ou menos onisciente e onipotente. Ele é amor e plenamente onisciente e onipotente (Gn 17.1; Jó 42.2; Sl 139 e Is 46.10). A Bíblia não apresenta incoerência na coexistência dos atributos de Deus. Deus é onipotente e justo ao mesmo tempo. O amor de Deus não é incompatível com a Sua onipotência.
O que é onipotência? É a qualidade de ter todo o poder. O vocábulo oni significa “tudo” ou “todo”. Logo, quando dizemos que Deus é onipotente, não estamos dizendo simplesmente que Ele é poderoso, mas afirmando que só Ele detém todo o poder. Há muitas passagens na Bíblia que realçam esse atributo divino (Gn 18.14; 2Cr 20.6; Jó 42.2; Sl 62.11; 147.5; Is 14.27; 43.13; Dn 4.35; Lc 1.37). Deus se apresentou como o Onipotente a Abraão (Gn 17.1) e a Jó (Jó 40.1-2). Jesus, Deus encarnado, afirmou que “todo o poder” lhe foi dado “no Céu e na Terra” (Mt 28.18). Ele “sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hb 1.3). E mais: “Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3).
2) Deus não é tão soberano assim Para os seguidores desse neologismo teológico, só pode haver pleno relacionamento entre Deus e o homem se o Criador construir a História com o auxílio do homem, no sentido de o homem ter o poder de frustrar Deus e mudar as decisões divinas. O futuro só pode ser construído a partir da conjunção entre Deus e as decisões humanas. Segundo eles, Deus se adapta à vontade e às decisões dos homens, e não pode realizar tudo que deseja, só com o auxílio do homem.
“O homem é o sujeito da História. A História não está sob o controle divino totalmente. Conforme as decisões dos homens, Deus vai definindo como será a História. O futuro, como diziam Moltman e Pannemburg, está em aberto, até mesmo para Deus!”, afirmam.
Isso contraria frontalmente o ensino bíblico. Diminui Deus e exalta o homem. O ser humano tem autonomia para tomar suas decisões, mas nenhuma decisão humana pode mudar aquilo que já foi estabelecido por Deus (Is 46.10).
Há a vontade permissiva e a vontade soberana de Deus. O homem pode tomar decisões e mudar contextos até onde isso não contrarie o que já foi determinado pelo Criador. Deus é o Senhor da História, não o homem.
A máxima do TA de que “Deus cedeu lugar ao homem após a Criação do mundo” é um erro grosseiro. Quando lemos Gênesis, encontramos Deus intervindo diretamente na História, como Senhor da História, na salvação de Noé e sua família, no chamamento de Abrão, na vida de Isaque e Jacó, na vida de Jó, na libertação de Israel do Egito etc. De Gênesis a Apocalipse, Deus age na História. Ele não é um ser passivo. Ele é ativo. Deus não saiu de cena após criar o mundo, dizendo: “Seres humanos, agora é com vocês!”

3) Deus não conhece o futuro – O TA acredita que Deus não conhece o futuro. Os adeptos dessa teoria se dividem entre dois argumentos. Uns dizem que Deus não pode conhecer o futuro porque o futuro não existe. Logo, é impossível algum ser ter presciência. Por conseguinte, o futuro está aberto até para Deus (sic). Outros teístas abertos afirmam que mesmo que Deus tenha o poder de saber o futuro, Ele o ignora porque escolheu não saber o que virá (sic). Assim, o futuro, também nessa perspectiva, está em aberto para Deus.
Um elemento muito importante para esse pensamento é a crença de que Deus não está fora do tempo, vendo o passado, o presente e o futuro como se fossem uma só coisa para Ele. Para o TA, Deus está dentro do tempo e sujeito a ele. O tempo, segundo eles, é uma realidade que antecede o Criador ou coexiste com Ele. Porém, a Bíblia afirma que Deus é Eterno e transcendente (Is 57.15). Ele não teve começo e não terá fim, e o tempo foi criado por Ele (Sl 90.2). Deus sabe de tudo antes de tudo acontecer. Ele não está preso ao tempo (Sl 102.27).
4) Deus se arrisca – “Deus se arriscou ao criar seres livres e racionais. Ele não sabia que decisões os anjos e os homens tomariam depois de criados, e ainda hoje o Criador se arrisca com suas criaturas, pois ignora as escolhas futuras delas”. Absolutamente equivocado. A Bíblia diz que Cristo é “o Cordeiro de Deus imolado antes da fundação do mundo” (1Pe 1.19-20 e Ap 13.8). Deus já sabia de tudo que iria acontecer e de antemão elaborou o Plano da Salvação. Deus não foi e não é pego de surpresa!
5) Deus comete erros, aprende e muda – Segundo o TA, como Deus desconhece o futuro, Ele aprende com as realidades à medida que elas vão acontecendo. O Deus da Teologia Relacional é vulnerável, comete erros, aprende com eles e muda de posição. De acordo com o TA, Deus muda seus planos constantemente. Por isso, os adeptos desse pensamento ensinam que é errado afirmar que quando a Bíblia fala que Deus “arrependeu-se” está usando um antropomorfismo. Para eles, Deus arrependeu-se mesmo. Ele mudou de idéia. Deus é mutável. Ele é totalmente passível de influências do ser humano.
Porém, a Bíblia diz claramente que Deus não se arrepende e Ele não muda (Nm 23.19-20 e Ml 3.6). O “arrependimento” de Deus é antropomorfismo mesmo. Ou seja, é uma expressão humana usada para tentar explicar ao ser humano Deus e suas manifestações, posto que Deus não é como o ser humano.
Se quiser saber mais sobre o assunto, é só ler o capítulo 9 do meu livro Como vencer a frustração espiritual (se quiser adquiri-lo, entre em http://www.cpad.com.br/ ou acesse o link do livro na coluna de links ao lado das postagens). Também há outros bons livros no mercado falando exclusivamente sobre o assunto.
Em julho deste ano, a revista de apologética cristã Resposta Fiel, da qual sou editor pela graça de Deus, iniciou a publicação de uma série de artigos do teólogo norte-americano Norman Geisler sobre os erros do TA. Os artigos foram publicados originalmente nos Estados Unidos como tréplica à réplica do teólogo John Sanders (defensor do TA nos EUA) às críticas de Geisler ao TA. A segunda parte da série de artigos sairá na edição do terceiro trimestre de Resposta Fiel, que sai em outubro. Se quiser adquirir a revista, entre no site http://www.cpad.com.br/

9 comentários:

Valmir Nascimento Milomem disse...

Pr. Silas,

Parabéns por mais essa preciosidade da apologia cristã. Esse é um assunto que realmente precisa ser comentado e sobretudo defendido.
Tal teoria tem se infiltrado em nosso meio, muitas vezes sem que as pessoas percebam. E agora, como vc mesmo disse, começou a demonstrar o motivo pelo qua veio: trazer contendas e desunião.
Ficamos realmente tristes com o que aconteceu, pessoas sérias mas que descambaram para uma teologia absurda sem fundamentos bíblicos.
Acreditar na TA é desmerecer a onisciência de Deus e também, rasgar as profecias da Bíblia, afinal, como dizem, Deus não tem tanta certeza assim do futuro?!
Fiquemos naquilo o que está escrito em Tito 2.1 "Tu, porém, fala o qe convém à sã doutrina".

Em Cristo,

Valmir Milomem
comoviveremos.com

Silas Daniel disse...

Caro Valmir,
Não acedito que os proponentes do Teísmo Aberto queriam que houvesse um "racha" como decorrência da insistência na divulgação do seu ensino, ainda mais em suas próprias igrejas; porém, divisões são mesmo o resultado natural de se insistir em um neologismo teológico como sendo "a verdadeira visão de Deus", "a correta visão de Deus perdida no tempo e no espaço pelos cristãos de hoje".
Nos EUA, e agora aqui também, o TA já poduziu "rachas". É inevitável! As discordâncias teológicas, quase que invariavelmente, produzem divisão. Tem sido assim durante toda a história do cristianismo. O problema é que, dessa vez, tratava-se de um erro teológico primário (e antigo) reproduzido por gente de quem não se esperava tal coisa. Como você mesmo falou, "gente séria". Mesmo que pudéssemos discordar de alguns posicionamentos desses irmãos, não esperávamos vê-los defendendo o liberalismo teológico. Mas...
Resta-nos orar para que menos estragos sejam feitos, tudo seja resolvido prudentemente e os erros doutrinários sejam abandonados em prol da saúde das ovelhas.
Um abraço!

Victor Leonardo Barbosa disse...

É impressionante como o Brasil está cheio de desse tipo de reflexão(teísmo aberto, no caso). Parece que para ser um teólogo original é necessário ter um pensamento totalmente novo, até mesmoo quando é estranho as escrituras.
Aquilo que é para ser sadio acaba sendo um triste veneno espiritual.
Parabéns pelo artigo pastor Silas. Que Deus proteja a Assemblíea de Deus contra esse mal.
Paz do Senhor

Silas Daniel disse...

Caro Victor,
Sua colocação foi perfeita. Este é um dos grandes males de boa parte da atividade teológica em nossos dias (e de outras épocas também): imaginar, como você bem se expressou, que "para ser um teólogo original, é necessário ter um pensamento totalmente novo". De uma vez por todas, é preciso que fique claro que não precisamos de uma nova teologia. A igreja evangélica no Brasil não precisa de neologismos teológicos. Precisamos da verdadeira e pura Teologia, caracterizada pela ortodoxia bíblica.
Uma coisa é você empreender uma reflexão teológica sobre temas que ainda precisam ser melhor analisados pela Igreja (o que é saudável), e outra coisa é você querer rediscutir e questionar os fundamentos da fé (no caso do Teísmo Aberto, até mesmo os atributos de Deus, tão claros na Bíblia).
Mesmo no primeiro caso (de refletirmos sobre temas que ainda precisam ser melhor analisados), qualquer pressuposto fruto dessa reflexão deve ser submetido ao diapasão bíblico. A reflexão teológica sadia sempre é à luz da Bíblia. Naturalmente, você vai usar a filosofia e outros ramos da ciência, se necessários, como instrumentos auxiliadores dessa reflexão, mas nunca como meios definitivos para se chegar às conclusões. A filosofia deve servir à reflexão bíblica e não definir a reflexão bíblica.
Aliás, por falar em reflexão, obrigado por ter enriquecido esta reflexão teológica com sua brilhante colocação.

Anônimo disse...

Os 5 pilares do Teísmo Aberto são atraentes aos olhos dos que questionam alguns atributos importantes da Divindade quando contrapoem-se a existencia do mal.
Porém, um Ser que se diga Deus deve agir como quer, quando quiser e da forma que quiser, do contrário, não poderá ser qualificado como Deus.
É Deus quem analisa e julga o homem e não o contrário. Por outro lado, um Deus que não conheça o futuro, que não sabe conviver com a tragédia (infelizmente), que se dobra perante a criatura que ele mesmo criou, então, tenho minhas dúvidas se este Ser não seria como os demais deuses.
Temos a mania de ver Deus com lentes humanas, protótipo de nosso ideal para Ele.
Entristeço por mais uma divisão causada pelo "intelectualismo ortodoxo", mas, sem responsabilidades com a fé ortodoxa.
Se não me falha a memória, o Pr Ricardo Gondim escreveu certa feita na revista Ultimato um artigo cujo título era "Estou cansado". Vai ver Ele, entre tantas coisas que o tenha cansado, se cansou da idéia do Deus Ortodoxo e recriou um mais moderno!

Pb Gilson Barbosa

Vitor Hugo da SIlva disse...

Pastor Silas a paz do Senhor!

Lembro-me de ter lido um artigo do pr. Ricardo Gondim onde ele expressa: ´´Canso com a repetição enfadonha das teologias . Sinto pena dos teólogos que se contentam em reproduzir o que outros escreveram há séculos. Presos às molduras de suas escolas teológicas, não conseguem admitir que haja outros ângulos de leitura das Escrituras. Convivem com uma teologia pronta. Não enxergam sua pobreza porque acreditam que basta aprofundarem um conhecimento "científico" da Bíblia e desvendarão os mistérios de Deus. A aridez fundamentalista exaure as minhas forças``

Não valorizar aquilo que já nos foi passado é no mínimo falat de humildade.

A minha vó já me dizia: ´´Quando a formiga quer se perder, ela cria assas```

Que Deus nos guarde do teísmo aberto e que possamos continuar com as nossas teologias ´´sem criatividade nem riqueza poética``.

Deus abençoe!

Vitor Hugo.
Joinville/SC

Silas Daniel disse...

Caro Gilson,
Quando o intelectualismo sobrepôe-se à fé bíblica, é um perigo, já que nenhum intelectualismo, nenhuma filosofia humana, é perfeita. Por outro lado, a Palavra de Deus é perfeita. Logo, se quero me aventurar filosoficamente, devo antes estar seguro de que, nessa "aventura", não estou indo além dos limites bíblicos. Se quero ampliar minha tenda, antes tenho que firmar bem as estacas.
Quanto ao cansaço de que escreveu o pastor Ricardo, se era apenas em relação às hipocrisias, aberrações teológicas do neopentecostalismo, religiosidades vazias e escândalos que às vezes vemos no meio evangélico, vá lá que seja (apesar de que, diante do erro, à luz da Bíblia, a gente tem que ir além da indignação; só "cansaço" não é a melhor saída; uma indignação que só nos paralisa e nos deixa amargos, melancólicos, é uma indignação que não muda nada). Porém, parece que ele, na sua indignação, ficou cego e tomou a parte pelo todo, ou seja, "deitou fora a criança junto com a água suja". Achou que o problema era todo o meio evangélico, toda a Teologia, que tudo estava errado, que era necessário "inventar a roda" para corrigir as coisas, quando o Evangelho é simples.
Os problemas teológicos e espirituais que existem por aí não existem porque a teologia que pregamos deve ser mudada, mas porque, em muitos meios, a verdadeira Teologia, fundamentada na Bíblia, precisa ainda ser resgatada. Não precisamos mudar a teologia, precisamos resgatar a genuína Teologia.
Um princípio básico muito esquecido hoje em dia (já escrevi sobre isso em dois livros meus - "Habacuque" e "Como vencer a frustração espiritual") é que nos momentos de crise, como a que o pastor Ricardo Gondim passava quando descambou para o Teísmo Aberto, não devemos procurar o ineditismo como solução, não devemos acatar a primeira alternativa que nos vem à mão (apesar de o desespero "clamar" para que façamos isso). Devemos volver nossos olhos ao início de tudo, às raízes, fazer um rastreamento e retornar às bases da vida cristã, da fé bíblica. Quando Isaque estava no deserto, sem água, em crise, ele não cavou novos poços. Ele desentulhou os poços que seu pai Abraão havia cavado antes, e que os inimigos haviam entulhado. Nunca devemos esquecer essa lição!

Silas Daniel disse...

Prezado Vitor,
Criatividade para criar ensinos divorciados da Palavra de Deus não nos interessa. Só interessa a criatividade que respeita os limites bíblicos, que não precisa estar além da Bíblia para ser. Caso contrário, o "criar" vira "destruir".
Um abraço!

luciano disse...

pr silas, por favor nos fale alguma coisa sobre esse terremoto no haiti em relaçao a Deus e a sua palavra. estou um tanto confuso.