terça-feira, 25 de setembro de 2007

Os argumentos frágeis e aparentemente bíblicos do evangelho antropocêntrico

Estamos vendo hoje a proliferação de um evangelho que se apresenta como sendo bíblico, mas que não tem nada a ver com a Bíblia. Trata-se do evangelho antropocêntrico, que prega, entre outras coisas, que Deus é obrigado a nos dar tudo aquilo que pedirmos a Ele.
Assista nos vídeos abaixo uma breve explanação sobre dois textos que são costumeiramente pinçados das Sagradas Escrituras para tentar dar sustentabilidade aos ensinos da fé antropocentrista. Tratam-se de textos considerados fundamentais para os adeptos deste evangelho.
Ao contrário do que muitos pensam, esses textos não dizem o que os expositores do evangelho antropocêntrico querem que eles digam. Muito pelo contrário: são exatamente contra aquilo que esse enganoso evangelho propõe. Uma análise atenta sobre essas passagens bíblicas é o suficiente para provar isso.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Uma análise crítica sobre o mais novo fenômeno evangélico nos Estados Unidos: Joel Osteen

Não há sombra de dúvidas de que o pastor batista Rick Warren, 53 anos, é o mais influente líder evangélico dos Estados Unidos em nossos dias. Em 2005, uma matéria de capa da revista americana semanal Times (edição de 7 de fevereiro de 2005) apontou os 25 evangélicos mais influentes nos EUA e Warren estava no topo da lista. A matéria chegou ao ponto de asseverar que Warren “será o sucessor do idoso pastor Billy Graham para o papel de ministro da América”. A Newsweek, publicação americana de igual respeito, o considerou recentemente uma das 15 pessoas mais influentes nos Estados Unidos. A igreja liderada por Warren é um fenômeno de crescimento (cerca de 30 mil membros em pouco mais de 20 anos de existência) e seu livro “Uma vida com propósito”, um fenômeno de vendas. Foram 25 milhões de exemplares vendidos desse único livro em apenas cinco anos, e isso só nos EUA. Nenhum outro livro evangélico da História vendeu mais em tão pouco tempo do que esse livro.
Porém, fato é também que a mais nova “coqueluche” evangélica nos Estados Unidos não é mais Warren e sua “Igreja com Propósito”, mas um jovem pregador sorridente, esguio e com expressão frágil, que prega uma mensagem recheada de auto-ajuda. Estou falando do pastor Joel Osteen, 44 anos, líder da Lakewood Church, em Houston, Texas. Ele foi eleito “O mais influente cristão da América” em dezembro de 2006 e uma das dez pessoas "mais fascinantes, queridas, amadas e simpáticas dos EUA” em nossos dias. Warren, sem dúvida, continua a ser extremamente influente, mas agora Osteen aparece com destaque ao seu lado na mídia secular e evangélica da América.
Bem, se Joel Osteen está tão em alta por lá, quem é ele exatamente? Aqui no Brasil já ouvimos falar muito de Warren. Mas quem é Joel Osteen? Qual a sua história? Qual a sua mensagem? Qual seu perfil?

Ascensão meteórica

A história de Joel Osteen é marcada por uma ascensão tão meteórica quanto a de Warren. Se não, vejamos.
A Igreja de Lakewood foi fundada por seu pai, John Osteen, um pastor da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos que recebeu o batismo no Espírito Santo nos anos 50 e, por isso, foi forçado a sair de sua denominação, fundando com sua esposa Dodie, no segundo domingo de maio de 1959, no Dia das Mães norte-americano, a referida igreja.
Uma das grandes marcas e virtudes da Igreja de Lakewood desde a sua fundação é a ênfase na diversidade. A membresia da igreja mistura negros, brancos, hispânicos, etc, sendo um exemplo para outras igrejas. Outro destaque é a dedicação, desde o início, com a divulgação do Evangelho por todos os tipos de mídia: rádio, tevê, internet. Basta lembrar que, pouco tempo depois de inaugurar a igreja, o casal John e Dodie também fundou o programa de televisão semanal da Igreja de Lakewood, numa época em que programas evangelísticos na tevê não eram ainda tão comuns nos EUA. Em poucos anos, o programa chegou a alcançar 100 milhões de casas por semana nos Estados Unidos.
A Igreja de Lakewood sempre promoveu cruzadas, conferências e distribuição semanal de alimentos aos mais carentes, além de sempre apoiar obras missionárias pelo mundo. Porém, foi só a partir de 1999 que a igreja sofreu um “boom”, exatamente com a chegada de Joel à liderança. Naquele ano, o pastor John Osteen faleceu, deixando a esposa, seus seis filhos e a igreja com 6 mil membros. Para dirigir o trabalho, a igreja escolheu o filho mais jovem dos Osteen, Joel, que, apesar de ainda incipiente, era querido por toda a igreja. Assim, aos 36 anos de idade, mesmo só tendo pregado até aquele momento um sermão em toda a sua vida e concluído apenas o primeiro semestre do Curso de Teologia da Universidade Oral Roberts, Joel foi ordenado pastor e empossado como novo líder da Igreja de Lakewood.
Quando Joel assumiu a liderança, sua única experiência era na área de mídia e nos bastidores da administração eclesiástica de sua igreja. Ele ajudara seu pai durante 17 anos na produção do programa de televisão semanal e na administração da igreja. Agora, porém, teria que fazer mais do que isso. E conseguiu.
Joel Osteen começou a pregar, mesmo com seu jeito tímido, e sua mensagem e estilo foram bem recepcionados pelo povo. O seu estilo sóbrio logo cativou. Aliás, ao ouvi-lo, logo sobressaem nele quatro características: ele não alteia a voz em nenhum momento da mensagem, fala sempre calma e amorosamente, sorri o tempo todo e tem um raciocínio rápido. Com esse estilo e uma mensagem sempre “de esperança e inspiracional”, como ele mesmo costuma definir, Joel Osteen foi conquistando as pessoas.
Com a ajuda da família, que permanece até hoje plenamente integrada ao ministério da igreja, com cada um liderando algum departamento (sua mãe, por exemplo, lidera o departamento de intercessão e sua esposa, o departamento feminino), Joel viu a membresia de sua igreja saltar incrivelmente de 6 mil pessoas em 1999 para 42 mil (sic) em 2007, tornando-se hoje a maior igreja evangélica não-denominacional dos EUA em quantidade de membros. Devido ao crescimento, ele teve que inaugurar em 2005 o novo templo-sede do ministério, com capacidade para 16 mil pessoas sentadas.
Só para se ter uma idéia do crescimento da Igreja de Lakewood: a segunda maior igreja nos EUA é a Saddleback Church, na Carolina do Sul, fundada em 1980 pelo pastor batista Rick Warren, e que tem cerca de 30 mil membros; a terceira é a Potter’s House, em Dallas, Texas, fundada e liderada pelo polêmico pastor negro neopentecostal T. D. Jakes, com cerca de 30 mil membros também; em quarto, a World Changers International Church, liderada pelo famoso pastor neopentecostal Creflo Dollar, com 25 mil membros; em quinto está a Igreja Comunidade de Willow Creek, de Chicago, com 20 mil membros, fundada e liderada pelo pastor Bill Hybels desde 1975; e em sexto, a New Life Church, no Colorado, com 15 mil membros, antes liderada por Ted Haggard e hoje pelo pastor Brad Boyd (a igreja tinha cerca de 23 mil membros, mas depois do escândalo sexual de Haggard diminuiu para 15 mil).
Em oito anos, a Igreja de Lakewood (imagem abaixo) conseguiu aumentar em sete vezes a sua membresia, saltando de 6 mil membros direto para o topo, ultrapassando em membresia todas essas mega-igrejas e chegando à marca impressionante de 42 mil membros, o que a torna a maior igreja da América hoje. Realmente impressionante. Mas não pára por aí.

Joel Osteen resolveu investir 30 milhões de dólares no programa semanal de televisão de sua igreja e, agora, este é transmitido não só para os EUA, mas também para mais de 100 países e está praticamente onipresente nas manhãs de sábado e domingo nos canais de tevê norte-americanos. O programa passa em duas das maiores redes evangélicas de televisão da América e em três grandes canais seculares de tevê naquele país: ABC, USA Network e Black Entertainment Television. Você termina de assistir o programa de Osteen em um canal e, ao passar para outro, o programa está começando a ser reapresentado lá. Segundo estimativas, o programa, que antes era assistido por 100 milhões de casas, agora é assistido por quase 200 milhões de residências nos EUA toda semana.
Joel Osteen também é um fenômeno de vendas nos EUA. Em outubro de 2004, ele lançou seu primeiro livro: Your Best Life Now: 7 Steps to Living at Your Full Potential (O melhor de sua vida agora: sete passos para viver plenamente seu potencial). Simplesmente, o livro encabeçou a lista dos mais vendidos do jornal The New York Times durante meses. Foi o número um de vendas até pouco tempo. O livro já vendeu mais de 4 milhões de exemplares em menos de três anos e ainda está onipresente nas livrarias. Recentemente, vi seu livro em destaque em livrarias seculares em Atlanta, New Jersey e Nova York. Vi também pessoas lendo seus livros no metrô de Nova York. Para onde virava, lá estava Joel Osteen, com seu rosto sorridente estampado na capa dos livros. O sucesso é tamanho que seu próximo livro, que será lançado mês que vem, já tem sua primeira tiragem confirmada: nada menos que três milhões de exemplares.
Depois que Joel Osteen assumiu a liderança da Igreja de Lakewood, esta também passou a ser muito conhecida pelos louvores. Seu coral e grupos de louvor gravaram vários CDs de sucesso nos últimos cinco anos, vendendo mais de um milhão de cópias. Vale ressaltar ainda que o maior nome na área de louvor e adoração no mundo evangélico hispânico pertence ao ministério de Lakewood: o pastor Marcos Witt.
Sentindo o crescimento de seu ministério, Osteen resolveu investir em cruzadas pelo mundo. Ele realizou recentemente suas quatro primeiras cruzadas: no Canadá, Irlanda, Inglaterra e Israel. Na Inglaterra, pregou a uma audiência de 6 mil pessoas. O nome de suas cruzadas é “Uma noite de esperança e inspiração”.
Bem, mas já está na hora de fazermos uma avaliação crítica sobre o ministério de Osteen. Vamos a ela.

Os desvios de Joel Osteen

As críticas ao seu ministério estão relacionadas, em primeiro lugar, ao fato de que Joel Osteen, curiosamente, não prega sobre arrependimento. E o detalhe é que, ao ser confrontado recentemente sobre esse assunto, Osteen se defendeu afirmando que não gostava de “pregar sobre o pecado”. Ora, a mensagem do Evangelho não se resume a falar sobre o pecado. Esse é só um dos pontos, e um ponto necessário, já que sem arrependimento não há transformação real de vidas. O problema é que Osteen, deliberadamente, evita pregar “todo o conselho de Deus”, como diz a Bíblia, o que não é saudável para o crescimento espiritual de quem o ouve.
Além disso, suas mensagens são repletas de auto-ajuda e, de vez em quando, ele ainda flerta com algumas idéias do movimento da Confissão Positiva e da Teologia da Prosperidade. Aliás, comumente Osteen tem sido chamado de “O evangelista da auto-ajuda”. Não sei se foi por isso, mas, há pouco tempo, a revista Veja publicou uma matéria de capa sobre os “pregadores evangélicos de auto-ajuda no Brasil" justamente na época em que Osteen estava sendo badalado na mídia norte-americana como “pregador da auto-ajuda”. Teria a revista Veja notado essa tendência nos EUA e procurado descobrir o mesmo aqui no Brasil? Bem, não sabemos, mas fato é que Osteen inaugurou uma tendência nos EUA que, consciente ou inconscientemente, pode estar influenciando alguns pregadores por aqui. É verdade que Osteen ainda não é conhecido no Brasil, mas provavelmente é conhecido por alguns pregadores brasileiros que viajam à América.

Sobre a Teologia da Prosperidade

Em setembro de 2006, a revista Times publicou uma matéria de capa sobre a Teologia da Prosperidade, apresentando um debate no meio evangélico norte-americano sobre se essa doutrina é um mal ou um bem para o cristianismo. A matéria cita que há “três mega-igrejas pentecostais nos EUA” que são hoje as maiores representantes da Teologia da Prosperidade: as igrejas dos pastores negros neopentecostais T. D. Jakes e Creflo Dollar, e a Igreja de Lakewood, de Joel Osteen. Na matéria, os dois pastores destacados para falar sobre o assunto foram... Rick Warren e Joel Osteen. Warren bateu firme na Teologia da Prosperidade. Osteen, por sua vez, disse que sua visão sobre a prosperidade na vida do cristão não era tão radical como seus críticos afirmavam. A revista Christianity Today reverberou a matéria da Times, escrevendo uma nota intitulada Joel Osteen versus Rick Warren on Prosperity Gospel.
A matéria da Times começava apresentando uma pesquisa que informa que 17% dos cristãos nos EUA se dizem adeptos da Teologia da Prosperidade, 61% dos cristãos dizem que crêem que Deus quer que todas as pessoas sejam prósperas e 31% acreditam que quem é fiel nos dízimos e constantemente oferta para a obra de Deus receberá acréscimos financeiros de Deus. Em seguida, Warren é perguntado sobre se Deus quer que todos sejam ricos. Como forte opositor da Teologia da Prosperidade que é (ainda bem!), ele foi contundente: “Você está falando dessa idéia de que Deus quer que todos sejam bem-sucedidos financeiramente? Há uma palavra para descrevê-la: ‘balela’. Isso é criar um falso ídolo. Você não pode medir seus valores sobre si mesmo pelo conjunto de valores materiais que você tem. Posso mostrar a você milhões de seguidores fiéis de Cristo que vivem em pobreza. Por que nem todos nas igrejas são milionários?”
Osteen, por sua vez, apontado como adepto da Teologia da Prosperidade, ao ser perguntado, procurou fugir do rótulo, dizendo que a prosperidade que prega não é exatamente a mesma que se propala: “Se Deus quer que sejamos ricos? Quando escuto a palavra ‘rico’ para se referir criticamente ao que prego, acho que as pessoas querem dizer: ‘Ele está ensinando que todos vão ser milionários’. Mas não é isso que estou dizendo. Eu prego que as pessoas podem melhorar suas vidas. Penso que Deus quer que sejamos prósperos. Acredito que Deus quer que sejamos felizes. Para mim, as pessoas precisam ter dinheiro para pagar suas contas. Creio que Deus quer que enviemos nossos filhos para a escola. Creio também que Ele quer que sejamos bênção para outras pessoas. Eu não estou dizendo que Deus quer que sejamos todos ricos. Aliás, esse negócio de riqueza é relativo”. Apesar de certa lógica em sua afirmação, fato é que Osteen realmente flerta, algumas vezes, com a Teologia da Prosperidade. Basta ouvir duas ou três mensagens dele para perceber isso.

Retratação

Outra crítica a Osteen (mas que já foi superada, porque houve retratação) ocorreu em 2005. Naquele ano, em entrevista ao programa Larry King Live, perguntado se só havia salvação em Jesus, Joel Osteen evitou afirmar isso (Jo 14.6), preferindo dizer que “Deus conhece o coração das pessoas”. Porém, em 2006, de volta ao Larry King Live, Osteen aproveitou para retratar-se devido às críticas que sofreu no meio evangélico por essa declaração. Na ocasião, disse: “Creio que o relacionamento pessoal com Cristo é o único caminho para o Céu”.

Fenômeno sadio ou não?

Depois de tudo isso, vem a pergunta: Joel Osteen é um fenômeno sadio ou não no meio evangélico? Bem, é cedo para sermos tão categóricos. Ele ainda está no início de uma carreira ministerial que começou de forma meteórica. O tempo vai dizer que rumo seu ministério tomará. É esperar para ver.
Por agora, podemos dizer apenas duas coisas: primeiro, é fato que suas mensagens sofrem tendências perigosas e se Osteen não reverter essa tendência, passará a ser uma influência definitivamente negativa; segundo, ele aparenta ser aberto a críticas sadias e isso é muito bom.
Tomara que Joel Osteen deixe de ser "O pregador de auto-ajuda" e se torne de fato um pregador da mensagem integral do Evangelho de Cristo. Assim, com certeza sua mensagem será absolutamente uma bênção para o mundo.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Vença as tentações da auto-afirmação

Um dos tipos de tentação mais recorrentes hoje em dia é o da auto-afirmação. Refiro-me àquela vontade de deixar de lado o “confiar e descansar em Deus” e a prudência para se precipitar desesperadamente, a todo custo, em busca da concretização de seus próprios sonhos. Em síntese e em termos cristãos: em vez de a pessoa trabalhar pacientemente, esperando o momento de Deus exaltá-la, ela trabalha tresloucada e impacientemente para conseguir sua própria exaltação, e mesmo que seja pelos meios menos indicados. O que Homero chamava de areté (excelência por seus próprios méritos) e o reconhecimento são, para esse tipo de pessoa, o maior objetivo de sua vida.
Ora, desejar a excelência não é errado. Buscar fazer o melhor é corretíssimo. O problema está em procurar doentiamente o reconhecimento e até mesmo recorrendo à precipitação e a atalhos perniciosos.
Para sabermos lidar com essa tentação, bem como com qualquer outra, devemos sobretudo olhar para Jesus. O maior exemplo sempre é Cristo. Ele é o nosso modelo, o nosso manequim, o padrão a ser perseguido. Vejamos, portanto, como Jesus lidou com esse tipo de tentação.
Com cerca de 30 anos, Jesus foi batizado por João Batista no Rio Jordão. Em seguida, antes de dar início ao seu ministério, partiu para o deserto da Judéia, onde foi tentado pelo Diabo (Mt 4.1-11). Jesus estava no auge de sua juventude quando isso ocorreu. E o mais interessante é que as três tentações que Ele enfrentou ilustram perfeitamente três tentações fundamentais a respeito da auto-afirmação que são bem próprias da juventude. Aliás, a ansiedade é uma marca da juventude, embora ela se manifeste também em todos os outros momentos de nossa vida. Não é à toa que o apóstolo Pedro, ao escrever que devemos lançar sobre Deus toda a nossa ansiedade, estava dirigindo-se precipuamente a jovens (1Pe 5.5-7).
Na primeira proposta do maligno, Jesus foi sugestionado a transformar pedras em pães, sob o pretexto de comprovar sua divindade e matar sua fome, já que estava em jejum há 40 dias. Jesus não aceitou tal proposta porque, em primeiro lugar, sabia muito bem quem era e, portanto, não precisava provar nada para si mesmo ou alguém. E, em segundo lugar, por mais que já estivesse bem perto do fim de seu jejum, este ainda não havia terminado. Ele deveria esperar um pouco mais para, então, finalmente, suprir uma necessidade absolutamente justa: alimentar-se.
Assim como aconteceu com o Mestre, vez por outra acontece conosco. Às vezes temos uma necessidade a ser suprida, algo absolutamente justo, coerente, mas tal suprimento só poderá acontecer depois de concluído o tempo estabelecido por Deus para a espera.
Comer pão é pecado? Não. Não há nada de errado em comer pão. É um desejo coerente e justo. Porém, não era hora de Jesus fazer milagre para comer pão. Mais à frente, quando foi preciso, Ele multiplicou pães e peixes. Note: quando foi preciso!
Em outras palavras, através de sua atitude diante da primeira tentação, Jesus estava nos ensinando o seguinte: Não atropele os limites. Não arrombe portas. Não cruze o sinal vermelho. Seu desejo é justo? Ok. Mas e o momento? Ele é próprio ou impróprio para seu desejo ser atendido?
Só atravesse as estradas da vida no sinal verde de Deus.

Não force as circunstâncias. Espere a porta se abrir. Aguarde a hora certa! Não transforme “pedras em pães” para provar que você é realmente isso ou aquilo. Não se prenda ao que os outros dizem que você é, e nem se conforme ao que você acha que você é. Escute o que Deus diz que você é e aja consoante a orientação dEle para sua vida!
A segunda proposta do Maligno a Jesus foi a de pular do pináculo do Templo de Jerusalém, sob o pretexto de que anjos o socorreriam, amortecendo a sua queda. Ora, a idéia era tentadora demais. Havia uma multidão de circunstantes em volta do Templo, e se ela visse Jesus levitando, descendo suavemente, quebrando a Lei da Gravidade, se prostraria aos Seus pés e se convenceria de que Ele era o que afirmasse ser. Jesus iria começar ainda o Seu ministério, e tal chegada “hollywoodiana” seria impactante o suficiente para que todos reconhecessem rapidamente a importância que nEle habitava.
Porém, o Mestre não aceitou tal sugestão, afirmando: “Não tentarás o Senhor teu Deus” (Mt 4.7). Ou seja, Ele estava dizendo, em primeiro lugar, que o Senhor promete proteger os Seus, mas isso não significa que por isso vamos ficar brincando com o perigo. E, em segundo lugar, na perspectiva do que falamos no parágrafo anterior, Jesus queria dizer também que Deus haveria de honrá-lo, mas não daquela maneira. Pular do pináculo do Templo seria forçar Deus a honrá-lo logo. É a tentação de querer forçar uma situação para que as pessoas nos observem como gostaríamos que fôssemos observados.
Quantas vezes não sofremos essa tentação! Ela pode ser vista quando alguém quer ser, a todo custo, o alvo de todas as atenções de seus amigos, de algum grupo específico ou da sociedade como um todo. E quando não é percebido, em vez de confiar no Senhor e esperar o momento certo de Deus honrá-lo, resolve “pular do pináculo do Templo”, por assim dizer; decide precipitar-se. Ele faz tudo o que for possível, até mesmo uma loucura, para ter finalmente os holofotes sobre si. E quanto mais louco for o ato, melhor para chamar a atenção. É como uma criança ou adolescente que pratica algum ato contumaz de rebeldia ou passa a ter um comportamento irritante apenas para chamar a atenção de seus pais ou de seus amigos.
Se você sente-se tentado dessa maneira, lembre-se que isso é tolice. Não vai ser dessa maneira teimosa que você vai conseguir a atenção corretamente. Você não deve ser visto como um problema. É assim que o Inimigo de nossas almas quer que você seja visto pelos outros. Deus, ao contrário, quer que você seja uma bênção! “E tu serás uma bênção” (Gn 12.2).
Por fim, o Diabo ainda propôs a Jesus um caminho mais curto e “seguro” para conquistar o mundo para o Seu Reino: “Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares” (Mt 4.9). Ele estava propondo um atalho sem cruz, e exigia algo absolutamente inaceitável para isso: prostrar-se ante ele. Jesus respondeu: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele servirás” (Mt 4.10).
Essa é a tentação do “jeitinho”. Os fins não justificam os meios. Não negocie princípios e valores para chegar mais facilmente a um objetivo. Fique à vontade na vontade de Deus, por mais que isso signifique às vezes suportar uma cruz pesada. Lembre-se que depois da cruz vem a ressurreição, a ascensão e a glória. O melhor está no fim! A vitória está na fidelidade (Hc 2.4).
Por fim, se queremos vencer esse tipo de tentação, temos que observar mais duas coisas marcantes em Jesus nesse episódio: Ele só venceu o Maligno porque estava em oração e guardara a Palavra de Deus em seu coração. Palavra e oração: a vitória está aí.
Seja orientado pela Palavra e se fortaleça tanto na oração quanto na Palavra, e você vencerá todas as ciladas do Inimigo, em nome de Jesus!

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Cinco critérios básicos para identificar um teólogo liberal nos dias de hoje (e que cabem, alguns deles, também na identificação de outros desvios)

(A bela charge que abre este artigo é uma obra do meu amigo Flamir Ambrósio. Ela foi publicada originalmente em edição recente do jornal Mensageiro da Paz)
Há muitas formas de identificar teólogos liberais nos dias de hoje, mas gostaria de frisar apenas cinco critérios que acho essenciais para essa identificação (acrescentando que alguns deles também cabem em outros tipos de desvios doutrinários além do liberalismo teológico).
1) Um teólogo liberal vez por outra confunde doutrinas bíblicas com opiniões pessoais e trata doutrinas fundamentais da mesma forma que são tratadas as doutrinas secundárias. Ele ou não enxerga ou despreza essa diferença entre as doutrinas bíblicas. Por quê? Devido à sua obsessão que o cega. Mas que obsessão? Veja o ponto seguinte.
2) Um teólogo liberal sempre está em busca de uma “revolução teológica”, do ineditismo, chegando ao ponto de ultrapassar limites bíblicos claros em busca desse "ineditismo revolucionário", quando o que as igrejas precisam mesmo é de um resgate da verdadeira Teologia.
Não é preciso abrir novos poços, os que já temos são suficientes. E únicos. Basta desentulhá-los para voltarem a jorrar e saciar a sede. A Bíblia diz que quando Isaque estava sem água, não abriu novos poços, mas apenas desentulhou os poços que seu pai Abraão abrira no passado. Se tentarmos abrir novos poços, teremos que fazê-lo longe daqui, isto é, longe do terreno bíblico, e essa é uma atitude tresloucada, porque é apoiado sobre as Sagradas Escrituras que deve viver o cristão. E além disso, os poços abertos fora do terreno bíblico, quando dão água (quando dão!), são águas turvas, águas que contaminam e matam.
Para ser um teólogo relevante não é preciso "inventar a roda", procurar obsessivamente a originalidade, produzir uma nova teologia mesmo que esta choque-se frontalmente com a Palavra de Deus. É preciso, sim, voltar-se para as cisternas da Palavra, desentulhá-las (quando os inimigos se levantarem para estorvá-las), beber de suas águas cristalinas e dá-las ao povo.
3) Um teólogo liberal, ao tentar podar as pontas de um galho (ou sob o falso pretexto de fazê-lo) acaba cortando todo o galho. Às vezes, o galho está precisando ser podado mesmo. Em alguns momentos, há pontos que necessitam realmente ser aparados doutrinariamente. Porém, sob o falso pretexto de fazer isso ou em um arroubo cego, o teólogo liberal corta tudo fora, vai além da conta, joga fora o essencial junto com o pernicioso. Joga fora a água suja da bacia juntamente com o bebê.
4) Um teólogo liberal coloca a filosofia acima da Palavra de Deus. Entenda que não estamos dizendo aqui que a razão é um obstáculo à crença ou que a razão e a fé se opõem uma à outra. A fé, de acordo com a Bíblia, é um ato de pensar e, como já disse alguém, todo problema de quem tem uma fé pequena consiste exatamente em não pensar.
Quem opta por uma espiritualidade que despreza a razão termina por ou esmorecer na fé ou desaguar em sandices, bizarrias, loucuras.
De maneira alguma devemos pensar que a fé é algo meramente místico, divorciado da razão. A Bíblia está repleta de lógica. O culto a Deus, por exemplo, diz a Bíblia, deve ser “racional” (Rm 12.1,2). E como bem definiu C. S. Lewis, “a fé é a arte de admitir as coisas que a razão já aprovou, apesar da mudança de ânimo”.
Em Isaías 1.18, Deus assevera claramente que a razão é importante para Ele e para a fé, pois conclama Seu povo a “arrazoar” com Ele, isto é, pensar e argumentar com Ele. Conversar com Deus exige o ato de pensar. Enquanto a meditação oriental prega o esvaziamento da mente, a meditação bíblica, muito pelo contrário, consiste numa reflexão séria sobre o que o texto bíblico está falando conosco.
Portanto, fé e razão não são opostas.
Porém, à luz da Bíblia, aprendemos também que a fé muitas vezes ultrapassa a razão. Ela não a deprime, mas ultrapassa-a. Isso porque, como criaturas que somos, nunca podemos compreender perfeitamente as coisas espirituais, a não ser por fé. Por isso, quando a razão resolve sair de seu lugar e entrar numa esfera que não é sua, quando ela tenta suplantar a fé, acaba virando loucura. A razão só pode alçar altos vôos com segurança se atrelada à carruagem da fé.
A verdadeira fé nunca despreza, oprime ou esmaga a razão; ela eleva a razão a vôos muito maiores. Se a razão se rebela diante da verdadeira fé, ela se auto-destrói afogando-se na multidão de argumentos de seu narcisismo. A razão humana, por si mesma, nunca sondará o insondável. Ela só poderá tanger um pouco do insondável pelo auxílio do Espírito Santo, que só opera onde há a fé verdadeira.
Aliás, é importante frisar aqui que, quando refiro-me à fé ou à verdadeira fé em todo esse texto, obviamente não estou falando de fé no sentido genérico, mas de fé bíblica, fé que tem por base as Sagradas Escrituras. Essa é a fé verdadeira.
A Bíblia alerta-nos para o perigo de colocarmos a filosofia acima das Escrituras, isto é, de pensarmos que a razão por si mesma é o suficiente para tudo, que a razão não precisa da fé. Repito: a razão, sem a verdadeira fé, torna-se loucura e, por isso, embriagada em sua sandice, interpreta a fé como loucura, acha que ela é que é loucura. Está escrito: “Se alguém dentre vós se tem por sábio neste mundo, faça-se louco para ser sábio” (1Co 3.18). A expressão “louco” aqui significa não confiar totalmente e acima de tudo na filosofia, e não desprezar a verdadeira fé. Um teólogo liberal sempre é alguém que faz exatamente o contrário.
5) Finalmente, um teólogo liberal sempre invoca um discurso piedoso como justificativa para seu erro. Ele consegue achar normal justificar um erro doutrinário crasso usando o manto de uma falsa piedade e de um falso amor. Ele tenta desonestamente colocar o amor em oposição à doutrina bíblica, fazendo com que seus seguidores não percebam a loucura que estão fazendo, já que não existe verdadeiro e pleno amor onde há desprezo à Palavra de Deus.
Isso é uma estratégia antiga. Paulo já dizia que alguns em sua época ensinavam heresias, mas, mesmo assim, eram considerados corretos por alguns incautos, tudo porque portavam uma aparência de piedade. “Ninguém vos domine a seu bel-prazer, com pretexto de humildade (...) estando debalde inchado na sua carnal compreensão” (Cl 2.18).
A única diferença daqueles falsos mestres da época paulina para os teólogos liberais de hoje é apenas o tipo de bizarria doutrinária. A estratégia, contudo, é a mesma.
Como vemos, não há mesmo nada novo debaixo do sol. Já dizia Salomão.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

A Parábola da Grande Montanha

Era uma vez um grupo de alpinistas cujo objetivo era escalar a Grande Montanha. Esses alpinistas, porém, queriam fazê-lo de forma diferente dos demais. Ora, até aquele dia, todos os que tinham conseguido escalar com segurança a Montanha, chegando ao seu cume, tinham seguido um manual escrito por várias antigos alpinistas que, depois de suas longas experiências com a Montanha, foram orientados por Ela (sim, a Montanha) a descreverem-na para a posteridade por meio desse Manual. Essas orientações colocadas no Manual foram ditadas pela própria Montanha àqueles primeiros alpinistas, porque Ela queria ser escalada por todos os alpinistas e então explicou com prazer como fazê-lo com segurança. Mas não revelou tudo sobre si mesma. Só o essencial para a escalada segura.
Assim, os primeiros alpinistas registraram apenas os detalhes suficientes para qualquer outro alpinista que viesse depois deles pudesse conhecer bem a Grande Montanha o suficiente para escalá-la sem problemas. Todos que seguiam o Manual se maravilhavam como ele era preciso e, ao segui-lo à risca, no meio da trajetória, tinham suas próprias experiências com a Grande Montanha, decorrentes da obediência às orientações do Manual. Alguns destes resolveram depois até escrever sobre o Manual, dizendo o quanto ele era perfeito e indicando os pontos favoritos deles no Manual, bem como aqueles pontos que consideravam de grande importância. Escreveram seus guias do Manual. Porém, esses alpinistas faziam questão de frisar que seus livros eram só um auxílio para as pessoas que queriam estudar o Manual, e que o mais importante mesmo era as pessoas estudarem o Manual e seguirem-no ao pé da letra em sua escalada.
Além disso, apesar de para uns alguns pontos favoritos não serem os mesmos para outros, e alguns pontos considerados importantes não o serem para todos, todos que seguiam o Manual eram de comum acordo de que (1) o Manual era perfeito e que (2) havia alguns pontos bem específicos do Manual que eram, sem dúvida, fundamentais, indispensáveis, os mais importantes de todos os pontos do Manual. Com esses pontos específicos, todos concordavam, todos eram de comum acordo. Ao ponto de dizerem que, se esses pontos não fossem observados pelos alpinistas, poderiam levá-los a um desastre. Aliás, isso era até muito fácil de entender, já que no próprio Manual havia essa orientação sobre a importância e a indispensabilidade desses pontos específicos.
Porém, os alpinistas novos não levaram a sério essa recomendação e começaram a escalada desprezando muitos pontos fundamentais do Manual, valorizando só aqueles que lhes pareciam importantes. E alguns deles nem se importavam mesmo com o Manual. Diziam que o mais importante era curtir a escalada sem se importar com as regras do Manual de escalada, mesmo que o próprio Manual dissesse que havia pontos dele que não poderiam ser desprezados, pois eram orientações fundamentais deixadas pela própria Montanha. Alguns desses novos alpinistas chegaram até a propor uma revisão na interpretação sobre quais pontos seriam mesmo os mais fundamentais. E se alguém lhes alertava do perigo de fazerem isso, diziam que essas pessoas estavam influenciadas pelo que diziam os livros sobre o Manual que haviam sido escritos.
Entretanto, no final das contas, aqueles novos alpinistas se perderam na escalada. Mesmo assim, orgulhosos, alguns deles propuseram a seguinte explicação: "Na verdade, quem disse que esse não é o caminho certo para o cume da Grande Montanha?" Ao que alguém replicou: "Mas pelo Manual não parece ser?" Ao que responderam: "E quem disse que os alpinistas que escreveram esse Manual entenderam direito quando a Grande Montanha disse como era o Seu cume e como chegar a ele? Eles podem ter se confundido. Deve haver contradições no Manual, já que quem o escreveu foram alpinistas diferentes em épocas diferentes que puderam ter entendido as palavras da Grande Montanha de forma diferente. As únicas coisas que o Manual diz do qual podemos estar seguros é que isto é mesmo a Grande Montanha e ela tem um cume. Só isso. No mais, é curtir a escalada sem ficar muito preso a interpretações literalistas acerca do que diz o Manual sobre o caminho para o cume. E mesmo que isso aqui não seja o caminho certo para o cume, tenho certeza de que ainda estamos em direção a ele e já já chegaremos ao cume".
E todos ficaram à vontade naquele lugar pensando que estavam no caminho certo para o cume ou, pelo menos, a meio caminho para achá-lo. Alguns alpinistas que passavam por perto dali até alertaram aqueles alpinistas "muito inteligentes" que desprezavam os que eram literalistas no entendimento do Manual. Porém, aqueles alpinistas "muito inteligentes" não deram bola para eles.
"O quê? Isso aqui não é o caminho para o cume nem a direção certa para ele? Que nada! Quem disse que estamos errados? O Manual? Vocês é que ficam muito presos a uma interpretação literalista do Manual. Estão influenciados por esses livros sobre o Manual que escreveram tempos atrás. Lembrem-se que esses guias discordam entre si em alguns pontos! Nada garante que vocês estão certos. Além do mais, estamos bem aqui!"
Alguém até explicou: "Mas todos que conhecem o Manual concordam que vocês estão no caminho errado. Isso porque trata-se de um erro fundamental, não de pontos secundários do Manual. Aliás, leiam o Manual! Ele é claro quanto a isso. Por exemplo, no capítulo..."
"Não! Não me venha com essa! Nós conhecemos bem o Manual! Continuem seus caminhos e deixem a gente curtir a escalada do jeito que a gente bem entende."
E por ali ficaram. Até quando, ainda não se sabe.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Conheça as frágeis justificativas de Greg Boyd (um dos maiores defensores do Teísmo Aberto) para tentar sustentar seus erros doutrinários nos EUA

O texto que analisamos a seguir foi preparado anos atrás pelo pastor e teólogo Gregory Boyd, defensor do Teísmo Aberto, por ocasião de uma Conferência Geral Batista nos EUA, quando foi questionado sobre seus ensinos. Naquela oportunidade, apesar da pressão dos batistas para que fosse excluído de sua denominação (exatamente por causa do TA), ele conseguiu permanecer nela. Mas viu a membresia da igreja a qual dirigia diminuir quase 25% depois de denunciadas suas heresias. Veja as respostas dele às objeções que lhe foram feitas naquela conferência e nossa análise sobre cada uma das respostas de Boyd (sua defesa foi traduzida por Paulo César Antunes e pode ser encontrada também no site www.arminianismo.com).
Objeção 1: A visão aberta mina a onisciência de Deus
Eu afirmo (porque a Escritura ensina) que Deus absolutamente conhece todas as coisas. Não há nenhuma diferença em meu entendimento da onisciência de Deus e do de qualquer outro teólogo ortodoxo, mas eu defendo que parte da realidade que Deus perfeitamente conhece consiste de possibilidades assim como de realidades. A diferença está em nosso entendimento da natureza do futuro, não em nosso entendimento da onisciência de Deus.
Análise: Boyd afirma que Deus conhece absolutamente todas as coisas. Porém, o que diz a seguir contradiz absolutamente sua primeira afirmação. A partir do momento que ele afirma que o futuro que Deus conhece consiste não só de realidades, mas também de possibilidades, ele está dizendo que Deus não sabe de tudo.
Diz Boyd que há coisas no futuro que para Deus são apenas possibilidades, o que significa que Deus não saberia exatamente onde essas determinadas coisas vão dar. Ele as descobriria aos poucos (o que o TA chama, numa tentativa tresloucada de tentar mostrar que ainda crêem na onisciência divina, de “onisciência em movimento”; tal “onisciência” está em contraposição à verdadeira onisciência, que o TA chama de “estática”). Para Boyd, Deus teria que esperar para ver o que realmente vai acontecer em alguns casos específicos. Porém, não é isso que a Bíblia ensina (e mais à frente vamos citar textos que mostram claramente isso). Antes, porém, detenhamo-nos um pouco mais na fragilidade dessa afirmação de Boyd.
Ao dizer que o problema não é a definição de onisciência, mas a definição de futuro, Boyd tenta camuflar sua descrença na onisciência de Deus. O problema mesmo dele é com a onisciência, mas, infelizmente, ele não é honesto para afirmar isso. Desonestamente, joga com as palavras para confundir os desatentos.
É simples: quando digo que para Deus o futuro está cheio de possibilidades (como acontece com o homem), já estou partindo do princípio de que Deus não é onisciente. Não posso mexer numa coisa sem deixar de afetar a outra. Na verdade, o que Boyd está dizendo é o seguinte absurdo: “Não estou dizendo que Deus não sabe de tudo; estou dizendo que nem todo o futuro é conhecido por Ele”. Ora, Boyd, se você está dizendo que todo o futuro não é conhecido por Deus, logo está dizendo que Deus não é onisciente!
Em alguns momentos, em seus livros e artigos, Boyd repete que acredita que Deus é onisciente e, ao mesmo tempo, diz que não acredita que “essa onisciência seja plena ou exaustiva”. Ora, o termo onisciente significa “aquele que sabe de tudo”. O prefixo “oni” determina plenitude e exaustão nesse conhecimento. Logo, dizer que alguém “não é plenamente onisciente” ou “não é exaustivamente onisciente” é dizer que esse alguém não é onisciente, porque se não é pleno, se não é exaustivo, não é “oni”. Então, é ilógico dizer “creio na onisciência divina” e ao mesmo tempo “não creio que essa onisciência seja exaustiva”. O pior de tudo é saber que há pessoas inteligentes que conseguem ler uma declaração absurda dessas sem notar o erro de lógica crasso que reside nela.
Bem, mas vamos aos textos bíblicos. Isaías 46.10 e Salmos 139.1-18 (especialmente os versículos 2 a 4) são os textos mais conhecidos dentre os que afirmam claramente a onisciência de Deus (o conhecimento exaustivo de Deus em relação a todas as coisas passadas, presentes e futuras), mas gostaria de destacar ainda Hebreus 4.13 e Salmos 31.15 e 147.5. O primeiro texto diz: “E não há criatura alguma encoberta diante dEle; antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar”. Detalhe: o vocábulo usado no original grego nesta passagem e traduzido por “patentes” é o mesmo utilizado para descrever um lutador imobilizado pelo seu oponente. Ou seja, o termo traz a idéia também de submissão total. Logo, o que o escritor da Epístola aos Hebreus quis dizer mais profundamente é que todas as coisas e acontecimentos (futuros, passados e presentes) não são apenas totalmente conhecidos por Deus, mas também totalmente submissos a Ele. E isso é confirmado no segundo texto: “Os meus tempos [passado, presente e futuro] estão nas Tuas mãos” (Sl 31.15).
Portanto, os acontecimentos passados, presentes e futuros estão todos sob o controle divino; Ele os conhece e é Ele quem permitiu que os acontecimentos passados se tornassem realidade e permite que os acontecimentos presentes e futuros se tornem realidade. Logo, não há acontecimentos futuros que sejam hoje só possibilidades para Deus, mas todos os acontecimentos futuros são realidades já conhecidas por Ele, pois é Ele que os permite (dentro de Sua vontade absoluta ou permissiva).
Finalmente, o terceiro texto diz: “Grande é o nosso Senhor, e de grande poder; o seu conhecimento é INFINITO” (Sl 147.5). Ora, o futuro para nós é apenas um conjunto de possibilidades com só algumas certezas que temos por fé em Deus e na Sua Palavra. Mas para Deus, não. O Seu conhecimento é infinito!
O Senhor não manipula nossas decisões, mas Ele já sabe o que nós, pelo nosso livre arbítrio, decidiremos a seguir e administra nossas decisões livres conforme Sua vontade absoluta e Sua vontade permissiva. Ou seja, à luz da Bíblia, para Deus, o futuro já é todo realidade, não meio-realidade e meio-possibilidade.
Objeção 2: A visão aberta mina a onipotência de Deus
Eu afirmo (porque a Escritura ensina) que Deus é onipotente. Ele é o Criador de todas as coisas e por isso todo poder deriva dele. Como todos os arminianos, eu também defendo que Deus limita o exercício de seu próprio poder para conceder livre-arbítrio àqueles que ele criou à sua própria imagem.
Análise: Em primeiro lugar, Deus não é todo-poderoso simplesmente porque todo poder deriva dEle. Pela lógica que Boyd sugere, Deus não seria na verdade todo-poderoso ao pé da letra; Ele seria apenas a fonte dos poderes que existem. Dizer que Deus é “todo-poderoso” para Boyd significaria apenas isso. Porém, a Bíblia diz que Deus é todo-poderoso porque (1) tudo está sob o controle divino e (2) ninguém pode impedir Deus quando Ele deseja operar. Ninguém! É só ler Gênesis 17.1; Jó 42.2; Lucas 1.37; Isaías 43.13; 2Crônicas 20.6 e Daniel 4.35.
Em segundo lugar: Quem disse que o arminianismo afirma que o fato de Deus criar os seres humanos com livre arbítrio significa necessariamente que Deus limitou a Sua onipotência? É o velho hábito dos teístas abertos de tentarem camuflar seus erros colocando-os desonestamente na conta do arminianismo.
Para os arminianos, Deus é mesmo onipotente, Ele tem mesmo todo o poder. Deus não limita o Seu poder por causa do livre arbítrio humano. Se fosse o livre arbítrio que salvasse, alguém poderia dizer que Boyd está certo, mas quem salva é Deus. O homem não é salvo pelo seu livre arbítrio. Este apenas possibilita-o escolher ou não a salvação que só Deus poderá efetuar em sua vida (Mt 19.25,26). E se o homem não escolhe a salvação do Onipotente, ele se perde eternamente. A vontade de Deus, em nenhum momento, se submete ao livre arbítrio humano. Nem na oração isso acontece (1Jo 5.14). O ser humano, em seu livre arbítrio, é que deve escolher a vontade divina, se não, ao final, sofrerá as conseqüências de sua decisão e nada que o homem venha a fazer posteriormente poderá reverter isso. Será sofrimento eterno. Portanto, é errado ver o livre arbítrio como uma limitação da onipotência divina, posto que o homem, dentro do seu livre arbítrio, não pode mudar Deus e, se for contra Deus, sofrerá por isso.
Objeção 3: A visão aberta mina nossa confiança na capacidade de Deus para cumprir seus propósitos
Eu afirmo (porque a Escritura ensina) que Deus pode e garantiu tudo que quis sobre o futuro, visto ser ele onipotente. Eu também afirmo (porque a Escritura também ensina) que Deus nos criou com a capacidade para amar, e por isso nos capacitou a tomar decisões de algumas questões por nós mesmos. Dentro dos parâmetros estabelecidos pelo Criador, parâmetros que garantem tudo que Deus quer garantir sobre o futuro, os humanos têm algum grau de auto-determinação. Isso significa que em relação ao destino dos indivíduos particulares as coisas podem não se mostrar como Deus deseja. Se negarmos isto, devemos aceitar que Deus na verdade deseja que algumas pessoas vão para o inferno. A Escritura nega isso (1Tm 2.4; 2Pe 3.9).
Análise: Aqui há uma meia verdade. Há a vontade absoluta de Deus e a vontade permissiva de Deus, e dentro desta última o ser humano pode tomar decisões particulares. Aí tudo bem. Os problemas estão apenas em dois pontos.
Primeiro, no fato de que a concepção de Deus do Teísmo Aberto – que apresenta Deus como não sendo onipotente (não tem todo o poder) nem onisciente (não sabe de tudo) – afeta mesmo a garantia de que Deus cumprirá tudo que diz. E o argumento que Boyd usa para dizer que isso não é verdade simplesmente não tem nada a ver com o assunto. A capacidade que Deus dá aos homens de tomarem decisões particulares não significa limitação no poder de Deus. Isso porque essas decisões particulares, fruto do livre arbítrio, não são realizadas fora da vontade de Deus, mesmo aquelas decisões que ofendem a santidade divina. Elas são realizadas dentro da vontade permissiva de Deus. Logo, Deus está no controle, Ele administra essas ações. Ele não as provocou (no caso das decisões pecaminosas), não as incentivou, não se agrada delas, mas Ele soberanamente as administra. Essas ações livres do homem não limitaram Seu poder porque estão todas elas sujeitas ao Seu poder e cada uma delas terá sua recompensa segundo o Seu poder.
Por sua vez, o segundo problema está na confusão que Boyd faz entre o desejo de Deus que todos se salvem e a onipotência divina.
O fato de o ser humano ter o livre arbítrio para rejeitar a salvação oferecida por Deus não significa que Deus, portanto, não teve o poder para salvar o ser humano (logo, Ele não seria onipotente ou, como dizem os teístas abertos, cometendo um erro de lógica, “não seria plenamente onipotente” [ora, se não é pleno já não é “oni”]). Deus pôde e pode salvar, o ser humano é que muitas vezes não quer a salvação divina e sofrerá por isso. A onipotência divina não é afetada (ou “limitada”, como dizem os teístas abertos) pelo livre arbítrio quando o ser humano recusa Deus. Ao pensar o contrário, os adeptos do Teísmo Aberto, que se dizem tão arminianos, estão usando, na verdade, uma lógica calvinista.
Muitos calvinistas argumentam exatamente assim: “Se o ser humano pode resistir, logo você está dizendo que Deus não tem o poder de salvar”. Porém, na verdade, porque o livre arbítrio permite ao homem recusar a salvação, isso não significa que o livre arbítrio implica na limitação do poder de Deus. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas o que os teístas abertos dizem é o mesmo que muitos calvinistas afirmam: que tem a ver sim. Sendo que, no caso dos calvinistas, ao criarem esse problema claramente desnecessário, eles o eliminam dizendo que o livre arbítrio simplesmente não existe, que o livre arbítrio é um “escravo”, e que o que existe mesmo é apenas uma “livre agência” que Deus deu ao homem. Já os teístas abertos resolvem o “problema” criando um verdadeiro PROBLEMA, diminuindo os atributos de Deus, diminuindo Deus, chocando-se frontalmente com a doutrina bíblica; enfim, fazendo com que Deus deixe de ser Deus.
Objeção 4: A visão aberta mina a perfeição de Deus
Eu afirmo (porque a Escritura ensina) a absoluta perfeição de Deus. Eu não vejo, entretanto, que a Escritura ensina que o futuro deve ser predeterminado, ou na mente de Deus ou em sua vontade, para Deus ser perfeito. Antes, creio que a perfeição de Deus é mais exaltada quando o entendemos ser tão transcendente em seu poder a ponto de genuinamente conceder livre-arbítrio aos agentes moralmente responsáveis.
Análise: Ora, esse é outro dos tremendos assaltos à lógica que o Teísmo Aberto pratica. O que faz Deus ser Deus, perfeito, são justamente seus atributos, que são únicos e O distinguem de todos os outros seres. Se Deus não é mais onipotente e onisciente, logo Ele não é mais perfeito. Além disso, outra vez Boyd, desonestamente, tenta vincular o Teísmo Aberto ao genuíno arminianismo, ao dizer que Deus, ao conceder o livre arbítrio, estava automaticamente limitando Seu poder e limitando Seu conhecimento. Como já vimos, o livre arbítrio do homem não implica nem em uma coisa nem em outra.
Objeção 5: A visão aberta mina a força da oração
Eu afirmo (porque a Escritura ensina) que a oração petitória é nossa mais poderosa ferramenta para realizar a vontade do Pai “na terra como no céu.” Realmente, pelo fato de minha concepção permitir que o futuro seja um tanto aberto, creio que faz mais sentido por causa da urgência e eficácia que a Escritura atribui à oração.
Análise: O nosso relacionamento com Deus não muda Deus, não altera-o conforme nossa vontade. Para o Teísmo Aberto, as ações e orações do homem afetam Deus no sentido de fazer com que a vontade dEle seja alterada. Mas não é isso que a Bíblia diz. A oração, em nenhum momento, altera a vontade de Deus. Ela é que nos leva à vontade de Deus, quando oramos com nosso coração aberto, humilde e sinceros diante do Senhor. A Bíblia diz que Deus só atende à oração que é feita segundo a Sua vontade (1Jo 5.14). A oração não muda a vontade de Deus.
O texto que Boyd usa em seu favor vai exatamente contra seu ensinamento. Jesus, na Oração do Pai Nosso, ensinou que devemos orar para que seja feita a vontade de Deus na Terra “assim como no Céu” (Mt 6.10). Ou seja, Ele estava ensinando que a oração não é para que seja feita no Céu a nossa vontade na Terra, mas para que seja feita na Terra a vontade do Céu, a vontade de Deus. Um exemplo: 2Crônicas 7.14. Nessa passagem, está claro que quando nós mudamos, aceitando a vontade de Deus para nossas vidas, Deus nos abençoa. Não é Deus que muda Seu comportamento em nosso favor, nós é que mudamos nosso comportamento em relação a Ele, nos convertemos a Ele, buscamos a Sua presença, e então Ele, que sempre quer nos abençoar, nos abençoa. Por isso costumo dizer que Deus está mais interessado em nos abençoar do que nós em sermos abençoados por Ele. A questão é nosso comportamento, não Deus.
Objeção 6: A visão aberta não pode explicar a profecia bíblica
Eu afirmo (porque a Escritura ensina) que Deus pode e determina e prevê o futuro sempre que for adequado aos seus soberanos propósitos agir assim. Mas eu nego que isto logicamente requer, ou que a Escritura ensina, que o futuro seja exaustivamente determinado. Deus é sábio o suficiente para ser capaz de cumprir seus propósitos enquanto concede às suas criaturas um grau significativo de liberdade.
Análise: Sobre a primeira parte dessa afirmação, a verdade é que o futuro pode não ser exaustivamente determinado, mas é exaustivamente conhecido por Deus, e todas as livres ações dos seres humanos que Deus permite pela Sua vontade são administradas por Ele para que não firam seus propósitos eternos.
Quanto à segunda parte da afirmação de Boyd, já falamos mais acima sobre a falácia do argumento que encontramos aqui. A liberdade de escolha do homem não tem nada a ver com limitação de poder ou de conhecimento de Deus.
Objeção 7: A visão aberta é incoerente
Alguns argumentam que é logicamente impossível para Deus garantir aspectos do futuro sem controlar tudo sobre o futuro. Esta objeção tem sido levantada pelos calvinistas contra os arminianos por séculos e não é mais poderosa contra a visão aberta do que contra os arminianos clássicos. Tudo na vida, da nossa experiência pessoal às partículas quânticas, aponta para a verdade de que o eqüilíbrio previsível não exclui um elemento de imprevisibilidade.
Análise: Já falamos sobre a falácia desse argumento também. Pelo menos aqui Boyd, de passagem, assume que o Teísmo Aberto não tem nada a ver com o verdadeiro arminianismo, cuja única coisa que tem a ver com essa história toda é ter o desgosto de ver que o TA surgiu em seu meio. O TA não é arminianismo. É distorção do verdadeiro arminianismo.
Só um detalhe: Deus controla tudo sobre o futuro? Sim. Tanto os calvinistas quanto os arminianos concordam com essa afirmação, sendo que a interpretam de forma diferente; já o Teísmo Aberto não concorda com essa afirmação. Mas, à luz da Bíblia, Deus administra as ações livres dos seres humanos.
Quanto a essa história de relacionar física quântica com a Bíblia, brevemente estarei escrevendo sobre esse assunto. Aguardem.
Objeção 8: A Escritura usada para apoiar a visão aberta pode ser interpretada como antropomorfismos fenomenológicos
Esta declara que estas passagens são uma maneira humana de falar sobre coisas que parecem ser não como elas verdadeiramente são. Entretanto, nada no contexto destas Escrituras, cobrindo uma variedade de públicos, autores e contextos, sugere que sejam. Não há nenhuma razão para ler nestas descrições das ações de Deus qualquer coisa diferente da que sua mais natural explicação. Como podem relatos sobre o que Deus estava imaginando ser fenomenológicos (Jr 3.6,7; Jr 19-20; Êx 33.17)? E do que eles seriam considerados como antropomórficos?
Análise: O “arrependimento” de Deus trata-se, sim, de uma linguagem antropomórfica para explicar a relação de Deus com o homem. Não significa dizer que Deus é como o homem. A própria Bíblia nega isso contundentemente (Nm 23.19). O antropomorfismo é um recurso lingüístico milenar que foi usado não só na Bíblia. Inclusive, nas Sagradas Escrituras encontramos muitos outros recursos lingüísticos antiqüíssimos. Desprezar esse fato é forçar uma contradição na Bíblia (compare 1Samuel 15.10,11 com 15.39, por exemplo). É claro o uso desse recurso nas Sagradas Escrituras. Não se trata de um critério usado ao bel prazer, só em algumas passagens, para atender ao gosto do intérprete da Bíblia (como dizem Boyd e outros). Não perceber esse recurso claro no texto bíblico não só é desonesto como força uma interpretação de Deus que choca-se frontalmente com todo o resto do que a Bíblia diz sobre Ele.
Arrependimento significa “mudança de atitude”. Ora, quando a Bíblia diz, em linguagem antropomórfica, que “Deus se arrependeu”, está afirmando, portanto, que Ele, por causa de nossa mudança de atitude diante dEle, mudou Sua ação sobre nós, não Sua vontade.
Deus não muda. Ele continua sendo o que sempre disse que era. Nós é que muitas vezes deixamos de ser ou fazer e, à medida que mudamos, Sua ação sobre nós também muda. Não Sua vontade. Deus está sempre no mesmo lugar, nós é que nem sempre estamos no mesmo lugar onde Ele está (Sua vontade). Ele não muda, nós é que mudamos e sofremos as conseqüências naturais disso. Suas ações mudam na medida em que nós saímos do lugar em que Deus sempre esteve e nunca vai sair (Ml 3.6). E os textos que Boyd cita não contradizem isso. No último texto bíblico citado, lembremos que todas as orações de Moisés que Deus atendeu foram dentro da Sua vontade, não contra a Sua vontade.
Objeção 9: A visão aberta diminui a soberania de Deus
Pelo contrário, ela exalta a soberania de Deus. Após descrever um iminente julgamento, o profeta Joel afirma, “Ainda assim, agora mesmo diz o SENHOR: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto. E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal. Quem sabe se não se voltará e se arrependerá, e deixará após si uma bênção...” (Jl 2.12-14).
Análise: Bem, já vimos que não exalta. Pelo contrário, diminui Deus. E o texto que Boyd cita não o ajuda. A interpretação desse texto é clara e pode ser feita facilmente à luz do que já explicamos principalmente nas análises às respostas dele às objeções 5 e 8.
Como vemos, os argumentos de Boyd são um exemplo clássico de como um discurso envernizado e com tom piedoso pode esconder terríveis erros doutrinários e de lógica que só enganam os mais desatentos. Sejamos como os bereanos (At 17.11).

domingo, 19 de agosto de 2007

Abraham Kuyper: o homem que dedicou sua vida à luta por uma igreja viva e à defesa e proclamação dos valores cristãos na sociedade do século 19

Pastor, teólogo, professor, estadista e jornalista, Abraham Kuyper foi um dos maiores nomes da Igreja no século 19. Sobre ele afirmou reverendo Martin Lloyd-Jones: “Sua obra se ergue como um monumento da única oposição verdadeira a toda idéia por trás da Revolução Francesa” (Isso porque a Revolução Francesa criou sua própria religião: o chamado "culto à razão", onde Deus era rechaçado. E essa onda, infelizmente, acabou afetando também a Teologia, fazendo aflorar o liberalismo teológico).
Na época do nascimento de Kuyper, o racionalismo anticristão começava a influenciar fortemente a Holanda, antes considerada uma fortaleza da fé bíblica (Hoje, então, não há nem sombra disso lá). Só para se ter uma idéia de como estava a coisa, os próprios interesses políticos do período favoreciam essa influência. O rei William I chegou a favorecer a teologia liberal nas faculdades holandesas para enfraquecer a doutrina da Igreja Reformada e, assim, controlá-la. Foi nesse contexto que nasceu Kuyper, mais exatamente em 1837, em Maassluis, na Holanda, filho de um pastor. Ele formou-se doutor em Teologia na Universidade de Leiden em 1862. Ma isso não significa que nessa época ele estava bem. Em Leiden, o jovem Kuyper absorveu idéias antibíblicas.
Sobre esse período, diria depois: “Em Leiden, estava entre os que aplaudiram calorosa e ruidosamente quando nosso professor manifestou sua ruptura total com a fé na ressurreição de Cristo. Hoje, minha alma treme por causa da desonra que outrora infligi a meu Salvador”. Mesmo incrédulo, aceitou ser ordenado pastor de uma congregação em Beesd, povoado de Gelderland, onde ficou por quatro anos. Foi ali que se converteu.
Os membros de sua igreja, crentes fervorosos, o levaram à fé viva na Bíblia. Entre eles, a jovem camponesa Pietje Baltus. Ela fazia objeções à pregação de Kuyper, testemunhava sobre o poder transformador do Evangelho na sua vida e incentivava o líder a estudar pormenorizadamente as confissões de fé e determinados textos bíblicos. Foi nesse estudo que Kuyper rendeu-se a Cristo e compreendeu a fragilidade dos argumentos da teologia liberal.
Em 1870, Kuyper mudou-se para Amsterdã para se tornar pastor da famosa Igreja de Nieuwekerk. Ali, um milagre aconteceu: aquela cidade, antes baluarte da teologia liberal, foi avivada pela pregação do jovem pastor. Conta-se que multidões afluíam para ouvi-lo defender apaixonadamente a ortodoxia bíblica. Assim, Kuyper tornou-se o mais notório líder da ala ortodoxa da Igreja Reformada Holandesa, trabalhando por uma igreja livre do controle do Estado. Mas, como não ocorriam as mudanças devido à oposição dos adversários, cerca de 200 congregações, num total de 170 mil crentes, formaram, em 1886, “A Igreja dos Tristes”, assim chamada porque esses cristãos foram forçados, pelas circunstâncias, a retirar-se de suas igrejas. Foi uma cisão triste, mas necessária para a época.
Kuyper escreveu livros e artigos sobre Teologia, Filosofia, Política, Arte e questões sociais, expressando sempre um conceito cristão de mundo. Aliás, ele é considerado, ao lado de Francis Schaeffer, o pai do estudo da cosmovisão cristã.
Por entender que a educação teológica é da maior importância e em resposta ao liberalismo que invadira as faculdades, Kuyper fundou a Universidade Livre de Amsterdã. Quando ela iniciou suas atividades em 1880, ele declarou no discurso inaugural: “Quando nos omitimos na esfera educacional, deixando que Satanás proclame suas filosofias abertamente e sem contestação, estamos fazendo justamente o que Deus não permite: deixamos que sua glória seja dada a outrem”.
Justamente por também acreditar que “toda verdade vem de Deus”, Kuyper não criou um simples curso de Teologia, mas uma universidade onde todos os currículos, artes e ciências eram parte de uma cosmovisão bíblica. Ele lecionou ali Teologia, Homilética, Hebraico e Literatura.
Antes, em 1874, ampliando a luta, sentiu de afastar-se do ministério para, além de dedicar-se à educação, concorrer (e acabou sendo eleito) ao parlamento pelo recém-formado Partido Anti-Revolucionário, primeiro partido político moderno da Holanda. No mesmo ano, já eleito, falando ao parlamento, leu Tiago 5.1-11 e defendeu a elaboração de um código que protegesse o trabalhador, numa época em que tais códigos não existiam no mundo. Em 1900, seu partido chegou ao poder e Kuyper se tornou primeiro-ministro, função que exerceu até 1905. Suas principais conquistas foram o reconhecimento, por parte do Estado, do direito dos cristãos conduzirem suas próprias escolas; a ampliação do direito a voto; e a criação da primeira legislação trabalhista de seu país.
De 1905 a 1920 (ano de sua morte), já idoso, o incansável Kuyper decide agora passar a exercer sua influência como redator de um jornal. E conseguiu. Até hoje, suas palavras continuam vivas em seus livros e artigos, e seu exemplo permanece: o de um homem que, em sua geração, não se acomodou diante da onda liberal, mas lutou por uma Igreja viva e pela defesa e proclamação dos valores do Reino de Deus em meio a uma sociedade corrompida. Pensemos nisso.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Deixe "Neustã" ser apenas "Neustã" e Deus será sempre Deus na sua vida

Em Números 21, encontramos a história de "Neustã", a serpente de bronze que foi construída sob a orientação divina. Ela foi colocada no alto de um poste para ser observada pelos israelitas, que foram acometidos por uma praga permitida por Deus como juízo pelos seus pecados. O povo de Israel havia desobedecido a Jeová, ofendido o Seu amor e desrespeitado seu líder Moisés. O caos poderia se estabelecer se Deus não agisse. Por isso, Ele logo interviu e, pela sua misericórdia, depois do arrependimento do povo, fez com que os israelitas que olhassem para a serpente de bronze recebessem a cura.
Considerando o fato de que Deus proibiu a adoração às imagens (Êx 20.4), por que Ele fez com que Seu povo olhasse para a serpente de bronze para ser curado? Esse ato não se constituiria uma aprovação à idolatria?
De forma alguma. O episódio da serpente de bronze está longe de servir de sustentação para os que tentam justificar o uso de ídolos no culto a Deus, por pelo menos três razões.
Em primeiro lugar, porque a serpente de bronze não era um objeto para culto. Ela só foi ganhar um significado idolátrico tempos depois de Moisés. Além disso, quando ela apareceu como objeto de idolatria, foi destruída. O rei Ezequias a despedaçou e chamou-lhe "neustã", que significa “pedaço de bronze”.
“Ele [Ezequias] fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizera Davi, seu pai. Tirou os altos, quebrou as colunas, e deitou abaixo a Asera; e despedaçou a serpente de bronze que Moisés fizera (porquanto até aquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso), e chamou-lhe Neustã”, 2Rs 18.3,4 (Almeida Atualizada). Ou seja, ao chamar-lhe de "pedaço de bronze" diante do povo por ocasião de sua destruição, o rei estava querendo dizer que aquela serpente não era nada mais do que um simples objeto que não deveria nunca ganhar contornos de veneração. (Obs.: Algumas traduções dão a entender que os israelitas adoravam a serpente de bronze chamando-a de "Neustã", mas as melhores traduções, principalmente em outras línguas, entendem que o final do texto diz que Ezequias é que a chamou, por desprezo, de "Neustã". Além da Almeida Atualizada [não confundir com Revista e Atualizada], corroboram isso a King James, a Young's Literal Translation, a American Standard Version, Reina & Valera [espanhol], a Riveduta [italiana], Darby [francesa], a de Lutero [alemã] e dezenas de outras traduções).
Em segundo lugar, o poder vivificante que fluía da serpente de metal foi temporal, servindo só para aquele momento e para prefigurar a morte sacrificial de Cristo, que foi levantado na cruz para dar vida a todos que para Ele olharem com fé. Nada se fala posteriormente sobre a serpente de bronze ter mantido a sua condição de meio para o poder curador.
Em terceiro lugar, sua confecção tinha dois propósitos – um primário, que ficou claro já na época, e outro que só foi clarificado posteriormente por Cristo.
O objetivo primário da serpente de bronze era ensinar aos israelitas a submissão. Lembre-se que os israelitas haviam saído do Egito, porém se mostravam rebeldes a Deus e a Moisés. A Bíblia registra que, quando estava a rodear Edom, o povo de Israel começou a se impacientar, falando contra Jeová e Seu servo. Por isso, Deus permitiu que serpentes atacassem os israelitas, o que levou muitos à morte. Como os rebeldes logo depois reconheceram seu pecado e voltaram-se para o Senhor, Ele resolveu livrá-los do mal. Foi aí que Deus orientou Moisés a fazer uma reprodução de metal das serpentes e colocá-la sobre uma haste. À medida que as pessoas eram picadas, olhavam para a serpente sobre a haste e eram imediatamente saradas (Nm 21.4-9). Israel precisava aprender a obediência a Deus. O mesmo Senhor que protegia sua vida poderia punir conforme o erro.
O segundo objetivo foi trazido ao lume séculos depois por Jesus: “E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”, Jo 3.14-15.
Tratava-se, portanto, de uma manifestação da misericórdia divina no Antigo Testamento que apontava para a obra salvadora de Cristo. Aquela serpente de bronze tipifica Cristo, que se fez homem (bronze na tipologia bíblica representa a humanidade) e foi feito pecado por nós (o pecado é representado pela serpente) para nos salvar. Jesus fez-se pecado para que pudéssemos hoje ser livres. Aquela serpente de bronze nos diz que quem deseja ser liberto do pecado e receber a salvação deve voltar-se de coração, na obediência da fé, à Palavra de Deus em Cristo.
Porém, há outra lição que o episódio de "Neustã" nos passa. É a do perigo, muito recorrente em nossos dias, de transformarmos um simples meio – usado por Deus para manifestar a Sua graça – em um objeto de culto. Não era a serpente de bronze que curava, mas Deus. Ele só exigiu que os israelitas olhassem para a serpente de bronze para serem curados porque queria ensinar-lhes, como já falamos, a obediência e, em figura, o que Cristo faria mais à frente. Aquela simples serpente de bronze era apenas um meio e um objeto de valor didático para o povo de Israel e para nós hoje. Porém, os israelitas, tendentes à idolatria, endeusaram aquele pedaço de bronze.
Assim como aconteceu naqueles dias, acontece muito atualmente, quando, por exemplo, algum cristão idolatra um líder, um conferencista ou um cantor, que nada mais são do que simples bronze e um meio, um canal por onde a graça de Deus flui para alcançar vidas.
Quem cura é Deus. Quem salva é Deus. Quem liberta é Deus. Quem transforma é Deus. Quem toca os corações é Deus. Quem convence é Ele. Entretanto, não é raro muita gente atribuir a Neustã, ao “pedaço de bronze”, a glória que só a Deus pertence.
Quis Deus usar excepcionalmente aquele pedaço de bronze há milhares de anos como condição para a cura, assim como prefere nos usar hoje, apesar de nossas falhas, para a concretização de seus planos. Os anjos queriam realizar a nossa missão, diz o apóstolo Pedro (1Pe 1.12), mas Deus preferiu que fôssemos nós mesmos, simples bronze em Suas mãos. Logo, somos apenas canais usados pela generosidade divina.
Portanto, se é Deus, pela sua graça, que nos usa, não aceitemos os incensos que nos são ofertados, as glórias que nos são lançadas, mas remetamos todas elas a Deus, nosso Senhor, o verdadeiro curador, libertador e abençoador.
Quando transformamos um canal em objeto de culto, estamos transformando o simples bronze em um deus. "Neustã" não é Deus. "Neustã" é só "Neustã", um mero pedaço de bronze, que Deus quis usar para trazer, para transmitir algo a alguém.
Como o rei Ezequias, chamemos "Neustã" apenas de "Neustã".
E se "Neustã" está sendo chamado de “deus” em seu coração, coloque fim hoje a esse culto abominável em sua vida, em nome de Jesus.
E você que prega, ensina, canta ou dirige, detendo alguma parcela de liderança e exemplo na obra de Deus, não permita que sejas visto como algo mais do que és: um simples pedaço de bronze nas mãos de Deus.
“E se 'Neustã' já estiver a receber incensos incessantes?” Talvez seja hora de ele ser desfeito, como fez o rei Ezequias com aquela serpente de metal (2Rs 18.4). Talvez seja hora de ser despedaçado e dissolvido pelo fogo de Deus para ganhar uma nova forma, que não lembre mais a antiga, para que não mais entristeçamos o coração de Deus, mas continuemos a ser usados graciosamente por Ele. Isso se queremos, como o rei Ezequias, fazer o que é reto aos olhos do Senhor (2Rs 18.3).
Deixe "Neustã" ser apenas "Neustã" e Deus continuará a ser Deus na sua vida!

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Richard Dawkins, maior ícone darwinista, xinga Deus e a fé em seu novo livro, que será lançado no final deste mês – veja resposta a suas teses

O biólogo inglês Richard Dawkins, eleito recentemente pela publicação britânica Prospect Magazine um dos três intelectuais mais importantes do mundo (junto com Umberto Eco e Noam Chomsky, dois liberais, o que mostra muito claramente a mentalidade prevalecente em nossa época), continua sua onda de ataques à religião como se fosse esta o maior mal do mundo. Dawkins, que também é considerado o maior representante do darwinismo no planeta, terá seu livro The God Delusion (lançado em setembro de 2006 nos Estados Unidos) publicado em português no final deste mês (28 de agosto) pela Companhia das Letras, com o título Deus, um delírio. Trata-se de 528 páginas de puro ressentimento com o avanço da Teoria do Design Inteligente, que está aos poucos conquistando seu espaço no mundo científico.
Sem nenhuma novidade argumentativa, Dawkins sustenta no livro suas velhas e fraquíssimas teses, como a de que a religião (especialmente o judaísmo, o cristianismo e o islamismo) é o maior câncer da sociedade em todos os tempos "porque alimenta a guerra e fomenta o fanatismo". A única novidade desse livro mesmo é a subida de tom no discurso de Dawkins, que passa agora a xingar Deus e a fé absurdamente. Leia as seguintes palavras dele em seu novo delírio literário: “Não estou atacando nenhuma versão específica de Deus. Estou atacando todos os deuses, toda e qualquer coisa que seja sobrenatural, que já foi e que ainda será inventada”. Esse discurso não é familiar? É exatamente a definição bíblica do “espírito do Anticristo”, que já opera em nossos dias: “Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim [a Segunda Vinda de Jesus] sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou se adora” (2Ts 2.3,4).
A obra de Dawkins é uma síntese do que há de pior no fundamentalismo liberal de nossos dias. Veja você mesmo como ele se refere a Deus em sua nova obra: “Deus, no sentido da definição, é um delírio; e um delírio pernicioso. (...) O Deus da Bíblia é um dos personagens mais desagradáveis da ficção (...) Ele [o Deus da Bíblia] é ciumento, controlador mesquinho, injusto e intransigente, genocida étnico e vingativo, sedento de sangue, perseguidor misógino, homofóbico, racista, infanticida, pestilento, megalomaníaco, sadomasoquista, malévolo”.
Como se não bastasse, Dawkins ainda chama de “abuso” o direito de os pais educarem seus filhos segundo a Palavra de Deus. Ele compara literalmente a educação religiosa de crianças ao abuso infantil!
Outros adeptos das truanices de Dawkins acabam de lançar livros também. Veja só os títulos: Tratado de Ateologia, de Michel Onfray e Deus não é grande, de Christopher Hitchens. Os dois livros, que serão lançados este ano ainda no Brasil, dizem que o maior “obstáculo” e “ameaça” ao desenvolvimento pacífico da Humanidade é a religião, qualquer tipo de religião.
Como vemos, o Ocidente continua em plena guerra ideológica: fundamentalismo liberal versus valores morais e fé cristã. Só que o arcabouço argumentativo dos liberais é muito fraco. Vejamos, como exemplo, os argumentos de Dawkins, como são facilmente anuláveis.
1) “A religião faz mal à humanidade” – Depende em que sentido está se referindo à religião. Se é no sentido de fé cristã bíblica (e com certeza é também, como Dawkins deixa claro), então essa “religião” só faz bem.
Ora, qualquer atrocidade que é feita em nome da Bíblia, de Jesus, do Evangelho, não tem nada a ver com a Bíblia, Jesus ou o Evangelho. Não basta alguém dizer que é cristão e ama a Bíblia para ser considerado cristão verdadeiro. À luz da Bíblia, ser cristão é mais do que isso. Jesus disse que se o amamos realmente, devemos cumprir seus mandamentos (Jo 14.15). Se alguém diz que é cristão e, em nome de sua pretensa fé cristã, faz algo contrário à fé cristã, não pode ser considerado um verdadeiro cristão.
O verdadeiro cristianismo só fez e só faz bem à humanidade. Apenas para citar alguns exemplos bem conhecidos no meio secular: William Wilberforce e a luta pela abolição da escravatura; as milhares de obras sociais pelo mundo, que restauram vidas e famílias; o Avivamento Metodista no século 18, que evitou que a Inglaterra experimentasse uma terrível guerra civil como a França no mesmo período; a fundação de universidades; a alfabetização da Europa; a liberdade de expressão etc, etc, etc. Fora a transformação que o verdadeiro Evangelho provoca na vida das pessoas.
Enfim, outro erro crasso dentro desse pensamento é o da generalização. Ainda que existam cristãos falsos, isso não significa que todo cristão é falso e que, portanto, o Evangelho não é bom. Por essas e outras, é estranho ver Dawkins como uma das “melhores cabeças” de nosso tempo. Seu raciocínio nos leva a crer que ele é, sim, uma das piores.
2) “Ensinar religião às crianças é abuso” – Desde quando ensinar valores morais, cristãos, saudáveis, é abuso? O problema é que o mal, para Dawkins, é tudo que não é como ele acha que deve ser. Deus não é um delírio. Dawkins é que está delirando há muito tempo. Para entender melhor a loucura de suas idéias, sugiro lerem o meu artigo “A terrível intolerância do fundamentalismo liberal”, postado no dia 3 de agosto.
3) “Deus é...” – O maior pecado de todos, a mãe de todos os pecados, é o orgulho, a arrogância. Ora, as definições que Dawkins faz de Deus revelam muito sobre quem Dawkins é: um arrogante.
Para ele, Deus é “ciumento”, no sentido negativo. Ora, uma rápida análise no que a Bíblia chama em alguns momentos de “ciúmes de Deus” já é o suficiente para perceber que esse “ciúme” não tem, obviamente, nada a ver com os ciúmes humanos, pois Deus respeita a liberdade de escolha de suas criaturas. Se Ele não respeitasse, não teria nem criado seres com livre-arbítrio, mas robôs. Um ciúme, do tipo humano, o levaria a criar robôs, não seres livres. Só porque Deus não deseja que suas criaturas se percam e porque ama-as ao ponto de fazer de tudo para que não se percam, mas sempre respeitando o livre-arbítrio de suas criaturas, Ele é ciumento no sentido negativo? Não! Esse “ciúme” de Deus é amor! Verdadeiro amor! É a arrogância de Dawkins que o faz ver o contrário, torcer o significado claro do texto bíblico.
Deus é “controlador mes-quinho” só porque não permite o pecado e governa o universo sob valores morais claros? Se Deus não se importasse com o pecado, Ele seria o que, então? Digamos que o mundo fosse como Dawkins queria que fosse, sem um resquício dos valores morais e bíblicos. O que teríamos? (Se quiser, leia a postagem “Entenda o processo de desconstrução da fé” do dia 8 de agosto para ver o que teríamos e entender melhor o absurdo desse pensamento).
Deus é “injusto, intransigente e vingativo” só porque julga a iniqüidade? Ele é “genocida étnico”, só porque no Antigo Testamento se levantou contra nações ímpias que queriam destruir Seu povo Israel? Deus é “sedento de sangue” só porque no Antigo Testamento exigia o sacrifício de animais pela expiação da culpa, para cobrir o pecado de seus filhos, e chegou ao ponto de sacrificar Seu próprio Filho, como registrado no Novo Testamento, como sacrifício definitivo e suficiente para salvação de todos aqueles que quiserem ser salvos? Isso não seria amor e justiça verdadeiros?
Deus seria “perseguidor misógino” só porque estabeleceu os lugares específicos da mulher e do homem, em vez de querer que a mulher seja como o homem em tudo e vice-versa? Deus não é feminista nem machista. Deus é o Senhor de toda a criação, e em Cristo “não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3.28). Deus é “homofóbico” só porque é contra o homossexualismo?
Deus é “racista” se a Bíblia diz que Deus não faz acepção de pessoas e deseja que todos, de todas as etnias, sejam salvos (At 10.34,35; 1Tm 2.3,4)? Deus é “infanticida impiedoso”, se as crianças que foram mortas na destruição de cidades ímpias, que queriam destruir os israelitas do Antigo Testamento, foram, à luz da Bíblia, para o Céu?
Como morreram com uma idade em que ainda não eram conscientes e responsáveis por seus próprios atos moralmente, essas crianças não se perderam. Ao contrário, estão melhores do que nós hoje, pois estão no Céu. As seguintes passagens bíblicas dão suporte claro para a salvação das crianças que morrem na primeira infância: 2Samuel 12.23, que fala do bebê, filho de Davi com Bateseba, indo direto para o Céu; Isaías 7.16, que afirma que existe uma idade em que a criança se torna responsável; Salmos 139.14-16, que fala de crianças escritas no livro de Deus no Céu; e Marcos 10.14, dentre algumas outras passagens.
Logo, ao morreram na destruição daqueles cidades ímpias que queriam destruir Israel, as crianças estavam sendo alvo de um ato misericordioso de Deus, que tirou-as de um ambiente extremamente pervertido para trazê-las à sua santa presença.
Deus é “pestilento” só porque julgava a iniqüidade muitas vezes com pragas? Deus é “megalomaníaco” se Ele é DEUS? Deus é “sadomasoquista” porque se permitiu sofrer pela humanidade na pessoa bendita de Jesus (Deus encarnado)? Enfim, depois de tudo isso, Deus é “malévolo”?
Não, Dawkins. Você é que é. E muito.

domingo, 12 de agosto de 2007

Assista a comunicado sobre cisão na Assembléia de Deus Betesda por causa do Teísmo Aberto

O vídeo acima foi veiculado em canais de tevê do Nordeste nas últimas horas. Enfatizamos mais uma vez neste blog que o fato entristece-nos e, como irmãos em Cristo, devemos orar. Porém, não podemos também deixar de alertar quanto aos males que o Teísmo Aberto começa a causar no Brasil. Mesmo que outros interesses (além da preocupação doutrinária) existam por trás dessa cisão, fato é que ela só se deflagrou, só se tornou possível, porque ensinos equivocados, contrários à Palavra de Deus, começaram a ser claramente ensinados. Não podemos perder isso de vista, pois foi aí que tudo começou.
Mais sobre o assunto, inclusive uma análise sobre o que realmente é o Teísmo Aberto, os perigos de seus pressupostos para a ortodoxia bíblica e a gênese da expansão desse ensinamento no Brasil, você pode encontrar no texto abaixo, postado em 10 de agosto.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

O canto de sereia do Teísmo Aberto já começa a provocar divisões no meio evangélico

É com tristeza que recebemos a notícia de que o Teísmo Aberto já está provocando terríveis resultados em nosso país, algo que temíamos que acontecesse. Uma importante denominação evangélica no Brasil, sobretudo no Nordeste e em São Paulo, está "rachando" justamente por causa disso. Trata-se da Igreja Betesda. Membros da referida igreja no Nordeste (que ainda preservam o antigo nome de fundação - Igreja Evangélica Assembléia de Deus Betesda, fundada em 1981 pelo jovem pastor Ademir Siqueira Gonçalves), preocupados com os ensinos do Teísmo Aberto em sua denominação, resolveram “desvincular-se doutrinariamente” da Igreja Betesda de São Paulo, liderada pelo pastor Ricardo Gondim Rodrigues. A decisão foi divulgada primeiramente em uma nota no jornal Diário do Nordeste de 7 de agosto. Porém, desde o início da semana, o site do pastor Ricardo Gondim já estava "de luto" por causa do ocorrido.
Para quem não se lembra, tudo começou no início de 2005. Devido à comoção mundial provocada pela tsunami arrasadora do Natal de 2004, alguns pensadores evangélicos no Brasil (sobretudo os pastores Ricardo Gondim e Ed René Kivitz, da igreja Batista de Água Branca - SP) passaram a propagar a necessidade de uma nova compreensão de Deus chamada Teísmo Aberto ou Teologia Relacional para tentar explicar a seguinte dúvida que, via de regra, surge sempre após alguma catástrofe natural de grande porte: “Se Deus é bom e todo-poderoso, como pode Ele permitir catástrofes desse tipo?”
Na verdade, a tsunami foi apenas a catalisadora do movimento, já que o Teísmo Aberto (passarei a chamar de TA daqui para frente) já começava silenciosamente a ganhar adeptos em alguns pequenos círculos de reflexão teológica em nosso país, devido à descoberta (e em alguns casos, à redescoberta) da obra de teólogos estrangeiros defensores dessa nova visão de Deus. Refiro-me aos escritos de Jürgen Moltmann e Wolfhart Pannenburg (teólogos já octogenários) e a obras mais recentes, como as de Clarck Pinnock, Greg Boyd e John Sanders.
Ainda em 2005, devido à expansão do TA, à importância do assunto, à ausência de reflexão teológica sobre o tema no meio pentecostal (entre outros ramos protestantes já havia) e à constatação de que alguns crentes desavisados já estavam flertando com as idéias do TA, senti a necessidade de entrar na linha de frente contra essa nova interpretação do Deus da Bíblia. Naquele mesmo ano, escrevi artigos na revista Manual do Obreiro (julho/2005) e no jornal Mensageiro da Paz (setembro/2005), órgão oficial da Assembléia de Deus no Brasil, combatendo os pressupostos do TA. Em dezembro de 2006, lancei meu quinto livro – Como vencer a frustração espiritual –, onde inseri um capítulo inteiro falando sobre os perigos de aderir à falácia do TA. Enquanto isso, o assunto continuava a ser debatido em blogs e artigos em outras revistas evangélicas. Aos poucos, o TA deixou de ser visto como uma “diferença teológica de somenos importância” para ser entendido como doutrina perigosa para quem deseja uma espiritualidade sadia.
Como repercussão do debate, que naquela época já envolvia vários setores do meio evangélico (os batistas, por exemplo, já começavam a refletir seriamente sobre o assunto), em 16 de janeiro de 2007, o Portal Elnet publicou uma matéria alertando sobre os perigos do TA. Na ocasião, tive o privilégio de, juntamente com o pastor presbiteriano Augustus Nicodemos, ser entrevistado para apontar os equívocos desse pensamento. Depois de publicada a matéria, os colegas jornalistas do portal contaram-me que quiseram até entrevistar os defensores do TA, a fim de que defendessem suas teses frente aos nossos argumentos, mas, estranhamente, os pregadores do TA se negaram a falar algo sobre o assunto. De lá para cá, alguns desses teólogos relacionais passaram até a afirmar, sem muita convicção, que "não era bem assim", que não eram "tão" adeptos do TA, etc. Porém, recentemente, aconteceu uma recaída, o que foi fatal.
Aproveitando que, devido a esse fato, o TA volta à tona nos debates, exponho, a seguir, uma análise sintética sobre o que é realmente o TA e porque seus pressupostos são perigosos.

O que é Teísmo Aberto?

O Teísmo Aberto (Open Theism), também chamado de Abertura de Deus (Openness of God) ou Teologia Relacional, é um falso ensino que nasceu em meio ao debate entre duas correntes teológicas: o arminianismo e o calvinismo. Na ânsia de defender o arminianismo, alguns teólogos, líderes e pensadores evangélicos descambaram para essa teologia equivocada. Trata-se de um arminianismo bizarro, rejeitado tanto por calvinistas quanto por arminianos.
Teísmo Aberto é uma invenção teológica que declara que (1) o maior objetivo de Deus é entrar num relacionamento recíproco com o homem, onde o Criador é afetado pela criatura e aprende com ela; (2) que todas as referências bíblicas a Deus devem ser interpretadas sem qualquer antropomorfismo; (3) que Deus criou um mundo onde Ele pode ser afetado pelas escolhas dos homens; e que (4) Deus não conhece o futuro plenamente, nem as escolhas livres que suas criaturas ainda farão.
Em outras palavras, o TA apresenta um Deus mais humano, mais vulnerável, que não tem tanto controle sobre as coisas. Por isso, é um Deus mais palatável para as pessoas que querem entender o problema do mal no mundo sem culpar a Deus.

Os cinco pilares do Teísmo Aberto

O Teísmo Aberto ensina, basicamente, cinco coisas:
1) O maior atributo de Deus é o amor – No TA, este atributo divino é normalmente enfatizado em detrimento a todos os demais atributos de Deus. Todos os atributos divinos, mesmo sua imutabilidade, sua onisciência e sua onipotência, são diminuídos e reinterpretados para favorecer o atributo do amor. Porém, a Bíblia nos apresenta todos os atributos divinos coexistindo em equilíbrio. Deus não é amor e mais ou menos onisciente e onipotente. Ele é amor e plenamente onisciente e onipotente (Gn 17.1; Jó 42.2; Sl 139 e Is 46.10). A Bíblia não apresenta incoerência na coexistência dos atributos de Deus. Deus é onipotente e justo ao mesmo tempo. O amor de Deus não é incompatível com a Sua onipotência.
O que é onipotência? É a qualidade de ter todo o poder. O vocábulo oni significa “tudo” ou “todo”. Logo, quando dizemos que Deus é onipotente, não estamos dizendo simplesmente que Ele é poderoso, mas afirmando que só Ele detém todo o poder. Há muitas passagens na Bíblia que realçam esse atributo divino (Gn 18.14; 2Cr 20.6; Jó 42.2; Sl 62.11; 147.5; Is 14.27; 43.13; Dn 4.35; Lc 1.37). Deus se apresentou como o Onipotente a Abraão (Gn 17.1) e a Jó (Jó 40.1-2). Jesus, Deus encarnado, afirmou que “todo o poder” lhe foi dado “no Céu e na Terra” (Mt 28.18). Ele “sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hb 1.3). E mais: “Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3).
2) Deus não é tão soberano assim Para os seguidores desse neologismo teológico, só pode haver pleno relacionamento entre Deus e o homem se o Criador construir a História com o auxílio do homem, no sentido de o homem ter o poder de frustrar Deus e mudar as decisões divinas. O futuro só pode ser construído a partir da conjunção entre Deus e as decisões humanas. Segundo eles, Deus se adapta à vontade e às decisões dos homens, e não pode realizar tudo que deseja, só com o auxílio do homem.
“O homem é o sujeito da História. A História não está sob o controle divino totalmente. Conforme as decisões dos homens, Deus vai definindo como será a História. O futuro, como diziam Moltman e Pannemburg, está em aberto, até mesmo para Deus!”, afirmam.
Isso contraria frontalmente o ensino bíblico. Diminui Deus e exalta o homem. O ser humano tem autonomia para tomar suas decisões, mas nenhuma decisão humana pode mudar aquilo que já foi estabelecido por Deus (Is 46.10).
Há a vontade permissiva e a vontade soberana de Deus. O homem pode tomar decisões e mudar contextos até onde isso não contrarie o que já foi determinado pelo Criador. Deus é o Senhor da História, não o homem.
A máxima do TA de que “Deus cedeu lugar ao homem após a Criação do mundo” é um erro grosseiro. Quando lemos Gênesis, encontramos Deus intervindo diretamente na História, como Senhor da História, na salvação de Noé e sua família, no chamamento de Abrão, na vida de Isaque e Jacó, na vida de Jó, na libertação de Israel do Egito etc. De Gênesis a Apocalipse, Deus age na História. Ele não é um ser passivo. Ele é ativo. Deus não saiu de cena após criar o mundo, dizendo: “Seres humanos, agora é com vocês!”

3) Deus não conhece o futuro – O TA acredita que Deus não conhece o futuro. Os adeptos dessa teoria se dividem entre dois argumentos. Uns dizem que Deus não pode conhecer o futuro porque o futuro não existe. Logo, é impossível algum ser ter presciência. Por conseguinte, o futuro está aberto até para Deus (sic). Outros teístas abertos afirmam que mesmo que Deus tenha o poder de saber o futuro, Ele o ignora porque escolheu não saber o que virá (sic). Assim, o futuro, também nessa perspectiva, está em aberto para Deus.
Um elemento muito importante para esse pensamento é a crença de que Deus não está fora do tempo, vendo o passado, o presente e o futuro como se fossem uma só coisa para Ele. Para o TA, Deus está dentro do tempo e sujeito a ele. O tempo, segundo eles, é uma realidade que antecede o Criador ou coexiste com Ele. Porém, a Bíblia afirma que Deus é Eterno e transcendente (Is 57.15). Ele não teve começo e não terá fim, e o tempo foi criado por Ele (Sl 90.2). Deus sabe de tudo antes de tudo acontecer. Ele não está preso ao tempo (Sl 102.27).
4) Deus se arrisca – “Deus se arriscou ao criar seres livres e racionais. Ele não sabia que decisões os anjos e os homens tomariam depois de criados, e ainda hoje o Criador se arrisca com suas criaturas, pois ignora as escolhas futuras delas”. Absolutamente equivocado. A Bíblia diz que Cristo é “o Cordeiro de Deus imolado antes da fundação do mundo” (1Pe 1.19-20 e Ap 13.8). Deus já sabia de tudo que iria acontecer e de antemão elaborou o Plano da Salvação. Deus não foi e não é pego de surpresa!
5) Deus comete erros, aprende e muda – Segundo o TA, como Deus desconhece o futuro, Ele aprende com as realidades à medida que elas vão acontecendo. O Deus da Teologia Relacional é vulnerável, comete erros, aprende com eles e muda de posição. De acordo com o TA, Deus muda seus planos constantemente. Por isso, os adeptos desse pensamento ensinam que é errado afirmar que quando a Bíblia fala que Deus “arrependeu-se” está usando um antropomorfismo. Para eles, Deus arrependeu-se mesmo. Ele mudou de idéia. Deus é mutável. Ele é totalmente passível de influências do ser humano.
Porém, a Bíblia diz claramente que Deus não se arrepende e Ele não muda (Nm 23.19-20 e Ml 3.6). O “arrependimento” de Deus é antropomorfismo mesmo. Ou seja, é uma expressão humana usada para tentar explicar ao ser humano Deus e suas manifestações, posto que Deus não é como o ser humano.
Se quiser saber mais sobre o assunto, é só ler o capítulo 9 do meu livro Como vencer a frustração espiritual (se quiser adquiri-lo, entre em http://www.cpad.com.br/ ou acesse o link do livro na coluna de links ao lado das postagens). Também há outros bons livros no mercado falando exclusivamente sobre o assunto.
Em julho deste ano, a revista de apologética cristã Resposta Fiel, da qual sou editor pela graça de Deus, iniciou a publicação de uma série de artigos do teólogo norte-americano Norman Geisler sobre os erros do TA. Os artigos foram publicados originalmente nos Estados Unidos como tréplica à réplica do teólogo John Sanders (defensor do TA nos EUA) às críticas de Geisler ao TA. A segunda parte da série de artigos sairá na edição do terceiro trimestre de Resposta Fiel, que sai em outubro. Se quiser adquirir a revista, entre no site http://www.cpad.com.br/