quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A Alma e o Tempo

Quando a alma percebe o seu Amado no pano de fundo do tempo, por trás do tempo, ela aceita tudo que o tempo lhe pode proporcionar como bênção e expressões de amor. O que víamos com a lente do desânimo e da crítica como equívocos agora são vistos nitidamente como são na realidade – coisas imprescindíveis.
Ela vê tudo como necessidades, não erros. Ela aspira ao amor em cada momento. Ela vê uma mão amiga em cada porta aberta ou lacrada pelo tempo. Ela descobre Deus no tempo e isto lhe concede sensações agradáveis, estimulantes e refrigério.
Kairós guia cronos. Kairós usa cronos como método para tocar a alma. Kairós é a ação de Deus no tempo, é Deus fazendo os horários e a agenda da nossa vida.
Em síntese, a alma e o tempo são dois assuntos que podem ser contemplados por dois prismas diferentes: a alma em relação ao tempo ou o tempo em relação à alma, ou melhor, o tempo da alma ou a alma do tempo.
Alma e tempo, tempo e alma; a alma do tempo, o tempo da alma. Isto é mais do que um trocadilho de palavras.
A alma do tempo é a essência do tempo, o que podemos extrair dele; são lições que tentam nos passar. São elas que dão significado à existência do tempo. O tempo existe para nós sermos burilados e amadurecidos para Ele.
E o tempo da alma? A alma é imortal, e sua existência é tecida basicamente pela agonia e pelo amor. E o que vai determinar o sabor e os consequentes adjetivos da sua existência é o ambiente onde a alma se nutre. Quais os ambientes possíveis para ela?
O primeiro é o clima do inferno. Quando alguém não se rende a Jesus e se entrega aos vícios, ao mal, está implementando uma extensão do inferno na sua alma. O tempo do existir, para ele, se torna angustiante, a despeito de eventuais prazeres terrenos. Se eu cultivo o inferno na alma, a alma irá para o inferno.
O segundo é o clima do céu, as “regiões celestiais”. Quando me lanço nos pés de Deus, o céu desce à minha alma e o prazer se estabelece. Se eu cultivo o céu na alma, a alma irá para o céu.
Sempre o ambiente da minha alma será uma pequena maquete, uma pequena amostra, do meu destino pós-morte e o definidor das minhas angústias ou prazeres que sinto.
O Tempo regra a alma enquanto a alma se encontra no tempo [Uso o termo "Tempo" para referir-se ao ambiente onde estamos, o cosmos onde vivemos; e o termo "tempo" para se referir à nossa vida individualmente no Tempo. Quem conhece o livro Refelexõs sobre a Alma e o Tempo já está habituado ao uso diferenciado que faço desses termos a partir das iniciais maiúscula e minúscula]. Entretanto, quando a alma romper a esfera do tempo pelo toque da morte (às vezes doloroso, às vezes suave), o Tempo deixará de ser, mas para algumas outras almas (que ainda esperam o toque liberador da morte) continuará sendo, até que venha o instante em que o Deus da alma e do Tempo acabará com este último, pois este não se fará mais necessário. O Tempo existe por causa da alma e não a alma por causa do Tempo.
A partir desse período, quando o Tempo dará seu último suspiro e não se falará mais dele, não existirá mais hora, segundo ou milésimo, nem o dia terá mais seus fins e começos interligados por noites. A definição e limitação que acompanharam nossa vida no Tempo darão lugar a uma doce 'prolixidade', a maravilhosa ininterruptabilidade da eternidade.
O horário, que muitas vezes nos dizia quando sermos e quando não sermos, quando termos e quando não termos (pois já dizia Salomão que há tempo para tudo debaixo do sol), dará lugar ao ser para sempre e ao ter para sempre. As separações não mais ocorrerão.
Cumprir-se-á, então, os dizeres gravados no Relógio de Sol do Seminário de Princeton, nos EUA: “Unidos pelo Tempo. Separados pelo Tempo. Unidos, novamente, quando não houver mais Tempo!” E eu acrescentaria: “E para sempre!”
Os “atés” darão espaço para as reticências, o finito dará lugar ao infinito, a transitoriedade ao sem fim, a trivialidade no ambiente do Tempo será substituida pelas novidades sem término da liberdade que existe na eternidade.
As estações desvanecerão, nunca mais outono ou inverno, mas só primavera e verão; sempre haverá dia, nunca noite.
Os nossos passos não serão mais cronometrados, nossa vida não será mais regida pelo som incessante de tique-taques do relógio a nos provocarem ansiedade; não haverá mais pressa, demora, disputa, corrida, correria, adiantamento, atraso, agitação ou espera.
Não entenda essas minhas palavras como se eu estivesse a contradizer-me, afirmando que, naquele dia, acharemos que o Tempo foi péssimo. Pelo contrário, estaremos certos de que, de alguma maneira, ele foi bom para nós, mas agora nos espera o melhor – o céu com Deus.
O céu é um lugar preparado para um povo preparado, e esse preparo é feito no chão deste planeta. Por isso, quando saírmos daqui, não nos sentiremos como pessoas que passaram décadas dentro de uma cela escura e agora são postos em liberdade. Nos sentiremos como pessoas que passaram anos numa faculdade até receberem seus diplomas.
Quem é salvo sabe que a felicidade existe, começa na terra e existe apesar dos problemas. Lá no céu, ela existirá em maior grau e sem a presença do sofrimento e da espera. O Tempo terá cumprido o seu papel de universidade da alma.
Diante desta possibilidade, a alma exclamará: “Vitória!” – O alvo terá sido finalmente alcançado.
Mas, para alguns, em algum lugar no universo, a saída do Tempo não representará vitória, porém a concretização de uma terrível, sem precedentes e inesperada tragédia. Tudo será o oposto: noite sem fim, gemidos sem resposta, dores lancinantes, ranger de dentes, desespero, horror, angústia. Eles perceberão como o tempo, que foi desprezado, era importante, e desejarão que volte, mas será impossível.
Enquanto para uns o infinito será o começo, para outros será o fim. Enquanto para alguns a eternidade será um belo começo sem fim que abrirá portas para outros começos extraordinários, para outros será o terrível fim sem fim, o começo da impossibilidade de começos. Destinos, percepções e situações distintas para aqueles que viveram no tempo antagonicamente.
Estejamos certos: o que fazemos e o que deixamos de fazer no tempo, as nossas principais decisões aqui, afetarão a nossa estada na eternidade.
Mais do que nunca, sob a ótica desta verdade, consideremos a nossa alma e o nosso tempo e, acima de tudo, o nosso Deus, que nos assiste fora do Tempo, mas ao mesmo tempo (porém sem estar como nós, preso ou sujeito ao Tempo) na nossa alma, trazendo um pedaço da eternidade ao nosso pequeno e frágil coração.
Que sua alma, neste tempo, tenha e mantenha esta oração:

Deus, ajude-me a não odiar o meu tempo e amar a eternidade contigo mais do que qualquer coisa. Ajude-me a viver para Ti nesse mundo com toda intensidade do que eu sou. Ajude-me a conhecer o meu tempo, a me refazer quando preciso, a me esquivar quando for necessário, a saber quando dizer ‘sim’ e quando dizer ‘não’. Quero acertar o relógio da minha alma com o Teu. Não quero nunca me adiantar ou me atrasar em relação à Tua Vontade, Senhor. Fecha todas as portas para mim, a não ser a certa. Quero sempre perceber e aproveitar o tempo oportuno e ideal. Que haja sempre sincronia entre cronos e kairós.
Amante e Amado da minha alma, ajude-me a suportar o que esta dimensão pode me reservar e aproveitar cada situação abstraindo-a e, assim, obter inferências, novos conteúdos para meu caráter. Auxilia-me a reconstruir cenários neste chão passageiro que sirvam de marcos que ajudem muitos e estimulem o louvor ao Teu Nome. Concede-me em tudo que eu sempre veja que somos do Eterno, mas estamos emprestados ao Tempo, para que o Tempo, que foi feito pelo Eterno, nos molde, até o momento tonicamente anelado em que sairmos do Tempo ao Eterno para no Eterno permanecermos. É o que te peço, sinceramente, em nome de Jesus”. Amém!


Se essa for a sua oração, o Deus do tempo terá com certeza se tornado o Deus da alma. Você sempre encontrará Deus no seu tempo e pode estar seguro de que viverá eternamente com Ele no além-Tempo. Ele o ajudará! Você conseguirá, em nome de Jesus!
'O Senhor te guardará de todo o mal; Ele guardará a tua alma' (Salmos 121:7a).

(Este texto foi extraído da minha obra Reflexões sobre a alma e o tempo, lançada pela CPAD em 2001. Dedico esta mensagem à memória do irmão Josias, meu sogro, que partiu para a eternidade em 29 de setembro)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Links importantes e recentes sobre o ataque à democracia hondurenha

Como alguns irmãos e amigos me pedem mais links de artigos sobre Honduras, ei-los:
Um manifesto contra o ato vergonhoso do Brasil contra Honduras assinado pela comunidade brasileira da cidade hondurenha de San Pedro Sula:
http://notalatina.blogspot.com/2009/09/manifesto-publico.html

Artigo do ex-preso político cubano Armando Valladares, que foi embaixador dos Estados Unidos na Comissão de Direitos Humanos da ONU durante os governos Reagan e Bush, e que recebeu recentemente um prêmio de jornalismo na Europa pelos seus artigos em defesa da liberdade no mundo:
Um artigo de quatro páginas do professor Lionel Zaclis, doutor e mestre em Direito, publicado no famoso site Consultor Jurídico, no qual ele mostra didaticamente, por A + B, que não houve golpe em Honduras (É o tal artigo citado pelo Merval Pereira em sua coluna de hoje no jornal O Globo e que mencionei no início da tarde de hoje no espaço de comentários da última postagem):
http://www.conjur.com.br/2009-set-22/apoio-zelaya-despreza-processo-constitucional-hondurenho-deposicao

Artigo da jornalista Graça Salgueiro ressaltando a ilegalidade do ato brasileiro em Honduras e denunciando a orquestração do Fórum de São Paulo:
http://www.midiasemmascara.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=8935:brasil-opcao-preferencial-pela-ilegalidade-parte-2&catid=9:governo-do-pt&Itemid=15

A informação de que a Biblioteca do Congresso americano promoveu um estudo com especialistas para estudar o caso Honduras, e a conclusão foi a obviedade de que não houve golpe nenhum em Honduras:
http://schock.house.gov/News/DocumentSingle.aspx?DocumentID=146377

http://www.laprensahn.com/Ediciones/2009/09/24/Noticias/Destitucion-de-Zelaya-fue-legal-Informe-de-EUA

A jornalista Graça Salgueiro conta o que foi que aconteceu nos bastidores da viagem de Zelaya à embaixada brasileira em Honduras:
http://notalatina.blogspot.com/2009/09/ultimas-noticias-de-honduras.html

A nota de repúdio do governo hondurenho ao ato vergonhoso do Brasil:
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/integra-da-nota-em-que-o-governo-interino-acusa-a-ingerencia-de-lula/

A União de Organizações Democráticas da América critica os que apoiaram o regresso clandestino de Zelaya:
http://www.heitordepaola.com/publicacoes_materia.asp?id_artigo=1258

Artigo do presidente de Honduras, Roberto Micheletti, publicado em 22 de setembro (terça-feira agora) no jornal The Washington Post:
http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2009/09/21/AR2009092103111.html

E vale a pena reler o editorial de quarta-feira (23 de setembro) do jornal Wall Street Journal sobre o erro do governo Obama em cair na conversa de Lula-Chavez-Ortega etc de que houve golpe em Honduras e ressaltando ainda que se houver uma tragédia naquele país, o atual governo americano será um dos principais culpados:
http://online.wsj.com/article/SB10001424052970204488304574427403985118892.html

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Vergonha, asco, nojo é o que sinto ao ver o que estão fazendo (incluindo meu país) com Honduras







Protesto contra Zelaya reunindo 20 mil pessoas nas ruas da capital hondurenha hoje à tarde
É vergonhoso, e de dar asco, o que o presidente Lula e seus parceiros do Foro de São Paulo estão fazendo com Honduras. Estes dois últimos dias foram daqueles em que dá vergonha de ser brasileiro. Pensei em escrever algo a respeito, mas lembrei-me que já havia dito tudo sobre o assunto. Quem estiver interessado, favor leia (ou releia) as postagens deste blog publicadas nos dias 1 de julho e 8 de julho, e todas as minhas interações-artigos nos respectivos espaços de comentários destas referidas postagens. Inclusive, em 6 de julho, às 16h06, eu já dizia:
Um homem que desrespeitou a Constituição e todas as instituições do país (Suprema Corte, Congresso Nacional, Exército, Procuradoria Geral, Tribunal Eleitoral etc) e por isso é rechaçado, segundo pesquisas, por 70% da população; que não tem o apoio dos principais segmentos da sociedade civil (igrejas [Igreja Católica e todas as igrejas evangélicas], empresas, entidades de direitos humanos do país etc); um homem que foi legalmente deposto, como pode ele ser empurrado “goela abaixo” do povo hondurenho e das instituições?!? Como?!? Trazê-lo de volta vai criar aquilo que hoje não há em Honduras: uma crise, o caos, a desordem, uma guerra civil. Porque voltar ao poder significa cuspir no rosto de todas as instituições, rasgar a Constituição e desrespeitar a vontade do povo. Quem quer trazer Zelaya de volta em nome da estabilidade estará desestabilizando o país, provocando uma crise, uma guerra civil, derramamento de sangue”.
Não precisava ter "bola de cristal" para antever isso.
Na esteira desse assunto, pretendo posteriormente escrever apenas mais um artigo, desta feita sobre a tristeza de ver os caminhos tenebrosos que o nosso país está tomando ideologicamente. No mais, para inteirar-se corretamente sobre Honduras, indico aos irmãos e amigos acompanharem a verdade sobre os acontecimentos nos blogs dos jornalistas Graça Salgueiro, Heitor de Paula, Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes. Leiam ainda os jornais de Honduras (El Heraldo, por exemplo). E, dos EUA, só merece algum respeito ainda sobre esse assunto, dos jornalões, o Wall Street Journal. Só. Indico, por exemplo, três links do WSJ (este, este e este aqui).
Ademais, oremos por Honduras. Oremos!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Sobre a candidatura de Marina Silva e o caso Universal-Record

Como já é sabido por todos, a assembleiana Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, oficializou em agosto sua saída do Partido dos Trabalhadores (PT), ao qual estava filiada havia mais de 20 anos. No final do mesmo mês, depois de ser capa de algumas das principais revistas semanais do país devido à possibilidade de se lançar como candidata à presidência da República em 2010, ela oficializou sua entrada no Partido Verde (PV) e confirmou a possibilidade da candidatura à presidência da República ano que vem. Bem, desde então, alguns irmãos por e-mail e pessoalmente me perguntam o que acho sobre a possível candidatura da irmã Marina à presidência da República. De forma geral, posso dizer que é um fato muito positivo, apesar de particularmente não acreditar que ela possa ganhar o pleito do ano que vem. Claro que "muito água ainda vai rolar debaixo da ponte" até outubro de 2010, mas, por agora, tudo está caminhando para a eleição de José Serra, atual governador de São Paulo, à presidência do país, e não há indícios de que o quadro eleitoral mude muito daqui para lá.
Marina tem oscilado entre 6% e 8% nas últimas pesquisas, o que não é animador, embora uma pesquisa do Ipespe, pedida pelo PV e divulgada pelo jornal Valor Econômico de 26 de agosto, amenize sua baixa pontuação ao revelar que 59% dos eleitores brasileiros nunca ouviram falar de Marina Silva; só 7% dizem que a conhecem bem, 9% afirmam que a conhecem mais ou menos e 24% dizem que a conhecem apenas de ouvir falar. E segundo a mesma pesquisa, quando os entrevistados foram, ao final, informados sobre o currículo de Marina, as intenções de voto para ela subiram de 10% para 24%. Os únicos problemas com essa pesquisa são que o seu resultado final (24% para Marina) foi estimulado e que, um mês depois dela, quando o nome de Marina já é bem mais conhecido (depois de várias matérias em jornais, revista, tevê e rádio), ela ainda não ultrapassou a barreira dos 8%; além do que é preciso avaliar a variação dos votos para cada candidato após o eleitor ser submetido à propaganda televisiva de todos os candidatos. Entretanto, independente de resultados, a candidatura Marina já é uma das grandes notícias positivas das eleições em 2010. Por quê?
Em primeiro lugar, pela saída de Marina do PT - para mim, uma das melhores decisões de sua vida. Ela já não tinha quase nada a ver com o seu antigo partido, sendo sua permanência nele, a meu ver, já há alguns anos insustentável. Só por respeito a companheiros de décadas Marina tratou sua saída com extrema delicadeza (como, aliás, lhe é de praxe), demonstrando respeito à instituição a qual pertencera e à liderança desta em sua nota de despedida. Não creio que ela tenha sido tão respeitosa apenas por medo de o partido cobrar seu mandato.
A saída do PT era uma questão de tempo. Ela já não era mais a cara do PT. Se não, vejamos.
Primeiro, ela foi um dos poucos nomes de destaque do PT que saíram sem manchas após os escândalos do partido nos últimos anos. Contra ela pesa apenas o fato de ter ficado em silêncio diante de tudo.
Segundo, ela é contra a liberação do aborto e a descriminalização de drogas, duas bandeiras originais do PT (É verdade que não só políticos do PT defendem essas bandeiras, mas é preciso lembrar que o PT foi o primeiro a defendê-las e é até hoje o único partido que estabeleceu que quem é a ele filiado e não as empunha deve ser expulso do partido - vide o caso dos dois deputados expulsos recentemente do PT por isso. No caso de Marina, por ser um nome de peso, o PT fazia vista grossa em relação a ela e esta, por sua vez, não propagandeava sua posição contrária; mas, depois da saída dela, os processos que já existiam foram levados adiante e a "caça" aos pró-vida começou - os deputados federais Luiz Bassuma e Henrique Afonso foram expulsos, e o deputado Flávio Arns, outro pró-vida, pulou fora do barco antes de ser expulso). No PV, há quem defenda essas bandeiras, como em outros partidos, mas não trata-se de uma resolução oficial do partido que, se não seguida, resulta na exclusão do filiado. Repito: só o PT, o pai dessas propostas no país, empunhando-as como bandeiras oficiais do partido desde os anos 80, é quem exclui seus membros que divergem nesses pontos.
Terceiro, as divergências entre Marina, o governo e Dilma Rousseff, e que resultaram em sua saída da pasta do Meio Ambiente. Desde essa época, sua permanência no PT se tornou definitivamente insustentável.
Em segundo lugar, considero a candidatura de Marina Silva uma das grandes notícias positivas das eleições de 2010 porque, ainda que ela não ganhe, sua presença, além de elevar o nível dos debates presidenciais do próximo pleito, desestabiliza ainda mais a candidatura Dilma Rousseff.
Em terceiro lugar, admiro muito a postura de Marina de ser totalmente avessa a qualquer espécie de "messianismo" em torno do seu nome. Foi importante a sua declaração "Não sou um projeto messiânico" já nas primeiras entrevistas sobre a possível candidatura.
E finalmente, em quarto lugar, posso ainda hoje não concordar com todos os posicionamentos da irmã Marina, mas, no geral, ela parece estar mais madura e equilibrada em relação a algumas posições outrora radicais que parecia assumir, o que nos traz alegria. De sorte que vejo-a "anos luz" à frente da maioria dos possíveis candidatos do ano que vem à presidência da República.

O caso Universal-Record

Sobre o caso envolvendo Universal e Record, três pontos devem ser considerados.
Primeiro: esta não é uma guerra entre a Globo e os evangélicos, como alguns tentam impingir. Trata-se de uma guerra entre o Ministério Público, a Folha de São Paulo e a Globo contra a Universal e a Record.
Como anunciou em 2008 o colunista Lauro Jardim, da revista Veja, em sua coluna eletrônica no site da revista, já circulava há algum tempo uma determinação da direção da Globo para que se deixasse claro aos telespectadores de que a briga da Globo não é contra os evangélicos, mas contra a Universal. Escreveu Jardim na ocasião: “Há uma recente instrução geral (não escrita) na Globo sobre como tratar os evangélicos, vinda diretamente da família Marinho: adversária é só a Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo – e não todas as igrejas evangélicas. Em sua programação, a emissora deve deixar claro que não discrimina os outros evangélicos. Essa demarcação terá que ficar nítida. A avaliação é que a Universal aproveita bem o embate com a Globo para unir todos os evangélicos contra a emissora – e que a Globo nunca conseguiu explicitar de modo patente que a sua guerra é com igreja de Macedo, a qual chama de seita. Na verdade, a Globo nunca se preocupara com isso, que, afinal, parece meio óbvio, e botavam todos no mesmo saco. Resultado: há entre boa parte dos evangélicos o sentimento de que são discriminados pela emissora. Agora, ela tenta recuperar o tempo e a audiência perdidas”.
Meses atrás, a Globo deixou isso bem claro ao fazer uma série de reportagens no Jornal Nacional falando do excelente trabalho social que os evangélicos fazem no Brasil, mencionando o trabalho social das igrejas Assembleia de Deus, Presbiteriana, Batista, Metodista, Luterana etc. Outras matérias mostraram a parceria da Globo na área social com pastores de igrejas no morro do Rio de Janeiro; o trabalho social das igrejas nas cadeias também foi alvo de matéria no Fantástico há alguns meses; e nos jornais televisivos locais, a Globo fez também recentemente matérias sobre o trabalho social dos evangélicos e divulgou eventos evangélicos locais, como um que ocorreu aqui no Rio de Janeiro. Foram várias matérias de cunho positivo. E em mais uma demonstração de aceno aos evangélicos, um diretor da Globo chegou ainda a dizer, em julho, conforme nota publicada no jornal Folha de São Paulo, que uma das razões de a Globo ter ultimamente retirado as cenas de nudez e sexo explícito da novela das oito é o respeito ao público evangélico (sic). Resta saber se essa ausência de cenas de nudez e sexo explícito vai permanecer ou é só temporária.
Pois bem, logo depois de todas essas demonstrações de aproximação em relação aos evangélicos, explode a denúncia. Isto é, a Globo, ao que tudo indica, sabia das investigações que rolavam nos bastidores e procurou se precaver de possíveis ataques da Universal tentando arregimentar os evangélicos contra a emissora logo que as investigações viessem à tona, porque a Globo não quer ter os evangélicos como inimigos (não por razões ideológicas, mas obviamente por razões comerciais). Por isso, antes de estourar a investigação, a preocupação em deixar claro aos evangélicos a seguinte mensagem: “Temos nossas diferenças, porém a nossa briga não é com vocês, mas com a Universal”.
Ou seja, não é uma perseguição aos evangélicos (como a Universal-Record, por razões óbvias, quer que todos pensem), embora a Globo e os que produzem seu conteúdo claro que ainda alimentam preconceito em relação a princípios e valores dos evangélicos que chocam-se com o liberalismo social defendido pela emissora. Aliás, como escrevi recentemente aqui, essa aproximação da Globo com os evangélicos não significa mudança de princípios, mas apenas aproximação por motivos financeiros.
Em segundo lugar, a razão dessa investigação é mais do que clara. Há uma guerra declarada entre o Ministério Público, a Folha de São Paulo e a Globo contra a Universal e a Record fruto de rusgas passadas. A FSP e a Globo já tiveram problemas judiciais com membros da Universal (aqui) e esta, por sua vez, já criticou o Ministério Público várias vezes. No caso da Globo, a guerra de audiência é outro fator (se bem que, ultimamente, a Record está se estapeando é com o SBT).
E em terceiro lugar, quanto às acusações em si contra a Record e a Universal, esperamos que tudo seja investigado até o fim e, se há irregularidades, que os culpados sejam punidos. O fato de as investigações serem motivadas por rusgas particulares não deve ser usado como cortina de fumaça para se esquecer a investigação das irregularidades apontadas. Deve-se ir até o fim e, repito, se as acusações se comprovarem procedentes, que todos os culpados sejam punidos. Discordo profundamente das posições teológicas e da práxis eclesiológica da Igreja Universal, mas isso não deve me levar a considerá-la culpada de antemão das acusações que agora são feitas. Tenho minha impressão e opinião sobre o assunto (particularmente vejo-a como culpada de todas as acusações feitas), mas a prudência manda esperarmos o julgamento.
Agora, independente do resultado, duas coisas são certas: primeiro, as posições teológicas e a práxis eclesiológica da Igreja Universal continuam sendo uma afronta ao verdadeiro Evangelho; e segundo, é uma contradição sem tamanho a Record querer ser o “canal dos evangélicos” (se é que algum dia de fato desejou ser isso) e apresentar uma programação com uma qualidade moral pior do que a programação da rival, que não tem nada de evangélica. Sobre isso escreveu bem o pastor e amigo Ciro Zibordi.
Enfim, nem a Globo agora é "pró-evangélicos" ideologicamente, nem a dupla Universal-Record parece ser uma mera vítima nessa história, e nem essa briga é nossa.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Em setembro, de volta

Caros irmãos e amigos,

Devido à maratona de compromissos nas últimas semanas (compromissos particulares e de trabalho), passei em branco em artigos-postagens este mês e ainda não interagi com algumas mensagens que recebi nesse período. Anuncio, porém, que, em setembro, estou de volta. E na próxima postagem, como não poderia deixar de ser, falo sobre o caso Universal-Record-Ministério Público-Globo-Folha de São Paulo e sobre o que acho da novidade no cenário eleitoral do ano que vem: a irmã Marina Silva, candidata à presidência pelo PV. Enquanto a postagem está no forno, indico a do meu amigo pastor César Moisés sobre a entrevista da irmã Marina Silva à revista Veja desta semana. O endereço do blog do pastor César é marketingparaescoladominical.blogspot.com
Abraço a todos!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Sobre importância da Campanha de Oração pelo Sudão em todo o mundo amanhã e a recapitulação de assuntos evocados anteriormente neste blog


Acima, cristãos sudaneses cultuando a Deus apesar da onda de perseguição e matança; na foto abaixo, no meio do texto, crianças cristãs sudanesas em uma escola cristã

Campanha de Oração pelo Sudão

Amanhã, 1 de agosto, conforme informado pelo pastor e amigo Geremias do Couto, representante da Associação Billy Graham no Brasil, os cristãos sudaneses estarão realizando o seu Dia Nacional de Oração pelo Sudão (Sudan National Day of Prayer) e todos os demais cristãos do mundo estão sendo conclamados a juntarem-se em oração aos irmãos sudaneses para que Deus fortaleça sua amada igreja naquele lugar e transforme a situação caótica daquele país. Para quem não sabe, ali está acontecendo um dos maiores massacres a cristãos da História da Humanidade.
O Sudão é o maior país da África em extensão territorial. São 42 milhões de pessoas, dentre as quais 70% de muçulmanos (30 milhões), a maioria ao norte do país; 20% de cristãos (8 milhões), a maioria no sul do país; e 10% (4 milhões) de seguidores de outras crenças, sobretudo animistas. Ocorre que, há 26 anos, o norte muçulmano do Sudão tenta submeter a população do sul, predominantemente cristã (5,5 milhões), ao islamismo e também expulsar os 2,5 milhões de cristãos do norte. Nestas quase três décadas de conflito, já são quase 3 milhões de mortos, sendo que, só nos últimos 6 anos, quando o governo ditatorial islâmico do Sudão iniciou o massacre de Darfur, já foram 400 mil mortos. Trata-se de um dos maiores genocídios da História da Humanidade e do maior massacre a cristãos por muçulmanos em toda a História.
Sudaneses que pertencem a outros grupos religiosos também estão sendo assassinados por tabela – estes representam cerca de 5% dos mortos –, mas a motivação do massacre é totalmente étnica e anticristã – são as tribos de sudaneses arabizados do norte, que são muçulmanos, contra as tribos de sudaneses predominantemente negros, que são cristãos. Não é verdade, como uma minoria tem dito, que o massacre em Darfur não é um conflito entre muçulmanos e não-muçulmanos como aquele encetado em 1983, e relativamente apaziguado em 2005, que dividiu o Sudão em Norte e Sul. A constatação de que mais de 90% dos mortos do Conflito de Darfur são de cristãos - e nenhum muçulmano - demonstra o contrário. E mais: a ditadura islâmica que promove o conflito usa como justificativa para a matança exatamente a não-aceitação das normas da Sharia por parte da população – parte esta esmagadoramente de cristãos.
São radicais armados pela ditadura contra cristãos que não têm como se defenderem. Há milhões de cristãos sudaneses vivendo de forma subumana em campos de refugiados e campos de concentração. Outro detalhe que mostra o radicalismo islâmico naquele país é a ligação do regime sudanês com terroristas. Por exemplo: antes dos atentados de 11 de setembro, os muçulmanos do Sudão chegaram a abrigar em seu território o terrorista saudita Osama bin Laden e o quartel-general da Al Qaeda. Ademais, o Sudão é mais uma prova de que aquela tese dos anos 80 de que xiitas são mais violentos do que sunitas é uma grande mentira – os muçulmanos do Sudão são sunitas.
Em 2004, devido ao genocídio encetado pelo ditador sudanês Omar Hassan Ahmad al-Bashir, que tomou o poder num golpe de Estado em 1989, o Conselho de Segurança da ONU tentou votar, com apoio dos EUA, Europa e Israel, duas resoluções contra o Sudão que impunham sanções econômicas caso o massacre continuasse, porém China e Paquistão, que investem na indústria do petróleo do Sudão, em associação com os países árabes, derrubaram as duas resoluções no Conselho de Segurança da ONU. Derrubadas as sanções, sobrou apenas uma alternativa, que chegou a ser ventilada à época: os Estados Unidos liderarem uma intervenção militar unilateral, já que a ONU estava de mãos atadas. Entretanto, naquele período, os EUA estavam com problemas demais no Iraque e no Afeganistão, por isso sem condições de despachar soldados para o Sudão.
Em 2006, houve uma segunda tentativa: o Conselho de Direitos Humanos da ONU, em dezembro daquele ano, tentou votar a condenação do massacre, que já ceifara, à época, a vida de 200 mil sudaneses. Porém, mais uma vez, por causa da oposição de países africanos e árabes, da China e de dois países do Ocidente – Cuba e Brasil (sim, Brasil) –, o Conselho de Direitos Humanos não conseguiu aprovar a condenação. Vergonhosamente, o documento final não criticava o governo do Sudão nem falava de responsabilidades pelo massacre. O acordo desse bloco evitou que os países votassem a proposta dos EUA, União Européia e Israel de condenar o governo do Sudão. Pela proposta aprovada, foram enviados apenas cinco especialistas à região para analisar a situação e – Adivinhem! – nada aconteceu. Hoje, dois anos e sete meses depois, já chega a 400 mil os mortos do massacre islâmico em Darfur, e o governo do nosso país, vergonhosamente, manchou a nossa história ao se opor às sanções contra a ditadura genocida do Sudão.
Oremos pelo Sudão, por nossos irmãos perseguidos, pelo fim do massacre e, como for possível, manifestemos nosso repúdio ao que está acontecendo ali.
Recapitulação de assuntos evocados anteriormente no blog

Alguns leitores deste blog pedem-me para que volte a dar informações sobre o caso da não-divulgação da certidão de nascimento de Obama, que havia mencionado em postagem de 5 de outubro do ano passado. Querem saber em que pé está aquela história estranha. Posso adiantar que as coisas estão mais estranhas hoje do que antes. Agora, o detalhe curioso é que esses pedidos chegam exatamente nesta semana, quando o assunto voltou a ser mencionado pela grande imprensa devido à manifestação de neurastenia da Casa Branca com o crescente interesse dos americanos pelo assunto.
Outros querem saber se é verdade que mudei minha posição inicial sobre o caso do aborto praticado em uma menina em Recife no início do ano. Quem acompanhou o desenrolar do debate na blogosfera sabe que sim. Mantenho meu posicionamento inicial acerca de uma situação hipotética de aborto para salvar a vida da mãe, porém não sou mais ingênuo de achar que seja tão comum, como era no passado, uma situação dessas, devido ao avanço da Medicina nessa área.
O terrível caso do aborto da menina em Recife

Como expressei nas minhas últimas intervenções no espaço de comentários da referida postagem sobre o assunto neste blog e no meu comentário sobre o mesmo assunto no blog do pastor e amigo Geremias do Couto (leia aqui), meu posicionamento diante de uma hipotética situação em que concretamente só o aborto salvaria a vida da mãe continua o mesmo (Mesmo sendo pesarosa qualquer uma das duas decisões, vejo como eticamente possível tanto a mãe morrer em lugar do filho como a morte deste em lugar da mãe. Esta seria, portanto, a única exceção ética em relação ao aborto: o aborto para salvar a vida da mãe). Porém, já não acredito, diante das evidências que foram se apresentando nas semanas seguintes após o fato, que o caso da menina em Recife era desse tipo, como pregavam seus médicos (lembrando: a tese dos médicos era de que a menina mui provavelmente morreria se ou a gravidez fosse levada adiante - o que tinha lógica - ou passasse por uma cesariana - o que já era falso). E ademais, volto a frisar: também já não creio tanto na possibilidade de em algumas gravidezes de risco a salvação da criança no ventre só for possível se a mãe morrer e vice-versa.
"Quer dizer que é impossível que um caso assim surja ainda em nossos dias?" Não digo que seja impossível, mas, com certeza, é muito, muito improvável mesmo.
Enfim, hoje, já não seria ingênuo como fui no começo, ao dar o benefício da dúvida aos médicos da menina, e também já não creio que seja comum (como era no passado antes do avanço da Medicina nessa área) situações em que somos forçados a optar por apenas uma vida - a da criança no ventre ou a da mãe.

A certidão de nascimento de Obama

Continua a preocupar Obama o fantasma da sua certidão de nascimento, a qual nos referimos à primeira vez em postagem deste blog já mencionada. Sete meses depois de tomar posse como presidente dos Estados unidos e mais de um ano depois que a denúncia de não ser americano nativo surgiu, Barack Hussein Obama ainda não mostrou sua certidão de nascimento original e já gastou milhões de dólares com advogados para garantir na justiça a possibilidade de não revelar a certidão de nascimento original.
Recapitulando (para quem não se lembra da história): Phillip Berg, procurador geral da Pensilvânia e membro do Partido Democrata (tendo, inclusive, já se candidatado a governador da Pensilvânia pelo PD), questionou a legitimidade da candidatura Obama evocando claras evidências de que este não é um cidadão americano nativo (condição exigida pela Constituição dos EUA para alguém se candidatar à presidência). Para esclarecer definitivamente a situação, há mais de um ano, Berg entrou com um processo solicitando o direito de, como eleitor e membro do PD, ver a certidão de nascimento original do candidato do seu partido.
Seu processo acabou chegando à Suprema Corte ainda em outubro do ano passado, mas a decisão sobre o caso foi adiada para dezembro (ou seja, para depois do resultado das eleições) e depois para janeiro e, por fim, para depois da posse de Obama. No final das contas, só em fevereiro Berg teve seu pedido julgado. Na ocasião, os advogados de Obama conseguiram que o órgão máximo da Justiça americana desse ganho de causa ao presidente eleito sob a alegação esdrúxula de direito de privacidade. Seguiu-se à decisão um abaixo assinado com meio milhão de americanos exigindo o seu direito de ver a certidão original, apelo ignorado. Como resultado dessa atitude estranha de Obama de esconder o documento, outros processos já estão correndo na Justiça sobre esse assunto e a Casa Branca já criou um setor do governo só para lidar com esse caso.
Alan Keyes e John Haskins chegaram a publicar um artigo sobre o assunto no dia da posse de Obama. Keyes, que foi secretário no governo Reagan, entrou também com uma ação contra Obama. Leia o artigo de Keyes e Haskins aqui.
A grande questão é: Por que Obama não mostra logo a certidão original para acabar com essa celeuma toda? Por que ele insiste em não mostrá-la? Não a mostra por quê? O que teme? E aí é inevitável a pergunta seguinte: Afinal, a certidão existe ou não existe?
Um dos maiores sites conservadores de notícias dos EUA, o World Net Daily (http://www.wnd.com/), com mais de um milhão de acessos por dia, divulga toda semana novidades sobre o caso que complicam cada vez mais Obama. Aí, como resposta ao crescente interesse dos americanos pelo caso e preocupados com a queda da popularidade do presidente nos últimos dias, a Casa Branca fez um pronunciamento irritado esta semana insistindo que o presidente é um americano nativo. Leia sobre o pronunciamento aqui.
Ao divulgar o pronunciamento da Casa Branca, a Agência Reuters chegou a divulgar uma certidão de nascimento eletrônica de Obama, que fora divulgada há meses pela sua equipe de campanha, como se fosse a certidão original, erro no qual caíram também o jornal O Globo e o site G1 ao reproduzirem-na como sendo a certidão original em 27 de julho. Veja aqui.
A tal certidão eletrônica não prova nada. Só a certidão original, registro feito exatamente no dia em que nasceu, que está no Havaí guardada a sete chaves, pode resolver o problema. Porém, sabe-se lá por que, Obama não autoriza mostrá-la de jeito nenhum, nem pelo menos a cópia dela. Daí a pergunta: Será que existe mesmo? Leia mais sobre o assunto, por exemplo, aqui.
Agora, é esperar para ver no que vai dar.
P.S.: Leia mais novidades sobre o assunto aqui e aqui e aqui.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Drops: Filósofo ateu defende Design Inteligente; aumentam protestos contra governo nos EUA; e conteúdo da edição de agosto do jornal Mensageiro da Paz

Filósofo ateu defende Design Inteligente em novo livro

O filósofo ateu Bradley Monton, professor de Filosofia da Universidade do Colorado, lançou segunda-feira (20/07), nos Estados Unidos, seu mais recente livro: Seeking God in Science ("Em busca de Deus na Ciência"). Com 180 páginas, o livro de Monton, que pode ser adquirido aqui, defende o Design Inteligente e é dividido em quatro capítulos, intitulados: “O que é Design Inteligente e por que um ateísta acredita nele?”, “Por que é legítimo reconhecer o Design Inteligente como Ciência”, “Alguns argumentos plausíveis do Design Inteligente” e “O Design Inteligente deve ser ensinado nas escolas?

Aumentam protestos nos EUA

O número de protestos nas ruas dos EUA contra o atual governo, que havia chegado a 1,2 mil até o final de maio, já somam agora mais de 2 mil. Isso reflete o resultado de pesquisas recentes, como a divulgada na última segunda-feira (20/07). Segundo censo encomendado pela rede ABC News e pelo jornal The Washington Post, e divulgada anteontem, o índice de aprovação do presidente Barack Hussein Obama nos Estados Unidos caiu. A última pesquisa encomendada pelo grupo mostrava que, nos primeiros dias de mandato de Obama, só 31% da população americana desaprovava seu governo; hoje, 41% o desaprovam. Ainda na pesquisa anterior, 40% não concordavam com a forma como Obama conduzia a economia americana; hoje, 48% não concordam. Também no censo anterior, 43% não aprovavam seus planos na área de saúde; hoje, 51% não aprovam. E para fechar, a nova pesquisa demonstra ainda que 56% dos americanos não aprovam a forma como o atual governo tem conduzido o déficit orçamentário herdado do governo anterior. A pesquisa foi feita entre 15 e 18 de julho.

Mensageiro da Paz de agosto

Já está à venda pelo telefone 0800-0217373 ou ainda pelos telefones (21)2406-7416/7418 a edição de agosto do jornal Mensageiro da Paz. A partir da semana que vem, o MP estará à venda também nas filiais da CPAD em todo o país. Esta edição traz matérias sobre o crescimento dos muçulmanos na Europa, onde se tornarão maioria em apenas 40 anos, e as conseqüências disso para o mundo; uma reflexão de teólogos e pastores sobre a crescente flexibilização moral dos evangélicos e como combater esse mal; o crescimento dos evangélicos no Irã e a recente série de atentados contra cristãos no Iraque; a Encíclica Caritas in Veritae, em que o Vaticano propõe uma saída para as crises internacionais que flerta com um governo mundial; e o testemunho de um palestino antissemita que converteu-se a Cristo, abandonou o antissemitismo e ganhou toda a sua família para Cristo.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Últimas sobre Honduras e uma cortesia de Cícero Harada para este blog

Caros irmãos e amigos,

Como prometido, nos próximos dias, estarei postando um dos três artigos de caráter teológico que estou devendo aos leitores do blog desde o ano passado. Mas, enquanto não o faço, trago um artigo de análise jurídica sobre a deposição de Zelaya, elaborado por um especialista no assunto, e mais uma informação a respeito do caso Honduras, que pretendo rever agora só em notas em nossos Drops mensais do Verba Volant Scripta Manent.
A informação a qual me refiro é relativa à notícia divulgada pela mídia intensamente nos últimos dias de que há uma "unanimidade internacional pró-Zelaya". Essa notícia não é e nunca foi verdadeira. Desde que Zelaya foi deposto, Israel, Taiwan e alguns poucos países da Europa, por exemplo, já anunciaram que reconhecem o atual governo.
Quanto ao artigo, trata-se de um texto já mencionado neste blog (no último P.S. da postagem abaixo), de autoria do advogado Cícero Harada, mas que ontem tive a grata surpresa de receber revisado e por e-mail do próprio Harada, que conheceu este blog através de um amigo seu, leitor do Verba Volant Scripta Manent, e desde então teve o desejo de vê-lo publicado por aqui também. Harada fez pequenas alterações em relação ao original publicado no site Mídia sem Máscara. Para quem não sabe, Cícero Harada é Conselheiro da OAB-SP, presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia da OAB-SP, e foi procurador do Estado de São Paulo. Recebi dele, ontem, o seguinte e-mail:
Prezado Pr. Silas Daniel,
Alertado por um amigo, soube de sua indicação do artigo que escrevi. Muito obrigado pela indicação. Quero também autorizá-lo a publicá-lo se assim o desejar. Acima vai uma versão corrigida de alguns erros.
Atenciosamente,
Cicero Harada
Senhor Harada, para mim é um prazer divulgar o excelente texto de sua lavra em nosso blog. Aliás, que bom saber que podemos contar com sua nobre audiência por aqui. Grato pelo artigo, que provoca uma retificação minha: Zelaya, pela Constituição hondurenha, perdeu sua cidadania, como já havia enfatizado, mas ainda não estaria classificado como "traidor da Pátria", como cheguei a dizer, porque ele não chegou a concluir o seu intento.
A seguir, reproduzo, na íntegra, conforme foi-me enviado, o texto revisado do advogado Cícero Harada:
Golpe de Estado em Honduras?

*Cicero Harada

“Golpe de Estado em Honduras”. É a manchete de todos os meios de comunicação. Afinal, o que está ocorrendo? Desde março, o presidente Manuel Zelaya resolveu propor um plebiscito para que assembléia constituinte possibilitasse, entre outras alterações, a reeleição de presidente. Tanto o Congresso Nacional como a Corte Suprema de Justiça, posicionaram-se contra a proposta.
No dia 23 de junho, o Congresso aprovou lei que proíbe a realização de referendos ou plebiscitos 180 dias antes ou depois de eleições gerais, interceptando os planos de Zelaya.
Em virtude disso, o general Romeo Vasquez, chefe do Exército, e demais comandantes militares resolveram não entregar as urnas para votação “para não desrespeitar a lei”. O presidente Zelaya destituiu general Vasquez da chefia. Os chefes da Marinha e da Aeronáutica renunciaram em protesto.
O presidente e seus simpatizantes entraram em uma base militar e retiraram as urnas lá guardadas.
A Corte Suprema decidiu favoravelmente à reintegração do gerneral Vasquez no cargo de chefe do Exército. O presidente Zelaya afirmou que não obedeceria a decisão, porque “a corte, que apenas faz justiça aos poderosos, ricos e banqueiros, só causa problemas para a democracia."
No dia 28, Zelaya foi preso pelo exécito por ordem da Corte Suprema, por ter desobedecido a ordem judicial de não realizar a consulta.
O Congresso leu carta de renúncia atribuída a Zelaya e desmentida por este e empossou como presidente interino, Roberto Michelleti, até então presidente do Congresso.
Honduras teve um longo período de ditadura militar que terminou com a eleição de uma Assembléia Constituinte em 1980, a promulgação da atual Constituição de 1982 (
http://pdba.georgetown.edu/Constitutions/Honduras/hond82.html), mesmo ano da posse do primeiro presidente eleito, Roberto Suavo Córdova.
Um povo que sofreu longos anos de autoritarismo militar, manifesta da maneira mais clara e contundente em sua Constituição, que optou por uma democracia em que a alternância do poder é mandamento fundamental e intocável. Nada pode ameaçar nem de leve esta característica republicana. A rigidez constitucional nesse ponto barra qualquer pretensão de perpetuação no poder.
O artigo 239 da Constituição hondurenha prescreve que “o cidadão que tenha desempenhado a titularidade do Poder Executivo não poderá ser Presidente ou Designado. Aquele que ofender esta disposição ou propuser sua reforma, bem como aqueles que a apóiem direta ou indiretamente, terão cessados de imediato o desempenho de seus respectivos cargos e ficarão inabilitados por dez anos para o exercício de toda função pública”.
Note bem que em Honduras a simples proposição da reforma, visando a um novo mandato faz cessar de imediato o exercício do cargo. O dispositivo não excepciona o cargo de presidente.
No Título VII, Da Reforma e da Inviolabilidade da Constituição, Capítulo I, Da Reforma da Constituição, o artigo 374 prescreve a cláusula pétrea da impossibilidade de reeleição nos seguintes termos: “Não se poderá reformar, em nenhum caso, o artigo anterior [ trata da reforma da constituição ], o presente artigo, os artigos constitucionais que se referem à forma de governo, ao território nacional, ao prazo do mandato presidencial, à proibição para ser novamente Presidente da República, o cidadão que o tenha exercido a qualquer título e o referente àqueles que não podem ser Presidentes da República no período subseqüente.”
Aqui está evidente a cláusula pétrea que proíbe a reeleição de Presidente da República.
O artigo 4º é de clareza solar ao definir constitucionalmente o delito contra a alternância do poder: “A forma de governo é republicana, democrática e representativa. É exercido por três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário, complementares e independentes e sem subordinação. A alternância no exercício da Presidência da República é obrigatória. A infração desta norma constitui delito de traição à Pátria.”
Evidente que Zelaya não infringiu esta norma, queria e precisava alterá-la.
No Capítulo III, Dos Cidadãos, o artigo 4º estabelece: “A qualidade de cidadão perde-se: (...) 5. Por incitar, promover ou apoiar o continuísmo ou a reeleição do Presidente da República;”.
Por outro lado, o artigo 238 arrola os requisitos necessários para ser Presidente do seguinte modo: “Para ser Presidente ou Designado à Presidência, requer-se: (...) 3. Estar no gozo dos direitos de cidadão;”.
Aqui, uma enorme dificuldade constitucional para Zelaya. Talvez a maior blindagem contra a reeleição. A prova do fato, no caso, notório, de conhecimento geral de que promovia e lutava por seu próprio continuísmo, faz perder a cidadania, um dos requisitos essenciais não só para assumir o cargo, mas também para manter-se como Presidente da República.
O artigo 245 esclarece “o Presidente da República detém a administração geral do Estado: são suas atribuições: 1. Cumprir e fazer cumprir a Constituição, os tratados e convenções, leis e demais disposições legais”. (...) “16. Exercer o comando em Chefe das Forças Armadas em seu caráter de Comandante Geral, e adotar as medidas necessárias para a defesa da República;”.
No Capítulo X, Das Forças Armadas, o artigo 272 dispõe que “As Forças Armadas de Honduras são uma Instituição Nacional de caráter permanente, essencialmente profissional, apolítica, obediente e não deliberante. São constituídas para defender a integridade territorial e a soberania da República, manter a paz, a ordem pública e o império da Constituição, os princípios do livre sufrágio e a alternância no exercício da Presidência da República.”
Note-se que o Presidente é o comandante supremo das Forças Armadas. Estas devem obediência ao Chefe de Estado, na medida em que este obedeça a Constituição e, no caso, esta obriga expressamente que as Forças Armadas defendam a alternância do exercício da Presidência da República. No momento em que o presidente pretende a permanência por meio da reeleição, descumprindo as normas constitucionais e decisões da Corte Suprema de Justiça de Honduras, a ordem de prisão emanada por este Tribunal haveria de ser cumprida.
Os fatos e o conjunto das disposições constitucionais citadas mostram que, em Honduras, não houve golpe de Estado. Hans Kelsen ensinava que o golpe de Estado “instaura novo ordenamento jurídico, dado que a violação do ordenamento precedente implica também na mudança da sua norma fundamental e, por conseguinte, na invalidação de todas as leis e disposições emanadas em nome dela”. Trata-se de poder de fato a impor-se contra a ordem jurídica em vigor, instituindo novo ordenamento. Em Honduras, o modelo bolivariano do presidente foi repelido graças a uma Constituição prenhe de anticorpos a estancar a tentação do continuísmo e do caudilhismo latino-americano. Lá se evitou o golpe e se defendeu a Constituição e a lei.
Agora, forças internacionais terríveis levantam-se contra o “golpe de Estado” em Honduras. Da ONU à OEA, passando pela ALBA (Aliança Bolivariana para as Américas), de Chávez, Lula e Fidel a Hillary Clinton e Obama. Lançam foguetes para matar uma mosca. Não é de hoje que Honduras, um pequeno e fraco país, depende dos Estados Unidos. No século XX, a United Fruits Company e a Standard Fruit Company, companhias bananeiras estabelecidas em Honduras, punham e depunham presidentes, controlavam o Congresso, faziam aprovar leis. Mesmo no início do regime democrático nos anos 80, Honduras permitiu aos Estados Unidos o uso de seu território como base estratégica para ações contra a Nicarágua. A ONU, por decisão unânime dos países –membros, exige a restauração de Zelaya e a Organização de Estados Americanos (OEA) dá um ultimato para que o governo interino o reconduza à presidência. E o império? E Obama? E a Constituição de Honduras? E Honduras? Ora, Honduras, ora, ora, a Constituição de Honduras...
*Cicero Harada – Advogado, Conselheiro da OAB-SP, Presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia da OAB-SP, foi Procurador do Estado de São Paulo.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Golpe em Honduras???





De cima para baixo, protestos nas ruas de Honduras contra a volta do presidente deposto José Manuel Zelaya realizados em Tegucigalpa, San Pedro Sula (fotos do meio) e Choluteca
A deposição do presidente de Honduras, Manuel Zelaya, tem sido tratada equivocada e ignorantemente (ou será propositalmente?) pela maior parte da imprensa do Brasil e do mundo como “golpe” e “golpe militar”, tudo o que, na verdade, não ocorreu. Zelaya, que é mais um a integrar a turma do Foro de São Paulo (que milita pela imposição do socialismo na América Latina), simplesmente desrespeitou frontal e absurdamente a Constituição e as decisões da Suprema Corte do seu país - que zela pela carta magna hondurenha -, e por isso precisou ser deposto para que se cumprisse o que determina a lei. Se Zelaya, mesmo a contragosto, pelo menos seguisse a lei, permaneceria presidente; como atropelou a lei e, mesmo chamado à atenção, continuou desrespeitando-a, teve que ser deposto. Como manda a legislação hondurenha em casos assim, assumiu interinamente o presidente do Congresso Nacional, que é membro do partido de Zelaya. As eleições para eleger o próximo presidente estão marcadas e confirmadíssimas para novembro (o mandato de Zelaya terminava em dezembro; o novo presidente toma posse em janeiro/2010). Mas... ninguém (ou pelo menos a maioria da imprensa) diz isso! E o presidente Lula, a turma forista da América Latina (a qual ele pertence, sendo um dos fundadores do Foro), Obama (Por que não me surpreendo?) e a turma da OEA reunida na ONU sob a liderança do sandinista Miguel D'Escoto (!) ainda pedem que Zelaya seja reintegrado a seu posto! Ora, se isso acontecer, será o assassinato da democracia em Honduras. É rasgar a Constituição hondurenha dizendo que ela não vale nada e fechar a Suprema Corte, porque ela seria absolutamente irrelevante. Quem apóia a volta de Zelaya está apoiando um golpista.
No Brasil, os únicos que li dizendo as coisas como elas são foram o jornalista e colunista da revista Veja Reinaldo Azevedo (leia aqui, aqui e aqui), e a jornalista e especialista em América Latina Graça Salgueiro, colunista do site Mídia Sem Máscara (leia aqui). E nos Estados Unidos, quem disse as coisas como são foi o jornal Wall Street Journal (WSJ) em dois momentos: em matéria publicada há alguns dias pela jornalista responsável pela seção Américas do jornal e, hoje, em um dos editoriais do WSJ, no qual a aliança Obama-Chavez-Castro pró-Zelaya é criticada com precisão. Eis os links para a matéria e o editorial de hoje do WSJ (leia aqui e aqui).
P.S. 1 (02/07/09): Armando Valladares, 72 anos (dos quais 22 como preso político da ditadura cubana) e um dos maiores nomes dentre os defensores da democracia e dos direitos humanos no mundo, renunciou ontem a seu cargo na Human Rights Foundation (Fundação de Direitos Humanos, HRF na sigla em inglês). Ele era chairman do Conselho Internacional da HRF, com base em Nova York, e autor do clássico sobre os porões da ditadura cubana Against All Hope. Antes disso, Valladares foi embaixador dos EUA na Comissão de Direitos Humanos da ONU, durante o governo do presidente Ronald Reagan. Bem, mas qual o motivo da renúncia? Uma nota oficial absurda que a HRF publicou anteontem a favor de Zelaya (leia-a aqui). A carta renúncia de Valladares se encontra traduzida para o português aqui.
P.S. 2 (02/07/09): Os jornais de hoje falam que, devido à pressão internacional (que só surgiu porque o presidente dos EUA aderiu ao posicionamento da OEA com medo [sic] de Chávez [leia aqui]), o governo hondurenho já negocia a possibilidade de permitir que Zelaya volte, mas apenas para terminar o mandato. Isto é, não haverá o referendo inconstitucional que ele queria realizar à força (e com urnas enviadas pela Venezuela ao país). A Constituição hondurenha, ainda bem, não será rasgada. Iniciadas as conversações, Zelaya já afirmou que admite agora só concluir seu mandato e cancelou a tal viagem de protesto que disse que faria ao país sábado com alguns presidentes foristas de outras países da América Latina (ato que o levaria à cadeia). Ou seja, concretizando-se essa negociação, quem sai vencedora nessa história é a democracia em Honduras, posto que o referendo inconstitucional foi abandonado e o presidente se rende ao cumprimento pleno da Constituição de seu país.
P.S. 3 (03/07/09): As notícias que chegam hoje é de que Zelaya não deve voltar mesmo para terminar o mandato.
P.S. 4 (06/o7/09): Houve ontem um confronto entre manifestantes pró-Zelaya e soldados. Os soldados ficaram na pista para impedir o pouso, que obviamente não foi autorizado pelo governo hondurenho. Os manifestantes então tentaram entrar na pista. O cercado ao redor da pista é frágil e eles já estavam entrando, quando os soldados reagiram com bombas de gás lacrimogêneo e tiros para o alto. Segundo os próprios revoltosos, no confronto, um jovem foi morto quando uma bala atingiu o tanque de sua moto, fazendo-o cair em velocidade. Foi a primeira morte desde a deposição de Zelaya. E quando? Num confronto iniciado pelos seguidores de Zelaya, quando Zelaya tentava voltar. Se ele não tentasse voltar e não insuflasse seus punhado de seguidores, isso não teria acontecido. Lembrando: O confronto não começou com os soldados; começou com os manifestantes.
P.S. 4 (06/07/09): Não deixem de ler o parecer jurídico sobre o caso Zelaya dado pelo advogado Cicero Harada, conselheiro da OAB-SP, presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia da OAB-SP e ex-procurador do Estado de São Paulo. Leia-o aqui.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Drops 2: Entendendo a crise no Irã, a publicação das clássicas obras do filósofo Eric Voegelin no Brasil e informações sobre a Bíblia Dake

Já estava cansado de ler e assistir a algumas abordagens distorcidas sobre o candidato iraniano Hussein Mousavi nos jornais aqui do Brasil, onde é apresentado quase como um alternativa extraordinária diante de seu igual Ahmadinejad, como se, caso eleito, pudesse representar mesmo o começo de uma mudança na política iraniana, até que, finalmente, me deparei na semana passada com dois textos lúcidos: um do excelente colunista lusitano da Folha de São Paulo, João Pereira Coutinho, e o outro de Heitor de Paula, colunista do site Mídia Sem Máscara. Quem quiser entender melhor a situação do Irã, aconselho lerem esses dois textos (aqui e aqui). O que quero dizer? Adianto: Ahmadinejad e Mousavi são farinha do mesmo saco. Infelizmente, Mousavi não é nenhum reformista de verdade. O que, por outro lado, não significa que os protestos por mais abertura por parte de grande parte do povo iraniano não sejam verdadeiros. Apenas é preciso frisar que, em primeiro lugar, os que votaram em Mousavi não são homogênenos em seus interesses, pois se dividem entre adeptos de Rafsanjani (que quer voltar ao poder) e uma parte minoritária do povo que realmente anseia por mudanças significativas (para entender esse pequeno grupo, leia análise aqui), tendo estes votado em Mousavi apenas como uma forma de protesto e não porque o achavam maravilhoso (isto é, votaram nele só como demonstração de que desejam alguma mudança, mesmo que Mousavi não signifique nenhuma mudança significativa); e em segundo lugar, é ingenuidade pensar que todos estes que querem alguma abertura são tão abertos ao Ocidente e/ou a Israel. A maioria esmagadora deles não é - a "abertura" que pregam é limitada à cosmovisão interna deles. Se clamam pelo apoio e a cumplicidade da opinião pública internacional em seus protestos, é apenas para conseguirem fazer mais pressão no Conselho de Guardiães (que é quem manda mesmo no Irã) para que essa "abertura" aconteça. Eis as razões do conflito, que se tornou sangrento devido aos estúpidos ataques da guarda do Conselho de Guardiães para deter os protestos, até então pacíficos.

Uma excelente notícia: a Editora Loyola anunciou há poucos dias que estará lançando no Brasil em 3 de julho o primeiro dos cinco tomos de um clássico sobre a formação do pensamento ocidental: Ordem e História – Volume I – Israel e a Revelação, obra de um dos maiores pensadores do século 20, o filósofo e historiador alemão Eric Voegelin. Order and History, como a obra é conhecida em inglês, trata-se de uma verdadeira obra prima do gênero. Para quem se interessa em estudar a importância da cultura judaico-cristã para a formação do Ocidente, os cinco volumes são simplesmente imperdíveis.

Como muitos de vocês já devem saber, a CPAD lançará no mercado, nos próximos meses, mais uma ferramenta para pastores, evangelistas, professores de Escola Dominical e estudantes da Palavra de Deus em geral. Trata-se da Bíblia de Estudo Dake, fruto do árduo trabalho do pastor e professor pentecostal norte-americano Finis Jennings Dake (1902-1987). Mais sobre o assunto na atual edição do jornal Mensageiro da Paz (edição de junho). A edição de agosto do MP também trará mais informações sobre o lançamento.
A nova edição da revista Times, que está nas bancas dos EUA desde ontem, anunciou que, depois de mais de um ano sem igreja, Obama finalmente teria definido em que igreja congregará: a Capela Evergreen de Camp David. Trata-se de uma igreja não-denominacional, sem membresia e pastor fixos, onde um grupo de 60 a 70 pessoas em média, todas membros e familiares do staff da Casa Branca, se reúne periodicamente para cultuar. Obama rapidamente desmentiu a notícia. “A história é imprecisa. O presidente e a primeira dama continuam a procurar uma igreja. Eles têm gostado de orar em Camp David e em várias outras congregações nos últimos meses, e vão escolher uma igreja quando o momento certo chegar”, anunciou a Casa Branca hoje, em nota oficial. De acordo com a revista Times, desde que assumiu a presidência dos EUA, Obama visitara, além da Capela Evergreen, a Igreja Batista da Rua 19, no noroeste de Washington DC, e a Igreja Episcopal Saint John, próxima à Casa Branca, mas não se sentiu satisfeito em nenhuma delas. Por enquanto, continua a ser um cristão sem igreja e, na maioria das semanas, prefere não cultuar em igreja nenhuma.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Isso é que é vontade de descriminalizar as drogas!

O jornal O Globo de hoje traz, na página 31, uma matéria, com chamada de capa, assinada pelo seu correspondente em Washington DC, Gilberto Scofield Jr., cujos títulos são “ONU já admite descriminalizar as drogas (na chamada de capa para a matéria) e “Drogas: ONU defende descriminalizar consumo” (na cabeça da matéria). Bem, ao deparar-me com o título, estranhei o fato de que todas as notícias que havia lido ontem e hoje cedo a respeito do Relatório do Escritório de Drogas e Crime das Nações Unidas (UNODC, na sigla em inglês), divulgado ontem, diziam exatamente o contrário: a UNODC é contra a legalização das drogas (Uma excelente notícia! Ainda mais em termos de ONU). Como, então, o jornalista de O Globo viu o contrário?
Pus-me a ler a matéria e não encontrei nenhuma fala de nenhum representante do UNODC defendendo a descriminalização das drogas. Nem algum trecho do relatório dizendo isso. A única coisa que há é a afirmação do jornalista de que o diretor-executivo do UNODC, Antonio Maria Costa, “defendeu a descriminalização do consumo de drogas”, mas não apresenta na matéria uma fala sequer de Costa que sustente solidamente isso. As únicas falas de Costa que ele menciona no texto são as de que "moradias, trabalho, educação, serviços públicos e lazer podem tornar comunidades menos vulneráveis ao crime e às drogas", o que é defendido também por quem se opõe à descriminalização do consumo das drogas; e de que "as pessoas que usam drogas precisam de ajuda médica, não de retaliação criminal", o que se aproxima da idéia, mas trata-se apenas da constatação óbvia de que o usuário (comprovadamente apenas usuário) precisa ser encaminhado a tratamento e não preso. Lembremo-nos que as penas não se resumem apenas à prisão. Esta é apenas um tipo de pena. A própria Lei de Entorpecentes de 2006, que não descriminalizou o porte e consumo de drogas no país (leia análise aqui), afirma que o usuário não é para ser preso. Ou seja, no Brasil, conquanto o usuário flagrado não seja mais preso, ainda sofre sanções (inclusive de multa), e normalmente é encaminhado para tratamento. Sim, consumir e portar drogas no Brasil ainda é crime; se não, não haveria sanções penais. Entretanto, concordo que as sanções aos usuários se tornaram muito mais brandas (uma mudança realmente questionável, pois foram do "oito para o oitenta"), mas daí a dizer que não mais existem sanções nessa situação é bem diferente.
Ora, sabendo que vários países do mundo ainda condenam à prisão alguém que é apenas usuário, mui provavelmente a retaliação criminal a qual se opõe Costa, que falava a todos os países do mundo, é a pena de prisão. Parafraseando-o, seria: "Os que são claramente apenas usuários não devem ser presos, mas encaminhados pelas autoridades públicas a tratamento médico".
Ainda que Costa tenha dito no sentido de que fala a matéria, O Globo, desde a chamada de capa à matéria interna, alterna-se entre afirmar que a UNODC defende "a descriminalização das drogas" e afirmar que a UNODC defende "a descriminalização do consumo de drogas". Ora, uma coisa é descriminalizar as drogas, outra é descriminalizar o consumo de drogas. Entretanto, o jornal afirma as duas coisas, quando clara e absolutamente a UNODC não afirma a primeira coisa e ainda não está claro se afirma a outra. Lembrando que, a rigor, tecnicamente, não tem sentido a expressão descriminalizar drogas - ou seja, o termo nem deveria existir -, mas apenas a expressão descriminalizar consumo de drogas seria possível, pois o que se descriminaliza é apenas a conduta; entretanto, o uso da expressão "descriminalizar drogas" no sentido de legalizar ou liberalizar as drogas, já foi incorporado, já se cristalizou. Enfim, no mínimo a matéria de O Globo erra ao falar de "descriminalizar as drogas".
Todos os jornais e sites de notícia sobre o assunto mostram trechos do relatório e a fala do diretor Antonio Maria Costa destacando serem estes totalmente contra a legalização das drogas. O Estado de São Paulo, por exemplo, diz sobre Costa e o referido Relatório da UNODC exatamente o que se segue:
No prefácio do estudo, Antonio Costa reafirma a questão da droga como um problema de saúde pública, mas rejeita os clamores por uma descriminalização das drogas, iniciativa que ele qualifica de "erro histórico". "A legalização não é uma varinha mágica que acabaria tanto com o crime organizado quanto com o abuso de drogas", ele afirmou.
Leia a matéria do Estadão aqui.
No Jornal do Brasil, encontramos a mesma informação do Estadão, repetida pelo representante da UNODC no Brasil, Bo Mathiasen:
"Legalização poderia levar a epidemia", diz o UNODC. (...) O representante do UNODC, Bo Mathiasen, diz que os dados vão na contramão da ideia de legalização total ou parcial do uso de drogas. "Haveria uma epidemia no Brasil. Se a ONU estima que 500 milhões de pessoas morrerão pelo uso do cigarro neste século, muito mais morreriam pelo consumo de cocaína, heroína e outras drogas", diz ele. A entidade avalia que o governo deve combinar prevenção e tratamento de usuários com medidas de repressão, focando as grandes quadrilhas envolvidas no tráfico de drogas.
Leia a matéria do JB aqui.
E no Correio Braziliense? Está lá o seguinte:
O Unodc define como erro a percepção da descriminalização das drogas como forma de acabar com a violência e a corrupção inerentes ao mercado ilegal.
Leia a informação do Correio aqui.
Mas, para que não fiquem dúvidas, que tal vermos o que diz o próprio site do UNODC? O endereço é http://www.unodc.org/brazil/pt/ASCOM_20090624.html
Leia o que Costa diz no site da UNODC:
O Relatório chama muita atenção sobre o impacto dos crimes relacionados a drogas - e o que fazer sobre isso. No prefácio do Relatório, Costa explora o debate sobre a descriminalização das drogas. Ele admite que a manutenção das drogas como ilícitas gera um mercado negro de proporções macroeconômicas, que causa violência e corrupção. Entretanto, ele alerta que a proposta de legalização das drogas como uma forma de acabar com essa ameaça - como alguns sugerem - seria um "erro histórico". "As drogas ilícitas representam um grande perigo à saúde. Por essa razão, as drogas são e devem permanecer controladas", disse o diretor do UNODC. "Quem propõe a legalização se equivoca nos dois sentidos", disse Costa. "Um mercado liberado acarretaria em uma epidemia de drogas, enquanto a existência de um mercado controlado acarretaria na criação um mercado paralelo criminoso. A legalização não é uma varinha mágica que acabaria tanto com o crime organizado quanto com o abuso de drogas", disse Costa. "A sociedade não deve ter de escolher entre priorizar a saúde pública ou a segurança pública: ela pode e deve optar por ambas", disse. Nesse sentido ele pede aos países um maior investimento em prevenção e tratamento de drogas, e medidas mais pesadas para enfrentar o crime relacionado às drogas.
Portanto, onde o jornalista de O Globo viu a informação de que Costa e o Relatório do UNODC “defende a descriminalização das drogas”?
A não ser que isso seja bem explicado, a conclusão a que se chega é que o desejo do jornalista e/ou de O Globo pela descriminalização é tão grande que acabaram vendo o que não havia, ouvindo o que não foi dito. Isso é que é desejo de descriminalizar as drogas!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Drops de junho: Conteúdo do jornal "Mensageiro da Paz" de julho, programa “O Cristão e o Mundo” especial e o ataque a "Fox News"

Mensageiro da Paz – O jornal Mensageiro da Paz de julho, que deverá estar à venda na semana que vem, traz matérias sobre os prognósticos de analistas seculares acerca de como será o futuro Brasil evangélico em 2020; as relações estremecidas entre EUA e Israel no governo Obama; a agenda e a programação dos eventos relacionados ao Centenário das Assembléias de Deus no Brasil; e a proposta do Clube Bilderberg, apoiada pela China, de que seja criada e implantada uma moeda única no mundo. O Clube Bilderberg, para quem não sabe, é um dos mais influentes grupos do mundo ocidental, sendo formado pelos homens mais ricos do Ocidente, os principais nomes da política ocidental e os nomes mais poderosos da mídia na Europa e nos EUA. O grupo se reúne todos os anos, desde 1954, para discutir propostas para “um mundo melhor”, defendendo que isso só será possível com uma “Nova Ordem Mundial”. No mais, artigos sobre Brasil e Direitos Humanos, unção com óleo, fórmula batismal, a questão de julgar milagres, Escatologia, perfil dos jovens no século 21, dentre outros.
Quem quiser adquirir o jornal, poderá fazê-lo pelos telefones 0800-021-7373 e (21) 2406-7416/7418.

“O Cristão e o Mundo” – O programa O Cristão e o Mundo de quinta-feira passada (18 de junho, data de aniversário das Assembléias de Deus no Brasil) foi dedicado à reflexão sobre a AD no Brasil. O debate foi enriquecedor, contando com a interação dos ouvintes. Quem quiser assistir ao reprise poderá fazê-lo no domingo, a partir das 9h, pelo endereço eletrônico www.cpad.com.br/radioweb

Fox News Como vocês já devem ter sabido, saíram recentemente três pesquisas nos EUA que mostram que a popularidade de Obama caiu (uma queda, em média, de 5 pontos) e que 60% dos americanos não concordam com a política econômica do presidente. Pesquisas Gallup nos EUA realizadas nos últimos meses também revelam que a maioria dos americanos discorda das posições do presidente em relação ao aborto e ao “casamento” homossexual. As conseqüências práticas disso é que, de janeiro a maio, já ocorreram em todos os Estados Unidos 1.200 protestos contra as decisões de Obama nas áreas econômica e social (financiamento de ONGs pró-aborto, liberalização e financiamento de pesquisas com células-tronco embrionárias e a designação de junho como o “mês gay” no calendário nacional oficial norte-americano). Veja imagens dos protestos, por exemplo, aqui
e aqui.
Ora, como não poderia deixar de ser, diante de todos esses elementos, Obama começou a se preocupar. Só que, em vez de fazer uma autocrítica e reconhecer que pode estar errado em muitas de suas decisões e comportamentos, ele resolveu reclamar. E, para isso, escolheu um culpado tanto para esses protestos como para a queda de sua popularidade e a falta de empatia da população em relação a muitos temas que defende. Esse culpado, segundo Obama, é... a Fox News (sic)!
Sim, senhores, Obama culpa a imprensa. Só que, nos EUA, a mídia impressa e televisiva é esmagadoramente democrata. A CNN, a NBC e a ABC, por exemplo, têm gastado horas e horas de sua programação mensal, desde a posse de Obama até hoje, para falar sobre a roupa com que Michele Obama vai sair no próximo final de semana, a saúde do cachorrinho da família Obama etc. Logo, a única mídia que o presidente encontrou que pudesse classificar realmente como oposição foi a Fox News. Isso tudo é extremamente risível, não apenas porque a Fox News é o único canal oposicionista – um canal oposicionista engolfado por canais pró-Obama –, mas também porque ela não é nenhuma “Rede Globo dos EUA”, nem pelo menos uma Record ou SBT de lá. Longe disso. A Fox News é o segundo canal de notícias em audiência da tevê a cabo norte-americana (o primeiro é a democrata CNN). É grande coisa? É, mas ainda que os canais de tevê a cabo nos EUA tenham excelente audiência, esta ainda é inferior à dos canais de tevê aberta. Além do mais, a audiência da Fox News nem se compara à soma da audiência de suas oponentes.
O que acontece é que, devido à histórica briga entre o pessoal do democrata The New York Times (NYT) com o empresário australiano Rupert Murdoch, ligado aos republicanos e dono da Fox News e do Wall Street Journal, o jornal New York Times (venerado mundialmente ao ponto de praticamente pautar a mídia secular em todo o mundo) já bateu tanto em Murdoch que fica até parecendo que o australiano seria uma espécie de “Roberto Marinho dos EUA” que persegue os democratas. Nada disso. Ele é um dos maiores empresários de comunicação nos EUA, mas não domina a mídia norte-americana.
A saber: a briga entre NYT e Murdoch começou quando o empresário, depois de comprar o Wall Street Journal e saber que o NYT estava mal das pernas financeiramente, declarou que um dos seus sonhos era um dia comprar também o NYT, o que causou arrepios nos liberais diretores e articulistas do jornal nova-iorquino, que começaram a atacar Murdoch em suas páginas e a falar do “perigo” de um homem com as idéias dele ser dono do NYT. Enfim, Murdoch pode não ser nenhum santo, mas também não é nenhum “demônio” como pinta e populariza a turma do NYT. Aliás, ele teve a virtude de, em vez de se deixar levar pela onda midiática pró-democratas, ter apostado na idéia de fazer da Fox News uma frente republicana contra o restante da mídia televisiva norte-americana, tomada pelos democratas.
Detalhe: Obama não acusou as críticas da Fox News de falsas. Ele acusou a Fox News de, diferentemente dos outros canais, não viver falando bem de seu governo. Isto é, para Obama, bom mesmo é a mídia toda só falando bem dele - atitude que lembra gente que flerta com o autoritarismo. Não é à toa que o protoditador da Venezuela, Hugo Chávez, tenha se solidarizado com Obama, aplaudindo-o pelo seu posicionamento diante do único canal de oposição em seu país. Chávez não só elogiou Obama como comparou a linha editorial da Fox News à “ofensiva de alguns veículos de comunicação venezuelanos contra a revolução socialista na Venezuela e na América Latina”. Leia essa história aqui.