quinta-feira, 28 de maio de 2009

Sobre a aproximação da Globo com os evangélicos

Como vocês já devem saber, o Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão está apresentando, desde terça-feira, uma série de reportagens sobre a importância do trabalho social desenvolvido pelas igrejas evangélicas no Brasil, série esta anunciada em postagem deste blog publicada na manhã de terça-feira. A série tem provocado reações diversas entre os evangélicos. Surpresos com o tom das reportagens, que elogiam o belo trabalho social das igrejas, muitos evangélicos estão meio que confusos com tudo isso. Estão se dividindo entre liquefazer-se de encômios diante do ato da Globo ou suspeitar de uma “conspiração no ar”, de “armação que vem por aí”.
Ora, como se diz popularmente, “nem oito nem oitenta”.
Há três semanas, fui informado que a Rede Globo estava preparando essa série de matérias positivas sobre o trabalho social dos evangélicos. Só não sabia quando iria ao ar, pelo menos até segunda-feira. E ontem, um dia depois da primeira reportagem (que falou sobre atividades da Assembléia de Deus e da Igreja Presbiteriana), um jornalista da equipe do Jornal Nacional me informou que o JN pretende fazer, depois dessa série "Os evangélicos", mais matérias sobre o trabalho social dos evangélicos daqui para frente. Sim, a Globo produzirá, segundo afirmou, mais matérias no Jornal Nacional daqui para frente sobre o trabalho social dos evangélicos.
O que acho de tudo isso? Acho muito bom. Agora, uma coisa é reconhecer o acerto da Globo em produzir esse tipo de matéria (onde, involuntária, inconsciente e indiretamente, ela acaba até evangelizando [sic], ao divulgar testemunhos de pessoas transformadas pelo poder do Evangelho - O que é uma bênção!) e outra coisa bastante diferente é dizer que a Globo mudou seus valores por causa disso. Não, a Globo não mudou. A Globo não é agora “o canal dos evangélicos”. Suas novelas continuarão divulgando valores que chocam-se frontalmente com os valores bíblicos. Suas novelas também continuarão, por exemplo, divulgando o espiritismo. Essa aproximação da Globo é tão somente estratégica. É uma aproximação absolutamente natural por razões obviamente comerciais. E essa constatação não desmerece a importância dessas matérias positivas do JN e o elogio que devemos dar a elas, tão somente é um fato que não devemos olvidar ou eufemizar, e que nos policia de arroubos ufanistas.
A Globo sempre teve preconceito em relação aos evangélicos? Sim. Quem não tem memória curta sabe muito bem disso. Inúmeros são os exemplos. Apesar de a briga da empresa ser mesmo com a Igreja Universal e a Rede Record, que pertence a Iurd, sempre foi notório o preconceito da Globo - às vezes velado, às vezes manifesto - em relação aos evangélicos. Porém, alguns fatos acabaram levando-a a atenuar tal posicionamento.
Primeiro, o crescimento da Rede Record e o fato de a Universal alimentar o discurso de que “a Globo odeia os evangélicos” (embora, observe-se, a programação da Record é tão negativa em termos de valores quanto a programação de sua rival).
Segundo, o fato de que a Globo andou perdendo audiência nos últimos anos e pesquisas demonstram que a Globo tem uma péssima imagem diante dos evangélicos.
Terceiro, como a própria revista Época, que pertence ao grupo Globo, divulgou esta semana, estima-se que em 2020 o Brasil será majoritariamente evangélico (50% de evangélicos e os outros 50% formados de católicos, adeptos de outras religiões e sem religião). Ora, se o público da Globo é o público brasileiro e pesquisas mostram que daqui a 11 anos a maioria desse público será ligada a um segmento da sociedade brasileira diante do qual a Globo tem hoje uma péssima imagem, nada mais natural do que a Globo tentar se aproximar desse segmento. É uma questão de necessidade comercial.
Daí as matérias positivas no Fantástico sobre o trabalho de um pastor nos presídios do Rio de Janeiro; daí também a inserção de personagens evangélicos na novela das oito - programa de maior audiência da tevê brasileira - com trilha sonora com música evangélica (tentativa de causar boa impressão que deu errado por causa da idéia de mostrar “o evangélico do bem” em contraste com o “evangélico do mal”, o que resultou em uma caricatura dos evangélicos que distorcia o posicionamento dos evangélicos sobre a tolerância e a prática homossexual como pecado) etc. Enfim, a Globo está tentando mudar sua imagem, não seus valores. Até a revista Veja já divulgou isso no blog do seu colunista Lauro Jardim (veja aqui: http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/20080627_dia.shtml).
Tal aproximação, obviamente, não significa que a Globo eventualmente não vá fazer mais uma ou outra matéria tendenciosa em relação aos evangélicos. Aliás, ela pode se sentir mais confortável agora para fazer isso, uma vez que passou a divulgar belos trabalhos sociais de todas as principais denominações evangélicas (Aproveitando: o fato de estar mostrando o trabalho de “todas as principais” faz parte da estratégia comercial; a lógica é “enquanto a Record só divulga a Iurd, a Globo divulga todos os evangélicos”).
Portanto, “nem oito nem oitenta”. A série está sendo muito boa, mas não podemos confundir as coisas. Precisamos diferenciar acerto de motivação; devemos fazer distinção entre intenção e conteúdo. Enfim, precisamos atinar para aquele princípio de Filipenses 1.17a,18.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Drops: conteúdo do MP de junho, Coréia do Norte, protestos nos EUA, abaixo-assinado da UBE e a tentativa da Globo de se aproximar dos evangélicos

O jornal Mensageiro da Paz de junho já está à venda desde 21 de maio nas lojas CPAD pelo Brasil ou pelo 0800-021-7373. Nesta edição, os principais temas são o Acordo Brasil-Vaticano (assinado em novembro de 2008) e que será votado em breve no Congresso Nacional; a mobilização evangélica para deter o PL 122/2006; a censura que o governo fará na tevê aos programas considerados “homofóbicos”; a decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro – divulgada em abril – contra o ideal do movimento contra a “homofobia”; os eventos do Centenário da Assembléia de Deus para este ano, com destaque para a Conferência Pentecostal da Região Sul, que será realizada de 6 a 9 de agosto em Curitiba, e o Congresso de Educação e Evangelização Infanto-juvenil, que será realizado de 26 a 29 de julho em Camboriú (SC); a perseguição a cristãos na Nigéria; o lançamento da Bíblia de Estudo Dake no Brasil pela CPAD; o socorro das ADs no Piauí e Maranhão às vítimas das enchentes naquela região, artigos apologéticos sobre Cabala e festas juninas, e artigos sobre identidade da igreja, família, Israel, liderança cristã e pregação bíblica.

O caso da Coréia do Norte mostra mais uma vez que não basta neurolingüística para resolver os problemas do mundo. Nas eleições americanas, a mídia (liberal até o tutano em termos de valores e fascinada com a possibilidade de ter no poder um ultraliberal) pregou a grotesca mentira de que a ascensão de Obama ao poder acabaria com os males do mundo. E boa parte da população mundial (75%, segundo pesquisas), orientada e hipnotizada pela propaganda descarada da mídia de lá e de seus respectivos países, creu piamente nesse absurdo. Quem não se lembra de publicações aqui, no Brasil, e de fora dizendo tolices como “A vitória de Obama é o melhor para a economia mundial, para a sua vida em particular e para a tranqüilidade do mundo”?
Dizia-se, por exemplo, em alto e bom som, a sandice gritante de que a eleição de Obama acabaria com a hostilidade de alguns países e grupos terroristas aos Estados Unidos. Como se a hostilidade aos EUA tivesse começado no governo Bush; como se os três primeiros atentados da Al Qaeda contra os EUA, igualmente terríveis – e que mataram centenas de pessoas –, tivessem acontecido no governo Bush; como se os atentados de 11 de setembro de 2001 não tivessem sido planejados anos antes de se saber quem seriam os candidatos à presidência dos EUA e, depois que se sabia quem eram, quem iria ganhar. Porém, contra todas essas obviedades, criou-se a crença absurda de que a causa dos males do mundo era... George Bush. Passou-se a crer, como se as pessoas tivessem tido um surto de amnésia, que, saindo Bush de cena e entrando um liberal, os problemas do mundo seriam resolvidos, a paz voltaria ao mundo...
Bem, aos que caíram na propaganda obamista, sugiro agora, para solucionar os problemas com o Irã e a Coréia do Norte, que todos se juntem e tenham apenas pensamentos felizes e tudo vai mudar. Muito pensamento positivo e declarações em voz alta, do tipo: “We Can! Chaaannnngeeee!!!” Ou, se quiser, “Abracadabra!” Quem sabe todos os problemas do mundo se resolvam assim, não é mesmo?
Oremos por essa situação, para que Deus, pela Sua graça, ilumine a mente das lideranças internacionais para que saibam conduzir esta situação da melhor forma possível.

Em 25 de maio, no Memorial Day, houve protestos em frente ao Rockfeller Center, onde funcionam os estúdios do canal de televisão liberal NBC. Os protestos (com cartazes também contra a CNN) eram contra o posicionamento liberal da empresa e por deliberadamente proteger seu “messias” Barack Hussein Obama, tentando distrair a população americana com matérias abordando “grandes assuntos nacionais” tais como “Como vai o cachorrinho dos Obama”, “Com que roupas Michele Obama vai sair dia tal e dia qual”, enquanto o presidente dá prosseguimento à sua agenda liberal. Mas, isso não sai na imprensa daqui, igualmente dedicada a manter a imagem do seu protegido. Aproveitando, não deixem de ler este importante artigo de Don Ferer: http://juliosevero.blogspot.com/2009/05/obama-declara-os-eua-nao-sao-uma-nacao.html
Aproveitando, em nome do direito à informação, seguem notícias e fotos de um dos 1,2 mil protestos (sim, é isso mesmo que você leu: 1,2 mil) em todos os EUA contra as recentes medidas do governo americano nas áreas social (a agenda liberal) e econômica. As fotos são do protesto em Chicago. Veja as informações e as fotos aqui.

O Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão estará apresentando uma série de reportagens esta semana sobre o importante trabalho social que as igrejas evangélicas realizam no Brasil. É mais um passo da estratégia da Globo, encetada há dois anos, para tentar resgatar aos poucos a sua imagem diante dos evangélicos.

Não deixem de participar do abaixo-assinado de repúdio na blogosfera às declarações absurdas do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que atacou as igrejas e instituições cristãs no Brasil que combatem o aborto, a campanha da camisinha, a legalização das drogas e projetos de lei como o PL 122/2006. Leia sobre o abaixo-assinado e saiba como assiná-lo aqui: http://comoviveremos.com/2009/05/22/nota-de-repudio-em-face-das-declaracoes-do-ministro-carlos-minc/

O programa de apologética Resposta Fiel volta a ter programas inéditos esta semana. Hoje, às 22h, o tema é “O lugar das emoções e da razão na vida cristã à luz da Bíblia”. O link para ouvir a rádio é www.cpad.com.br/radioweb

terça-feira, 19 de maio de 2009

Sobre os protestos na Universidade de Notre Dame e o dilema ético de Guantánamo

Caros leitores, já faz algumas semanas que ausentei-me do blog por uma razão simples: falta de tempo. Só esta semana encontrei uma horinha para escrever, mas, quando pensava em aproveitar esse tempo para finalmente concluir uma série de artigos relativos a questões sócio-político-culturais daqui, do Brasil, artigos estes que, há dias, havia começado a criar para publicar seqüencialmente no blog, sou forçado a voltar minhas atenções de novo para os EUA. Isso porque vi os protestos de domingo na Universidade Católica de Notre Dame por esta conceder a Obama, um abortista declarado, um título honoris causa; e li e ouvi o discurso de Obama tentando pacificar os ânimos, bem como o tratamento que a mídia brasileira deu ao caso.
Vocês devem ter visto os protestos (com centenas de pessoas protestando dentro e fora da universidade, como fotos dos protestos publicadas em vários sites demonstram) e a forma como a imprensa brasileira tratou o episódio, exaltando o tom conciliador de Obama (“Devemos manter a mente aberta”) e os aplausos meramente burocráticos que recebeu ao final de seu discurso, classificados pela mídia tupiniquim como “entusiásticos”.
A verdade é que os protestos em Notre Dame são só uma pequena amostra do que a sociedade americana acha de “manter a mente aberta para a questão do aborto”. Uma pesquisa recente do Instituto Gallup, divulgada há poucos dias, revela que, após Obama assumir a presidência e assinar, como seu primeiro ato de governo, uma lei pró-aborto que autoriza o uso do dinheiro público americano para financiar ONGs pró-aborto no mundo, a maioria da sociedade americana passou a ser pró-vida. Não que esse ato de Obama seja o grande provocador disso, mas, com certeza, teve sua influência, porque trouxe o assunto do aborto novamente à pauta nas discussões daquele país, fazendo com que, após o confronto de argumentos, um número significativo da população americana reconsiderasse seu posicionamento sobre o assunto.
Há um ano, a última pesquisa Gallup sobre o tema nos Estados Unidos mostrava que 50% dos americanos eram pró-aborto e 44%, contra o aborto. Hoje, porém, o resultado é 51% contra o aborto e 42% pró-aborto. Isto é, os protestos em Notre Dame são um reflexo de uma reviravolta na opinião do povo americano sobre o assunto – além, claro, do fato indignante que é, para os católicos conservadores, ver uma universidade católica homenagear o principal defensor do abortismo naquele país.

Dilema ético em Guantánamo

Mudando de assunto, embora ainda falando dos EUA, já faz alguns dias que o presidente Obama anunciou que não cumprirá uma de suas promessas de campanha. Que promessa? Uma das mais esperadas pelos demonizadores do governo Bush: A de abrir os arquivos da CIA em relação a Guantánamo. Mas, por que não abrir, se teoricamente isso prejudicaria mais ainda a imagem do recém-encerrado governo Bush, não é mesmo? Por quê?
Bem, como todos sabemos ou pelo menos devemos saber, às vezes a teoria é bem diferente da prática.
A verdade é que se tem uma coisa que Obama – e mais ainda a presidente da Câmara dos Representantes, a também democrata Nancy Pelosi – não tem interesse é revelar o conteúdo de tais documentos. Quem quer abri-los é... Dick Cheney. Isso mesmo: Dick Cheney, grafitado pela mídia como demônio. Ele está fazendo uma campanha para que os arquivos sejam abertos.
Dick Cheney, vice-presidente nos dois mandatos de George Walker Bush, pediu em 31 de março à CIA para revelar o conteúdo desses documentos, e a resposta da CIA foi um “não” seguido de uma desculpa jurídico-burocrática para não fazê-lo. Bem, e Obama? Ele não poderia exigir à CIA revelar o conteúdo dos documentos (que, depois de assumir a presidência, já analisou e conhece), ainda mais que ele prometera fazê-lo? Poderia, e nesse caso a CIA não teria desculpas para negar seu pedido. Porém, Obama resolveu não abrir esses documentos. Por quê? Por qual motivo?
Bem, o que se sabe é que Cheney, em entrevista ao jornal Washington Post, afirmou que os tais documentos comprovam que o waterboarding (único tipo de tortura autorizada pelo governo Bush em Guantánamo, sob a justificativa de que é um método usado há décadas no treinamento dos soldados dos EUA porque teoricamente tem menos chances de deixar seqüelas em suas vítimas) levou o governo americano a frustrar planos de ataque e a encontrar e prender células terroristas inteiras. O detalhe é que Nancy Pelosi fazia parte da comissão do Congresso Americano que sabia e aprovou tudo isso. Diante do fato, até a mídia democrata passou a questionar Pelosi pelo comportamento contraditório de criticar algo com o qual concordara antes, nos bastidores. Aliás, depois da declaração de Cheney, ela já deu quatro versões diferentes à televisão para tentar “limpar a sua barra”. É Clinton fazendo escola.
Uma das últimas versões de Pelosi é que supostamente não fora “bem informada pelo pessoal da CIA sobre o que acontecia”. O problema é que Pelosi participou de 40 audiências com o pessoal da CIA sobre as “técnicas incrementadas de interrogatório” e onde os documentos foram apresentados. Tudo registrado. Sim, 40 audiências, e algumas durando horas. E ela “não sabia”...
Bem, Dick Cheney disse o que havia nos documentos, Obama e Pelosi não o desmentiram, e Obama resolveu voltar atrás quanto a disponibilizar o conteúdo deles. Por isso, até o jornal The New York Times, democrata “até o tutano”, está cobrando do governo Obama que mande revelar o conteúdo dos documentos.
No final das contas, até agora, o que se sabe é que os documentos provam que só houve em Guantánamo três terroristas torturados; que essas torturas resultaram na prisão de outros terroristas com bombas e planos adiantados de ataque; que Condoleezza Rice, Rumsfeld e Cheney aprovaram esses três únicos casos de tortura; e que o documento traz os nomes dos agentes da CIA que as praticaram. E aqui chegamos ao dilema ético por que passa a opinião pública americana nesses últimos dias: Obama se negou a processar esses agentes da CIA que promoveram essas torturas. Não disse o motivo, mas se, segundo Cheney, os documentos provam que o que fizeram salvou a vida de centenas de americanos que morreriam em atentados cujos planos estavam já em andamento, o que Obama não nega, conclui-se que esse seria o motivo. Portanto, segue-se a pergunta: A decisão de Obama é correta? É ético condescender com a tortura nessas condições?
Diogo Mainardi escreveu sobre esse dilema ético recentemente em um de seus artigos no site da revista Veja. Não deixe de ler. O artigo está aqui:
http://veja.abril.com.br/idade/podcasts/mainardi/integra_140509.html
Eis o dilema ético dos americanos: “É correto penalizar agentes que torturaram dois terroristas – e sem deixar seqüelas neles – para salvar a vida de centenas de pessoas?” Obama já respondeu a esse dilema negando-se a processar esses agentes da CIA. E foi mais adiante: também anunciou (semana passada) a volta dos tribunais de Guantánamo, criados por Bush e que ele, Obama, havia dito que iria acabar. E agora já se fala nos EUA que a previsão do fechamento de Guantánamo deverá ser revista – para mais à frente, como já haviam proposto Bush, quando na presidência, e McCain, quando em campanha. Mais uma vez, o discurso de campanha de Obama se esvai quando se depara com a complexa realidade.
E você, o que acha da decisão de Obama? Qual seria a sua decisão diante desse dilema ético do caso Guantánamo?
Por exemplo: Se a vida de seus entes queridos dependesse da informação de um criminoso que se nega a dá-la, seria correto permitir que o policial que o prendeu usasse tal expediente para conseguir a informação, ainda mais sob a justificativa de que o método não deixaria seqüelas na saúde do criminoso? Ou se você soubesse, como aqueles agentes da CIA, que a informação de um determinado terrorista evitaria a morte de centenas de pessoas em sua nação em um atentado que ocorreria nas próximas horas, você permitiria o uso desse método? O que você faria?

terça-feira, 28 de abril de 2009

Drops de abril: (1) o conteúdo do jornal “Mensageiro da Paz” de maio e (2) o ápice do messianismo obamista

O jornal Mensageiro da Paz de maio já está pronto e à venda pelo telefone 0800-021-7373 (e em todas as filiais da CPAD pelo país até o final desta semana), trazendo todas as informações sobre a 39ª Assembléia Geral Ordinária da CGADB. Há também matérias sobre as decisões da Cúpula do G-20 reunida em Londres (como elas evocam vaticínios bíblicos sobre o final dos tempos); o socorro dos evangélicos italianos às vítimas do terremoto na Itália; o projeto “Década de Pentecostes” das Assembléias de Deus africanas, que pretende ganhar 10 milhões de africanos para Cristo de 2010 a 2020; e artigos sobre apologética, liderança cristã, Israel e educação cristã, dentre outros. Não perca. Quem deseja assinar o jornal, os telefones são (21)2406-7416 e 2406-7418.

E segue o messianismo obamista...

A matéria é da Agência O Globo e foi publicada ontem, às 17h16, no site do jornal carioca exatamente como se segue:

Para homenagear Barack Obama por seus 100 primeiros dias na Casa Branca, o artista Michael D'Antuono ousou: retratou o presidente americano como ninguém menos que Jesus Cristo. Coroa de flores na cabeça, braços estendidos, a obra não deixa dúvidas de que o Obama é tido, pelo menos pelo autor da polêmica obra, como o novo messias, aquele que foi enviado à Terra para salvar a humanidade - ou pelo menos os EUA. A peça - acrílíco sobre lona, 76cm x 137cm - será exibida no dia 29, quarta-feira, em plena Union Square, em Nova York.
O autor se exime das críticas - e óbvias comparações - dizendo que a obra é “aberta a interpretações individuais”. É verdade, há algumas diferenças. A cruz não está lá. Em seu lugar, ao fundo, o selo presidencial. Obama, ao invés do seio desnudo, veste terno. Mas mesmo o título da obra não deixa muita margem para dúvidas: "The Truth" ("A Verdade", em português), faz referência a um trecho da Bíblia em que Jesus diz a João 14:6, "Eu sou o caminho, a verdade e a vida".
"Mais que um retrato do presidente, 'A Verdade' expressa o momento político, religioso e social que nosso país atravessa", diz D'Antuono em material de divulgação da exibição de sua obra. "A verdade, como a beleza, está nos olhos de quem vê", diz o press release da mostra.
D'Antuono ainda convida o público a enviar para ele, por e-mail, suas reações à peça, respondendo à seguinte questão: "Qual a sua
verdade?"

O que dizer? Só falta esse povo cantar “Obama, Obama nas alturas!”

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Programa de debate "O Cristão e o Mundo" estréia dia 16 de abril, às 13h, na Rádio Web CPAD

P.S.: O programa estreiaria nesta terça-feira, dia 14, às 13h, mas, devido a problemas técnicos, não foi possível ir ao ar. Por isso, o programa estreiará - e desta vez sem falta - na quinta-feira, dia 16, às 13h. No sábado (dia 18), às 9h, haverá reprise do programa de estréia e domingo, às 9h, haverá a segunda edição do programa. Na semana que vem, o programa segue com edições inéditas (e ao vivo) todas as terças e quintas, e com reprises aos sábados e domingos, sempre às 9h. A retificação do dia de estréia já foi feita no título e no corpo desta postagem.
Caros,
Já fazem nove meses que a Rádio Web CPAD está no ar com programas voltados para jovens, mulheres, crianças, professores de Escola Dominical, estudantes de Teologia, além de programas voltados ao público em geral. Agora, mais uma opção de programa de qualidade é colocada à disposição dos ouvintes na semana que vem. Dia 16 de abril, estréia (*), das 13h às 14h, o programa de debates O Cristão e o Mundo, que discutirá os principais temas da semana no Brasil e no mundo à luz da cosmovisão cristã. O programa terá quatro debatedores fixos, que são os pastores Geremias do Couto, este escriba, César Moisés Carvalho e Alexandre Coelho. O pastor Geremias é quem conduzirá o programa.
O programa terá duas edições por semana e sempre no mesmo horário (13h às 14h): uma na terça-feira e outra na quinta-feira. No sábado e no domingo, das 9h às 10h, serão transmitidos os reprises dos programas da semana. Os temas do programa de estréia(*) são uma análise dos dados finais do Projeto Minha Esperança Brasil e uma reflexão sobre o porquê de o crescimento evangélico no Brasil não estar sendo acompanhado pela diminuição do índice de violência e de outros crimes em nosso país.
O endereço eletrônico da Rádio Web CPAD é www.cpad.com.br/radioweb.

A edição de abril do jornal Mensageiro da Paz traz como matéria de capa uma abordagem sobre o neopentecostalismo, o pós-pentecostalismo e o pseudopentecostalismo. Há também o Curso de Liderança Cristã ministrado pelo pastor Antônio Gilberto, testemunhos e artigos sobre os equívocos dos argumentos pró-liberalização das drogas; a lei moral, a lei civil e a lei cerimonial no Antigo Testamento; anti-semitismo na Europa e evangelização criativa, dentre outros. Quem quiser assinar o jornal Mensageiro da Paz, os telefones são (21)2406-7416 e 2406-7418 ou 0800-021-7373. O e-mail é assinaturas@cpad.com.br.
(*) Não estranhem o acento. Este blog, por enquanto, ainda não está usando as regras do Novo Acordo Ortográfico, mas brevemente o fará.

sexta-feira, 27 de março de 2009

A verdade sobre o aquecimento global

Caros,
Quem acompanha-me no blog há algum tempo ou leu meu livro A Sedução das Novas Teologias (CPAD) sabe que não sou simpático à Teoria do Aquecimento Global Irreversível e Antropogênico. Creio, sim, como já escrevi, que o ser humano tem destruído a Terra em vários sentidos, e inclusive em relação ao meio ambiente (na área de poluição, afetando a saúde das pessoas, animais e plantas; na difusão de doenças por falta de saneamento e de cuidados ambientais; nos testes com bombas; no vazamento de óleo e de gases tóxicos letais; na destruição de ecossistemas etc); e que o cristão deve zelar pela criação de Deus e cuidar responsavelmente dos recursos naturais que Deus colocou à sua disposição neste planeta; mas, sempre tive sérias dúvidas quanto ao ser humano estar provocando este atual momento de aquecimento da Terra e quanto à tese de que este aquecimento global é irreversível. Isso se deve não à minha intuição, mas ao fato de já ter lido vários artigos e matérias a respeito com especialistas argumentando com precisão contra a falácia dos “ecologistas terroristas”. Por isso, sempre resisti a essa tese, apesar de respeitar amigos sinceros, inclusive servos de Deus, que a esposam.
Aliás, nos Estados Unidos, a maioria dos evangélicos e dos chamados conservadores já é hoje condescendente com essa tese do Aquecimento Global Irreversível e Antropogênico. Uma boa parte ainda é contra, mas a maioria já não o é, e isso porque muitos irmãos se sentiram fortemente tentados (e cederam a essa tentação) de ver nessas previsões climáticas catastróficas algo de bíblico.
Trocando em miúdos: Assim como, no período da Guerra Fria, muitos servos de Deus tendiam a associar muitas catástrofes previstas nas profecias bíblicas sobre o fim dos tempos às previsões muito comuns à época sobre o que aconteceria com a Terra num eventual conflito nuclear, agora passaram a associar os sinais que antecedem à Segunda Vinda de Jesus a essas previsões assustadoras da maioria dos ambientalistas de hoje, pois muitos desses sinais tratam-se de catástrofes na natureza (Mt 24.29,30; Mc 13.24-27; Lc 21.11,25-28) que se parecem muito com as catástrofes “profetizadas” por esses ambientalistas, assim como os efeitos de um conflito nuclear também têm suas semelhanças com a descriçao que muitas dessas profecias fazem do cenário do fim dos tempos.
Porém, o problema é que esquecemos que (1) a Bíblia em nenhum momento afirma que todas essas catástrofes são condicionadas pelo homem, como asseveram os ambientalistas; e (2) alguns vaticínios do Mestre, bem como pragas do Apocalipse (6.1-17; e 8 e 9), referem-se a algumas coisas que são claramente sobrenaturais e não naturais, inclusive dizendo que Deus enviará anjos para efetuar essas alterações absolutamente aterradoras e imprevisíveis, inesperadas, posto que sobrenaturais. O texto bíblico fala, por exemplo, de coisas que acontecerão com o Sol e a Lua e de “poderes do céu” sendo “abalados”, e de "estrelas" caindo, que são acontecimentos que vão além de um mero superaquecimento global irreversível e que não se encaixam em nenhuma previsão ambiental terrificante.
Como alguns irmãos pedem-me informações a respeito dos contra-argumentos à Teoria do Aquecimento Global Irreversível e Antropogênico, uma vez que essas informações são, por razões ideológicas, escondidas pela maioria esmagadora da mídia (algo absolutamente absurdo), indico aos interessados pelo assunto um documentário importantíssimo, imperdível, de Martin Durkin, exibido em 8 de março de 2007 no Channel 4, da Inglaterra, e intitulado A Grande Farsa do Aquecimento Global. Esse documentário foi feito logo após a triste notícia - para a maioria da comunidade científica da áera de climatologia - de que o então presidente dos EUA, George Walker Bush, preocupado com sua popularidade mundial desgastada após a Guerra no Iraque, acabou, contra sua convicção, cedendo à pressão midiática e de ONGs e aderindo à popular causa dos ambientalistas. Esse documentário é um último apelo desses premiados cientistas europeus, americanos, asiáticos e judeus para que a farsa do aquecimento global antropogênico e irreversível acabe e que, de forma didática, destrói, sem deixar pedra sobre pedra, todas as lendas pregadas como verdade em panfletos populares, inclusive no grotescamente mentiroso Uma Verdade Inconveniente, do pop star Al Gore.
Durkin reúne os depoimentos dos mais renomados cientistas do mundo na área, que denunciam que a Teoria do Aquecimento Global Irreversível e Antropogênico não tem base científica alguma e que a elevação da temperatura decorre de um ciclo natural. O documentário conta ainda como surgiu a Tese do Aquecimento Global Antropogênico e Irreversível e porque ela se mantém e se popularizou em nossos dias, mesmo sem ter nenhum sentido à luz de todas as evidências. Depoimentos de Carl Wunsch, Eigil Friis-Christensen, Frederick Singer, Ian Clark, James Shikwati, John Christy, Lord Lawson de Blaby, Nigel Calder, Nir Shaviv, Patrick Michaels, Patrick Moore (co-fundador do Greenpeace), Paul Reiter, Philip Stott, Piers Corbvn, Richard Lindzen, Roy Spencer, Syun-Ichi Akasofu e Tim Ball.
O documentário de uma hora e 16 minutos vem com legendas em português. Vale muito a pena assistir. Acesse-o aqui.
(Preferencialmente, comentar só depois de assistir ao vídeo)

sábado, 14 de março de 2009

O novo herói americano

Uma pesquisa nacional – realizada neste início de ano nos EUA pelo Instituto Harris – revela quais são os principais heróis dos americanos hoje. O resultado é curioso. Em primeiro lugar, retirando da dianteira Jesus Cristo (que sempre foi o primeiro para os americanos em todas as pesquisas do tipo já feitas nos EUA até então), está o atual presidente dos Estados Unidos: Barack Hussein Obama. Em segundo lugar, Jesus Cristo (sic); em terceiro, o pastor batista Martin Luther King; em quarto, o ex-presidente Ronald Reagan; em quinto, o ex-presidente George Walker Bush; em sexto, o ex-presidente Abraham Lincoln; em sétimo, o herói de guerra John McCain; em oitavo, o ex-presidente John Kennedy; em nono, o piloto e novo herói Chesley Sullenberger; e em décimo, Madre Tereza de Calcutá (o resultado pode ser conferido no site do Instituto Harris ou em português, por exemplo, aqui).
Curioso, não? Pois bem, aqui vai uma pergunta: O que você acha de, pela primeira vez, num país dito cristão (onde 53% da população se diz evangélica e 30%, católica), Jesus não ser mais o maior herói, perdendo para alguém que defende o casamento homossexual, o aborto, a destruição de embriões para produção de células-tronco, o ecumenismo e a legalização de drogas, e que, como se não bastasse, passou a ser conhecido nacionalmente há apenas seis anos e mundialmente há pouco mais de um ano por causa de uma eleição presidencial que conseguiu vencer (apesar de ter sido um parlamentar medíocre) porque teve como poderoso cabo eleitoral a inabilidade do último governo em responder rapidamente a uma das maiores crises econômicas da História? Obama não tem dois meses de mandato e já é considerado pela atual geração de americanos o maior herói de todos os tempos. Já fizeram até revistinha com Obama e o Homem-Aranha salvando o dia, e ela vendeu horrores.
No imaginário dessa nova geração, Obama desbancou currículos como os de Abraham Lincoln, Martin Luther King, Ronald Reagan, Madre Tereza de Calcutá etc e até mesmo conseguiu ultrapassar Jesus como herói em uma nação, repito, dita cristã. Minha reação imediata a essa notícia? Repetir as palavras de Cícero: “Oh, tempo! Oh, costumes!” E a sua?
P.S.: Não vale bobagens do tipo “Obama é o Anticristo”.

terça-feira, 10 de março de 2009

Fidelidade total à agenda liberal

Ao final do seu mandato, o presidente Obama pode até ser eventualmente criticado por não cumprir algumas promessas de campanha, mas não em relação à sua agenda liberal. Se com dois dias de mandato já assinara a LLE, fazendo a festa dos grupos pró-liberação do aborto em todo o mundo, ontem ele liberou as verbas que Bush havia negado para as pesquisas com células-tronco embrionárias nos Estados Unidos. Isso em menos de dois meses de mandato. Nesse ritmo, será que até o final deste ano ele já terá cumprido todos os demais pontos da agenda?
Outro detalhe é que Obama justificou sua decisão de ontem afirmando que "seu governo tomará decisões baseado em fatos, não em ideologias". Ah, quer dizer que a decisão de Obama não é baseada em ideologias? Quer dizer que as propaladas curas por meio de células-tronco embrionárias já são um fato no mundo? Onde estão? Quer dizer também que se Bush, como sabemos, não foi favorável a esse tipo de pesquisa por entender que embrião é um ser humano tanto quanto qualquer outro (essa era sua "ideologia"), não considerar o embrião um ser humano, mas apenas uma espécie de "vida inferior", é "resistir aos fatos"? Ah, tá... E se a Bíblia afirma que o embrião é um ser humano cuja vida deve ser tão respeitada quanto a de qualquer outro ser humano, então quer dizer que a Bíblia é contrária aos fatos? Entendo. O governo do "cristão" Obama tomará todas as decisões sem atentar para os "irracionais" princípios e valores cristãos e para os fatos, a não ser para os "fatos" (de sua ideologia). Com Obama, hipótese agora é fato e princípios e valores cristãos são "obscurantismo e irracionalidade". Isso é que é fidelidade total à plataforma!

segunda-feira, 9 de março de 2009

O dilema ético em torno do aborto - sobre o terrível caso da menina de 9 anos em Recife

[*] Caros, o artigo que prometi no primeiro parágrafo desta atual postagem já se encontra no blog, no espaço de comentários. Preferi colocá-lo aqui porque (1) o texto é muito longo para uma nova postagem (ultimamente tenho evitado postar textos longos, como fazia anteriormente - é verdade que, de certa forma, ainda continuam longos, mas não tanto como boa parte dos postados no ano passado) e (2) para tentar concentrar nesta postagem todas as exposições relacionadas ao tema dela. Abraço!
Afazeres impediram-me de comentar a tragédia vivenciada pela menina de 9 anos em Recife, que foi estuprada e engravidou de gêmeos que foram, há poucos dias, legalmente abortados (a lei brasileira permite o aborto apenas nos casos de estupro e de gravidez que apresente risco de vida para a mãe). Apesar de impossibilitado de escrever o longo texto que havia idealizado para analisar esse caso perturbador (pretendo fazê-lo ainda, mais à frente [*]), meu amigo pastor César Moisés escreveu excelente artigo a respeito para o qual convido os leitores, pois serve de perfeita introdução para uma reflexão sobre o assunto. Leiam-no aqui: http://marketingparaescoladominical.blogspot.com/2009/03/no-lugar-do-arcebispo-de-olinda-e.html (O pastor César preferiu, por enquanto, não omitir uma opinião definitiva, mas lançou com precisão boas bases para reflexão sobre o assunto, inclusive destacando que, em uma época de relativismo, o arcebispo teve a coragem de se posicionar sem se preocupar com o politicamente correto). [Só hoje (10/03/09) li o artigo que o pastor Altair Germano postou sobre o assunto, e que fora indicado pelo irmão Valmir Milomem. Indico-o também: http://www.altairgermano.com/2009/03/menina-de-09-anos-aborta-gemeos-etica.html]
Como prometi, pretendo escrever com vagar sobre o assunto mais à frente [*], porém, à guisa de introdução, adianto que o aborto realizado naquela criança não só foi legal como entendo ser biblicamente permitido (embora seja uma decisão extremamente dolorosa), posto que os médicos diagnosticaram ser uma gravidez de total risco de vida para a menina-mãe e onde os gêmeos não tinham a menor chance de sobreviverem. Segundo a equipe médica, se a gravidez fosse levada adiante, das duas uma: morreriam os três ou, na hipótese menos provável, morreriam os gêmeos e a menina continuaria viva. Ou seja, de acordo com os médicos, seria impossível os gêmeos sobreviverem àquela gravidez e as chances de a menina-mãe morrer juntamente com eles era altíssima. Como a morte dos gêmeos era inevitável, abortando-os salvou-se pelo menos a menina.
Já escrevi em artigo (em uma edição de 2006 da revista Reposta Fiel) e em livro (mais precisamente em um apêndice de A Sedução das Novas Teologias, CPAD) que o aborto denominado de terapêutico (não gosto muito do termo, mas, enfim, ele é usado para designar o aborto para salvar a vida da mãe), à luz dos princípios bíblicos, não é pecado. Sei que há cristãos sinceros que preferem condenar o aborto terapêutico, dizendo: “Prefiro deixar que Deus escolha se a mãe ou o bebê irá escapar ou se os dois irão morrer”. Respeito a preocupação implícita nesse posicionamento, mas, sinceramente, não vejo, à luz da Bíblia, condenação para o aborto terapêutico. Portanto, não vejo crise ética nesse caso.
Mas, alguém pode dizer: “E se não houvesse risco de vida para a menina-mãe? Nesse caso, deveríamos ou não permitir o aborto?”
Aí, sim, o quadro mudaria, porque abortar por estupro é fazer que a criança no ventre pague com a vida pelo crime do estuprador, ou seja, por um crime que não cometeu. Se o caso não contasse com o fator risco de vida, a resposta seria claramente "Não pode abortar". Entretanto, talvez não seja necessário nem adentrar essa reflexão, porque a Medicina afirma que gravidez em meninas dessa idade sempre é uma gravidez de alto risco de vida para a mãe e de morte certa para o feto, isso porque é uma gravidez antinatural. Não é natural uma menina dessa idade ser mãe, por isso o corpo dela não responde positivamente à gravidez, pois não está adequado ainda a ela (**). Se a gravidez no início da adolescência já é considerada de alto risco para o feto (podendo, inclusive, se o feto nascer, vir à luz com má formação) e raramente também para a mãe, quando a mãe tem apenas 9 ou 10 anos de idade a situação é pior ainda. Com essa idade, a menina pode até já estar ovulando, mas o corpo dela, ainda em desenvolvimento (e em um estágio ainda muito incipiente desse desenvolvimento), não está pronto para suportar uma gravidez, devido à sua compleição física, altura, peso, não-desenvolvimento dos órgãos reprodutores etc, e, por isso, a criança em seu ventre fatalmente morre e há 90% de chances de a menina-mãe morrer junto, a não ser que a criança em seu ventre seja abortada. Pelo menos é o que dizem os médicos.
Portanto, a própria natureza criada por Deus nos ajudaria a responder a esse dilema ético.
Agora, sobre a declaração do arcebispo de Recife, que disse ater-se à lei de Deus para tomar a posição que tomou, lembremos que a lei de Deus, para o arcebispo, é a lei canônica, que vai além da Bíblia e muda em muitos pontos conforme o passar dos séculos. Sim, importa obedecer à lei de Deus e não obedecer à lei dos homens (a não ser que esta esteja coadunada com a lei de Deus), porém, note-se: importa obedecer à lei de Deus. O que é realmente lei de Deus deve ser sempre obedecido.
(**) P.S. [De 09/03/09]: Caros, depois de ter escrito este artigo, fui informado por amigos que há casos, embora raros, de crianças com 9 e 10 anos que conseguiram levar adiante a gravidez, o que estabelece exceções a essa afirmação dos médicos de que não dá para uma criança de 9 e 10 anos conseguir levar a gravidez adiante. Não tenho formação na área médica e desconhecia esses casos. Minha posição nesta postagem se baseia em informações que médicos especialistas emitem sobre esse tipo de caso e sobre o que a equipe médica que tratou da menina disse sobre o caso específico dela. Outro colega disse-me que é verdade que há exceções, mas no caso específico desta menina seria mesmo impossível os gêmeos sobreviverem e a menina também teria altíssimas chances de morrer se a gravidez fosse levada adiante, por causa da natural desproporção de sua bacia pélvica em relação ao tamanho dos bebês, além de a menina só ter 1,36m, 33 quilos e poucas condições físicas. Bem, se as informações dos médicos sobre o caso da menina são falsas, aí a resposta, por mais politicamente incorreta que seja, deve ser aquela que dei à situação hipotética que descrevo no início do antepenúltimo parágrafo ("Não pode abortar"). Porém, se é verdadeira (de que os gêmeos inevitavelmente morreriam e a menina não teria como sobreviver se a gravidez progredisse), então permanece a reflexão que desenvolvi acima na maior parte do texto.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Sobre conteúdo da edição de março do jornal "Mensageiro da Paz" e tema do programa "Resposta Fiel" desta semana

A edição 1.486 do jornal Mensageiro da Paz, referente ao mês de março, traz como matéria de capa dois estudos - o primeiro, do BID, estabelece uma ligação direta entre o alcance das populares novelas da Rede Globo de Televisão e o aumento no número de divórcios no Brasil nas últimas décadas; o segundo, realizado pela Rand Corporation e publicado pela revista Pediatrics, da Academia Americana de Pediatria, comprova que adolescentes que costumam assistir a programas com conteúdo sexual têm probabilidade duas vezes maior de engravidar do que os jovens que não assistem a esses programas. Especialistas comentam esses dados.
Há ainda matérias sobre a intensificação da guerra cultural por que passa o Ocidente, com o aumento da agressividade por parte dos movimentos antiteístas e anticristãos, especialmente na Europa, e sobre o metodista John Atta Mills, 64 anos, professor de Direito, que foi eleito novo presidente de Gana; e artigos que tratam, à luz da Bíblia, de temas como hermafroditismo, casamento e celibato, “homofobia”, aborto por causa de estupro e liderança. Aos interessados em adquirir cotas ou assinaturas, o telefone é 0800-021-7373 ou (21) 2406-7416 e 2406-7418. O e-mail é assinaturas@cpad.com.br
No programa Reposta Fiel desta semana, falarei sobre o tema “Entretenimento e espiritualidade”. O programa vai ao ar amanhã, a partir das 22h, com reprise na quinta-feira, às 17h, e no domingo, às 12h. Para ouvir o programa, o endereço eletrônico da rádio é www.cpad.com.br/radioweb

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Um pouco mais de reflexão sobre fins e meios

Recentemente, mandaram-me um texto bem intencionado, mas tremendamente falacioso, daqueles que se propagam aos montes na Internet por gente que é do bem, mas que, usando uma expressão paulina, pecam por desenvolverem um “zelo sem entendimento”. Nele, o autor afirma a bobagem de que 20 bilhões de dólares acabariam com a fome no mundo para sempre. E arremata ao final: “Por que ninguém falou disso, quando os EUA desembolsaram 1,6 trilhão e a Europa, 1,5 trilhão, para ajudar a acabar o mais rápido possível com a crise financeira mundial?” Ora, porque essa afirmação dos 20 bilhões é simplesmente falsa. E para a pessoa perceber isso, mesmo que não esteja munida de números, basta refletir sobre a própria pergunta: Se é verdade que o problema da fome no mundo se resolveria com apenas 20 bilhões de dólares, como é possível que ninguém até agora tenha tomado a iniciativa de resolver esse problema? O que levaria alguém a não tê-lo feito até hoje? Egoísmo? Pura maldade? Falta de compaixão?
Se o problema é fácil de se resolver e sua solução traria uma tremenda repercussão positiva ao benfeitor, não é preciso nem ter compaixão para proceder a solução. Alguém poderia resolver o problema sem ser movido por interesses cândidos. Bastava ser motivado pelo desejo de receber honras e glórias por isso.
Só para citar um exemplo mais nítido do que estou falando: se fosse tão fácil assim resolver o problema da fome no mundo, os próprios EUA, que até poucos dias tinham 15 trilhões de dólares em caixa, já teriam solucionado o problema há muito tempo, já que 20 bilhões representavam, até um dia desses, minúsculos 0,1% do dinheiro do Tesouro americano. Mas, não precisava nem recorrer ao Tesouro. Bastava os dez homens mais ricos do mundo (que juntos somam um patrimônio de cerca de 400 bilhões de dólares) doarem, cada um, 2 bilhões e o problema seria resolvido. O que é 2 bilhões para Warren Buffet, Carlos Slim, Bill Gates, Lakshmi Mital, Mukesh Ambani e seus colegas?
Perceba: se isso não foi resolvido ainda, das duas uma – ou é porque todo mundo é ignorante ou é porque 20 bilhões de dólares simplesmente não extinguiriam a fome do mundo. Precisa ir longe para saber qual das duas opções é a correta?
Sei que talvez seja desnecessário, mas vamos aos números.
Ninguém acaba com a fome do mundo com 20 bilhões, nem com 200 bilhões de dólares e nem com 2 trilhões. Segundo o Banco Mundial e a ONU, há pelo menos 1,4 bilhão de pessoas no mundo passando fome. Ora, 20 bilhões de dólares para 1,4 bilhão de pessoas é 14,3 dólares por pessoa; 200 bilhões são 143 dólares por pessoa e 2 trilhões, 1.430 dólares por pessoa (o que, no máximo, numa hipótese extremamente otimista, alimentaria cada pessoa por apenas dois ou três anos e o problema da fome continuaria).
Para usar um dado mais preciso, podemos evocar as contas do Banco Mundial. Dizem esses cálculos que uma pessoa que ganha pelo menos 40 dólares por mês teoricamente conseguiria se alimentar todos os dias, embora da forma mais básica possível. Portanto, se fizermos as contas, chegaremos à conclusão de que acabar com a fome do mundo custaria 600 bilhões de dólares por ano. E tudo isso para manter 1,4 bilhão de pessoas comendo mal, mas comendo. Ou seja, na verdade, seria necessário mais de um trilhão de dólares por ano para manter 1,4 bilhão de pessoas comendo razoavelmente todos os anos e dezenas de trilhões de dólares para mantê-las sem fome por muitos anos. Isso significa um monstruoso Bolsa Família. E aí vem a pergunta: Sustentado por quem? E mais: Isso é realmente viável, plausível? Qual o resultado prático para as nações mais ricas do mundo se resolvessem desembolsar mais de um trilhão de dólares anualmente nessa empreitada? Simples: em vez de acabarem com a fome no mundo, aumentariam-na, a começar em seu próprio território com a bancarrota econômica. Aliás, os mais de 3 trilhões de dólares que os EUA e Europa desembolsaram por ocasião da atual crise é para que todos os setores da economia se recuperem em curto prazo e, assim, as empresas voltem a poder contratar; é para que a recessão acabe em pouco tempo, para que não sejam mais demitidas milhões de pessoas como as dezenas de milhões que já foram demitidas em todo o mundo até agora devido à crise econômica.
Entretanto, alguém mais razoável pode dizer: “E se fossem investidos 30 bilhões anualmente na produção de alimentos para essas pessoas, como alguém da ONU já sugeriu uma vez?” Mesmo assim, o problema não seria resolvido. Os mesmos que calcularam esse valor para investimento anual na produção de alimentos admitem que, ainda assim, poderia levar até 150 anos para a fome ser totalmente erradicada do mundo. Ou seja, se alguém quiser adiantar o processo, deverá investir não 30 bilhões, mas centenas de bilhões de dólares por ano. Pergunta-se: Quem tem condições de patrocinar não um, mas dezenas de gigantescos pacotes econômicos do tipo do europeu ou do americano e em um período de quase duas décadas?
Portanto, é um tremendo equívoco dizer que “falta apenas vontade política para acabar com a pobreza no mundo”. Para alguns outros problemas do mundo (e inclusive do Brasil), pode faltar essencialmente isso, mas, para o problema da fome no mundo, a solução depende de muitos outros fatores que vão além da boa vontade de países ricos. A solução do problema da fome não passa pela mera transferência de valores da “conta dos ricos” para a “conta dos pobres”. O problema não se resume a uma simples “transferência bancária”.
Outro detalhe: para quem não sabe, a fome no mundo diminuiu consideravelmente nos últimos anos. Segundo dados oficiais do Banco Mundial, havia 1,9 bilhão de miseráveis no mundo em 1981 e, hoje, são 1,4 bilhão. Isto é, há meio bilhão a menos de miseráveis no mundo do que havia 27 anos atrás. E com um adendo: em 1981, a população mundial era de 4,4 bilhões de pessoas. Logo, em 1981, os miseráveis representavam quase metade da população do planeta. Hoje, porém, os miseráveis representam menos de 1/4 da população mundial (são 1,4 bilhão em 6,7 bilhões de pessoas). Pergunta-se: O que afetou o quadro? Advinhem. A resposta é... o liberalismo econômico. Revelam dados do Banco Mundial que foi o choque de liberalismo econômico por que passaram China, Índia, Rússia, Brasil e outros países que provocou, nesse período, uma queda drástica no número de miseráveis nesses países. Só na China, foram 207 milhões de miseráveis que saíram da situação de miséria depois da abertura que o governo chinês promoveu, mesmo que relutantemente, na área econômica. Imagine, então, se a China não mais mantivesse seus trabalhadores em regime quase escravo (o que fere tanto os direitos humanos quanto o próprio princípio do liberalismo econômico).
Isso significa que se todos os países adotassem o liberalismo econômico a fome seria erradicada? Não, seria preciso mais do que isso. O liberalismo econômico não é a salvação do mundo, embora seja, indubitavelmente, o modelo econômico que melhor funciona, ou seja, o que traz melhores resultados práticos positivos, principalmente se aplicado eticamente, obedecendo a princípios bem estabelecidos. Não há sombra de dúvida de que mais resultados positivos consideráveis já poderiam ser conquistados no mundo em relação à erradicação da fome se muitos países deixassem de adotar modelos econômicos que inviabilizam ou tolhem a possibilidade de crescimento econômico de seus cidadãos. Agora, como já disse, não existe uma solução fácil. A solução depende de vários fatores. Logo, se tal modelo fosse voluntariamente implementado (dentro da peculiaridade de cada país) e, juntamente com ele, outras medidas combinadas fossem executadas, o problema da fome seria, mui provavelmente, extremamente reduzido.
Note que não são soluções fáceis. Muitas delas esbarram, por exemplo, na barreira ideológica, política e/ou cultural de muitos países.
Essa breve reflexão sobre os equívocos de uma solução fantasiosa para um problema que toda pessoa de bem gostaria de ver resolvido, independente de credo ou matiz ideológica, leva-me a ressaltar uma verdade a qual não podemos olvidar em nossa atividade reflexiva sobre o mundo: nem todos os meios são válidos para a consecução de um bom objetivo. Na verdade, muitos meios idealizados visando ao bem social, ainda que pregados enfática, sincera e fervorosamente em nome de bons objetivos, ao serem implementados, trazem resultados desastrosos que nos afastam ainda mais do fim almejado. A História está repleta de casos assim. Foram meios equivocados utilizados em nome de boas causas que provocaram algumas das maiores catástrofes da História.
Portanto, urge sempre atentarmos não apenas para o fim pregado e perseguido, mas também para os meios propostos para se tanger esse fim. Não basta analisarmos apenas os alvos; é preciso escrutinar também os processos, os métodos.
O triste, porém, é que essa lógica torta, que não pesa os meios em nome dos fins, que satisfaz-se apenas com os fins sem atentar para a importância dos meios no processo, ainda subsiste e ganha verniz hoje, no dia-a-dia dos debates travados nos meios acadêmicos e midiáticos sobre as principais questões que perpassam a nossa sociedade e que envolvem valores. Por exemplo: essa lógica subsiste na argumentação pró-aborto, na argumentação pró-eutanásia e na argumentação em favor da destruição de embriões para a produção de células-tronco, só para citar alguns casos. É o mal praticado em nome do bem - o aborto, em nome do melhor para a mãe; a eutanásia, em nome do que é melhor para a família; a eugenia, em nome da busca da cura para as pessoas vitimadas por doenças de toda sorte nesta vida. Somados esses três casos, mata-se mais vidas do que em muitas guerras, sendo que ninguém se sensibiliza com esse morticínio, porque, afinal, não há explosões chamando a atenção. É um sofrimento longe dos nossos olhos. Aí, não incomoda. Mas, existe, e Deus vê. Deus vê o mal feito em nome do bem e continua a reconhecê-lo como mal.
Como disse certa vez Victor Hugo, autor de A História de um Crime, "o mal que se comete por uma boa causa continua sendo mal". Ao que lhe perguntaram: "Até mesmo quando faz sucesso?" A resposta: "Principalmente quando faz sucesso".
Parafraseando o romancista francês: defendamos o que é bom (tanto nos fins como nos meios) e mesmo que não faça sucesso.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Sobre a "popularidade" do Hamas entre os palestinos, o conteúdo da nova edição da revista Obreiro e a volta das indulgências

Durante a ofensiva de Israel contra o Hamas em Gaza, costumeiramente ouvíamos os opositores de Israel sustentando que a ação israelense, mesmo sendo legítima, resultaria em fortalecimento do Hamas diante do seu próprio povo. Diziam esses comentaristas que os palestinos iriam culpar Israel pelos ataques em Gaza, recrudescendo seu ódio contra os judeus e fortalecendo o Hamas na região. Entretanto, os números de uma pesquisa recente jogam por terra todas essas previsões.
Anteontem foi divulgada uma pesquisa feita pelo Centro de Opinião Pública Palestino sobre a popularidade do Fatah e do Hamas na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. O resultado mostra que a popularidade do Hamas despencou após a resposta de Israel.
Em novembro, antes da guerra, o Hamas era apoiado por 51,5% da população da Faixa de Gaza (onde o Hamas domina); agora, é apoiado por apenas 27,8%. O Fatah, por sua vez, que em novembro tinha o apoio de apenas 32,5% dos palestinos de Gaza (por causa das denúncias de corrupção em seu governo exploradas pelo Hamas nos últimos anos), agora, depois da ofensiva de Israel, conta com o apoio de 42,5% da população em Gaza. E mesmo o Fatah tendo diminuído seu prestígio na Cisjordânia (onde domina) devido justamente àquelas acusações de corrupção, ainda é o preferido dos palestinos ali. O Fatah não detém mais os 68,6% de apoio que lhes eram conferidos pelos palestinos da Cisjordânia até alguns meses atrás, porém ainda continua com expressivos 40% de apoio na região, contra apenas 23,7% de apoio ao Hamas. Ou seja, caso fossem realizadas eleições hoje entre os palestinos, o Hamas perderia de goleada. Pela média, Fatah 41%, Hamas 26%.
Ou seja, até os palestinos, inclusive os da Faixa da Gaza, reconhecem a responsabilidade do Hamas na tragédia que os acometeu em janeiro. A pesquisa mostra que o Hamas não só se saiu enfraquecido militarmente, mas também popularmente. Só na Grande Mídia, na "esquerda chique" e em universidades, o Hamas chega perto de 100% de popularidade.

Creio que vocês já devem ter lido nos jornais, mesmo assim vale a pena o registro: as indulgências voltaram com tudo na Igreja Católica. Com o objetivo de revalorizar a doutrina romanista da penitência, o papa Bento 16 resolveu dar seqüência, e com mais força, ao movimento das indulgências reencetado pelo seu antecessor João Paulo 2 há nove anos.
A repercussão no seio do catolicismo tem oscilado entre o fervor e o receio. Em entrevista ao jornal The New York Times de ontem, o bispo Nicholas A. DiMarzio, de Nova Iorque (EUA), um dos bispos que aderiram fervorosamente à orientação do Vaticano, justificou sua adesão, afirmando: "A idéia da indulgência perdeu a força, juntamente com muitas outras coisas na igreja, mas nunca foi abandonada. Estava sempre ali. Queremos só que as pessoas retornem às idéias que conheciam no passado".
Em relação ao movimento de indulgências do século 16, a diferença é que as indulgências atuais não são vendidas. Em vez de pagar por elas, os fiéis católicos agora terão de se dirigir ao confessionário para receberem dos padres a orientação quanto ao ritual a ser seguido para diminuir seus sofrimentos no Purgatório. O perdão almejado é recebido via o cumprimento de alguns rituais específicos de orações e pela prática de devoções especiais e romarias em datas consideradas sagradas para os católicos.
E pensar que alguns evangélicos mais condescendentes com o romanismo ficaram entusiasmados quando Bento 16 surpreendeu-nos meses atrás dizendo que tinha uma queda por Lutero...

A próxima edição da revista Obreiro, referente ao segundo trimestre, já estará à venda a partir do final de fevereiro e início de março. O tema desta edição é Doutrinas bíblicas pentecostais, abordando temas como batismo no Espírito Santo, línguas como evidência física inicial do batismo no Espírito, dons espirituais e seu uso, a questão das visões e dos sonhos, cura divina, Escatologia na perspectiva do pentecostalismo clássico, Santificação e Fruto do Espírito. Os articulistas são os pastores Stanley Horton, R. L. Brandt (artigo escrito antes de seu falecimento em 2007), Antonio Gilberto, Gordon Chown, Elienai Cabral, Elinaldo Renovato, José Gonçalves e este escriba. Os entrevistados desta edição são os pastores Antonio Gilberto e Josué Brandão.
Para assinar a revista, os telefones são (21)2406-7416 e 2406-7418. Para comprar cotas ou adquirir exemplares para revenda em sua livraria ou loja, o telefone é 0800-021-7373.