quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Um pouco mais de reflexão sobre fins e meios

Recentemente, mandaram-me um texto bem intencionado, mas tremendamente falacioso, daqueles que se propagam aos montes na Internet por gente que é do bem, mas que, usando uma expressão paulina, pecam por desenvolverem um “zelo sem entendimento”. Nele, o autor afirma a bobagem de que 20 bilhões de dólares acabariam com a fome no mundo para sempre. E arremata ao final: “Por que ninguém falou disso, quando os EUA desembolsaram 1,6 trilhão e a Europa, 1,5 trilhão, para ajudar a acabar o mais rápido possível com a crise financeira mundial?” Ora, porque essa afirmação dos 20 bilhões é simplesmente falsa. E para a pessoa perceber isso, mesmo que não esteja munida de números, basta refletir sobre a própria pergunta: Se é verdade que o problema da fome no mundo se resolveria com apenas 20 bilhões de dólares, como é possível que ninguém até agora tenha tomado a iniciativa de resolver esse problema? O que levaria alguém a não tê-lo feito até hoje? Egoísmo? Pura maldade? Falta de compaixão?
Se o problema é fácil de se resolver e sua solução traria uma tremenda repercussão positiva ao benfeitor, não é preciso nem ter compaixão para proceder a solução. Alguém poderia resolver o problema sem ser movido por interesses cândidos. Bastava ser motivado pelo desejo de receber honras e glórias por isso.
Só para citar um exemplo mais nítido do que estou falando: se fosse tão fácil assim resolver o problema da fome no mundo, os próprios EUA, que até poucos dias tinham 15 trilhões de dólares em caixa, já teriam solucionado o problema há muito tempo, já que 20 bilhões representavam, até um dia desses, minúsculos 0,1% do dinheiro do Tesouro americano. Mas, não precisava nem recorrer ao Tesouro. Bastava os dez homens mais ricos do mundo (que juntos somam um patrimônio de cerca de 400 bilhões de dólares) doarem, cada um, 2 bilhões e o problema seria resolvido. O que é 2 bilhões para Warren Buffet, Carlos Slim, Bill Gates, Lakshmi Mital, Mukesh Ambani e seus colegas?
Perceba: se isso não foi resolvido ainda, das duas uma – ou é porque todo mundo é ignorante ou é porque 20 bilhões de dólares simplesmente não extinguiriam a fome do mundo. Precisa ir longe para saber qual das duas opções é a correta?
Sei que talvez seja desnecessário, mas vamos aos números.
Ninguém acaba com a fome do mundo com 20 bilhões, nem com 200 bilhões de dólares e nem com 2 trilhões. Segundo o Banco Mundial e a ONU, há pelo menos 1,4 bilhão de pessoas no mundo passando fome. Ora, 20 bilhões de dólares para 1,4 bilhão de pessoas é 14,3 dólares por pessoa; 200 bilhões são 143 dólares por pessoa e 2 trilhões, 1.430 dólares por pessoa (o que, no máximo, numa hipótese extremamente otimista, alimentaria cada pessoa por apenas dois ou três anos e o problema da fome continuaria).
Para usar um dado mais preciso, podemos evocar as contas do Banco Mundial. Dizem esses cálculos que uma pessoa que ganha pelo menos 40 dólares por mês teoricamente conseguiria se alimentar todos os dias, embora da forma mais básica possível. Portanto, se fizermos as contas, chegaremos à conclusão de que acabar com a fome do mundo custaria 600 bilhões de dólares por ano. E tudo isso para manter 1,4 bilhão de pessoas comendo mal, mas comendo. Ou seja, na verdade, seria necessário mais de um trilhão de dólares por ano para manter 1,4 bilhão de pessoas comendo razoavelmente todos os anos e dezenas de trilhões de dólares para mantê-las sem fome por muitos anos. Isso significa um monstruoso Bolsa Família. E aí vem a pergunta: Sustentado por quem? E mais: Isso é realmente viável, plausível? Qual o resultado prático para as nações mais ricas do mundo se resolvessem desembolsar mais de um trilhão de dólares anualmente nessa empreitada? Simples: em vez de acabarem com a fome no mundo, aumentariam-na, a começar em seu próprio território com a bancarrota econômica. Aliás, os mais de 3 trilhões de dólares que os EUA e Europa desembolsaram por ocasião da atual crise é para que todos os setores da economia se recuperem em curto prazo e, assim, as empresas voltem a poder contratar; é para que a recessão acabe em pouco tempo, para que não sejam mais demitidas milhões de pessoas como as dezenas de milhões que já foram demitidas em todo o mundo até agora devido à crise econômica.
Entretanto, alguém mais razoável pode dizer: “E se fossem investidos 30 bilhões anualmente na produção de alimentos para essas pessoas, como alguém da ONU já sugeriu uma vez?” Mesmo assim, o problema não seria resolvido. Os mesmos que calcularam esse valor para investimento anual na produção de alimentos admitem que, ainda assim, poderia levar até 150 anos para a fome ser totalmente erradicada do mundo. Ou seja, se alguém quiser adiantar o processo, deverá investir não 30 bilhões, mas centenas de bilhões de dólares por ano. Pergunta-se: Quem tem condições de patrocinar não um, mas dezenas de gigantescos pacotes econômicos do tipo do europeu ou do americano e em um período de quase duas décadas?
Portanto, é um tremendo equívoco dizer que “falta apenas vontade política para acabar com a pobreza no mundo”. Para alguns outros problemas do mundo (e inclusive do Brasil), pode faltar essencialmente isso, mas, para o problema da fome no mundo, a solução depende de muitos outros fatores que vão além da boa vontade de países ricos. A solução do problema da fome não passa pela mera transferência de valores da “conta dos ricos” para a “conta dos pobres”. O problema não se resume a uma simples “transferência bancária”.
Outro detalhe: para quem não sabe, a fome no mundo diminuiu consideravelmente nos últimos anos. Segundo dados oficiais do Banco Mundial, havia 1,9 bilhão de miseráveis no mundo em 1981 e, hoje, são 1,4 bilhão. Isto é, há meio bilhão a menos de miseráveis no mundo do que havia 27 anos atrás. E com um adendo: em 1981, a população mundial era de 4,4 bilhões de pessoas. Logo, em 1981, os miseráveis representavam quase metade da população do planeta. Hoje, porém, os miseráveis representam menos de 1/4 da população mundial (são 1,4 bilhão em 6,7 bilhões de pessoas). Pergunta-se: O que afetou o quadro? Advinhem. A resposta é... o liberalismo econômico. Revelam dados do Banco Mundial que foi o choque de liberalismo econômico por que passaram China, Índia, Rússia, Brasil e outros países que provocou, nesse período, uma queda drástica no número de miseráveis nesses países. Só na China, foram 207 milhões de miseráveis que saíram da situação de miséria depois da abertura que o governo chinês promoveu, mesmo que relutantemente, na área econômica. Imagine, então, se a China não mais mantivesse seus trabalhadores em regime quase escravo (o que fere tanto os direitos humanos quanto o próprio princípio do liberalismo econômico).
Isso significa que se todos os países adotassem o liberalismo econômico a fome seria erradicada? Não, seria preciso mais do que isso. O liberalismo econômico não é a salvação do mundo, embora seja, indubitavelmente, o modelo econômico que melhor funciona, ou seja, o que traz melhores resultados práticos positivos, principalmente se aplicado eticamente, obedecendo a princípios bem estabelecidos. Não há sombra de dúvida de que mais resultados positivos consideráveis já poderiam ser conquistados no mundo em relação à erradicação da fome se muitos países deixassem de adotar modelos econômicos que inviabilizam ou tolhem a possibilidade de crescimento econômico de seus cidadãos. Agora, como já disse, não existe uma solução fácil. A solução depende de vários fatores. Logo, se tal modelo fosse voluntariamente implementado (dentro da peculiaridade de cada país) e, juntamente com ele, outras medidas combinadas fossem executadas, o problema da fome seria, mui provavelmente, extremamente reduzido.
Note que não são soluções fáceis. Muitas delas esbarram, por exemplo, na barreira ideológica, política e/ou cultural de muitos países.
Essa breve reflexão sobre os equívocos de uma solução fantasiosa para um problema que toda pessoa de bem gostaria de ver resolvido, independente de credo ou matiz ideológica, leva-me a ressaltar uma verdade a qual não podemos olvidar em nossa atividade reflexiva sobre o mundo: nem todos os meios são válidos para a consecução de um bom objetivo. Na verdade, muitos meios idealizados visando ao bem social, ainda que pregados enfática, sincera e fervorosamente em nome de bons objetivos, ao serem implementados, trazem resultados desastrosos que nos afastam ainda mais do fim almejado. A História está repleta de casos assim. Foram meios equivocados utilizados em nome de boas causas que provocaram algumas das maiores catástrofes da História.
Portanto, urge sempre atentarmos não apenas para o fim pregado e perseguido, mas também para os meios propostos para se tanger esse fim. Não basta analisarmos apenas os alvos; é preciso escrutinar também os processos, os métodos.
O triste, porém, é que essa lógica torta, que não pesa os meios em nome dos fins, que satisfaz-se apenas com os fins sem atentar para a importância dos meios no processo, ainda subsiste e ganha verniz hoje, no dia-a-dia dos debates travados nos meios acadêmicos e midiáticos sobre as principais questões que perpassam a nossa sociedade e que envolvem valores. Por exemplo: essa lógica subsiste na argumentação pró-aborto, na argumentação pró-eutanásia e na argumentação em favor da destruição de embriões para a produção de células-tronco, só para citar alguns casos. É o mal praticado em nome do bem - o aborto, em nome do melhor para a mãe; a eutanásia, em nome do que é melhor para a família; a eugenia, em nome da busca da cura para as pessoas vitimadas por doenças de toda sorte nesta vida. Somados esses três casos, mata-se mais vidas do que em muitas guerras, sendo que ninguém se sensibiliza com esse morticínio, porque, afinal, não há explosões chamando a atenção. É um sofrimento longe dos nossos olhos. Aí, não incomoda. Mas, existe, e Deus vê. Deus vê o mal feito em nome do bem e continua a reconhecê-lo como mal.
Como disse certa vez Victor Hugo, autor de A História de um Crime, "o mal que se comete por uma boa causa continua sendo mal". Ao que lhe perguntaram: "Até mesmo quando faz sucesso?" A resposta: "Principalmente quando faz sucesso".
Parafraseando o romancista francês: defendamos o que é bom (tanto nos fins como nos meios) e mesmo que não faça sucesso.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Sobre a "popularidade" do Hamas entre os palestinos, o conteúdo da nova edição da revista Obreiro e a volta das indulgências

Durante a ofensiva de Israel contra o Hamas em Gaza, costumeiramente ouvíamos os opositores de Israel sustentando que a ação israelense, mesmo sendo legítima, resultaria em fortalecimento do Hamas diante do seu próprio povo. Diziam esses comentaristas que os palestinos iriam culpar Israel pelos ataques em Gaza, recrudescendo seu ódio contra os judeus e fortalecendo o Hamas na região. Entretanto, os números de uma pesquisa recente jogam por terra todas essas previsões.
Anteontem foi divulgada uma pesquisa feita pelo Centro de Opinião Pública Palestino sobre a popularidade do Fatah e do Hamas na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. O resultado mostra que a popularidade do Hamas despencou após a resposta de Israel.
Em novembro, antes da guerra, o Hamas era apoiado por 51,5% da população da Faixa de Gaza (onde o Hamas domina); agora, é apoiado por apenas 27,8%. O Fatah, por sua vez, que em novembro tinha o apoio de apenas 32,5% dos palestinos de Gaza (por causa das denúncias de corrupção em seu governo exploradas pelo Hamas nos últimos anos), agora, depois da ofensiva de Israel, conta com o apoio de 42,5% da população em Gaza. E mesmo o Fatah tendo diminuído seu prestígio na Cisjordânia (onde domina) devido justamente àquelas acusações de corrupção, ainda é o preferido dos palestinos ali. O Fatah não detém mais os 68,6% de apoio que lhes eram conferidos pelos palestinos da Cisjordânia até alguns meses atrás, porém ainda continua com expressivos 40% de apoio na região, contra apenas 23,7% de apoio ao Hamas. Ou seja, caso fossem realizadas eleições hoje entre os palestinos, o Hamas perderia de goleada. Pela média, Fatah 41%, Hamas 26%.
Ou seja, até os palestinos, inclusive os da Faixa da Gaza, reconhecem a responsabilidade do Hamas na tragédia que os acometeu em janeiro. A pesquisa mostra que o Hamas não só se saiu enfraquecido militarmente, mas também popularmente. Só na Grande Mídia, na "esquerda chique" e em universidades, o Hamas chega perto de 100% de popularidade.

Creio que vocês já devem ter lido nos jornais, mesmo assim vale a pena o registro: as indulgências voltaram com tudo na Igreja Católica. Com o objetivo de revalorizar a doutrina romanista da penitência, o papa Bento 16 resolveu dar seqüência, e com mais força, ao movimento das indulgências reencetado pelo seu antecessor João Paulo 2 há nove anos.
A repercussão no seio do catolicismo tem oscilado entre o fervor e o receio. Em entrevista ao jornal The New York Times de ontem, o bispo Nicholas A. DiMarzio, de Nova Iorque (EUA), um dos bispos que aderiram fervorosamente à orientação do Vaticano, justificou sua adesão, afirmando: "A idéia da indulgência perdeu a força, juntamente com muitas outras coisas na igreja, mas nunca foi abandonada. Estava sempre ali. Queremos só que as pessoas retornem às idéias que conheciam no passado".
Em relação ao movimento de indulgências do século 16, a diferença é que as indulgências atuais não são vendidas. Em vez de pagar por elas, os fiéis católicos agora terão de se dirigir ao confessionário para receberem dos padres a orientação quanto ao ritual a ser seguido para diminuir seus sofrimentos no Purgatório. O perdão almejado é recebido via o cumprimento de alguns rituais específicos de orações e pela prática de devoções especiais e romarias em datas consideradas sagradas para os católicos.
E pensar que alguns evangélicos mais condescendentes com o romanismo ficaram entusiasmados quando Bento 16 surpreendeu-nos meses atrás dizendo que tinha uma queda por Lutero...

A próxima edição da revista Obreiro, referente ao segundo trimestre, já estará à venda a partir do final de fevereiro e início de março. O tema desta edição é Doutrinas bíblicas pentecostais, abordando temas como batismo no Espírito Santo, línguas como evidência física inicial do batismo no Espírito, dons espirituais e seu uso, a questão das visões e dos sonhos, cura divina, Escatologia na perspectiva do pentecostalismo clássico, Santificação e Fruto do Espírito. Os articulistas são os pastores Stanley Horton, R. L. Brandt (artigo escrito antes de seu falecimento em 2007), Antonio Gilberto, Gordon Chown, Elienai Cabral, Elinaldo Renovato, José Gonçalves e este escriba. Os entrevistados desta edição são os pastores Antonio Gilberto e Josué Brandão.
Para assinar a revista, os telefones são (21)2406-7416 e 2406-7418. Para comprar cotas ou adquirir exemplares para revenda em sua livraria ou loja, o telefone é 0800-021-7373.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Sobre bom e mau jornalismo

Sei que muitos já devem ter lido na Grande Rede, mas não poderia deixar de fazer o registro, até porque falamos desse assunto em postagem recente: Lembram-se das manchetes de 6 e 7 de janeiro sobre o caso da morte de dezenas de crianças (todas meninas) em uma escola da ONU em Gaza? Os jornais impressos e televisivos da época noticiaram: “Israel bombardeia escolas da ONU”, "Israel arrasa escola em Gaza" etc. Bem, mas quais foram as fontes para essas matérias? Vocês as viram na televisão dando depoimentos em profusão naquela época, principalmente aos jornalistas das tevês árabes: John Ging, principal representante da ONU em Gaza, e alguns funcionários palestinos da ONU. Naquele dia trágico, Ging e seus colegas disseram diante das câmeras que Israel bombardeara criminosamente a escola.
Na época, o Exército de Israel os desmentiu imediatamente, informando que apenas respondeu com tiros a ataques de morteiros de militantes do Hamas que se escondiam não dentro do prédio da instituição, mas no terreno da escola, e que não jogou bomba alguma na escola. E os israelenses destacaram ainda: se houve mesmo alguma explosão dentro da escola, ela só poderia ter sido provocada pelos militantes do próprio Hamas ou por disparos que eventualmente possam ter atingido o inesperado: explosivos guardados pelo Hamas dentro do terreno da escola, porque (1) morteiros ou bombas de qualquer tipo o Exército de Israel não lançou sobre a instituição e (2) projéteis não produzem explosões, a não ser que acertem explosivos.
Pois bem, logo depois do ocorrido, como informamos neste blog, foram divulgadas informações na mídia internacional (e que infelizmente não foram reproduzidas pela mídia brasileira) de que as escolas da ONU em Gaza não só funcionavam mesmo várias vezes como depósito de armas do Hamas como o grupo terrorista também ditava o que deveria ser ensinado às crianças, e entre as matérias exigidas estava a propaganda de ódio contra os judeus. Inclusive, foi lembrado ainda que a maioria dos 9 mil funcionários das Nações Unidas em Gaza é de simpatizantes do Hamas e que o tal John Ging é o mesmo que, anos atrás, chegou a dizer a sandice de que os Estados Unidos arquitetaram e executaram os atentados de 11 de setembro de 2001 para atacar o Oriente Médio (sic)...
Mas, se você pensou que já era tudo, se enganou. Anteontem, a ONU reconheceu que Israel não chegou a atacar a escola e que o exército israelense lançou apenas um morteiro numa rua próxima; e que as dezenas de meninas mortas e apresentadas às câmeras dos fotógrafos como sendo “crianças mortas pelo ataque de Israel à escola” não foram atingidas dentro da escola, mas fora dela. Teriam sido, segundo a ONU, mortas num ataque de Israel a militantes do Hamas que estavam em uma rua perto da escola e em um lugar que Israel não sabia que estava abrigando crianças (conquanto aqueles que estavam usando o lugar para atacar o exército israelense com morteiros - os militantes do Hamas - soubessem muito bem que elas estavam ali). A declaração é de Maxwell Gaylord, coordenador de ações humanitárias da ONU na Palestina. Leia sobre a declaração dele, por exemplo, aqui: http://www.haaretz.com/hasen/spages/1061189.html
Que eu tenha percebido, no Brasil, só o jornal O Estado de São Paulo publicou uma nota, e ainda assim minúscula, divulgando a retratação da ONU. A pergunta, portanto, é inevitável: O que você acha dessa atitude “nobre” da mídia brasileira? O que você acha dessa tremenda “barriga”, como se diz na linguagem jornalística?
Isso é o que dá se basear apenas nos releases do Hamas para divulgar o que está acontecendo. São casos como esse que nos ajudam a medir a “imparcialidade” e a “isenção” do jornalismo brasileiro em relação ao conflito Israel-palestinos. E também exemplificam como se criam lendas em nossos dias.
Como assim?
Daqui a cinco anos, quando você conversar com alguém sobre essa ofensiva de Israel, seu interlocutor poderá te dizer em determinado momento: “E aquele ataque criminoso de Israel àquela escola cheia de meninas?” Aí você, que conhece a história, que não fica preso apenas ao que sai no jornal e na tevê do Brasil, que acompanha a apuração dos fatos, responderá: “Mas Israel não bombardeou escola nenhuma”. E o seu interlocutor vai olhar para você com aquele rosto de estranhamento e reprovação, como se você fosse um ignorante ou cínico. Isso porque, como a maioria esmagadora das pessoas, seu interlocutor pensa que o que não sai na Grande Mídia é porque ou não existe ou, no mínimo, não tem importância. Ele acha que basear-se apenas em uma fonte de informação midiática para formular todas as impressões sobre o mundo à sua volta é suficiente. Olvida, infelizmente, que, em questões como essa (que envolve ideologias), a mídia brasileira baseia-se propositalmente só nos releases de um lado e, quando ouve o outro, ainda tem o trabalho de editar as informações de forma a conduzir seus leitores a refletir sobre o assunto apenas em favor de um lado. Essa prática tem vários nomes, e um deles é péssimo jornalismo.
Estou dizendo com isso que no Brasil só há péssimo jornalismo ou que não devemos acreditar em mais nada que sai na imprensa? Claro que não. Muitos desses mesmos órgãos de imprensa que cometem esses erros (deliberados ou por arroubo) não poucas vezes fazem muito bom jornalismo. O problema surge apenas, volto a frisar, quando o assunto envolve simpatias ideológicas. Aí, quando isso acontece, seja no Brasil, seja lá fora, se faz, e muito, péssimo jornalismo.
Prosseguindo, eu disse (o título deste artigo indica) que iria falar também de bom jornalismo. Ei-lo: uma entrevista do ator e produtor latino Benício del Toro à jornalista Marlen Gonzales ao Canal 41 Notícias, de Miami, acerca do filme que Benício produziu e estrela sobre a vida de Che Guevara. Trata-se de uma fita que exalta Che como uma referência positiva, um herói, um homem bom etc, omitindo descaradamente todas as atrocidades que cometeu. Na entrevista, a jornalista lembra que lançar um filme exaltando Che nos Estados Unidos, onde está a maior comunidade de cubanos fora de Cuba, é quase como lançar um filme em Israel ou nos próprios Estados Unidos sobre Hitler para ofender os 15 milhões de judeus e a memória das famílias dos 6 milhões de judeus mortos na Segunda Guerra Mundial. Ela ainda pergunta se Benício sabia que Che dirigiu o primeiro campo de concentração do continente americano, que matou e mandou matar milhares de pessoas, que só nesse campo de concentração que dirigiu fuzilou mais de 400 cubanos (90% deles eram pessoas cujo único crime que cometeram foi discordar ideologicamente do regime) e cita uma frase estarrecedora de Che sobre a importância de se chacinar inimigos ideológicos sem pena. Del Toro simplesmente emudece, fica no "...Bem...Euuuuuuu...Éeeeee..." ou diz "Não sabia". Passou sete anos de sua vida estudando a vida de Che e... não sabia! Ao final da entrevista (ou diria aula), a jornalista entrega um livro sobre Che para que Benício del Toro aprenda história.
Para quem não viu, o link para a entrevista é este: http://br.youtube.com/watch?v=IZGTV6FbBXM&feature=related. Isso é um exemplo de bom jornalismo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Novo programa e novidades

Caros irmãos e amigos, a Rádio Web CPAD estréia esta semana novo programa na parte da tarde. De segunda à sexta, sempre a partir das 12h, você terá agora o programa jornalístico CPAD News. Será uma hora de apresentação das principais notícias nacionais e internacionais do dia e comentários sempre sob a cosmovisão cristã. E na próxima semana, o programa Resposta Fiel, de apologética e reflexão bíblica e teológica, abordará, a pedido dos ouvintes, o tema Unicismo. O programa vai ao ar todas as terças (22h), quintas (17h) e domingos (12h). O link da rádio é www.cpad.com.br/radioweb
Aproveitando, lembro que esta semana ainda publicaremos novo artigo neste blog e, nos próximos dias, também traremos novidades sobre o conteúdo da próxima edição da mais antiga revista pentecostal de reflexão teológica do Brasil, a revista Obreiro, que completou 31 anos em outubro.
Abraço!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Infelizmente, Obama já começou mal

Pela primeira vez na história dos Estados Unidos da América, um presidente eleito toma posse recebendo as bênçãos de Alá e as de um bispo homossexual. Ingrid Mattson, presidente da Sociedade Islâmica da América do Norte, foi convidada por Obama para falar no culto de posse amanhã, na Catedral Nacional em Washington, e invocar as bênçãos de Alá sobre o novo presidente; e o bispo gay Gene Robinson “invocará as bênçãos divinas” sobre Obama. E qual o nome escolhido para representar, assim, como diríamos... os evangélicos conservadores? O pastor Rick Warren, conhecido por ser um “conservador light” ou, como ressaltam alguns, "um dos mais liberais entre os conservadores". Ele fará apenas uma oração. Rick Warren é o máximo de conservadorismo que Obama admite ao seu lado, mesmo assim contrabalançado "prudentemente" com Alá e Gene Robinson. Ah, sim: o pregador oficial do culto de amanhã é ninguém menos do que a pastora liberal Sharon Watkins, que defende o aborto e o casamento homossexual.
Não é à toa que Obama já anunciou que sua primeira medida como presidente será decretar a Lei de Liberdade de Escolha (LLE), que tornará debalde toda a luta dos movimentos pró-vida dos EUA daqui para frente (veja e ouça Obama fazendo a promessa aqui, saiba o que é a LLE aqui e veja o protesto marcado contra esse ato para o dia 22 em Washington aqui). Sabendo disso, o presidente Bush decretou, antes de sua despedida, o Dia nacional de Santidade da Vida, um dia pró-vida de reflexão e oração (leia o texto do decreto em português aqui).
Ademais, o “messias” midiático Barack Hussein Obama, aquele que já é sem nunca ter sido (aquele que estranhamente já é proclamado em alto e bom som como um dos maiores presidentes da história dos EUA sem nunca ter exercido um dia só de mandato até então), toma posse hoje com a mídia ocidental quase que totalmente genuflexa de amores diante dele. É só tomarmos como exemplo o caso brasileiro. Nunca a posse de um presidente norte-americano teve uma cobertura tão grande da mídia brasileira. Nunca. E mais: jornalistas daqui e de lá chegam a escrever textos poéticos extremamente melosos não apenas exaltando Obama, mas também ressaltando a fé que têm de que ele fará mudanças e transformações profundas que afetarão positivamente todo o mundo. Detalhe: Obama nunca fez nada na vida que justificasse essa crença em mudanças concretas e substanciais. Ele construiu a sua campanha apenas com retórica. Escrevemos muito a respeito no final do ano passado (clique aqui e aqui). Outro detalhe é que ele repetiu no seu discurso de posse hoje a mesmíssima frase de Lula em seu discurso de vitória em 2002 ("A esperança venceu o medo"). Quem escreveu o discurso de posse de Obama foi o mesmo rapaz de 27 anos que escreveu todos os seus outros discursos de campanha: John Favreau.
Obama já começa mal, pedindo as bênçãos de Alá e as de um deus ecumênico e que abençoa o homossexualismo – eis mais um motivo para orarmos pelos EUA.

A edição de fevereiro do jornal Mensageiro da Paz deverá estar disponível à venda já a partir de amanhã e nas filiais da CPAD, até sábado. A nova edição do MP traz matérias sobre o despertar do anti-semitismo no mundo depois da ofensiva de Israel ao Hamas; sobre a cristalização do ensino do Criacionismo de cunho científico em escolas e em uma universidade brasileiras; sobre a verdadeira história dos hinos 1, 5, 8, 84, 96 e 187 da Harpa Cristã; e artigos sobre Liderança Cristã, o erro de usar as Escrituras como uma espécie de livro de auto-ajuda, o movimento herético Crescendo em Graça etc, além de matérias internacionais e sobre eventos regionais da Assembléia de Deus pelo Brasil.
Quem quiser assinar o maior jornal evangélico do país, ligue para (21) 2406-7416 ou 2406-7418. Para comprar cotas, você poderá fazê-lo por esses mesmos números ou pelo 0800-021-7373.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Verdades e mentiras sobre a ofensiva de Israel

Nestes últimos dias, tenho lido e ouvido muitos equívocos serem ditos em relação à ofensiva israelense contra o Hamas e aproveito para usar este espaço para desfazer alguns desses erros. Vamos a eles.

1) “A ofensiva de Israel não é legítima”
A ofensiva de Israel é legítima. O Hamas quebrou unilateralmente o cessar-fogo com Israel sem que Israel tivesse feito alguma coisa que provocasse isso. O Hamas, como de hábito, apenas usou o cessar-fogo para se rearmar. Rearmado, anunciou o fim do cessar-fogo e lançou em menos de uma semana mais de 300 foguetes contra o território de Israel, destruindo centenas de casas e matando civis. Israel, então, resolveu se defender. Depois de mais de 6 mil foguetes e morteiros lançados sobre seu território nos últimos sete anos, resultando em 16 mortos (todos civis), e de mais de 300 foguetes lançados depois do fim do cessar-fogo, Israel foi forçado a agir firmemente para pôr fim ao problema que aflige a sua população. O Artigo 51 da Carta da ONU afirma que todas as nações têm o direito de agir em defesa própria contra ataques armados contra o seu país. É o que Israel está fazendo.

2) “Israel comete genocídio e terrorismo de Estado”
É uma mentira da pior espécie dizer que Israel comete genocídio e terrorismo de Estado. Genocídio é quando um povo, governo ou grupo objetiva dizimar um povo. Ora, Israel não quer destruir os palestinos. Israel não quer destruir nação nenhuma. Israel não quer destruir a população da Faixa de Gaza. Israel quer destruir os recursos bélicos e a infra-estrutura do grupo terrorista Hamas, um exército de 20 mil homens que lança milhares de foguetes e morteiros por ano sobre Israel e já matou milhares de judeus em atentados terroristas em praças, escolas, ônibus escolares e pizzarias nos últimos anos. O Hamas, diferentemente do Fatah, não aceita a existência do Estado de Israel.
E terrorismo de Estado, por sua vez, só ocorre quando se promove um ataque indiscriminado, um ataque onde civis também são vistos como inimigos. Ora, Israel não está se levantando contra os civis, mas apenas contra o Hamas. Prova é que todos os ataques que Israel perpetrou em Gaza desde o início da ofensiva foram antecedidos pelo lançamento de folhetos nas regiões do bombardeio avisando à população a hora dos bombardeios e instando a que saíssem desses locais. Aliás, essa é uma prática antiga do exército de Israel. Porém, infelizmente, a maioria da mídia omite deliberadamente essa informação. Só passaram a falar dos panfletos de poucos dias para cá.
Exemplo: quando um dos líderes do Hamas morreu com suas esposas e filhos em sua residência há poucos dias, a imprensa não informou que antes Israel lançou folhetos na região avisando a todos ali que haveria um bombardeio naquele local (que era um dos quartéis do Hamas), nem que o exército de Israel, na hora do bombardeio, não tinha certeza de que o indivíduo ainda estava ali com sua família. Perceba: mesmo sabendo do bombardeio, aquele líder do Hamas e suas esposas resolveram ficar com seus filhos. Então, quando as bombas caem e os palestinos informam que aquele louco morreu com a sua família, a culpa da morte daquela família é de Israel? Não: a culpa pela morte daquela família é daquele pai de família criminoso e suas esposas, que, mesmo sabendo que o local seria bombardeado, resolveram ficar ali com seus filhos para morrerem todos.
Outra informação que a mídia brasileira omite é que as armas do Hamas estão escondidas em mesquitas, escolas e em residências de civis, e a sala de guerra da liderança do movimento fica em uma casamata instalada exatamente sob o maior hospital de Gaza. E mais: os militantes do Hamas estão combatendo em trajes civis e os policiais foram instruídos a deixar de lado seus uniformes. Quando morrem, aparentam serem civis mortos, não soldados. Segundo relatos do campo de batalha, os militantes emergem dos túneis, disparam armas automáticas ou mísseis antitanques e depois voltam a procurar proteção nos túneis terrestres.
Uma matéria do jornal The New York Times deste domingo lembra: “Os israelenses estão usando novas armas, como uma bomba inteligente de pequeno diâmetro, a GBU-39. Ela conta com uma pequena carga explosiva, para minimizar os danos colaterais em áreas urbanas. Mas é capaz de penetrar no solo e atingir casamatas ou túneis. Funcionários dos serviços de inteligência israelenses estão ligando para moradores de Gaza e, falando árabe, fingem ser simpáticos à causa palestina. Depois de expressar horror diante da guerra, os agentes perguntam se a família apóia o Hamas e se há combatentes do movimento nas cercanias. Uma nova arma foi desenvolvida para combater a tática do Hamas de pedir que civis fiquem no telhado dos edifícios a fim de evitar bombardeios. Os israelenses rebatem essa tática com um míssil cuja paradoxal função é não explodir. Os mísseis são apontados para áreas desocupadas dos telhados, para assustar os moradores e levá-los a deixar os edifícios. Os civis são alertados a abandonar as áreas de batalha”.
Esses são os métodos dos chamados “genocidas” e “terroristas de Estado” de Israel.
“E a história dos dois motoristas da ONU mortos quando em serviço, levando um comboio de alimentos ao interior de Gaza? E a história das dezenas de meninas que morreram em uma escola da ONU?”
Pergunta-se: Alguém é ingênuo de acreditar mesmo que Israel quis matar dois palestinos funcionários da ONU só para, digamos, eles não levarem alimento e remédios aos civis? E que quis matar dezenas de meninas dentro de uma escola da ONU?
Ainda que o exército de Israel fosse um grupo de loucos maquiavélicos, guiando-se pelo raciocínio criminoso de que “em guerra, os fins justificam os meios”, não seria estúpido ao ponto de cometer idiotices dessas que jogariam a comunidade internacional contra si. Ou, como alguns já ressaltaram, alguém acredita que a morte de dois soldados israelenses no chamado “fogo amigo” significa que Israel está matando seus próprios soldados?
Ademais, leia a verdadeira história da tragédia naquela escola da ONU aqui: http://www.jpost.com/servlet/Satellite?cid=1231167272256&pagename=JPost%2FJPArticle%2FShowFull
Para quem quiser a informação em português, o blog do jornalista Bruno Pontes (http://brunopontes.blogspot.com/2009/01/grande-imprensa-faz-assessoria-para-o.html) traz uma síntese da notícia. Relata Pontes: “Testemunhas contaram ao Jerusalem Post que homens do Hamas entraram na escola, onde civis buscavam refúgio, para atirar bombas em soldados israelenses estacionados na vizinhança. Os soldados revidaram. E então o fogo cruzado atingiu as bombas armazenadas no interior do prédio (uma escola sendo usada como depósito de armas – cortesia do Hamas), que explodiram e mataram dezenas de pessoas que lá estavam. Esta também foi a versão apresentada pelas Forças de Defesa Israelenses”. Sobre o assunto, leia ainda aqui http://brunopontes.blogspot.com/2009/01/os-gritos-e-o-silncio.html e não deixe de assistir a este vídeo: http://brunopontes.blogspot.com/2009/01/o-uso-de-civis-como-escudos-humanos.html
A mídia informou todos esses detalhes passados pela Força de Defesa de Israel sobre o caso? Claro que não. Apenas disse que “Israel afirmou que revidou os ataques de terroristas que estariam ali”. O quê? Revidou tiros com um míssil para destruir toda a escola sem saber se tinha gente lá dentro?!?! E Israel é doido de fazer isso contra uma escola da ONU!?
Israel revidou com tiros, e apenas e exatamente contra o lugar onde os soldados do Hamas estavam, mas alguns desses tiros atingiram algo com que o exército de Israel não contava: um depósito de bombas que estava ali, no terreno daquela escola, o que ocasionou a tragédia. Lembrem-se: tiros não provocam explosões, a não ser que atinjam explosivos.
Não é à toa que o representante da ONU naquela escola se apressou a negar tudo. Imagine você, caro leitor, um depósito de bombas do Hamas dentro de uma escola da ONU! Aliás, você sabia que dos 9 mil funcionários da ONU em Gaza, todos palestinos, boa parte deles também é de "civis" ligados ao Hamas, que domina a Faixa de Gaza? Não, com certeza não.
Lembrando ainda que essa é uma tática antiga do Hamas: usar escolas de Gaza para lançar foguetes contra Israel. Uma dessas ações chegou a ser filmada pela Força Aérea Israelense. Veja o vídeo aqui: http://littlegreenfootballs.com/article/32368_UN_School_Used_by_Terrorists_As_a_Weapons_Dump).
Detalhe: das 800 vítimas até o final da semana passada, 200 (25%) eram civis (dados dos próprios palestinos). A ONU, porém, dizia que, dessas 800, pelo menos 250 são crianças (sic), o que afeta mais ainda a credibilidade da ONU: Como é que a ONU conseguiu achar um número de crianças mortas maior que o número de todos os civis palestinos mortos, conforme os dados dos próprios palestinos?
Outra coisa: já notou que a maioria esmagadora de todos os civis palestinos mortos nesse confronto é de crianças, e majoritariamente meninas? Estima-se que cerca de 80% de todos os civis mortos entre os palestinos sejam crianças. Não é estranho? Onde estão os adultos (homens e mulheres), os idosos etc? Isso não revela um método?
“Que método?”
Fabricar cadáveres de crianças como propaganda de guerra, para jogar a comunidade internacional contra Israel.
Caros, um dos grandes problemas das pessoas que se indignam com as mortes de civis, principalmente crianças, nesse ataque de Israel é que, infelizmente, dirigem a sua indignação para o lado errado. Culpam quem não é culpado. A indignação é justa (aliás, não se indignar com a morte de inocentes é sintoma de patologia social), mas a quem ela é dirigida é no que consiste o erro.
Mortes de civis, principalmente de crianças, são para se indignar mesmo. Entretanto, reflita: Quem são os verdadeiros culpados?
É verdade que, para padrões de guerra, 25% dos mortos de civis não é considerado um número alto, porém lembremos que não dá para dimensionar o valor de uma vida humana, ainda mais inocente. Então, mesmo sendo “apenas 25%”, não deixa de ser um custo altíssimo. Ainda mais que estamos falando de 25% num universo de 800; ou seja, estamos falando da morte de 200 pessoas. É igualmente verdade que alguns desses civis são, na verdade, “civis” contados como civis, porém isso não diminui o fato de que, mesmo assim, morreu muita gente que não tinha nada a ver com a guerra, como é o caso das crianças. Ou seja, por qualquer ângulo, é de chorar e se indignar mesmo, mas com os verdadeiros culpados por esse número de civis mortos. E quem são eles? Não são aqueles que avisam aos civis que irão bombardear alvos militares próximos e que instam para os civis saírem do local; não são os que evitam o máximo possível a morte de civis, mas, sim, aqueles que deliberadamente, propositalmente, friamente, usam civis, principalmente crianças, como escudo humano e seus cadáveres como mensagem de falsa-propaganda: o Hamas.
Israel não atira em civis. O Hamas é que usa os civis como escudo. O culpado pela morte desses civis palestinos que não têm nada a ver com a história chama-se Hamas.
É como ilustra perfeitamente a charge colocada na abertura deste artigo: enquanto uns lutam para proteger suas crianças, outros lutam colocando suas crianças como seus escudos.

3) “O ataque de Israel é desproporcional”
Israel não quebrou o princípio da proporcionalidade. Essa é uma tremenda falácia. Como lembra o jurista Alan Dershowitz, em artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo da semana passada, não há equivalência legal entre a matança deliberada de civis inocentes e a matança deliberada de terroristas do Hamas. “Segundo as leis da guerra, para impedir a morte de um único civil, é permitido eliminar qualquer número de combatentes. Em segundo lugar, a proporcionalidade não pode ser medida pelo número de civis mortos, mas pelo risco de morte de civis e pelas intenções dos que têm em sua mira esses civis. O Hamas procura matar o maior número possível de civis e aponta seus foguetes na direção de escolas, hospitais, playgrounds. O fato de que não tenha eliminado tantos quanto gostaria deve-se à enorme quantidade de recursos que Israel destinou para construir abrigos e sistemas de alarme. O Hamas recusa-se a construir abrigos, exatamente porque quer que Israel mate o maior número possível de civis palestinos, ainda que inadvertidamente”.
E sobre a tal “precariedade” das armas do Hamas: é uma mentira chamar os atuais foguetes do Hamas de “precários”, “caseiros”. Quando a mídia brasileira afirma isso, ou é por pura ignorância ou por anti-semitismo enrustido. O Hamas já passou dessa fase há muito tempo. Os foguetes do Hamas eram sem sofisticação até 2007. A partir daí, devido ao financiamento do Irã, passaram a ser mais potentes e destrutivos. E a quantidade deles também aumentou. Muitos desses foguetes já chegavam prontos via fronteira, só para serem lançados sobre Israel. E os “caseiros” (que só são assim chamados porque produzidos em fábricas escondidas em meio a bairros residenciais de Gaza, e não porque eram rústicos e/ou feitos com materiais improvisados) passaram a ser mais sofisticados devido à injeção de dinheiro da Síria e, principalmente, do Irã. O que se viu foi um crescimento quantitativo e qualitativo de armamentos.
Os centenas de foguetes lançados anualmente sobre Israel até 2006 se tornaram em milhares por ano a partir de 2007. E com mais potência e alcance. Antes, atingiam até 20km. Os atuais atingem até 50km, chegando a alcançar as cidades mais populosas de Israel, com 1 milhão de habitantes e onde não é tão comum abrigos anti-bomba. Após o cessar-fogo, centenas deles foram lançados em menos de uma semana, matando civis judeus até Israel começar a ofensiva. Entretanto, a imprensa, mais uma vez, omite esses “detalhes”.

4) “Israel deveria tentar negociar e, enquanto isso, suportar sacrificialmente os ataques do Hamas”
O problema não é que Israel não queira negociar, mas é que o Hamas não quer negociar. Diferentemente do Fatah, o Hamas quer apagar o Estado de Israel da face da terra. Quando vemos o Hamas negociando, é apenas no que diz respeito a reféns. São apenas exigências para libertação de soldados seqüestrados. Por exemplo: há mais de 900 dias, o soldado israelense Gilad Shalit foi seqüestrado pelo Hamas e vive sob tortura, e o grupo terrorista disse que só soltará o rapaz sob uma única e inamovível condição: se Israel libertar 400 terroristas do Hamas que mataram milhares de israelenses na Intifada de 2000.
Quanto a suportar sacrificialmente, o que é que Israel fez justamente nos últimos sete anos se não isso? Foram 6 mil foguetes e morteiros, 16 civis mortos e milhares de casas e prédios destruídos, entre eles escolas. Só não morreram mais porque Israel, diferentemente do Hamas, protege seus civis. Nas cidades próximas a Gaza, os habitantes têm 15 segundos, desde o lançamento de um foguete, para correrem até um abrigo anti-bombas. Todas as casas nessa região de Israel têm abrigos anti-bomba. A regra nessas cidades é que ninguém fique a mais de 15 segundos de distância de um abrigo. Já o grupo terrorista, além de atacar sem avisar e com o propósito deliberado de atingir civis, não protege seus civis, mas usa-os como escudos humanos.

5) “O Hamas é um grupo político”
Não! O Hamas é um grupo terrorista, um grupo que não só foi originalmente fundado com esse caráter como não o abandonou nem um milímetro até agora, mesmo depois de ter resolvido entrar também na área política. Esperava-se, a princípio, que, ao entrar na política, o Hamas paulatinamente abandonasse o terrorismo. Mas, não. Ele não só não o deixou como intensificou suas atividades terroristas. O Fatah, por outro lado, é um grupo que deixou o terrorismo (só uma minoria esmagada e marginalizada dentro do partido ainda simpatiza com o terrorismo) e que reconhece o Estado de Israel. O Fatah negocia com Israel. O Hamas, não; aliás, é absolutamente contra os seus irmãos do Fatah.
Em junho de 2007, soldados do Hamas executaram a sangue-frio mais de 100 membros da cúpula do Fatah na região. Prédios públicos e delegacias foram incendiados e implodidos em poucas horas. Naquele ataque surpresa do Hamas, o grupo preferiu não fazer prisioneiros. Os que eram rendidos ou se rendiam eram executados com tiros na cabeça, e as mulheres e filhos das vítimas eram chamados para presenciar a cena. Estima-se que o Hamas tenha matado de lá para cá 700 palestinos do Fatah. Por isso que a Autoridade Palestina, no início da ofensiva israelense, não condenou os ataques de Israel e houve até brigas entre árabes em países onde ocorreram protestos nas ruas. No Brasil, árabes saíram às tapas contra outros árabes que protestavam nas ruas apoiando o Hamas.
Inclusive, na atual guerra, o Hamas matou dezenas de policiais do Fatah em Gaza. O Hamas não respeita nem o seu próprio povo. Leia aqui: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u487744.shtml

Enfim, estar do lado de Israel nesse caso específico não tem nada a ver com os judeus serem "o povo escolhido de Deus". Tem a ver com coerência.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Uma palestra em sete vídeos imperdíveis de 26 anos atrás que apresenta mais subsídios para entender o que está acontecendo hoje na sociedade ocidental

Caros leitores,
Prometi postar sábado (dia 10) meu primeiro artigo deste ano, o qual – adianto – versa sobre verdades e mentiras sobre a ofensiva de Israel contra o Hamas. O artigo está praticamente pronto. Porém, preferi adiá-lo para esta semana ainda porque julgo de extrema importância divulgar uma palestra imperdível em sete vídeos colocada recentemente à disposição na Internet. A palestra foi proferida 26 anos atrás em uma universidade norte-americana em Los Angeles por Yuri Bezmenov, ex-agente do Departamento de Propaganda da KGB que trabalhou como jornalista no Canadá e EUA, além de ter desenvolvido atividades soviéticas na Índia. Depois de abandonar o comunismo e a KGB em 1970, Bezmenov passou a residir no Canadá e depois nos EUA, assumindo o nome Tomas Schuman.
Por que essa palestra é interessantíssima? Porque nos ajuda a entendermos melhor o que está acontecendo hoje na sociedade ocidental.
Como assim?
Na palestra, Bezmenov descreve o método sutil de contra-cultura que os ideólogos esquerdistas usavam em sua época para levar seus países, natural e paulatinamente, à desintegração e à mudança de seus valores. Quem leu Gramsci vai entender perfeitamente o assunto.
Ele detalha como essa estratégia era usada, como ela foi aplicada com sucesso em vários países (cita exemplos) e acrescenta que, quando iniciada, ela inaugura um processo quase sem volta, onde a sociedade segue sozinha, como que “no automático”, a uma desintegração e subsequente mudança de seus valores. E mais: ele detalha como essa estratégia estava sendo usada nos EUA há muito tempo já naquela período por meio da chamada "esquerda chique americana".
Segundo Bezmenov, naquela época (1983), o processo já havia sido iniciado nos EUA havia mais de 20 anos e não havia mais volta. Inclusive, para ilustrar a inexorabilidade do processo, ele faz uma analogia interessante com um golpe usado no judô.
De acordo com Bezmenov, a não ser que os americanos despertassem para o que estava acontecendo, os EUA fatalmente, dentro de mais 20 anos, sofreriam alguns efeitos inevitáveis. E ele diz quais seriam, e o que impressiona é que sua descrição parece uma fotografia perfeita dos Estados Unidos hoje espiritual, cultural, política, social e até economicamente (ele chega a antever a conjuntura que provocaria a atual crise econômica).
Bezmenov explica que esse processo, que foi iniciado lá pelos anos 50, teve início na área cultural do país e consistia na formação de uma geração que fosse liberal socialmente e, ideologicamente, com tendência esquerdista. Ele conta como se deu a formação da chamada "esquerda chique dos EUA" e lembra que esse processo também foi encetado na América Latina.
Ora, sabemos que aqueles que idealizaram, gestaram, influenciaram e acompanharam esse processo à distância se foram com o fim da Guerra Fria. Porém, como no golpe de judô que descreve Besmenov, uma vez começado o processo liberalizante e esquerdizante, ele continua sozinho. É inexorável.
Aos que irão assistir à palestra, peço apenas duas coisas:
(1) Favor ver todos os sete vídeos do começo ao fim, obedecendo sempre à seqüência, sem pular mesmo, para que não se perca o encadeamento lógico;
(2) E, à medida que for assistindo à palestra, reflita sobre o “boom” das religiões orientais e espiritualistas nos anos 60 e na New Age; sobre a atual onda antiteísta no mundo; sobre a atual guerra cultural contra o Cristianismo; sobre os motivos que levaram à atual crise econômica nos EUA; sobre a mudança de paradigma que o capitalismo experimentou nas últimas décadas, abandonando a ética protestante para adotar um capitalismo firmado majoritariamente na lógica consumista; no caráter político beligerante do movimento homossexual hoje; na desintegração dos valores; na criação do Foro de São Paulo em 1990 pelos grupos de esquerda de toda a América Latina que se sentiam à época órfãos com a queda da URSS e como seus seguidores aplicaram fielmente a estratégia de Gramsci na Venezuela, na Bolívia, no Equador, no Paraguai, no Brasil etc. E, por fim, perceba como todo esse cenário tem uma pano de fundo escatológico.
Bem, já falei demais. Eis o link para os vídeos: http://www.youtube.com/watch?v=cj0Id3BLFco&feature=related (Se ao iniciar o vídeo as legendas em português não aparecerem, é só clicar no último retângulo à direita na barra do vídeo - próximo ao alterador de volume - e aparecerá dois outros retângulos, tendo um deles a opção "ativar legendas". É so clicar nesse último retângulo e esperar alguns segundos, então a legenda é ativada).
Clicando nele, você já assiste o primeiro vídeo e, em seguida, na coluna “Related Vídeos” (Vídeos Relacionados) ao lado da tela do primeiro vídeo, você encontrará, em ordem, os outros seis vídeos. Vale a pena. E para saber mais quem é Yuri Besmenov, segue uma entrevista com ele em 1984 na tevê americana: http://www.youtube.com/watch?v=aZ1yoKcaAT0&feature=related (a entrevista está dividida em nove vídeos e já vem com a legenda em português).
Abraços a todos!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

"Que tipo de teólogo você é?"

Como prometido, este final de semana (provavelmente já amanhã) estarei publicando meu primeiro artigo do ano neste blog. Enquanto isso, um teste curioso para quem gosta de Teologia: clicando aqui, você será apresentado a pouco mais de 30 perguntas que, se respondidas, pretendem te dizer “que tipo de teólogo você é”. Claro que o resultado não representará perfeitamente o seu perfil teológico. E nem poderia, porque as perguntas tratam só de alguns pontos do pensamento teológico cheio de matizes de 11 teólogos: Anselmo, Agostinho, Lutero, Calvino, Jonathan Edwards, Schleiermacher, Finney, Karl Barth, Bultmann, Tillich e Moltmann. Mas não deixa de ser curioso um teste desse tipo. No meu caso, deu Lutero 100%, Anselmo 100%, Calvino 83%, Agostinho 67%, Karl Barth 67%, Schleiermacher 67%, Jonathan Edwards 58%, Jurgen Moltmann 50%, Finney 17%, Bultmann 0% e Tillich 0%. E você?

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Drops da semana

Caros irmãos e amigos,

O programa radiofônico Resposta Fiel, que nas duas últimas semanas contou com reprises, voltou agora a ter programas inéditos. Os programas desta semana e da próxima tratam de dois assuntos que abordamos em dezembro no Verba Volant Scripta Manent: a falácia da nudez artística e de protesto, e o ensino do Criacionismo nas universidades do Brasil. O programa é transmitido todas as terças (às 22h), quintas (às 17h) e domingos (às 12h) pelo endereço eletrônico www.cpad.com.br/radioweb. Quem quiser participar poderá fazê-lo enviando sua mensagem para o e-mail radioweb@cpad.com.br ou deixando sua pergunta ou sugestão no espaço de comentários desta postagem.
Ademais, nos próximos dias estarei postando meu primeiro artigo deste ano no blog.
Amplexos!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O melhor vinho está garantido!

Há quatro anos, mais precisamente em 22 de dezembro de 2004, uma descoberta em Israel ganhou as principais páginas em jornais de todo o mundo: a arqueóloga israelense Yardena Alexander descobrira as ruínas da aldeia de Caná da Galiléia, em mais um achado que corroborava ainda mais a autenticidade histórica da narrativa bíblica sobre Jesus. Até então, alguns céticos duvidavam da existência de uma aldeia com esse nome naquela região do Oriente Médio.
Caná é uma aldeia bíblica mencionada em relatos marcantes das Sagradas Escrituras.
Foi em Caná que Jesus teve um encontro com um oficial de Herodes que estava com seu servo enfermo em Cafarnaum (Jo 4.46). O oficial, que pode ter sido o procurador Cuza (Lc 8.3) ou o colaço Manaém (At 13.1), ou uma autoridade menos conhecida, demonstrou uma fé marcante que extraiu elogios do Senhor. A fé daquele homem em Jesus fez com que o Mestre curasse seu servo à distância.
Era de Caná um dos principais discípulos de Jesus – Natanael (Jo 21.2), cujo nome significa “dom de Deus”. Ele era um judeu muito correto, tendo sido identificado pelo Mestre como “um verdadeiro israelita em quem não há dolo” (Jo 1.47). Apesar de a região da Galiléia ser conhecida na época como um lugar de libertinagem e profundas trevas espirituais, Caná era um lugar onde ainda havia algumas pessoas íntegras. Natanael era uma delas.
Mas, o principal acontecimento de Caná, que fez com que ficasse conhecida em todo o mundo, foi o fato de ali Jesus ter operado seu primeiro milagre, transformando água em vinho durante uma festa de casamento. Curiosamente, nos escombros de Caná, a equipe da arqueóloga israelense encontrou também jarros de pedra do mesmo tipo dos usadas no milagre. Nessas talhas cabem centenas de litros, como no registro bíblico (Jo 2.6).
O milagre em Caná foi tão importante que o apóstolo João o incluiu em seu Evangelho como um dos “sinais”, forma como ele designou os principais milagres de Jesus, que evidenciam Sua divindade (Jo 2.11; 20.30,31).
E pensar que tudo começou com um convite.
Certo dia, um casal, provavelmente gente próxima a Natanael (já que a aldeia era pequena) e amiga de Maria, mãe de Jesus (pois ela soube em primeira mão quando acabou o vinho da festa), resolveu convidar o Mestre e seus discípulos para suas bodas. João faz questão de frisar isso: “Jesus também foi convidado, com os seus discípulos, para o casamento” (Jo 2.2). Este foi o primeiro grande acerto dos noivos: convidar Jesus para sua festa.
Conta-nos a Bíblia que, a certa hora da festa, o vinho havia acabado, preocupando os organizadores das bodas, mas Jesus evitou um vexame para o casal. Jesus salvou a festa! Ele transformou água em vinho. Mas, não em qualquer vinho. Segundo o mestre-sala da festa, Jesus produziu “o melhor vinho”. Eis aqui a primeira grande lição sobre como devemos lidar com as celebraçãos da vida: Jesus nunca deve estar ausente de nossas festas.
O Mestre não deve ser só anelado avidamente em meio às borrascas da vida. Sua presença é indispensável também em nossas celebrações. Ele é - e quer ser de fato em nossas vidas - Deus dos vales e montes; Ele quer ser o nosso Senhor e Amigo tanto no "vale da sombra e da morte" quanto nos vértices e ápices da nossa vida.
Eis aqui um convidado que nunca deve ser esquecido em nossas celebrações: Jesus. Simplesmente, festa sem Jesus não é festa.
Quando Ele é excluído das celebrações de nossa vida, o prazer da vida se torna fugaz, rarefeito. Mas, se Ele está presente, o prazer da vida subsiste a todas as intempéries.
Sua presença é indispensável em qualquer circunstância, tanto em meio à dor mais lancinante quanto em momentos de júbilo e fervor.
Ainda que surjam as dificuldades, e elas vêm; ainda que o “vinho” acabe por um momento, restando apenas “água”, Jesus tem o poder de salvar a festa, transformando a água em vinho muito superior.
Lembremo-nos que o milagre só foi possível porque Jesus estava lá. Sem Jesus, não há milagre. Sem Jesus, a festa da vida perde a graça. É nEle que reside a graça, o sabor, o gosto e o prazer da existência. Ele é a Vida!
Uma das características marcantes do milagre do convidado especial é sem dúvida o fato de aquele vinho produzido milagrosamente ter sido considerado pelo experiente mestre-sala, o dirigente da cerimônia, o melhor que ele havia experimentado. “E lhe disse: Todos costumam pôr primeiro o bom vinho e, quando já beberam fartamente, servem o inferior; tu, porém, guardaste o bom vinho até agora” (Jo 2.10). Essa passagem nos traz grandes lições. Aliás, todos os milagres que Deus faz trazem lições.
Você nunca vai ver Deus fazendo um milagre em sua vida sem, com isso, estar ensinando alguma coisa. Milagres não são caprichos divinos. Não são atos de Deus para impressionar as pessoas. Eles são ingredientes da pedagogia divina. São atos pedagógicos de amor. São "sinais"!
Ora, Deus é todo-poderoso, onisciente, onipresente e auto-suficiente, mas Ele só age conforme o seu caráter, que é santo. Deus só age a partir de princípios. Ele não dirige o Universo irresponsavelmente.
Deus criou leis naturais, como a da gravidade, para que houvesse ordem no Universo. Se uma dessas leis é quebrada, quem a quebrou sofre as conseqüências. Por causa da lei da gravidade, não posso saltar de um avião sem pára-quedas, porque certamente morrerei. Portanto, Deus só pode fazer um milagre, uma intervenção que quebre as próprias leis que Ele criou, por um motivo pedagógico, edificante, nunca por mero capricho.
Deus só faz milagres para trazer lições. Ele move céus e Terra para abençoar seus filhos, edificá-los, amadurecê-los, fazê-los confiarem mais nEle, buscá-lo e crescerem espiritualmente.
Em suma, tudo o que Deus faz tem por objetivo não apenas a Sua glória, mas também nos fazer crescer. O milagre em Caná da Galiléia é um exemplo disso.
Quais as lições desse milagre?
A primeira aponta para o sacrifício de Cristo. O bom vinho representa o Evangelho, as Boas Novas de Salvação (Mt 9.17). Ele também representa o sangue de Cristo, que nos purifica de todo pecado (Mt 26.27-29 e 1Jo 1.7). A transformação de água em vinho fala da transformação que o Espírito Santo opera em nossas vidas através do Evangelho de Cristo (2Co 5.17). Essa é a lição básica desse milagre.
Agora, há outras lições nele. Se observarmos cada passo do milagre, o processo que Jesus utilizou para operá-lo, o ato dos serventes e o resultado do milagre, aprenderemos algo sobre o melhor de Deus para nossas vidas.
Você quer o melhor para a sua vida? Você quer “o melhor vinho”? Só uma pessoa que não é sadia psicologicamente, só um sadista, vai querer o pior para si. Todos, em são juízo, querem o melhor. Porém, como termos certeza de que obteremos o que realmente seria o melhor para nossas vidas?
Em primeiro lugar, com os serventes que obedeceram Jesus para que a festa fosse salva, aprendemos que ser obediente à ordem de Jesus é requisito indispensável para recebermos o melhor de Deus.
Deus tem o melhor para nós, Ele quer nos dar o melhor, e o melhor está disponível. Basta apenas agir corretamente para que experimentemos o melhor do Senhor. Como costumo dizer, fique à vontade na vontade de Deus.
Em segundo lugar, com a expressão do mestre-sala (“Deixaram o melhor vinho para o final!”), aprendemos também que o melhor de Deus para nossa vida está no fim. Ou seja, se você quer o melhor de Deus, você tem que ir até o fim com Ele.
Não pare. Persista. Vá até o fim!
Se Jesus está nas celebrações da nossa vida, se Ele faz parte delas, Ele com certeza trará o melhor ao final de cada experiência. Com Ele, cada capítulo de nossa vida, por mais que às vezes tenha um ou outro “momento de suspense” ou sobressaltos, sempre termina com final feliz. E mesmo que aconteça de, aqui na Terra, todo o roteiro da sua vida ser eventualmente o mais terrível possível devido às circunstâncias da existência, o seu capítulo final será, sem dúvida, extraordinário, o melhor do melhor: a Eternidade com Deus.
O final com Deus sempre é melhor, muito melhor.
Com Ele, cada lágrima e suor valem a pena. Viver nunca é debalde ao Seu lado. É sempre ganho; e o morrer, superávit.
Dizendo de outra forma: Quem não está nEle pode ter tudo, mas não tem nada; quem está nEle pode não ter nada, mas tem tudo.
Portanto, não devemos nos aprisionar no hoje. Devemos prosseguir, porque Deus tem o melhor para nós mais à frente. Sua vida não é um arquivo estanque; é uma obra em aperfeiçoamento, e Aquele que a começou é fiel para aperfeiçoá-la.
“Melhor é o fim das coisas do que o princípio delas” (Ec 7.8) e “a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até se tornar dia perfeito” (Pv 4.18).
Persista em fazer o que vale a pena: a vontade de Deus. E, nos momentos difíceis, Deus não vai simplesmente transformar “limão em limonada”. Creia que Ele vai transformar água em vinho! Do pior Ele vai extrair o melhor para você.
Na festa da vida, o normal, aos olhos humanos, é começarmos com o melhor vinho e terminarmos com o inferior. Por exemplo e principalmente: começamos com saúde, terminamos cansados e alquebrados pelo peso dos anos. O homem exterior se corrompe com o tempo. É inexorável. Porém, para quem tem Jesus nas celebrações da vida, não só na velhice há frutos - bem como se é viçoso e florescente -, mas também, na Eternidade, ao terminarmos nosso combate, constatamos que, o tempo todo, Deus havia reservado para nós o melhor vinho de Sua safra para o desfecho. O vinho das Bodas do Cordeiro!
Venha o que vier sobre sua vida, aconteça o que acontecer, o que importa é que Deus está com você e o melhor vinho está garantido!
Sim, o melhor vinho está garantido! O melhor vinho está garantido!
Creia, vá em frente e celebre!
Boas festas!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Em debate no Brasil: Criacionismo nas aulas de Ciência e a falácia da "nudez artística"

Nas últimas semanas, debates interessantes, que envolvem valores e temas que prezamos, têm acontecido em nosso país na área cultural. Porém, infelizmente, devido às minhas muitas ocupações, ainda não tive tempo de escrever a respeito (Como prometido, as análises sobre os dois temas já se encontram no espaço de comentários desta postagem). Entretanto, como já há muita informação interessante sobre essas discussões disponível na Internet, apresento a seguir, à guisa de introdução e análise sobre o assunto, alguns desses links para, posteriormente, postar no espaço de comentários minha tradicional longa análise sobre os dois casos.
O primeiro debate diz respeito à condescendência da mídia com a chamada “nudez artística”. O debate foi encetado não por um evangélico ou católico conservador, mas, o que era inesperado, por um consagrado ator "global": Pedro Cardoso. Ele combate explícita e contundentemente a indústria da pornografia no meio cultural, que tem suas atividades eufemizadas sob o conceito nebuloso de “nu artístico”. Um link interessante sobre o assunto pode ser encontrado no blog do irmão Valmir Milomem.
A íntegra do manifesto de Pedro Cardoso pode ser encontrada em seu blog. Lá você encontrará também a série de emails que ele trocou com o diretor e a editora da maior revista pornográfica publicada no Brasil quando da tentativa destes de entrevistá-lo para falar sobre seu manifesto. Nesses emails, Cardoso expressa sua crítica a tal revista pela sua proposta editorial e por insistir em não se identificar como pornográfica.
O detalhe é que, semanas antes, Cardoso já havia dado entrevista interessante ao jornalista Roberto Dávila em que, em dado momento, criticou a Editora Abril pela contradição ética de ter uma revista que defende tanto a ética na política (a revista Veja), mas, ao mesmo tempo, publicar a versão brasileira da maior revista pornográfica do mundo. Trechos da entrevista estão acessíveis na Internet aqui. É importante dizer que não concordo com alguns posicionamentos do ator em relação a determinados assuntos, mas seus argumentos contra a indústria da pornografia no meio cultural e sua denúncia quanto à eufemização da pornografia no meio artístico são, sem dúvida alguma, precisos e acertados.
Devido a essa crítica articulada de Cardoso e à repercussão em seu blog dos emails trocados com o pessoal da tal “revista de adultos”, a Editora Abril usou a revista Veja desta semana para tentar responder a Cardoso. E não foi uma pequena resposta. Simplesmente, a peça é o assunto principal da atual edição de Veja – a matéria de capa. O que não ajudou, por dois motivos. Primeiro, os contra-argumentos da revista são pífios (Leia-os aqui, e uma análise interessante sobre alguns desses argumentos neste link. Lembrando que, brevemente, no espaço de comentários desta postagem, pretendo inserir ainda uma análise de minha lavra sobre tais argumentos); e em segundo lugar, a importância que a Editora Abril deu às críticas de Cardoso demonstra que o grupo foi realmente abalado por elas.
Outro debate interessantíssimo tem acontecido desde o final de novembro, quando Marcelo Leite, colunista de Ciências da Folha de São Paulo, criticou abertamente a Universidade Presbiteriana Mackenzie, uma das mais respeitadas instituições de ensino universitário no país, por ensinar tanto o evolucionismo como o criacionismo nas aulas de ciências. O artigo da Folha de São Paulo está acessível aqui e com mais detalhes aqui.
O jornal Estado de São Paulo também repercutiu o assunto agora há pouco, lembrando que colégios adventistas e batistas fazem o mesmo. A matéria do Estadão está aqui.
A essas instituições, meus parabéns pela decisão, que em nada fere a Lei de Diretrizes e Bases da educação brasileira, além de ser extremamente salutar. Escrevo mais sobre o assunto também brevemente no espaço de comentários desta postagem.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O sentido do termo vingança na Bíblia


Tanto no Antigo quanto no Novo Testamentos, encontramos muitas passagens que falam de vingança como algo positivo, notadamente as passagens que se referem à vingança divina – fato que, às vezes, causa uma certa estranheza no leitor hodierno da Bíblia. Isso porque o termo vingança traz à nossa mente naturalmente a idéia de algo que não tem um valor ético louvável. Como, então, entender essa discrepância?
Como entender o fato de que, diferentemente do que aprendemos e está incutido em nossa mente, o termo vingança denota, em boa parte do texto bíblico, exatamente um valor correto? Por que, na maioria das vezes em que surge no texto sagrado, ele está carregado de um valor ético positivo e não de um sentido reprovável? Será que, no original das Sagradas Escrituras, os termos que ali aparecem para se referir à vingança, na verdade, não tratam exatamente de vingança?
A resposta é não. Por exemplo: o termo vingança aparece cerca de 70 vezes no Antigo Testamento e em todas elas o vocábulo usado no original é nãqam, que significa exatamente... vingança!
Como, então, é possível um sentido diverso?
O problema é que tem havido, nos últimos anos, principalmente depois que mergulhamos na "Era do Império do Politicamente Correto”, um mal-entendido em relação ao sentido e ao uso originais do termo vingança. A questão é que, eclipsados pela influência da onda do "politicamente correto", não percebemos que o termo vingança, em si mesmo, originalmente, não denota nenhum valor ético negativo. Sim, porque vingança, em si, nada mais é do que castigar ou punir alguém de quem recebemos uma lesão real, seja ela uma lesão em palavras ou atos. Lembremos que se não há lesão real, não há razão de ser para a vingança. Vingar é literalmente defender, indenizar, compensar, desafrontar, isto é, responder justa e proporcionalmente a uma lesão genuína. Em suma: vingar é fazer justiça. Quando um criminoso é condenado pelo seu crime, o lesado e a sociedade são vingados.
Entendido isso, vingança só se torna um mal quando é (1) fruto de um senso distorcido de justiça, (2) aplicada desproporcionalmente e (3) aplicada pelos meios e pelas pessoas erradas.
Em nossos dias, porém, o termo vingança é usado majoritariamente para designar a idéia de fazer justiça pelas próprias mãos, sem um julgamento justo e sem regras que respeitem os direitos do acusado. Ora, assim como toda a sociedade ocidental, a Bíblia condena esse tipo de coisa. Aliás, a sociedade ocidental condena esse tipo de vingança porque seu sistema jurídico foi erigido sobre os princípios judaico-cristãos.
Em síntese: o problema não está no uso do termo vingança na Bíblia, mas naquilo que aprendemos a visualizar quando ouvimos ou pensamos o termo vingança. A resistência que surge na nossa cabeça em relação ao uso desse termo se deve apenas à forma como o entendemos hoje. Quando lemos "vingança", imaginamos mero revanchismo, resposta ilegal ou desproporcional a um ataque justo ou injusto que sofremos; isto é, retribuir uma maldade com outra maldade. Mas, na maioria esmagadora das vezes em que o termo aparece na Bíblia, o sentido não é esse. Nesses casos, fala-se de vingança no seu sentido correto, primário, que é fazer justiça.
Em Apocalipse 6.10, por exemplo, vingança é vingança mesmo, a ser executada pelo Justo Juiz – Deus – como Ele promete.
Porém, por outro lado, é importante frisar duas coisas.
Em primeiro lugar, a Bíblia, de forma geral, desestimula os servos de Deus a buscarem vingança aqui na Terra. Em lugar disso, estimula os servos de Deus a exercerem o poder do perdão – e isso não só no Novo Testamento, mas no Antigo também (Lv 19.18). Isso porque o perdão exerce um poder transformador enorme tanto sobre a vida de quem é o ofendido quanto de quem é o ofensor. Sobre o ofendido, tem o poder de curar a ferida aberta; e em relação ao ofensor, tem o poder de fazer com que reflita sobre seus atos, caia em si, arrependa-se e mude seu comportamento. O amor constrange. O amor transforma. Mas, para isso, deve ser um perdão, um amor, não só em palavras, mas também em obras (Rm 12.20), o que só é possível pela ação do Espírito Santo em nossas vidas (Rm 5.5).
Por outro lado, em segundo lugar, quando Deus diz para seus filhos preferirem sofrer o dano em vez de procurar repará-lo, não está desautorizando de forma geral a reparação legal, muito menos a reparação via justiça secular em casos graves, mas querendo dizer que nunca devemos fazer justiça com as nossas próprias mãos e que devemos relevar as injustiças e maus tratamentos do cotidiano, que sofremos eventualmente no dia-a-dia. E mais: que devemos também confiar que o Senhor, que é o Justo Juiz, e que também foi ofendido por aquela ofensa ou ataque a seus filhos, irá vingar (julgar, compensar, reparar, punir, castigar) o mal feito a seus filhos.
Há também o fato, frisado nas Sagradas Escrituras, de que, independente de a punição secular ser dada ou não ao ofensor, o cristão ofendido deve sempre perdoar o ofensor e não retribuir o crime com outro crime, a maldade com outra maldade, o erro com o erro. Não retribuir o mal com o mal não quer dizer que, cometido um crime contra mim, minha família ou próximos, não devo denunciar o crime para que o criminoso seja preso e condenado pelos seus crimes. Não retribuir o mal com o mal quer dizer: “Não haja com ele da mesma forma que ele agiu com você. Não retribua maldade com maldade, injustiça com injustiça. E, apesar de tudo, não guarde mágoa ou rancor, mas perdoe e siga em frente”.

A vingança divina

Como já ressaltamos, quando a Bíblia usa o termo vingança, inclusive em relação a Deus, trata-se de vingança mesmo, porém não em sua forma equivocada, mas na forma correta: fazer justiça.
Inclusive, entendida à luz da santidade e justiça divinas, e contrabalançada com a misericórdia, a vingança de Deus é mais do que justa – é moralmente uma necessidade.
A vingança de Deus é uma atitude moralmente correta, pois Ele se vinga como paladino do Seu povo (Sl 94) e para castigar quem rompe Sua aliança (Lv 26.24,25), visando a estes um fim proveitoso (Hb 12.5 e Sl 119.71). Além do mais, Deus não é um Papai Noel, passando a mão na cabeça de todos. Por outro lado, nunca devemos olhar para a vingança de Deus deixando de lado Seu propósito de manifestar misericórdia. Enfatiza o apóstolo Paulo que devemos considerar tanto a bondade como a severidade de Deus (Rm 11.22). Como afirmou certo teólogo, “Ele é o Deus da ira a fim de que sua misericórdia faça sentido”. Deus não é um papai bonachão, mas também não é um déspota iracundo. Deus é paciente, Ele é "tardio em irar-se" (Nm 9.17; Sl 103.5; 145.8; e Jn 4.2) e longânimo (Êx 34.6).
A ira divina não é como a humana, posto que não leva Deus a ações insensatas, impulsivas ou imorais. Lembremos que o Justo Juiz é sábio e onisciente, justo e santo. Sua ira é uma manifestação de seu caráter, portanto é uma ira justa. O teólogo britânico James Packer lembra que “a ira de Deus é sempre judicial. A essência da ação de Deus na ira é dar aos homens aquilo que escolheram. Os homens é que escolhem a ira de Deus”.
Deus, o perfeito Juiz, retribui o bem com o bem e o mal com o mal. Ele estaria contrariando seu caráter de santidade e justiça caso permitisse que o pecado e a rebeldia ficassem sem castigo. “Então, por que às vezes Ele se demora em executar seu juízo?” Essa é uma outra questão. Não temos certeza de quando Ele executará, mas que o fará, sim. Além disso, o Juízo Final nada mais é que a execução final e definitiva do juízo de Deus sobre os ímpios.

A vingança por mãos humanas

Por fim, considerarei agora, mais detidamente, a vingança por mãos humanas.
Interessante que daquelas cerca de 70 vezes a qual nos referimos em que o vocábulo nãqam (vingança) aparece no Antigo Testamento, na maioria delas o homem é a causa secundária. Deus é que aparece como a origem (Ez 25.14; Js 10.13; Dt 32.35,41 e Nm 31.2-3). A Bíblia adverte que os homens não podem tomar vingança das próprias mãos (Lv 19.18; Dt 32.25). O próprio Deus (Dt 32.35) e Paulo (Rm 12.19) advertem contra termos um espírito vingador.
Por causa de versos que falam de um ódio justo contra os inimigos de Deus, tendemos a achar que o Antigo Testamento ensina que sempre se deve odiar os inimigos. Paulo, ao citar Provérbios 25.21-22 (Rm 12.20), mostra o contrário. Os antigos hebreus, como muitos cristãos hoje, aplicaram erradamente a doutrina da vingança divina, usando-a como desculpa para alimentar seu forte ressentimento. Jesus, em Mateus 5.43-45, 19.19 e Marcos 12.13, está referendando Levítico 19.18.
Quanto à instituição do vingador de sangue, durante a implementação da Lei Mosaica, era algo de natureza estritamente legal que supria uma necessidade de justiça numa sociedade tribal. O olho por olho não era para ser praticado por particulares, mas só depois de um processo judicial e com a sanção divina. As cidades de refúgio representaram um aperfeiçoamento, proporcionando justiça em casos de homicídio involuntário (Nm 35.9-28).
Ou seja, a Bíblia não condena o fazer justiça, mas apenas (1) o fazer justiça pelas próprias mãos, (2) sem ser pelas vias legais (3) e, mesmo que seja pelas vias legais, atribuindo ao culpado uma punição desproporcional. Mas, não só isso: exorta-nos a não guardarmos mágoa ou rancor, mas perdoarmos e seguirmos em frente.
(A pedido de alguns leitores, segue bibliografia que serviu de base para o conteúdo desta reflexão: Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, vários autores; O Conhecimento de Deus, James Iann Packer; Os Atributos de Deus, A.W.Pink; e o artigo A Vingança e a Bíblia, de minha autoria, publicado no jornal Mensageiro da Paz de outubro de 2001).